Gripe
5 Dor de Garganta
Notas iniciais
E mais uma vez, muito obrigada a todos que estão lendo, que comentaram, que favoritaram. Esta fanfic não seria nada sem vocês:).
Giane estava adquirindo um novo hábito. Não tinha exatamente certeza de quando isso tinha começado, mas agora que ela tinha experimentado era um pouco difícil de parar. Talvez aquela mania fosse mais um vício do que um hábito.
Era bem simples até. Ela buscava de todas as formas possíveis, provocar Fabinho. Não exatamente o tirando do sério, mas o provocando fisicamente.
A primeira vez que ela realmente notou o efeito que tinha nele foi na primeira vez em que quase se beijaram. Se bem que diferente do que Caio achava, ela também sentiu o efeito de Fabinho nela e ali, ela foi tudo, menos inocente.
Ela gostava de ver como os olhos dele ficavam mais escuros, como ele mordia repetidamente os lábios, e até o quanto ele corava.
O porquê de ser tão prazeroso provoca-lo não era bem claro na mente dela e muito menos o que ele faria se descobrisse o que a garota estava fazendo, mas ela não conseguia parar. Por menores que fossem as reações dele, um arrepio, o calor das mãos dele ao tocar nela, um olhar furtivo, tudo isso fazia crescer em Giane um sentimento inexplicável de felicidade.
Naquela noite, o jantar seria na casa dela. E ela escolheu uma roupa especialmente para ajuda-la naquela missão. Era a roupa do guarda-roupa de modelo que ela mais gostava, valorizava bem os pontos fortes do corpo dela.
Depois do jantar, Silvério continuou com a mãe de Fabinho na cozinha, conversavam como se não tivesse mais ninguém na casa.
“Eu tô achando que seu pai tá cantando a minha mãe.” Fabinho falou empurrando de leve a garota com o ombro enquanto caminhavam para a sala. Ela respondeu com um tapa leve na barriga dele.
“Mas você é muito lento, né? Só agora que percebeu?” Giane já tinha reparado nos olhares que os aqueles dois trocavam e ficava feliz pelo pai estar se interessando por alguém.
“Para a sua informação, eu já tinha reparado. Acho que qualquer dia eu vou ter que sentar com ele e perguntar quais são as intenções dele com a minha mãe” Ele falou com uma cara pensativa, como se realmente estivesse pensando naquela possibilidade.
“Ah, não. Eu não acredito! Cê tá com ciúme!”
“Quem disse que eu tô com ciúme, moleque! Eu não tenho ciúmes de ninguém. Cê tá querendo briga, né?” Ele respondeu divertido e sem avisar, segurou os braços de Giane para trás, impedindo que ela se mexesse. “Agora, não tem como me bater. Só solto se admitir o quanto você me acha bonito.”
Giane queria rir daquela situação. Ele fazia o trabalho dela tão mais fácil. O modo como ele a prendeu os deixava tão próximos que ela sabia exatamente como sairia dali.
No lugar de tentar se debater ou lutar para sair, ela se aproximou mais do rosto dele, roçando a boca de leve no ouvido dele. “Tem certeza que não tem como eu sair daqui?”.
O sorriso surgiu no rosto dela quando ela sentiu Fabinho travar. “Acho que eu consigo pensar em dois ou três modos de fazer cê me soltar.” Ela sentia o calor que emanava dele enquanto os seus lábios passavam como pluma pelo pescoço de Fabinho. Vagarosamente, subiu em direção ao maxilar, criando um leve atrito entre a superfície áspera da barba dele e a pele do rosto dela. Um atrito suave, repetido, quase uma tortura.
Ela voltou para a orelha dele, dizendo em um sussurro “Quem cê acha que consegue ficar mais tempo assim?”. Como reflexo, ele apertou mais Giane nos braços dele, puxando a garota para si. Ela respondeu voltando para o pescoço dele e num impulso, mordeu bem de leve no ponto de pulsação bem abaixo do maxilar.
O grunhido baixo, quase animal que saiu da boca dele assustou Giane e por um momento ela pensou que tinha ido longe demais. Fabinho colocou as mãos na cintura dela, segurando de um jeito que fazia as pernas dela amolecerem.
Ela sentiu a boca seca e a garganta fechar com a intensidade do olhar dele. Era feroz a maneira como ele olhava os lábios dela, parecia que ele queria devora-la e estava se controlado ao máximo para não fazer.
E Giane finalmente entendeu. Ela queria que ele a beijasse. Queria sentir o gosto da boca dele, saber se era mesmo tão macia quanto parecia, queria sentir o toque dele. Desde a primeira vez que passaram por uma situação assim, ela queria beija-lo. E provocar Fabinho tinha sido um tiro no pé, pois a vontade dela apenas aumentou com o tempo. Se ele não a beijasse, ela que o beijaria. Não era uma possibilidade, era um fato e ponto.
Eles se olharam mais uma vez, como que decidindo quem tomaria a iniciativa. Ela fechou os olhos, inclinou levemente a cabeça e foi em direção a ele. Quando já podiam sentir a respiração um do outro, Silvério e Margot decidiram ir para a sala.
E a mesma força que os mantinha unidos, os separou com o triplo de intensidade.
“Está tudo bem, meu filho? Você tá vermelho. Parece que está com febre.” Margot falou pegando na testa de um Fabinho muito vermelho, que olhava para o chão como se fosse a coisa mais interessante que ela já vira na vida.
Margot resolveu encerrar a noite, dizendo que Fabinho estava provavelmente gripado, então era melhor eles irem para casa descansar.
Quando Giane ia entrar no quarto, Silvério passou por ela no corredor e em tom de brincadeira, disse algo que a deixou envergonhada. “Do jeito que as coisas vão, logo, logo, eu vou ter que sentar com certo rapaz e perguntar quais intenções ele tem com a minha filha.” Ela não queria nem pensar no que os pais deles tinham visto.
Giane ainda estava abalada. Ela provavelmente não dormiria aquela noite.
Ao lembrar cada sensação e cada reação que o toque dele provocava nela, sentia a respiração ofegante e um calor que emanava do corpo. Sentia a garganta doer, a boca secar, sentia a falta dos braços dele ao redor dela. O mais incrível era que ela sentia falta do beijo que ela nem sequer tinha experimentado ainda. E foi nesse instante que ela percebeu que o hábito que ela criara virou um vício e ela era a primeira viciada em Fabinho.
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