Grey Potter

1 Quando a vida resolve ser complicada


Pov. Grey

Meu alarme tocou e eu quase sai do corpo, não sei por que sempre me assusto com isso. Desliguei o alarme ainda com sono, foi aí que me lembre: hoje é dia 31 de julho, aniversário da Jo (minha mãe adotiva), meu e do personagem principal da melhor saga de todos os tempos, Harry Potter.

Sabe, sempre me diverti com o fato de fazermos aniversário no mesmo dia. Eu e a Jo rimos da coincidência todo ano. E meu aniversário e o do Harry coincidirem também, quando eu tinha sete anos, me fez acreditar que a Jo tinha colocado o aniversario dele naquela data porque era a data do meu. Mas, um tempo depois (quase meses), lembrei que era aniversário dela também e isso explicaria o a data.

Falei mentalmente “Feliz aniversário, Harry”, levantei da cama, peguei roupas limpas no armário e fui para o banheiro. Enquanto tomava banho, senti uma dor estranha no braço direito. Devo ter dormido em cima dele e, agora, estava dolorido.

Terminei o banho rapidamente, não tinha lavado o cabelo, e me vesti. Calça jeans preta, camiseta branca e jaqueta de couro preta. É. Essa era eu de onze anos, não mudei muito meu estilo. Só, ao invés de roqueira, agora estou mais para a marota doida do preto e algo que puxa mais para All Star e moletom.

A dor no meu braço continuava ali.

Desci as escadas correndo, que nem um jato. Neil, meu pai adotivo, já estava acordado e lendo o jornal em uma poltrona na sala. Quando me viu falou:

— Bom dia, pequena! Feliz aniversário! – ele levantou e veio me abraçar. – Jo e as meninas estão se arrumando e descem daqui a pouco! – Ele disse sem tirar o sorriso do rosto.

— Eu já desci- disse uma voz atras de mim.

— Feliz aniversário, Jo! – Falei correndo até ela, que estava no pé da escada.

— Feliz aniversário, Grey! – disse ela com um sorriso amável no rosto, nem parecia que tinha dias que ela tinha vontade de tirar o meu coro.

— Quando vamos comer o bolo? – falou Agatha, que menina esfomeada!

Agatha, Cristy e Nat, são mais novas que eu e Rowlings de sangue. Nat é um ano mais nova que eu e, sem dúvida, é a mais sensata e pacífica de todas nós. Chuto que ela seja corvina ou lufana. Agatha e Cristy são gêmeas, dois anos mais novas que eu. A primeira é a esfomeada e a mal-humorada da casa. Sonserina sem dúvida. Cristy é a mais “de boa” das irmãs Rowlings. É amigável, fofa e confiável. Lufana.

Eu sou a sem juízo. A que apronta. A garota que gosta de subir nos muros e árvores. Basicamente: não tenho medo da morte. Quer dizer, não quero morrer, mas também quero saltar de bungee jump, algum dia.

— Bom dia para você também, Agatha. Iremos comer bolo atarde depois de cantarmos parabéns. – falou Jo.

A mais nova ficou com uma expressão de quem comeu e não gostou. E eu, como uma boa irmã mais velha, ri da situação.

— Mal acordou e já está rindo, Grey? – disse Nat descendo a escada com cara de sono. Agatha continuava parada na escada, atras da Rowling mais velha – Como é que consegue?

— Como se eu soubesse!? – disse fazendo todos rirem.

Fomos todos para a cozinha arrumar o café da manhã. Nat e Neil, arrumavam a mesa, Jo me dava instruções de como fritar os bacons, sem botar fogo na casa toda, e Agatha olhava a cena, emburrada no canto da cozinha.

— Bom dia! – cantarolou uma voz de alguém fofo de 9 anos. – Feliz aniversário, mamãe e Grey! Tudo mundo dormiu bem? – perguntou Cristy a todos os presentes.

— Quase rimou. – comentei- Foi de propósito?

— Não, ou pelo menos não era para ser. A Agatha já está emburrada?

— É claro que sim, só vamos comer bolo a tarde! – exclamou exasperada.

Rimos da resposta. Eu, que olhava para a conversa das gêmeas, me distraí e, se Jo não tivesse falado “Grey, os bacons!” tenho certeza de que a casa estaria em cinzas agora.

Pov. Dumbledore

— Tem certeza de que o momento certo? – Perguntava Remo aflito a meu lado enquanto caminhávamos pela rua. – Eles são muito novos e, pelo que contou professor, será um grande choque descobrir que o mudo bruxo dos livros é o mesmo da vida real. Ela, eles, só tem onze anos, você não acha que...

— Se acalme Remo. – disse calmamente enquanto parava calmamente de caminhar. – Hagrid contou a Harry durante a madrugada e, segundo ele, o garoto reagiu bem, de modo geral.

— Já contaram ao Harry? – antes que eu pudesse responder ele já fazia outra pergunta- Quanto contaram a ele?

— Apenas que ele é um bruxo. – falei começando a caminhar novamente.

O mais novo abriu a boca novamente para parar mas desistiu.

Pov. Grey

Cantar os parabéns? Confere. Comer o bolo? Confere. Abrir os presentes? É isso o que estamos fazendo agora.

Jo já havia aberto o presente de seus pais e agora abria o nosso para ela, os pais de Neil haviam falecido a alguns anos. Não gostavam tanto de mim quanto os avós por parte de mãe das Rowlings, mas eu gostava deles.

Eu abria o presente dos meus avós adotivos, já havia aberto o presente de todos, eram cadernos para que eu escrevesse músicas e partituras, para usar como diários, desenhar e para anotar coisas dos livros que eu lia. Só para que fique registrado: eu amo itens de papelaria, principalmente cadernos.

De Mary e Jacob, os avós, eu ganhara uma bolsa, mochila para ser mais exata, pequena de alças longas. Ela era linda, feita de couro nude. Queria uma assim a séculos.

O próximo presente era um que eu sempre ganhava, vinha com uma carta dentro me desejando coisas. A carta e o presente sempre vinham sem remetente. Nunca soube quem mandava. Meus pais adotivos sem dúvidas sabem quem é, se não soubesse não me deixariam abrir.

Era um skate, do tipo longboard, tinha a “lixa” (para que os pés não escorregassem) preta, rodas brancas e, embaixo, o desenho de uma caveira mexicana. A caveira era, na verdade, uma moça de vestido vermelho com uma maquiagem de caveira, cabelos castanhos cacheados longos com rosas vermelhas presas neles.

Meus cabelos também são cachados e castanhos. Só são mais curtos. Seu comprimento vai um pouco abaixo da metade dos meus ombros. Meus olhos são da mesma cor.

No momento em que ia falar sobre o skate, a campainha tocou.

— Eu atendo! – disse e foi até a porta.

Pov. Dumbledore

Remo tocara a campainha. Ouvimos passos até a porta e ela foi aberta por uma garota de cabelos castanhos e cacheados. Ela parou quando nos viu, estava com uma expressão surpresa e um pouco divertida no rosto. Mas o que predominava em sua face era confusão.

— Boa tarde, Grey. – eu disse.

Ela se virou para seu lado direito mais confusa ainda, se é que era possível, e chamou Joanne:

— Ô, Jo? O que é que...

— Professor Dumbledore, Remo, com estão- falou a adulta vindo até nós com uma expressão séria.

A garota a olhava incrédula, balançou a cabeça para afastar os pensamentos e disse virando para entrar mais em casa.

— Eu até ia perguntar o que está acontecendo, mas já deu para perceber que não vou conseguir entender nada então deixa quieto. Conversem aí que eu vou tentar entender o que é que está acontecendo lá dentro. – quanto mais ela falava, mais adentrava a casa e mais sua voz sumia.

— Ela cresceu. – comentou Remo.

— Achei que nunca a tinha visto. – falei.

— Eu e Neil mandamos fotos da Grey para Remo de vez em quando – foi a vez de Joanne falar. – Entrem- falou abrindo mais a porta para que entrássemos. – Neil, leve as meninas para o quarto da Grey.

— Claro- ouvimos o marido assentir.

Enquanto entravamos, Neil e as crianças subiam as escadas para o quarto da mais velha.

— Papai, o que está acontecendo? – perguntou uma garota loira

— Está tudo bem Cristy, está tudo bem. – afirmou o adulto.

— Como eles sabiam meu nome? – falou Grey- Eu estou encrencada?

— Como se isso fosse novidade! – exclamou uma garota de cabelos castanhos, quase pretos, e liso.

— Agatha! – repreendeu o homem- Não, Grey, você não está encrencada. Por mais que isso seja um pouco frequente. – disse rindo um pouco e as crianças o acompanharam.

— Pelo visto ela puxou o pai. – disse o homem ao meu lado.

— Sem dúvida alguma. – falou a mãe adotiva da garota.

Pov. Grey

Entramos no meu quarto e Neil disse:

— Fiquem aqui. Quando puderem descer eu ou sua mão viemos avisar. — e saiu do quarto fechando a porta.

As gêmeas se entreolharam e corre colocar as orelhas na porta.

— Quem eram eles? – perguntou Nat.

—Eu não sei. – disse enquanto ia até o armário onde estavam minha guitarra e minha vassoura. – Mas Jo os chamou de “Dumbledore” e “Remo” e eles pareciam com os personagens.

— É impossível serem eles – falou Agatha se intrometendo na conversa.

— Esse não for? – questionei enquanto segui para a cama com a guitarra em mãos- Quer dizer, o mundo bruxo existe, seus pais são bruxos. E se... o resto... os livros... forem verdade também? – demorei para terminar a frase, o receio de dizer aquilo era grande.

— Então teremos sido enganadas nossa vida inteira- disse a gêmea de cabelos escuros em tom zombeteiro.

— Isso seria terrível. Iriamos ter vivido uma mentira. – disse Cristy realmente assustada.

— Se os pais de vocês fizeram isso, eles devem ter um bom motivo. – disse para tranquilizá-la e comecei a dedilhar a guitarra ao som de “Stay” do Blackpink, essa música acalmava todas nós.

Quando estava no tempo correto comecei a cantar a tradução:

Com palavras duras
Facilmente você deixa cicatrizes em meu coração
Sem pedir desculpas de novo
— as três Rowlings mais novas vieram mais perto e sentaram na cama comigo- Eu estou me confortando
Será que hoje é o dia
Que você vai me deixar? Sempre estou preocupada
Eu só quero que você fique

Seu rosto fica cada vez mais inexpressivo
Eu sussurro no espelho: Vamos lentamente deixando ir
Você não me valoriza
Mas você é assim
E mesmo assim fique, fique, fique comigo

Essa melodia triste se assemelha a você
Ela também me faz chorar é, é
Seu aroma é um doce crime
Eu te odeio muito, mas ainda te amo

Antes da noite escura me aprisionar
Não saia do meu lado
Se ainda me ama
Se você sente o mesmo, não me deixe hoje
Não me pergunte por que tem que ser você
Apenas fique do meu lado, fique comigo

E é mais ou menos assim— olhei para elas e todas me acompanharam- Lalalalalala lalalalalala lalalalalala
Lalalalalala lalalalalala lalalalalala — cantei sozinha novamente- Eu não espero muito agora
Apenas fique do meu lado, fique comigo

Não há nada mais que eu quero agora
Eu não sei nem dizer se meu coração ainda está batendo
Ao invés de conversar bem alto com os outros
Eu preferiria estar em um silêncio constrangedor ao seu lado
Portanto, fique onde quer que seja
Às vezes, quando a escuridão vier, eu serei sua chama
Neste mundo de mentira, minha única verdade é você
Esta é uma carta, de mim para você

Essa melodia triste se assemelha a você
Ela também me faz chorar é, é
Seu aroma é um doce crime
Eu te odeio muito, mas ainda te amo

Antes da escuridão me aprisionar
Não saia do meu lado
Se ainda me ama
Se você sente o mesmo, não me deixe hoje
Não me pergunte por que tem que ser você
Apenas fique do meu lado, fique comigo

E é mais ou menos assim— juntas, de novo- Lalalalalala lalalalalala lalalalalala
Lalalalalala lalalalalala lalalalalala- sozinha, de novo- Eu não espero muito agora
Apenas fique do meu lado, fique comigo

E é mais ou menos assim— juntas- Lalalalalala lalalalalala lalalalalala
Lalalalalala lalalalalala lalalalalala

Eu não espero muito agora
Apenas fique do meu lado, fique comigo
.

Terminei sozinha.

– Escolham uma música. – falei- Uma que eu saiba. – completei rapidamente.

— “You Never Know” – disse Nat e eu obedeci, mas antes disse:

— Momento Blackpink do dia, é isso? – elas riram- Ok – e comecei a cantar, também, a tradução. Não sou doida de me aventurar a cantar em coreano, nem sei falar. –

No dia em que eu tentei dar um grande sorriso
Por que a noite é cada vez mais escura?
Isso fica me deprimindo, deprimindo, deprimindo

Hmm, as palavras que todos disseram tão facilmente
Talvez você possa ouví-las em breve
Eu já ouvi o suficiente, eu já ouvi o suficiente
Sobre as coisas que eu não sou

Mesmo se o mundo todo mudar
Eu vou continuar sendo a mesma
Sonhei com essa estrada que eu percorro
Como ela era naquele momento
Como ela era naquele momento
Eu dançava todos os dias
Ficarei no lugar onde eu comecei

Mas você nunca saberá a menos que se coloque no meu lugar
Você nunca saberá minhas cordas emaranhadas
Porque todos veem o querem ver
É mais fácil me julgar do que acreditar em mim

Os pensamentos antigos que eu escondi profundamente
Algumas vezes me atormentam
Quanto mais eu fizer isso, eu vou brilhar, amor
Você sabe que eles não têm chance contra mim

Domingo à noite
Eu fiquei presa na minha cama
Estive pensando demais
Me perguntando se eu deveria tentar fingir
Eu não me conheço bem
Tenho medo de me encontrar
Esperando que alguém me reconheça

Quanto mais brilhante fica a luz
Maior minha sombra se torna
Quando se tornar brilhante demais
Será que consigo olhar para trás?

Mesmo se o mundo todo mudar
Eu vou continuar sendo a mesma
Sonhei com essa estrada que eu percorro
Como ela era naquele momento
Como ela era naquele momento
Eu dançava todos os dias
Ficarei no lugar onde eu comecei

Mas você nunca saberá a menos que se coloque no meu lugar
Você nunca saberá minhas cordas emaranhadas
Porque todos veem o querem ver
É mais fácil me julgar do que acreditar em mim

Os pensamentos antigos que eu escondi profundamente
Algumas vezes me atormentam
Quanto mais eu fizer isso, eu vou brilhar, amor
Você sabe que eles não têm chance contra mim

Você pode ficar deprimido, eu sei bem
Você não pode voar só olhando para o chão
Mesmo através das nuvens (nuvens)
O Sol continuará brilhando

Esse momento que eu tenho imaginado
Até mesmo em lugares tristes
Posso deixar tudo de lado e sorrir
Quero me enfrentar com quem eu não queria ver, eh

Eu lembro
Então ficarei bem
Faça as flores florescerem no meu triste quarto
Eu sempre vou estar esperando

Mas você nunca saberá a menos que se coloque no meu lugar
Você nunca saberá minhas cordas emaranhadas
Porque todos veem o querem ver
É mais fácil me julgar do que acreditar em mim

Os pensamentos antigos que eu escondi profundamente
Algumas vezes me atormentam
Quanto mais eu fizer isso, eu vou brilhar, amor
Você sabe que eles não têm chance contra mim

Essa cantei toda sozinha.

– Mais alguma? – perguntei.

— O que acham...- a porta se abriu, interrompendo Cristy

— Grey, precisamos de você lá embaixo- falou docemente Neil, à porta.