Gripe

6 Dor Muscular


Notas iniciais
Geeeeente, quantos comentários! Desculpem a demora, essa semana foi cruel na faculdade :(

Depois de tanto tempo sem apanhar sério dela, Fabinho esqueceu o quanto a mão de Giane pesava. O rosto dele estava inchado e vermelho e por mais que ele não quisesse dar o braço a torcer, a lambisgóia da Amora tinha razão. Dava pra ver a marca dos cinco dedos da mão dela nele.

Ele odiava admitir quando alguém além dele tinha razão, mas dona Margot também estava certa. Que pudim que nada, apesar da mãe cozinhar bem, ele não queria que Giane fosse embora e muito menos para encontrar com o idiota do Caio. E agora a pouco, quando a ouviu toda derretidinha falando novamente com o ex, ele ficou irritado. Ele queria chutar, bater, gritar. Talvez irritação não fosse o sentimento certo. Ele estava com ciúmes.

A noite que até pouco tempo não poderia ser melhor, terminou com um gosto amargo na boca dele.

Ele chegou atrasado ao show da Jesuton, principalmente por ainda não saber como deveria agir perto dela. Sabia que não conseguia ficar longe, era quase impossível. E toda vez que estavam juntos, ele queria chegar mais perto, queria tocar, queria beija-la.

E o modo como Giane estava agindo ultimamente, fazia Fabinho exercer ao máximo o autocontrole. Ele demorou, mas finalmente percebeu o jogo perigoso que ela estava jogando. Se ela queria brincar com fogo, não era ele que a proibiria.

Não sabia o que ela tinha de tão especial que o tinha transformado em um cara meloso, mas por ela, ele até estava disposto a confiar em alguém de verdade, derrubar a capa de ironia e deixar que ela o conhecesse melhor. Ele sabia que não poderia forçar muito, em vários aspectos ela era uma gata. Além de linda, ele sabia que se ela se sentisse acuada, das duas uma: ou ela fugiria dele ou, atacaria. E ele não queria apanhar outra vez dela. Então aquela era a noite das tentativas. E ele queria saber até onde poderia ir, queria saber qual era o limite dessa nova brincadeira deles.

“Vai ficar a noite toda do lado dessa pilastra, pivete?” Ele falou enquanto da forma mais delicada que ele conseguia, puxava o braço dela. “Sai daí, vem dançar comigo.” E por mais que ele não quisesse, o sorriso idiota que só ela era capaz de provocar já estava no rosto dele.

Ela passou os braços em volta do pescoço dele, se aproximando o máximo possível, sem deixar espaço entre eles, dava para sentir o calor que emanava do corpo dela. Ela estava com aquele sorriso travesso de menina-mulher, o mesmo das outras vezes que o provocara.

Hoje não, moleque.

Sem perder tempo, Fabinho a segurou firmemente pela cintura “Você acha que o mesmo truque vai funcionar? Dessa vez eu não vou perder, maloqueira.” Ele aproveitou a proximidade, abaixou a cabeça e roçou a barba levemente no pescoço dela.

Com satisfação, ele viu um arrepio percorrer o braço de Giane que naquele momento estampava no rosto uma mistura de confusão, surpresa e receio.

“Que foi? O gato comeu sua língua?” Ele perguntou com um sorriso, colocando certo espaço entre eles, mas sem diminuir a pressão na cintura dela enquanto dançavam.

“Tá mais pra cachorro.” Ela respondeu irônica. “E cê tá errado de novo. Não tem como eu perder.”

“Pois eu aposto que consigo te deixar louquinha antes do final dessa música. E se eu ganhar, o que eu vou, cê vai ter que sair pra jantar comigo.”

Giane o olhava intensamente e devagar, o sorriso voltou para o rosto dela. “E se perder, é você quem vai pagar a conta do jantar.”

Aquela era a permissão que precisava. Ele a puxou novamente para si, encostando a testa na dela e aproveitando da blusa sem manga, começou um carinho no ombro direito da garota. Um movimento leve, apenas testando. Percorreu com a ponta dos dedos indicador e médio, o ombro, toda a extensão da clavícula, parando na base do pescoço para observar qual seria a reação dela. Quando viu que ela fechou os olhos, repetiu todo o trajeto com mais intensidade, mas dessa vez, a mão parou no rosto dela.

Giane abriu os olhos e, naquele instante, Fabinho sentiu que não importava se estivessem no Cantaí lotado, era como se não existe mais ninguém naquele lugar. Ele sentiu como alguém voltando para casa depois de longos meses de viagem.

Sem tirar os olhos de Giane, Fabinho inclinou a cabeça e bem devagar foi se aproximando. Se ele quisesse, poderia ter contado cada vez que ela desviou o olhar dos olhos em direção à boca dele.

Ele não a beijou. No lugar, falou suavemente no ouvido dela. “Desse jeito eu vou ganhar a nossa aposta.” Ele roçou os lábios no pescoço dela. “Da última vez, foi aqui que você me mordeu.” E dessa vez ele realmente beijou o pescoço dela. Só um selinho no ponto de pulsação próximo ao maxilar.

Ele sorriu quando ela involuntariamente inclinou o pescoço na direção dele. Ele tinha finalmente descoberto uma fraqueza naquela cabeça dura. Ele tirou a mão do rosto e colocou na nuca dela, segurando com firmeza. Ela estava praticamente oferecendo a uma criança o seu doce preferido e naquela situação, Fabinho já tinha chutado o autocontrole pra bem longe e não queria nem saber pra onde tinha parado.

As palmas irromperam tão altas que assustaram Giane. Ela teria caído se Fabinho não tivesse uma mão a estabilizando na cintura. Mas ela acabou pisando com força no pé dele.

E o climão entre eles provavelmente foi parar no mesmo lugar que o autocontrole de Fabinho tinha ido alguns instantes antes. Se ele não estivesse tão frustrado, poderia rir da expressão irritada no rosto dela. Ele sabia que ela queria o beijo tanto quanto ele.

Mas o show já tinha acabado, e as pessoas estavam começando a sair. Ele a empurrou de leve com o ombro para tentar quebrar um pouco a tensão.

“Vamos, maloqueira. Já tá todo mundo saindo”. Ele parou quando sentiu a mão dela o segurando no braço.

“Cê não acha que tá esquecendo nada, fraldinha?” Ela falou sorrindo. Nos olhos dela ainda era possível ver um sentimento que só agora ele reconhecia: desejo. Giane chegou bem perto de Fabinho.

“Eu venci. A conta do jantar é sua”. Ela falou no ouvido dele.

Ele estava tão feliz que pagaria todos os jantares que ela quisesse. O sorriso idiota voltou para o rosto dele junto com as batidas aceleradas do coração.

Porém, ao voltarem para casa, a felicidade passou bem rapidinho depois que ela atendeu a ligação de Caio. No lugar ficou a indignação, raiva e principalmente, o ciúme.

E ficou também, o rosto latejando, junto com um pé inchado e um orgulho ferido. Ele sabia que tinha que aprender controlar o gênio, não deveria ter dito aquilo. Poderia ter evitado toda aquela situação.

E depois ainda teve que lidar com o deboche da Amora. E sim, ele até poderia mentir e dizer que se não sentia nada por Giane, mas ele nunca ia deixar aquela Zinha falar mal dela. O pior de tudo era que Amora estava duplamente certa, ele estava gostando de Giane, definitivamente a maloqueira o pegou de jeito.

Notas finais
Espero que gostem.