Grilhões Eternais
6 Resplandecente
Notas iniciais
— Céus, Milo... eles... eles drogaram o Camus!!!
— O quê? – indignou-se o de cabelos pretos — Que absurdo, seu viado, com que provas você...
Não continuou. Caiu com força a pelo menos dois metros dali, lançado no ar por um soco de Milo. No qual ele controlou MUITO sua força.
— Ele é especialista em drogas e venenos, seus filhos da puta! – e ergueu os outro dois pelas golas das camisas.
— SOCORROOO!!!! – gritaram os dois, suspensos no ar.
— O que vocês deram a ele? DIGAM! O que queriam fazer com ele? – vociferava o grego, ameaçadoramente.
Peixes tocou-lhe o ombro, e disse, energicamente:
— Milo, deixa, eu sei o que é! Vamos sair daqui! Vou chamar os outros...
Não foi preciso. A música já tinha cessado e a confusão agora era generalizada. Ouvia-se gritos vindos da sala de jogos, de onde os três vinham, esbaforidos. Escorpião controlou a força para não matar, mas nocauteou os dois em suas mãos, de modo que eles ficassem bom tempo no hospital. Várias pessoas brigavam entre si, cadeiras voavam, garrafas quebravam, um pandemônio total. Mesmo sob certa resistência, Milo tomou Camus nos braços. Tinha que levá-lo no colo para saírem mais rapidamente dali. Mesmo sem usar a velocidade da luz, eram naturalmente mais rápidos que humanos normais. Quando estavam a uma boa distância do local, certos de não serem alcançados, pararam. Máscara da Morte resmungou:
— Quanta palhaçada! Nós, Cavaleiros de Ouro, fugindo desses patéticos normais!
— Seu imbecil, se fôssemos descobertos como Cavaleiros de Ouro, o que fizemos seria reportado ao Grande Mestre! Entenda que não é aos aldeões que tememos, e sim ao Patriarca! Imagina o que ele faria com a gente? – respondeu Peixes, vermelho pela agitação.
— Tem razão... mas como assim “o que fizemos”???
— Você armou a maior confusão na sala de jogos que sei, Carlo!
— Claro! Queriam me roubar! Eu lá vou deixar vagabundo me roubar? Mas e o Milo? Ele arrumou confusão também!!!
— Isso porque o SEU PEIXINHO aqui não fez o que eu mandei, que era ficar perto do Camus!!!
— É, mas ele não teria ficado estressado nem falado com aqueles caras se VOCÊ não tivesse estressado ele, ESCORPIÃOZINHO – rebateu Afrodite, sarcástico.
— Parem! O importante agora é cuidar do Camus! – Shura chamou-os à realidade. Todos assentiram, olhando o jovem imóvel nos braços do Escorpião. E prosseguiu – Obviamente, como um Cavaleiro de Ouro, é mais resistente a drogas e venenos do que um ser humano normal. Embora não tanto quanto Afrodite. Ele pode estar com problemas...
— Vamos levá-lo a um hospital – opinou Aioria – O Patriarca ficará sabendo, mas é melhor do que deixá-lo correr perigo de vida.
Colocando a mão na fronte de Camus e afastando dali alguns fios azul petróleo, Afrodite falou muito grave:
— Não será preciso. Não se trata de uma droga perigosa. Mas... em alguns minutos... talvez 20 minutos... vai começar a lhe causar grande... DESCONFORTO. Se entrarmos no Santuário, não chegaremos nos templos antes que ele... sofra os efeitos. E isso sim vai despertar a atenção de todos lá. A começar pelos guardas.
— Está dizendo que devemos ficar aqui na vila? – surpreendeu-se Aioria.
— Não todos nós. Isso despertaria muita suspeita. Mas se dois forem depois, não vão ligar muito.
— Dois de nós?
— Sim, Milo e Camus. Vocês devem ficar aqui e assim que os efeitos da droga forem apaziguados, voltarão ao Santuário. Pelos meus conhecimentos, isso não deve passar do amanhecer.
— Eu conheço uma hospedaria aqui perto, muito boa e discreta – anunciou Aioria. Vamos, mostro onde é.
— Hummm... então é o seu ninho de amor com a Águia de Prata...
— Ah, cale a boca, Afrodite!!! – e o Leão ficou vermelho como um pimentão – Vamos...
— Dite, mas que efeitos serão esses? O que vai acontecer com ele? Você disse que ele vai passar por desconforto... que chamaria a atenção... ele vai sofrer, é isso? O que vou fazer para ajudar?
Afrodite, muito sério, considerou a face aflita de Milo.
— Você vai saber quando os efeitos começarem.
— Não comece a falar em enigmas!
O outro sorriu.
— Acredite em mim: ele não corre perigo. Mas em pouco tempo a droga vai surtir efeito e ele vai ter... esse incômodo. Tem que ajudá-lo, viu? Senão vai ser uma noite horrível para ele.
— Mas como vou fazer isso? – desesperou-se o grego.
— Eu já te disse. Você é difícil de entender as coisas, hein...
Eles chegaram à hospedaria. Despediram-se. Shura, Aioria e Máscara desejaram sorte a Milo. Afrodite, porém, riu, enigmaticamente, e disse:
— Sorte? Você vai ter é o seu presente de aniversário!
— Hã? – Milo piscou, confuso. Ao vê-los partir, pensou revoltado: “ Esse pervertido acha que vou me aproveitar de um amigo que foi dopado?”. Entendeu o que Aioria quis dizer com o comentário de que eram discretos naquela hospedaria, pois a proprietária não fez pergunta alguma acerca do jovem desfalecido nos braços do recém chegado. Pagou o quarto à senhora, e antes de subir as escadas, ouviu-a dizer “esses jovens sabem mesmo se divertir!”.
Entrou no quarto. Fechou a porta com o pé. Depositou Camus com delicadeza na cama, pequena e fofa. O quarto era minúsculo e bem simples, porém aconchegante.
Tirou os sapatos do aquariano, e ajeitou-os sobre alguns travesseiros amarelados. Abriu a janela, permitindo que o ar suave da madrugada invadisse o humilde aposento. Verificou o francês; ele parecia dormir… talvez não fossem ter grandes problemas. Talvez tudo de que precisasse fosse apenas repouso... passou a mão pelo rosto pálido, notando-lhe algumas gotas de suor. Ao contato da mão de Milo, Camus abriu os olhos e emitiu um som gutural, como se estivesse buscando ar em sua garganta.
— Camus! Você acordou!
— Milo? – os olhos escuros correram o ambiente, confusos, perdidos – que… que lugar é este...?
— Olha, é uma longa história. Eu conto depois. Você precisa descansar agora, tá bom? Quer água?
— Água... sim... eu... hum... por favor... – tentou sentar na cama. Levou a mão ao peito.
— Está sentindo alguma dor? – perguntou o escorpiano, ao ver aquela expressão de incômodo.
— Eu... não. Não é uma dor... eu... ah...
— Espera, vou te dar a água. “Tá começando. Não devo me assustar. Dite disse que ele não corre perigo.”
O menor bebeu a água com sofreguidão. Devolveu o copo ao maior e deixou-se tombar pesadamente no leito. Fechou os olhos com força. Levou uma mão ao pescoço. A outra crispou-se no lençol. Parecia aflito.
— Camus, olha... puseram uma droga na sua bebida. Aqueles homens...
— Me drogaram? – arregalou os olhos, apavorado.
— Sim, mas Dite entende de drogas e venenos, e garantiu que você não corre perigo. Apenas que vai se sentir um pouco mal e...
— Q-quente... muito... quente...
Milo não gostou de ouvir aquele tom de voz. Aveludado. Lento. Baixo. Sensual.
Não gostou porque GOSTOU MUITO.
— M-Milo... o que... o que está acontecendo comigo? Eu... ahn... oh...
“Esses gemidos não vão me facilitar em nada o serviço”.
— Camus, fique calmo. O que você está sentindo?
Pequenas gotas de suor acumulavam-se na face ruborizada. Seu olhar febril perdia-se por baixo dos cabelos em desalinho.
— Muito... muito calor. N-não sei, minha pele... que-queima... – e contorceu-se, em agonia.
— Quer... quer tirar a roupa? – Milo indagou, engolindo em seco, ao ouvir a própria pergunta.
— Aaaaahhh... – Camus gemeu, demoradamente, com mais agonia ainda. Pequenos espasmos sacudiam seu corpo. Virou a cabeça para o lado, espalhando mais os longos cabelos.
— Calma, eu te ajudo!
— Mi-Milo... aaaahhnn...
“Não faz isso! Não fique gemendo e dizendo meu nome!”, pensou, fechando os olhos com força.
Quando Milo foi tirar a calça jeans que o amigo usava, percebeu QUE TIPO de droga havia sido dada ao francês: uma vigorosa ereção despontava. Aliada à sensação de calor e aos gemidos, só poderia ser...
— Camus, eu tenho uma má notícia pra te dar...
— Huuumm... ahh...
— A droga que você tomou é... bom, é um tipo de afrodisíaco. Hã... um afrodisíaco BEM POTENTE.
“Por isso o safado do Afrodite disse que seria meu presente de aniversário! Aquele... ele acha que vou me aproveitar dessa situação?”
— Aaahhnn... Mi... Milooo...
“NÃO.FAZ.ISSO.”
— Estou... queimando... – e levou as mãos trêmulas até os botões da camisa, sem conseguir desabotoar. Antes que ele arrebentasse a roupa, o grego posicionou-se para desabotoá-la.
— Calma, deixa que eu faço isso.
Aquário arfava, virava a cabeça de um lado para o outro. Gemia baixinho, tentando articular as palavras:
— A... afrodisíaco? O que… o que… ahnn… — e arqueava o corpo novamente. Aquilo estava sendo torturante para ele, mas com certeza não menos para o jovem escorpiano que o amava há tanto tempo.
Sua camisa estava totalmente aberta na frente, revelando o torso magro, porém bem definido, a barriga plana, o peito imberbe porém viril. A calça foi retirada e ele permaneceu com uma cueca samba-canção preta, que agora mais parecia uma tenda do deserto. Com a boca seca e o coração disparando, Milo pôs a mão no pescoço do amigo para ver se ele tinha febre. Ante o toque do outro, Camus tremeu violentamente. Seu corpo estava clamando por contato corporal, por alívio... mas sua boca jamais faria o mesmo.
— Camus, a gente vai ter que fazer alguma coisa... senão você vai se sentir mal assim a noite inteira...
Ele sabia que o aquariano não teria coordenação motora ou qualquer outra condição para resolver o “problema” sozinho. Espalmou a mão sobre o peito arfante; o dedinho roçou num mamilo. Camus quase gritou. Milo tapou-lhe a boca com a outra mão. Tinha medo de que acordassem os hóspedes. Também ele começava a respirar com dificuldade. Foi com muito custo que sussurrou:
— Escute, você precisa se aliviar, ouviu bem? Eu... eu não quero ver você sofrendo assim, mas também não quero que pareça que estou me aproveitando de você... está entendendo... Camus?
Suas pernas convulsas subiam e desciam. Ofegava dolorosamente. Parecia estar à beira de uma convulsão.
— Uhnnn... ahh... ahh!!
— Camus... – Milo já estava debruçado sobre ele, as mãos no rosto ardente.
— Mi... Milo... me...me ajude... por favor! – uma lágrima escorreu pela face convulsa.
Aquilo foi demais para Milo. Antes que Camus emitisse outro som mais alto, Milo calou-lhe a boca com a sua própria, sem muita delicadeza, pois o momento exigia ação enérgica. Camus gemeu em sua boca, e aquilo incendiou o grego quase tanto como se ele que tivesse tomado uma droga. Pôs uma das mãos por trás da nuca de Aquário, prendendo-o firmemente, e com a outra desceu até encontrar o que deveria ser aliviado. Estava muito duro, uma verdadeira rocha, e ante o contato daquela mão, ainda que sob o tecido da cueca, pulsou vivamente. Milo arrancou aquela barreira rapidamente, tomando cuidado para não ser chutado por Camus, presa de espasmos frenéticos. Ele inconscientemente arqueava o corpo, buscando mais contato com aquele por cima de si. Mordia os lábios para não deixar nenhum som muito alto escapar, já que agora a boca de Milo ocupava-se de seu pescoço, de seu peito, de seus mamilos endurecidos. Chupou-os até deixá-los bem molhados. Milo achou por bem enfiar os dedos na boca de Camus, antes que ele machucasse seriamente os lábios. Aquilo enviou-lhe vívidas ondas de energia ao ventre, e em seguida, ao seu cetro de prazer. De repente, Milo achou-se cruel: não deveria provocar o amigo, prolongando aquilo. Por mais que quisesse, e tivesse sonhado em aproveitar cada parte daquele corpo adorado, seu dever era levá-lo ao orgasmo, e rápido. Tomou o lóbulo da orelha do francês na boca úmida, antes de sussurrar:
— Camus, isso tem que ser feito... é a única maneira de amenizar o seu sofrimento – ante aquele contato, aquele hálito quente, àquelas palavras, o jovem gemeu alto. Milo tomou o sexo de Camus, muito rígido, em sua mão direita, envolvendo-o com os dedos longos e ágeis, massageando suavemente, em movimentos por vezes circulares, por vezes verticais. Posicionara-se mais acima do corpo do outro, a fim de, simultaneamente, senti-lo melhor e protegê-lo da agonia que o fazia se debater. Percebeu que ele precisava daquele alívio o quanto antes e colou sua boca num dos mamilos, sugando-o com força, envolvendo-o com a língua ansiosa, ao mesmo que aumentou o ritmo da masturbação.
— Milo... AHHH! OH, M-MEU...
Não demorou muito, Milo sentiu a mão úmida ficar totalmente encharcada. Levou-a à boca e lambeu, pensando extasiado que era a semente de seu grande amor, semidesfalecido abaixo dele. Tocou-lhe os lábios com os seus, agora salgados. Camus abriu lentamente os olhos. Apesar de ofegante, parecia mais calmo agora. Tremia apenas um pouco. Seus lábios receberam, suavemente, a língua do amigo, e em seguida, um beijo amoroso.
— Está melhor agora, não está? – o grego perguntou, docemente.
— S-sim...
E suspirou longamente, como que para recuperar o ar. De repente, um espasmo fez com que arqueasse o corpo de súbito. Seu rosto contorceu-se de agonia.
— AAH!
— Camus!!! – Milo amparou-o pela nuca e pelo braço. O aquariano virou a cabeça para um lado, depois para o outro, enquanto tremia violentamente.
“O efeito não passou!”
— Camus!
— Aaah... Milo... o-o que... meu corpo... em fogo...uhhn!
Agarrava os lençóis com fúria, jogava a cabeça para trás, as pernas tremiam e ele levantava os joelhos para descê-los em seguida.
“Parece que está PIORANDO”, pensou Milo preocupado, tanto com o amigo quanto com a sua própria situação. Seu pau latejava dolorosamente de tesão e sua boca há muito estava seca ante aquela visão desfeita e voluptuosa do sempre inabalável francês, sem mencionar aqueles gemidos enlouquecedores.
Mas ele estava ali para ajudá-lo, não para satisfazer seus próprios desejos.
Não que aquilo não fosse extremamente prazeroso.
Muito mais do que tudo que já tivera. E não fora pouca coisa.
— Q-quente... AAAAAAHHHNN! UUUHHN...AH!
— Me desculpe, Camus, mas é isso ou vamos ser expulsos daqui!
Com movimento rápido e preciso, Milo amordaçou o jovem com uma fronha. Os olhos azuis escuros fitaram-no com surpresa e luxúria.
Seu pênis, ainda ereto e ansioso, foi recepcionado pela boca úmida de Milo. Neste momento, Camus debateu-se com violência. A hipersensibilidade causada pela droga estava levando-o à loucura, e seu amigo era extremamente habilidoso no que fazia... agarrou os cabelos de Milo com fúria, e em seguida os ombros morenos, cravando neles suas unhas compridas.
— AU!!! – Milo parou o que estava fazendo – não vou conseguir fazer nada assim...
Levantou o corpo de Camus, puxou a camisa aberta para trás pelas mangas, descendo pelos braços trêmulos, e amarrou-a nos pulsos, imobilizando-o.
— Sei que pareço um pervertido, mas se você me machucar ou me transformar num bloco de gelo não vou poder te ajudar.
— MMMMMMMMMMMMMMMM!!!!
Milo ignorou aquela súplica abafada. Abriu mais as pernas do francês e posicionou-se entre elas. Pôs-se a deslizar a língua pela superfície ardente e pulsante.
“Nada mal, meu amigo... maior do que eu imaginava...”
Tomou-o totalmente com a boca, sugando o membro de Camus avidamente. Os quadris deste moveram-se nervosos na direção daquela boca, exigindo mais. Milo se viu obrigado a contê-los, não sem certa força. Lambia, chupava, sugava com força, como se daquilo dependesse sua vida. Num dado momento, parou o que estava fazendo para contemplar o outro, que grunhiu desesperadamente através da mordaça. Queria guardar para sempre aquela imagem maravilhosa em sua mente...
Então voltou ao trabalho: abocanhou o sexo de Camus com volúpia, agarrando suas coxas grossas e firmes. Fez movimentos com a língua, circulares e invasivos, na cabeça do pênis do amado. E enfim, voltou a sugá-lo; imprimiu mais força na sucção; o aquariano se contorceu todo. O clímax se aproximava, e ao perceber isso, Milo sentiu fortes fisgadas em seu baixo ventre. Por fim, sentiu a boca se encher do gozo de Camus, ao mesmo tempo em que este grunhia mais demoradamente, jogando a cabeça para trás. O escorpiano percebeu que havia gozado também. Havia sido demais para ele, viver aquilo tudo com seu maior objeto de desejo. Lambeu todo o sêmen que restara no corpo do amado, não deixando ali nenhuma gota. Ergueu-se e percebeu Camus ofegante, porém não mais em desespero. Tinha os olhos fechados, os cabelos grudados em sua pele suada. Achou-o muito desfeito e quieto, e rapidamente tirou-lhe a mordaça, preocupado.
— Camus? Você está bem? – Ergueu-o um pouco pela nuca, buscando contato visual.
O aquariano abriu lentamente os olhos. Não havia mais agonia neles, apenas o alívio trazido pelos orgasmos intensos.
Abriu a boca para responder, mas nenhuma resposta saiu-lhe dos lábios trêmulos e descorados.
— Shhh... calma que eu vou te desamarrar...
Feito isto, ajeitou-lhe o corpo no leito. Camus tocou-lhe o rosto suavemente. Milo sobressaltou-se.
— M-Milo... e-eu...
Olharam-se longamente. O coração de Escorpião parecia que iria explodir com aquele olhar lânguido e aquela boca tentadora que dizia seu nome. Considerou-o nu, vulnerável, disponível, entregue.
“Você vai ter é o seu presente de aniversário!”, as palavras de Afrodite ecoaram em sua cabeça.
Não. Jamais. Amava-o muito para possuí-lo daquele jeito, naquele estado, condicionado por uma droga, e não por desejo autêntico ou... ou por amor. Pousou delicadamente os lábios sobre aqueles lábios trêmulos. Então deitou-se ao seu lado, cobriu os dois com o lençol e puxou Camus para si, posicionando a cabeça do amigo em seu peito. Segurava o ombro do francês com delicadeza, acariciando-o, enquanto falou baixinho:
— Descanse. Está tudo bem agora... – beijou-lhe ternamente a testa. E sussurrou, quase inaudivelmente: “meu amor...”
Como uma flor sacudida pela tempestade, Camus desfaleceu lentamente. Envolto naquele mar de tranquilidade e silêncio, perdeu enfim a consciência. Milo se assustou um pouco. Mas ouvi-lo ressonar levemente, soube que seu amado estava apenas dormindo. Sorriu, feliz. Com tantas confusões, de fato havia sido o aniversário mais feliz de sua vida. Abraçou o amigo, e por fim, entregou-se também ao sono.
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Aconteceu exatamente o que havia previsto: Camus não se lembrava de nada que havia acontecido.
Ao perceber a confusão dele por estar naquele quarto estranho, Milo perguntou se ele não se lembrava da noite anterior.
— Eu... eu me lembro da gente no bar. Na mesa. E... só. Acho que bebi muito.
— É, você não está acostumado – disse Milo, desanimado.
Ou seria decepcionado?
— E por que estamos aqui? Por que... por que estou nu?
— Você me pergunta? Calorento do jeito que é, ficou reclamando que estava com muito calor, e como pode ver, aqui não tem ar condicionado. Por fim, tirou a roupa toda... e...
— Oh. Desculpe por isso. Deve ter sido constrangedor – começou a se vestir despreocupadamente, sem dar maior importância ao fato.
— Para com isso... todo mundo tem seu primeiro porre.
“Ele não lembra mesmo”, pensou o grego, observando-o, o coração pesado.
Após calçar os sapatos, Camus ajeitou os cabelos displicentemente com os dedos, virou-se para Milo e disse, do mesmo jeito fleumático de sempre:
— Vamos?
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O céu multicor, escuro no alto, sangrento no horizonte, anunciava: era chegado o momento.
Milo olhou para o corpo inerte que velara o dia inteiro. Depois daquela noite, há dois anos, nunca mais havia tentado nada com Camus. Não que tivesse tentado muitas vezes. Ante aquela parede de gelo eternal, acabou por se entregar ao prazer para esquecer o amor. Possuíra centenas de homens e mulheres, porém nenhuma de suas conquistas, anteriores ou posteriores àquela noite na hospedaria, oferecera-lhe o mesmo sabor. Mesmo consciente de que fora tudo graças a uma substância que não o sentimento.
De repente, Milo é arrancado de suas lembranças. Uma cosmoenergia suave, porém poderosa, envolve o corpo de Camus. O escorpiano levanta-se num salto, aturdido. A cor dourada da cosmoenergia adquire pouco a pouco nuances coloridas, diferente de tudo que já vira. Ou melhor, já vira sim... quando Athena enfrentou Saga.
Quando Athena reviveu os Cavaleiros de Bronze.
— POR ATHENA! – balbuciou. E caiu de joelhos. Todo seu corpo tremia
E foi então que viu, entre assombrado e maravilhado, os olhos antes fechados agora se abrindo lentamente.
Teve medo de ter um ataque cardíaco! Tinha que resistir...
Ainda envolto pela luz dourada, Camus ergue lentamente seu torso, apoiando-se sobre os cotovelos. Seu rosto não difere do de alguém despertando de um sono normal, ao raiar da manhã.
-Camus... – Milo murmura, sentindo vertigem. Teme sucumbir antes de... antes de ver se é real... se ELE realmente voltou. Se não é um delírio.
A luz se desfaz aos poucos. O Cavaleiro de Aquário está vivo novamente.
Por uns instantes, Milo permanece ajoelhado. Estático. Paralisado. Seu amigo, até minutos atrás morto, vira-se devagar para ele.
Ele está mais lindo do que nunca.
Resplandecente.
Como dissera Hyoga.
E então o escorpiano ouve, na voz grave e aveludada que mais ama no universo:
— Milo?
— Camus!!! – e se atira sobre ele, abraçando-o com força desmedida.
— M-Milo...o que...
— Camus! Camus! Você está de volta! Athena! Oh, Athena!
E irrompeu num choro convulso e libertador. Segurava o amigo com tanta ânsia, tanto desespero, como se aqualquer momento ele fosse partir novamente...nunca! Agora NUNCA o deixaria ir novamente!
Foi como se aquelas lágrimas que banhavam-lhe o pescoço fizessem o aquariano voltar a si, pouco a pouco. Ainda atordoado, ele murmurou:
— Milo…
Não teve como continuar, tampouco se desvencilhar da boca que colou-se à sua, forçando entrada. Milo abraçou-o durante o enlace, possessivo, exultante, extasiado. Com os braços caídos e o corpo ainda entorpecido, não restava alternativa a Aquário que não fosse se entregar àquele cálido beijo.
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