Notas iniciais
Bem vindos ao capítulo 11 de "Grilhões Eternais". Gostaria de agradecer ao apoio de todos, e pedir desculpas por atualizá-lo antes de responder aos comentários... o farei em alguns dias, ok? Boa leitura!!!

Na noite do dia seguinte, vários cavaleiros e amazonas reuniram-se no Templo de Escorpião para a festa de Milo. Ouvia-se muito rock, o estilo preferido do anfitrião, bebia-se e comia-se à vontade. Camus chegou duas horas após o início, trajando uma calça grafite e uma blusa de gola alta preta, sem mangas. Foi saudado com sorrisos e tapinhas nos ombros e nas costas. Todos olhavam para ele, com expressões que variavam da curiosidade a uma cômica malícia. Mordeu o lábio inferior, levemente irritado.

“Eu sabia... ELE CONTOU!”

– Mestre! O senhor veio! – alegrou-se Hyoga, indo saudá-lo, acompanhado do inseparável amigo de cabelos verdes.

– E como é que logo ELE não viria? – alfinetou Afrodite, perto deles, de braços dados com Máscara da Morte, que deu um sorrisinho safado. Camus fez um esforço hercúleo para disfarçar seu constrangimento.

– Hyoga. É bom ver você. Como está?

–Muito bem, mestre! Nunca estive tão feliz na vida!

– Percebo – o francês lançou um olhar neutro para Shun, que estremeceu discretamente.

– Sim! Desde que o senhor voltou à vida, e tem estado tão feliz agora com... ahh...er... bem, estou feliz também porque os outros voltaram como o senhor, e por nós, Cavaleiros de Bronze, estarmos agora vivendo aqui no Santuário, e por tudo estar em paz, e... ah... eu queria comunicar uma coisa ao senhor...

Pediu licença a Andrômeda, que estremeceu novamente, desta vez por agora ter como companhia apenas o casal que ele considerava maluco. O coitado foi logo arrastado pelos dois para fazerem uma disputa de quem bebia mais. Hyoga e Camus caminharam até um canto mais sossegado, e um tanto sem jeito, o russo começou:

– Não sei como o senhor vai reagir, mas me sinto na obrigação de contar... não devo esconder nada do meu mestre, a quem tenho como pai... hã... eu... eu estou... bem... eu estou...

– ... namorando o cavaleiro de Andrômeda.

– Já sabia?!?

–Milo me contou. Mas eu desconfiava.

– Ah, aquele escorpião tagarela!!!

– Sim, é uma de suas mais notórias características – falou o francês, aceitando uma taça de vinho. O loiro pareceu em dúvida se pegava uma também. Não gostava de beber perto do amado mestre. Acabou não pegando.

– O senhor não... não acha ruim?

– A sua vida íntima apenas a você importa, Hyoga.

Aquela resposta pareceu atingir o adolescente como um Pó de Diamante. Notando seu ar de decepção, Camus pôs a mão no ombro do pupilo e disse, mais suavemente:

– Se você está feliz, Hyoga, é o que me importa. Nunca acharia ruim, a menos que ele o magoasse.

– Shun? Ah, não, mestre, impossível... não existe um ser mais gentil, sensível e generoso do que o Shun! Acho que ele possui a alma mais pura da Terra! – rebateu o loiro, com energia. O mais velho sorriu, e o russo pensou ter alcançado as graças dos deuses.

– Se é assim, não poderia ser melhor companheiro para o meu igualmente gentil, sensível e generoso discípulo.

A música nem mais entrava pelos ouvidos do rapaz; parecia ter sido substituída por sinos celestiais. Não pôde se conter: lançou-se ao mestre e abraçou-o, muito emocionado, transbordante de gratidão. Camus respondeu ao abraço, ainda que com um só braço, já que segurava seu vinho.

– Mestre!... – balbuciou Cisne. Em meio à alegria de estar sendo plenamente aceito pelo mestre em sua demonstração de afeto, recebeu um tapa na cabeça. Nem precisou se virar para saber quem era.

– Ô moleque, vai saindo aí. Nesse aquário não nada pato não, só escorpião!

– Milo!!! – ralhou Camus, indignado.

O grego riu, animadamente. Vestia uma camiseta preta da banda de rock Killing Joke, calça jeans rasgada e botas pretas com fivelas. Empurrou de leve o Cavaleiro de Bronze, cuja expressão não manifestava agrado algum... e abraçou o francês, afetuosamente.

– Por que demorou tanto, Kamyuuu...?

– Estava fazendo umas coisas... você já está bêbado? – perguntou o aquariano, com desânimo.

– Que nada, eu tô é feliiiz...

– Bom para você. Mas não fique assim. Estão todos olhando.

– Claro que estão. Mas não se preocupe, não vou te beijar na frente de ninguém, tá? Ainda que não me falte vontade... – e sussurrou-lhe ao ouvido, provocante – Pelo menos não daquele jeito, que faz você gemer tão gostoso dentro da minha boca...

– Mi-Milo!... – balbuciou Camus, lutando com todas as forças para não corar. Pelas palavras do escorpiano, pela proximidade de seu corpo, por sua voz macia e sensual ao ouvido, fazendo-o arrepiar instantaneamente..

Todos repararam que malgrado o ar constrangido do Santo de Aquário, ele não repelia o amigo.

– Mestre Camus, boa noite.

– Athena... – e quase empurrou o amante longe, envergonhado – Boa noite, minha senhora.

A Deusa, ao contrário dos serviçais e demais funcionários do Santuário, bem como cavaleiros de patentes mais baixas, chamava de “mestre” apenas aqueles que realmente tivessem sido professores de outros cavaleiros. Ele se surpreendeu por Ela estar ali, numa festa tão informal e barulhenta. E pela primeira vez a via vestida de modo mais despojado do que de costume: um vestido sem mangas até os joelhos, de cor pérola. Usava exatamente brincos e um colar de pérolas, e tinha parte do cabelo preso no alto, num rabo-de-cavalo pequeno, deixando o resto solto.

Camus olhou ao redor, como para verificar se o ambiente estava à altura da Deusa... bom... Máscara da Morte e Afrodite faziam uma disputa com um rubro Shun para ver quem bebia mais; Aioria, Marin, June e Kiki dançavam com um estabanado Aldebaran, que derrubava a bebida dos outros; Seiya e Shaina se beijando no sofá; Ikki enrolando os dedos nos longos cabelos de Shaka, fazendo-o rir com algo que contara-lhe ao ouvido; Shura, Saga e Mu conversando e rindo, sentados displicentemente nos degraus de uma pequena escada que precedia a sala de estar; agora outros cavaleiros juntavam-se à disputa de bebida de Câncer e Peixes, com Jabu já amparando um ébrio Shun, e recebendo de Hyoga um olhar quase tão gelado como as Paredes de Gelo Eterno da Sibéria...

Realmente, Saori deveria ter muita consideração por Milo para estar no meio daquela balbúrdia.

– Aceite meus sinceros cumprimentos, Mestre Camus... meus parabéns! – felicitou a moça, sorrindo graciosamente.

– Hum?

“Mas NÃO é meu aniversário... por que é que...”, pensou, confuso. Então virou-se com um olhar assassino para o jovem, que sorria de orelha a orelha, ao seu lado: “Milooooooo...”

– O bolo está lindo! Deve estar orgulhoso. Quero que saiba que vocês dois têm a minha bênção.

– Hã? BOLO? – e deixou a Deusa falando sozinha, indo direto para a mesa, a passos largos. Bem largos. O mais que conseguisse.

Qual não foi sua surpresa ao ver, bem no centro da mesa fartamente guarnecida de canapés, salgadinhos e doces... um bolo retangular branco, estilo de casamento, decorado com detalhes dourados, em cujo topo havia as iniciais “M & C”, igualmente douradas! Pensou que fosse desmaiar.

Desta vez nem conseguiu disfarçar seu rubor. Milo juntou-se a ele, sorridente.

– Eu não acredito que você fez isso... – resmungou, cheio de vergonha.

– Não fui eu que fiz, foi minha criada Hélida. Eu sou bom na cozinha, mas não sei decorar bolos! – riu.

Camus fuzilou-o com o olhar. O sorriso de Milo foi morrendo aos poucos. Sabia que aquilo tudo talvez não fosse do agrado de alguém tão frio e reservado como seu amado. Mas achou que um mês de namoro lhe dava o direito de tentar... teria se equivocado?

Colocando a mão na testa, o aquariano procurou conter a raiva. Com a voz baixa, falou:

–Milo… isto está parecendo uma festa de noivado, por Zeus... ou melhor, com esse... com esse bolo aí... uma festa de casamento!

– Mas eu já sou eternamente SEU, Camus, não precisa ser nem um, nem outro. Você não gostou?...

“Lá vem você com essa cara!”, pensou Aquário, cruzando os braços, pretendendo parecer irredutível. Mas aquela cara de Milo... uma de suas armas.

Milo poderia ser um dos mais ferozes, implacáveis e combativos guerreiros do mundo... mas perto de Camus por vezes assemelhava-se a uma criança... a doçura, a teimosia, a vivacidade... mesmo exercendo tamanho fascínio dominador. O francês pensou como o grego conseguia ser ainda mais ambíguo do que ele.

Olhou ao redor: viu todos felizes, viu os olhares de felicitações, o clima de celebração, de estímulo, a alegria como nunca havia visto em tantos semblantes ao mesmo tempo... tivera até a bênção da Deusa. Era tudo tão novo... tão assustador... em algum lugar, no âmago de sua alma, algo chamava aquilo tudo de frivolidade. Então foi tragado novamente pelo olhar de Milo, da cor das alturas celestiais. Tocou-lhe discretamente a mão. E, afastando os delicados cachos arroxeados, pôs os lábios bem próximos da orelha de um escorpião surpreso, e sussurrou:

— Mais tarde, Milo de Escorpião, irei castigá-lo por isso...

O sorriso de Milo poderia iluminar galáxias inteiras. De forma mais discreta, Camus também sorriu para ele. E embora a breve conversa tenha passado despercebida aos convidados, a intensa troca de olhares entre os dois fez com que alguém propusesse um brinde. Ouviu-se um “longa vida ao casal” aqui, um “Viva o casal!” ali, um “parabéns” acolá. Para amenizar-lhe o mal estar, fruto de um inevitável constrangimento, o grego pôs a mão no ombro do francês, em sinal de apoio. Eles se encararam, com amor e cumplicidade.

Encostada ao umbral de uma porte de onde se avistava toda a festiva cena, uma figura cerrava o punho, trêmula, enquanto pensava:

“Camus de Aquário! Então VOCÊ é que é o grande amor dele... está confirmado... desta vez não é como das outras... ele realmente te ama...”

*******************************

A madrugada diluía-se nas matizes púrpuras do horizonte. Apenas algumas estrelas teimavam em vigiar a terra. Agora o silêncio reinava, não apenas no Santuário como também no 8° Templo, há pouco palco de uma animada porém ruidosa festa. Milo e Camus subiram para o quarto, onde pretendiam “esticar a comemoração”. O aquariano quase não conseguia caminhar pelo segundo pavimento: ao deixarem as escadas, o escorpiano o agarrou, em pura ânsia.

— Pare com isso! Não dá para esperar chegarmos ao quarto?

— Esperar, esperar, esperar – resmungou Milo, beijando-lhe o pescoço e enfiando as mãos por baixo da blusa justa – odeio essa palavra.

— Mi-Milo... n-não posso andar assim... vou cair... – e foi imprensado na parede do corredor, seu cinto já sendo removido.

— Você não vai poder andar é amanhã...

O francês desvencilhou-se e alcançou a maçaneta. Entrou nos aposentos de Escorpião, sendo seguido por este. Foi preso pela cintura pelas mãos impacientes do namorado. Virou-se e encontrou os lábios ansiosos que tomaram os seus, possessivamente. Beijaram-se com furiosa paixão. Milo abaixou as mãos, chegando até as nádegas do namorado, escorregando para as coxas. Suspendeu seu corpo por ali: Camus entendeu a mensagem e cruzou as pernas, envolvendo o corpo do homem que o suspendia. Foi assim carregado até o leito, sem que o longo beijo molhado fosse interrompido. Caiu no colchão de onde se desprendia uma suave fragrância almiscarada.

O quarto de Milo tinha estilo bem diferente do de Camus. Pendurados nas paredes pintadas de vermelho, quadros com réplicas de telas de artistas como Bosch, Goya e gravuras de Gustave Doré, de quem era fã declarado. Negros tapetes felpudos acariciavam os pés de quem pisava ali. Estátuas em estilo clássico, de nus masculinos e femininos vigiavam o recinto. A cama não possuía dossel como a do namorado, achava aquilo inútil e feminil. Preferiu instalar um imenso espelho no teto...aliás, havia espelhos por todas as partes. Como esperado de um narcisista como o proprietário.

— Ah, eu estava a ponto de expulsá-los a vassouradas – dizia, arrancando as roupas de si, e atirando-se à cama para fazer o mesmo com seu francês.

— Você inventa a festa e depois quer que os convidados vão embora? Não faça mais isso, então.

— Não é isso – e pôs-se a abraçá-lo por trás, passando a língua pelo seu lóbulo ao responder – É por sua causa... eu tava doido pra ter logo esse seu corpo irresistível aqui na minha cama, “mon ange”...

— Típico de você, quer tu-tudo ao mesmo tempo...

— Além do mais – acariciou os mamilos de Camus enquanto lambia seus ombros, a curva do seu pescoço – você não me deixou te dar nem um beijinho na festa...

— Humn... não... não é educado beijar na frente d-dos outros.

— Onde isso, na “Camuslândia”? – brincou, traçando círculos ao redor do umbigo do amigo. Camus se afastou e se virou para ele, ficando de frente.

— Sim, é um lugar onde as pessoas são mais sensatas e civilizadas que as de “Milolândia” – e passou a língua no pescoço do grego, lentamente, subindo até a lateral.

— Hummm... fica me provocando... depois vai ter que aguentar... – balbuciou, entregue ao prazer que o aquariano lhe oferecia, lambendo sua orelha, pescoço, seu pomo-de-adão.

— Não... hoje é VOCÊ que vai ter que aguentar... – sussurrou-lhe ao ouvido, enviando-lhe chamas ao baixo ventre com aquela voz aveludada, sensual. E com aquela mensagem.

Mas... mas... EI.

— Eu? Como assim?

Sua resposta foi um sorriso misterioso. Então foi empurrado para baixo, ficando deitado sobre o francês, que conservava a expressão enigmática. Após um longo beijo, iniciado e terminado por Camus, a temperatura entre ambos já esquentara significativamente.

O aquariano percorreu aquela pele bronzeada com a sua boca, ora beijando, ora chupando, lambendo, mordendo, os mamilos, o peitoral, a barriga definida, o abdômen, o ventre já trêmulo. Nesta hora, espalmou as mãos frias nas coxas musculosas, apertando-as levemente com os dedos delgados. Serviu-se de malícia ao sugerir proximidade do órgão sexual, sem contudo sem tocá-lo. Aquilo agoniava o escorpiano, sobremaneira.

— Ca-Camus... aaaahhh... – o gemido baixo aumentou de volume ao sentir leves mordiscadas na parte interna e superior das coxas. Os dedos ainda aproximavam-se perigosamente do centro de prazer já endurecido pela cruel expectativa, e pelas perniciosas carícias do amante.

— Zeus... Camus... não faz isso... deixa eu...

— Shhh... não vou deixar nada, Milo.

— Aaaahhhh!!!

A língua de Camus percorreu desde a bolsa escrotal, após umas breves chupadas, até a base do pênis de Milo, subindo até a ponta, para depois deslizar de volta à base. Anunciou, com firmeza na voz:

–Eu avisei na festa que iria castigá-lo, lembra?

— P-por quê? Só por causa do b-bolo que a Hélida fez? N-não sabia que detestava doces tanto a-assim... NNNGGN!!

Os lábios gelados premiram-se como ventosas no membro, explorando-o dos lados. Uma discreta e gélida aspiração. Camus certamente estava usando... não, não era possível. Ele não faria isso.

— Não banque o engraçadinho comigo, Milo. Sabe do que estou falando – e pôs o membro dentro de sua boca, apenas fazendo movimentos de subida e de descida, sem sugar, tão somente depositando ali um ar frio que NÃO era natural.

— AAAAAHHHN... i-isso... que você tá fazendo... é... é... puta que pariu!!!

Agora Camus sugava, e sem economizar fôlego. Chupava com gosto aquele pênis grande e grosso de tal forma que oferecia certa dificuldade para ser efetivamente engolido. Tanto que seus olhos lacrimejaram pelo esforço; pressionou a língua na glande, fazendo-a dançar ante os suspiros do outro, até vir emergir o líquido pré-seminal. Suas mãos sentiram o tremor das pernas bem torneadas.

— Camus... ohh... Camus... humm...

“Milo... você é tão maravilhoso... sentir você é sentir a vida... é sentir a vida... quero viver...”

O aquariano continuou o mais estupendo sexo oral da vida de Milo, e enquanto isso, ergueu uma das pesadas pernas do amante acima de um de seus ombros, deixando-o mais aberto e ganhando passagem para onde queria... armou-se de coragem: acariciou-lhe as bolas, o períneo, sua boca nunca abandonando o falo incandescente...chegando à sua entrada...apenas uma carícia, de cima para baixo naquela fendinha e...

— Camus?!? O que… O QUE ESTÁ FAZENDO?

— Shhh... se me fizer falar, terei que parar de te chupar.

Oh, não. Aquela opção não era nem um pouco agradável. Mas...

— Camus... isso NÃO vai acontecer.

— Não? Veremos.

E encarando-o fixamente, Camus levou os dedos indicador e médio à boca, lambendo-os bem devagar, em seguida os pôs sobre a língua, chupando-os, salivando bastante. Nunca deixando de encarar Milo, cujo pênis pulsou vivamente ante aquela cana.

— Escuta, você não tá achando que vaaAAAAHH!! – gemeu ante a inserção de um dedo em seu ânus virgem. Seu falo foi imediatamente envolvido pela boca cálida e saborosa do namorado. Procurou se concentrar naquela sublime sensação para esquecer o desconforto da invasão em seu anel. Deu certo, ainda que a dor estivesse ali... afinal, o outro estava ficando “expert” naquilo...

Após um tempo de excelso deleite, percebeu que outro dedo era inserido em sua entrada! Camus estava levando aquilo a sério!!!

— Porra, isso dói!!! – reclamou, franzindo o cenho.

— Sim, mas não para sempre. Tenho conhecimento de causa... depois fica melhor, você verá – ironizou Camus, terminando por lamber mais o órgão dilatado.

— Eu não vou... nunca... não vai... acon...aconte... hã? O que… ZEUS! O QUE É ISSO?!?

Muito astucioso, o Santo de Aquário permitiu-se burlar p próprio código de conduta em prol daquele “castigo” necessário: concentrou um pouco de seu cosmo gelado nos dígitos que massageavam o amante por dentro. A sensação experimentada por Milo até as alturas inimagináveis do prazer. Ele gritou, e inconscientemente moveu-se de forma a sorver mais aqueles dedos com seu anel ansioso. Camus começou a fazer movimentos circulares, mandando para dentro de Milo mais ar gelado. E voltou a abocanhar o sexo úmido à sua frente.

— MEU ZEUS... ISSO... PORRA... ISSO É MARAVILHOSO!!! PUTA QUE PARIU, ME FODE COM ESSES DEDOS DE GELO E ESSA BOCA MARAVILHOSA, CARALHO!!!

“Obrigado por contar a todo o Santuário o que estou fazendo, Milo...”, pensou Camus, contrariado. Bem, não deixaria aquilo estragar o momento... da próxima vez, com certeza, iria amordaçar aquele escandaloso.

Os dedos do francês estocaram mais seu ânus, espalhando ali um frio que intensificava soberbamente a tensão emanada das terminações nervosas.

“Não acredito que isso tá acontecendo!”, pensou Escorpião, tremendo, suando, com frio, ofegando... abriu mais as pernas, sôfrego. Queria mais, muito mais, mais daquela boca, mais daqueles dedos, mais de Camus... será que iria... ceder?

— Porra, Camus... não aguento m-mais... vou... eu vou...

Ao ouvir aquilo, os dedos hábeis se foram, bem como a boca da extensão túrgida.

— O... o que foi? – quis saber, impaciente por ter seu delírio interrompido.

—Peça.

— O quê?

–Você sabe.

Milo fitou-o, atônito. Não conseguia pensar com a respiração descompassada daquele jeito, com a energia represada em seu baixo ventre, com seu sexo latejando, exigente, com seus músculos anais ressentidos pela interrupção das geladas carícias.

– Camus... eu... eu nunca fui possuído por ninguém. Não acho que eu queira fazer isso...

– Por que não tenta? Você foi o primeiro a entrar em mim... por que não posso ser o primeiro a entrar em você também? Assim... em alguma coisa, eu seria o seu primeiro...

Maldito estrategista. Era um golpe baixo. De mais a mais... como ignorar o clamor de sue corpo?

– A menos que tenha medo de gostar tanto que não vai querer outra coisa? – o aquariano desafiou, com um sorriso malicioso.

– Hunf... nunca... será só DESTA VEZ...

– Veremos...

– Mas, espera, espera, ESPERA! Pega lubrificante ali na gaveta, hein...seu pau é quase tão grande quanto o meu...

– “Quase”, hunf... pode deixar, donzelo, eu sei o que fazer.

– Mas... mas... ai, caralho, eu não acredito que vou fazer isso!!! – murmurou, ao ouvir o som do tubo de lubrificante ser aberto.

As pernas acopladas nos ombros de Camus, as mãos acariciando seu rosto elevado por almofadas e travesseiros, um último e apaixonado beijo antes da inédita empreitada, e ele sentiu seu interior sendo penetrado pouco a pouco... ele gemeu. Lágrimas vieram-lhe aos olhos à medida que o membro de Camus afundava-se mais e mais... temeu não aguentar a dor. Lembrou-se de suas próprias palavras acerca desse doloroso momento inicial. Não deveria retroceder agora. E ver aquela expressão magnífica no rosto do amado era um estimulante para suportar a inédita invasão.

– Ca-Camus... nnnngggh...aaahhh...

– Milo... uhnnng... – ao francês a sensação de ter seu órgão acolhido por aquele buraco quente e apertado suplantava em demasia o que imaginara. Dava vontade de enfiar logo com tudo, e balançar-se para frente e para trás, mas não perdeu de vista a aflição estampada no belo rosto do namorado. Pôs-se a masturbá-lo para distraí-lo daquele desconforto inicial. A medida foi bem sucedida: os gemidos mudaram, ficando mais longos e lânguidos. Ousou iniciar as estocadas, a princípio lentas e suaves, até o outro se acostumar. Após certo tempo, notou outra mudança, agora na expressão de Milo. Não parecia mais sentir dor... e então, Camus atingiu-lhe a próstata em cheio, fazendo-o gemer, em júbilo:

– AAAAHHH!!! OOOH...

– Aaaah!! Mi-Milo...

Permitiu-se aumentar a velocidade das estocadas, por vezes retirando-se para depois enfiar-se de uma vez. E voltava às frenéticas estocadas.

– Camus! Camus! Maravilha... porra – agarrou-se nele, ávido – Isso, me fode, me fode, Mago da Água e do Gelo!

Aquilo arremessou setas de tesão ainda mais ardentes à região do prazer de Camus. Agarrando firmemente as pernas de Milo, socou mais vigorosamente o orifício que devorava seu pênis faminto, devorava-o mais e mais, e ele só queria ser absorvido, tragado por aquele corpo, até se partir no infinito.

– Milo... você... você é tão lindo... – balbuciou o aquariano, uma gota de suor abandonando seu pescoço e indo afogar-se no peito convulso do escorpiano.

– CAMUS!!! OOOHH, Caaamus... AAAAAAAHH!!! – o grito de Milo pontuou seu clímax selvagem; gozou fartamente nos abdômens de ambos, agarrando o amado com força durante os espasmos que sacudiram seu corpo. Atirou a cabeça para trás. Os olhos cerrados, de onde escorriam lágrimas de prazer, a boca aberta, úmida, o rosto em puro êxtase orgasmático... essa imagem, aliada à contração dos músculos de Milo em torno de seu pênis, quase esmagando-o, fez Camus envergar o corpo, trespassado pelas violentas ondas de seu orgasmo.

– Uuuhhnng... Milo!... Aaaaah!!!

Gozou violentamente, ejaculando com abundância naquelas terras desbravadas pela primeira vez...

Esparramou-se sobre o namorado, ambos ofegantes, trêmulos. Deram-se as mãos. Olharam-se, as pálpebras semicerradas, tentando restabelecer o ritmo normal da respiração, ainda sentindo as contrações e as vibrações energéticas em seu interior.

– ZEUS... isso...Milo... isso foi...

– ... sim... foi... uhn...

– ...aah... eu... você...

– ... Camus... você é uma força da natureza...

– ... engraçado, sempre achei isso... de você...

– Eu te amo, Camus... cada vez mais... não achava que isso fosse possível. Porque achava que já te amava com a totalidade do amor que me era possível... não é que te amasse menos, é que parece que cresce... não sei... é um amor tão imenso, chega a doer, mas é uma dor boa, sabe? Estranho, né? Dor boa… isso existe? Ah, sim, claro, eu mesmo acabei de… Camus, tá me ouvindo?

Tocado pelo efeito do álcool que ainda corria em suas veias e pelo que acabara de fazer e sentir, o Santo de Aquário fora repentinamente vencido pelo sono. Acabou dormindo em cima de seu amante, ressonando levemente em sua orelha.

Milo sorriu e o abraçou, um carinho infinito aqueceu-lhe a alma. Afastou-se um pouco, ajeitando o francês, de modo que ele ficasse ainda por cima, porém mais confortavelmente. Era gostoso... nunca pensou que fosse admitir. Mas sentir Camus por cima dele era muito bom. Dentro dele também.

“Realmente, Camus de Aquário, sou teu de corpo e alma”, pensou, imerso em paz e felicidade. Os primeiros raios de sol esgueiravam-se por entre as pesadas cortinas de veludo vermelho-sangue quando ele deixou-se também vencer pelo sono. Ambos adormeceram abraçados, nus, plenos... em doce e completa união.

*****************

Notas finais
Muito amor, né? E eis que o gelinho dominou MESMO o escorpiãozinho, agora em TODOS os sentidos ^^ Muito obrigada por lerem, e até a próxima... bjs bjs