Notas iniciais
Capítulo nooovo!!!! Enjoy! ;)

Perdidos. Palavra que definia perfeitamente o estado dos Guardiões naquele momento! Estavam numa floresta onde o tal Jack Frost disse ser “em algum lugar do Canadá”. Como se Merida soubesse o que era “Canadá”.

Merida não havia gostado muito do passeio de dragão em meio à fumaça e chamas. Aliás, havia MUITO do que ela não havia gostado desde que deixara sua casa.

Todos estavam quietos. Não se conheciam e pelo jeito estavam preocupados e aflitos demais para começar uma apresentação formal.

O único som que se ouvia era do ronco do dragão!

Merida sentia falta dos irmãos e do pai. E principalmente da mãe. Mesmo com os problemas enfrentados no ano passado (bom, no caso atual foi há muitos anos!).

A jovem toca de leve na queimadura que fez no braço durante o incêndio. Doía muito. E o fogo conseguiu arrancar a manga de seu vestido verde.

- O que vamos fazer agora? – pergunta o garoto do dragão, atraindo a atenção de todos.

- Como assim? – pergunta Jack Frost.

- Nós vamos ficar aqui? Sem fazer nada?

Jack não responde de imediato. Ele dá um longo suspiro e diz:

- Olha, Espirro...

- Soluço.

- É! Olha, Soluço, se tiver alguma sugestão do que devemos fazer... Por favor a compartilhe!

Soluço pensa por um momento.

- Vamos atrás da adaga antes do Breu! Que tal?

Merida não deixa de se intrometer no assunto:

- Ir atrás de uma adaga tão poderosa que pode condenar o mundo e tentar evitar que um IMORTAL, muito mais poderoso que nós, a consiga?

Eles olham para Merida, um pouco perplexos. Mas Jack concorda com ela.

A menina loira levanta da pedra em que estava sentada.

- E nós vamos ficar aqui? Quietos e sentados em pedras até que algo aconteça?

Ninguém responde.

- Eu concordo com o Soluço – a loira finaliza.

Soluço exibe um sorriso satisfeito.

- Então como os dois vão atrás da adaga? Não sabemos onde está!

Os dois ficam com expressões pensativas, até que Soluço aparenta ter uma ideia.

- Banguela! – ele diz.

- Quê? – todos perguntam em uníssono.

- Meu dragão. Ele tem um olfato e uma audição incríveis. Ainda mais para catalisar coisas poderosas.

Todos pensam um momento. Então Jack dá de ombros.

- Tudo bem, se vocês querem arriscar a mortalidade de vocês... Mas vamos pela manhã. A viagem com a luz do sol é um pouquinho mais segura e já está escurecendo!

- Um pouquinho mais segura... – murmura Merida para si mesma – por que não acho isso tranquilizador?

- Ei, ruiva! – Jack chama a atenção dela.

- Sim?

- Sabe usar esse troço aí?

Ela nota que ele apontava para o arco-e-flecha.

- Perfeitamente.

- Mostre!

Merida revira os olhos.

- Tem algum alvo? – pergunta.

Jack pensa um momento. Ele pega o cajado e desenha um círculo de gelo numa árvore.

- Serve?

Merida assente.

Ela puxa uma flecha e mira com seu arco. Visualizando o ponto azul na árvore como se estivesse bem na sua frente. Merida posiciona a flecha e solta a corda com convicção.

A flecha se prende perfeitamente no meio do círculo.

- Uau! – a loira sussurra.

- Você tem um talento nato – diz Soluço. O comentário dele faz com que ela enrubesça. Por quê?

- Soluço já nos mostrou o talento com que dirige um dragão cuspidor de fogo – diz Jack – e você Rapunzel? Sabe usar essa frigideira (já vi)... Sabe mais alguma coisa?

Rapunzel olha para Jack, surpresa. Estava um tanto assustada.

- Posso mostrar o que posso fazer... Mas vocês devem JURAR não contar para NINGUÉM o que virem.

Todos concordam.

Então ela faz uma pergunta esquisita:

- Alguém tem algum machucado?

Merida levanta o braço vermelho da queimadura. E dói quando ela o faz.

Rapunzel se aproxima, trazendo uma longa mecha de seus cabelos suspendida. Ela enrola a mecha pelo braço de Merida, enquanto a mesma pensa que diabos ela faria com aquilo. Merida começou a achar que ela era maluca.

Então Rapunzel faz realmente algo maluco. Começa a cantar. Uma música calma e melodiosa. Tão confortante que Merida achou que Rapunzel queria consolar a saudade que ela tinha de casa ou por a ruiva para dormir:

Brilha, linda flor
Teu poder venceu
Trás de volta já
o que uma vez foi meu

Uma vez foi meu

O cabelo de Rapunzel começou a brilhar numa luz dourada e forte, que se espalhava de seu coro cabeludo até o final dos fios. Fazia aquele escuro crepúsculo parecer uma cidade iluminada ou o nascer do sol. Todos ficaram boquiabertos com a visão!

Cura o que se feriu
Salva o que se perdeu
Trás de volta já
o que uma vez foi meu

Uma vez foi meu

Merida sentiu a dor se esvair. Tornando-se em pouco tempo apenas uma lembrança ruim. O cabelo longo e brilhante de Rapunzel voltou ao loiro habitual.

A jovem começou a tirar o cabelo do braço de Merida. E ao fazê-lo a vermelhidão da queimadura havia desaparecido assim como a dor. Estava perfeitamente normal!

Todos estavam de queixo caído e ninguém conseguiu emitir um som sequer.

— Minha... Queimadura... – gaguejou Merida.

Rapunzel deu um sorriso tímido.

— Posso curar qualquer coisa! Um arranhão e até mesmo garantir a juventude...

— Curar velhice? – pergunta Jack – mas isso não garante...

— Imortalidade – responde Rapunzel – por isso que eu nunca saí da torre. Mamãe dizia que podem querer cortar meu cabelo, mas se cortarem o poder acaba!

— Quer dizer que você é meio que imortal – diz Jack, um pouco animado – como eu.

Rapunzel sorri, também animada. Merida cheirava um clima estranho no ar.

— Espera – diz Soluço – você pode curar sua juventude também?

— Sim. É meio que automático! Eu demoro um pouco a envelhecer...

— Isso é bem legal!

— Bom, por falar em mortalidade – diz Merida – precisamos comer! Ao contrário de você, Jack, nós podemos morrer se não o fizermos.

— Ah – Jack fica um pouco sem graça – não tenho comida aqui.

— Eu cuido disso. Vou caçar, e vocês podem ficar aí...

— Eu vou com você! – diz Soluço.

— E o dragão? – comenta Rapunzel.

— Acredite, ele só vai acordar amanhã de manhã.

Merida pega a flecha que havia acertado na árvore e põe na aljava. Ela e Soluço se afastam, adentrando na floresta.

Estavam em silêncio, em busca de algum cervo ou animal que estivesse “dando sopa” por aí. Merida estava atenta e concentrada.

Ela, particularmente, gostava de usar o arco-e-flecha somente para diversão. Era como se aquele objeto definisse sua liberdade. Mas no caso atual, era necessário que a jovem usasse isso para sua sobrevivência.

— Então... você veio da Escócia? – Soluço pergunta.

Merida revira os olhos.

— Sim.

— Eu moro lá perto... Morava. Moraria... Porque, eu venho de uns séculos antes e tudo o mais.

Aquele garoto era definitivamente estranho. Bom, a queimadura gigante do braço de Merida foi curada por cabelos. Estranhice era o que não faltava.

Merida continuou concentrada.

- Você é muito bonita sabia?

Isso tira a concentração dela. Merida vira de costas para observar o garoto, perplexa.

- Olha... – ela começou a falar. Mas ouviu um movimento por entre as folhas. Merida mira a flecha de onde o som vinha.

O movimento retorna. Merida abaixou-se e apertou os olhos para que visse melhor. Assim que as folhas voltam a se mover, ela dispara a flecha.

Um cervo adulto cai morto, atravessando os arbustos. Uma flecha estava atravessada em seu pescoço.

- Uau! – Soluço exclamou, observando o cervo.

Merida tira a flecha do animal e a guarda na aljava.

- É bem simples – ela comenta – simples como lançar facas ou lutar com uma espada, quem sabe.

- Eu não sei lutar – Soluço admite.

- Não sabe lutar?

O viking nega com a cabeça.

- Não.

- Não sabe usar nenhuma arma?

- Você pode contar um dragão como uma. Mas eu o considero meu melhor amigo... Não uma arma.

Merida franze o cenho. Era de se esperar que vikings, seus “ancestrais vizinhos”, fossem bravos guerreiros e corajosos! Nunca ouviu falar num viking que não soubesse lutar.

- Se quer enfrentar aquele sujeito – ela diz referindo-se a Breu – terá que aprender bastante.

— Você me ensinaria? – ele pergunta, sorrindo.

Merida já responderia um NÃO de imediato. Mas algo no garoto a fez pensar duas vezes. Ela sorri e depois dá de ombros.

— Acho que posso lhe ensinar uns truques.

O sorriso de Soluço é imenso e a faz ficar animada. Mas... Por que a fez ficar animada?

— Vamos – ela diz mudando o assunto – temos que levar esse cervo para o “acampamento”.

Notas finais
Primeiros momentos de Merricup!