Gripe
1 Dor de Cabeça
“É só um arranjo! Para de olhar, idiota! Não é nem tão bonito assim, nem um dos dois!” Era a terceira vez, terceira vez só hoje. Por mais que a garota tentasse, não conseguia parar de olhar para aquele que até pouco tempo só dava dor de cabeça a ela. Bom, ele continuava dando dor de cabeça, mas além da dor de cabeça, vinha o arrepio toda vez que se esbarravam sem querer, junto com duas ou três batidas descompassadas do coração. No dia anterior, no jantar, Giane quase não conseguira disfarçar o quanto corara, pois ambos tentaram se servir ao mesmo tempo e acabaram pegando um na mão do outro.
Agora, ao olhar para aquele arranjo, não conseguia deixar de sentir certo orgulho. Ele estava bem, quase não lembrava aquele garoto maltrapilho que ela e o pai salvaram, estava trabalhando e estava até suportável. Quem diria que os dois se dariam bem algum dia. Não que algum dia ele deixaria de ser marrento e orgulhoso, e no fundo, ela gostava dele assim.
Gostava dele. Não desse jeito. Ela não podia negar que o achava bonito, mas ainda era desconfortável admitir que ela sentia um carinho por ele. Só não era o que todos insinuavam. O pai dela, a Margot, o Caio. Não era assim. E mesmo que ela sentisse algo assim, Giane não achava que fosse da conta de alguém além dela mesma. O Fabinho era... Ela ainda não sabia exatamente o que ele era para ela, mas ela gostava de ficar perto dele, isso é que importava.
Ai que droga! Ele viu que ela o encarava. Giane já sentia que outra dor de cabeça estava se aproximando.
***
Fabinho tinha quase certeza que aquela garota era doida. Em um momento os dois estavam conversando e brincado e no outro, ela estava dando patada ou literalmente batendo nele. Às vezes era difícil acreditar que ela tinha cuidado dele e que a mão dela poderia ser tão delicada. Já que ele mesmo provou duas ou três vezes da mão dela na cara dele.
Mas ultimamente, era tentador irrita-la. O rosto dela ficava vermelho e olhos delas ficavam com um brilho que a deixavam simplesmente... linda. E outra vez ele usava aquela palavra para descrevê-la. Não era a primeira vez, talvez fosse a terceira vez, só naquele dia.
O problema era quando ele a irritava sem querer. Igual ao que acabara de acontecer. Ele estava terminando um arranjo, como ela havia ensinado e não que o arranjo estivesse perfeito estava até um pouco torto, mas nada que merecesse a agressão.
Giane observava o trabalho de Fabinho com extrema concentração e ele brincando disse: “E aí, chefe? Gostou do arranjo ou é pra mim que cê tá olhando desse jeito?” Foi rápido e doeu, mas ele não daria a satisfação de dizer. O ombro dele latejava enquanto ele carregava alguns vasos para o fundo da loja e Fabinho não conseguia para de pensar o que ele fez de errado dessa vez. A garota era louca e ele era um idiota ou masoquista por gostar tanto de ficar perto dela.
Aquela garota era melhor dor de cabeça que ele poderia ter.
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