Grey Potter
2 Quando a vida resolve ser complicada- Parte 2
Pov. Grey
Entrei na sala me sentindo como uma pessoa indo cumprir sua pena de morte. Me sentei no sofá que Jo estava e permaneci do lado dela. Um tempo depois, Dumbledore (eu nem sabia se era ele) falou:
— Grey, acredito que saiba que é adotada, certo? – balancei a cabeça em concordância- Sabe que dia é hoje?
Pensei em responder “Aniversário do Harry”, mas achei que essa seria a resposta errada.
— Meu aniversário e da Jo. – minha voz saiu que nem um miado de um filhote de gato.
— Isso também, mas, hoje é aniversário de que personagem da Joanne? – “Joanne”? Eles eram próximos. Olhei para ela e depois para o homem de cabelos e barba longos e prateados.
— Aniversário do Harry Potter? – novamente, minha voz saiu fraca.
— Querida, já perguntou aos seus pais adotivos quem são seus pais verdadeiros? – socorro, Merlin, momento interrogatório. Como eu odeio esses momentos.
-Nunca pensei em perguntar. – respondi- Acho que nunca tive curiosidade sobre isso. -minha voz já estava minimamente mais forte.
— Você se lembra de algo dos seus pais? – droga, ponto fraco.
— Uma risada- respondi como se fosse a coisa mais normal do mundo.- Uma risada de um homem.
O homem que, pelo que Jo falara, era Remo Lupin, me olhou nos olhos. Nem tinha percebido que ele era o único que não me olhava. Ele conhecia me pai ou estava simplesmente lembrando da risada do pai do Harry?
— Bom, primeiro, Grey, você deve saber, — as cabeças de Nat, Cristy e Agatha apareceram entre o corrimão e eu quase arregalei os olhos — os livros que Joanne escreveu são previsão e visões dela.
Tudo aquilo, Harry, Rony, Hermione, Gina, eles, tudo, tudo existia. Mas se aquilo existia e estávamos em 1991...
— Isso existe? Isso está acontecendo? Quer dizer, o Harry, ele está fazendo 11 anos hoje, também? – falei aflita em meio a confusão, mas logo voltei a mim. – Não sabia que era tão fácil achar pessoa que nasceram no mesmo dia, achei que era mais difícil de encontrar. – a última frase fez todos rirem, e as Rowlings mais novas nas escadas se seguraram para não fazerem barulho.
— Grey, gostaria de saber quem são seus pais? – perguntou Dumbledore, por mais incrível que seja, eu já achava supernormal que o mundo bruxo daqueles livros era real.
Pensei na pergunta do diretor. Já tenho uma família, não me sinto tão pertencente a ela, mas tenho uma. Sou curiosa, seria interessante saber, mas...
— Sinto muito, mas não. Sou curiosa, sei disso. E sei que eu consigo viver sem ter essa informação. – falei com responsabilidade.
Os adultos se entre olharam e eu entendi o que aquele olhar significava: plano B.
— Isso soou idêntico a Lilian- falou Remo olhando para Dumbledore.
— Sem dúvida, pareceu com ela. – falou o homem de nariz torto olhando para mim.
— Primeiro: o que a mãe do Harry tem a ver comigo? E segundo: deu para vocês se entreolhando e, estava na cara que aquele olhar significou “plano B”. Então é melhor falarem de uma vez o que está acontecendo. – ordenei
— Seu senso de dedução é ótimo, senhorita Potter. – foi nesse momento que eu morri. Uma frase do Dumby e meus divertidamentes já estavam correndo de um lado para o outro em pânico.
Potter? Potter!? Eu não posso ser uma Potter! Não mesmo! Não tem chance!
Droga! Se isso não tem sentido Grey por que você faz aniversário hoje? Usa a cabeça garota, por Merlin. Esquece, você nasceu hoje porque o universo quis que você nascesse hoje. Até a Jo nasceu hoje. “Calma,” pensei “se recomponha e pergunte”.
— Isso não foi uma brincadeira, não é?
— Não. – falou Neil pela primeira desde que eu descera.
Fique quieta, fiz uma careta e passei os olhos pela sala. Lupin me olhava com um “carinho receoso”, Dumbledore estava com um brilho, de felicidade eu diria, em seus orbes azuis, meus pais adotivos me olhavam calma e acolhedoramente. As três doidas da escada estavam todas boquiabertas. Ali estava minha saída.
— É melhor juntarem os queixos! – falei olhando para elas, os mais velhos fizeram a mesma coisa- E se esquecerem como fechar a boca!?
— Você é in-su-por-tá-vel – falou Nat saindo do péssimo esconderijo- In-su-por-tá-vel, de verdade.
— Meninas, não podiam ter saído do quarto! – repreendeu Jo.
— Agora já saímos- disse Agatha.
— Não tem problema, Joanne. Acredito que elas já escutaram tudo. Pouparam tempo para vocês três. – amenizou Dumbledore. – Não terão que explicar para elas.
— Filhas, se apresentem para o Remo. – disse o pai das três.
— Eu não preciso, não é? – garanti.
— Mas é óbvio que não. – não achei que fosse ela quem respondesse- Me chamo Agatha.
— Só estava garantindo, irritadinha. – falei ficando com o mesmo sentimento.
— Parem- bronquearam meus pais adotivos.
— Natasha.
— Cristy. Como sabia o nome da Grey? – perguntou a mais nova de todos ali
— Dumbledore contou a ele. – respondeu a irmã de sangue mais velha- Eu acho. – completou.
— Na verdade eu já sabia o nome da Grey. – disse o lobisomem. – Sou padrinho dela e a vi criança.
— Ainda sou criança. – enfatizei. – E isso para todo mundo aqui, principalmente vocês dois, com essa história de “Quem ganha brinquedo no Natal é criança”, por favor. – reclamei e me afundei mais no sofá, emburrada.
— Seu pai também fazia isso- falou o homem com cicatrizes no rosto.
Meus pais! Foi aí que caiu a ficha. Meu irmão era o Harry, não só irmão, tudo apontava que éramos gêmeos. Meu pai era Tiago Potter e minha Mae Lilian Evans Potter. Meus tios eram uns chatos e meu primo um idiota que maltratava meu irmão.
“Por favo que a ficha de tudo isso ser real caia de uma vez, por favor, por favor, por favor!”
— Para que escola de magia eu iria? – perguntei.
— Não quer mais ir para Hogwarts? – foi a vez de Jo fazer uma pergunta. Ninguém tinha entendido onde eu queria chegar.
— Quero, mas se Harry também vai para lá esse ano, significa que a minha presença pode alterar muita coisa. – “e meu irmão pode morrer esse ano” completei mentalmente.
— Quando escrevi os livros, pequena, – nem sou tão pequena assim, tenho 1,55 metros de altura- não previ você. Por mais que tentasse, não consegui. Talvez você não altere nada. A Gabrielle, irmã da Fleur não existe, também não a vi. Talvez você seja ela e talvez não altere nada.
— Jo, é o Harry quem estará lá! – falei mostrando minha preocupação, era raro eu fazer isso. – E tem outras pessoas também. – não me preocupava tanto assim com isso, mas não podia me mostrar vulnerável- Não quero alterar nada. Tem sete escolas de magia principais no mundo, se eu não quero ir para uma, tem outras seis para escolher.
— Se não se sente confortável indo a Hogwarts, Grey, não iremos forçá-la – disse Dumbledore, todos os adultos concordaram, a contragosto, silenciosamente.
— Obrigada- agradeci, não falei de forma arrogante, falei por que estava realmente agradecida.
— Pode pensar antes de, realmente, decidir. Quais tem em mente? – ficou curioso meu padrinho.
— Ilvemorny, Beuxbatons e Durmstrang- respondi prontamente.
— Grey e seu estoque de informações. – disse Nat divertida.
— Como se você fosse diferente! – exclamei.
Conversamos por um bom tempo depois disso, Dumbledore ficou mais quieto, dando tempo para que conhecesse melhor o Remo. Falamos sobre tudo, não falei muito sobre mim e nem meu padrinho sobre ele, mas nós nos entendemos.
— Então, — falou ele depois de muita conversa – gostou do skate?
— Não brinca! – disse surpresa e entusiasmada, com um sorriso no rosto- Todos os presentes e cartas? Durante tanto tempo?
— Você é minha afilhada, não iria perder o contato! – disse Lupin animado.
-Perdão a todos, tenho que ir. – o diretor disse se levantando. – Afazeres de diretor.
— Não tem problema, Alvo. – Neil respondeu.
— Que horas são? -Padrinho perguntou.
O homem de cabelos longos e prateados olhou seu relógio de vários ponteiros e disse:
— Cinco horas e quarenta e cinco minutos.
— Como é que entendem esses relógios? – eu e todas as crianças presentes falamos, fazendo os adultos rirem.
— Grey, — chamou Dumbledore- segundo a lei, agora você deve morar com Remo. – eu conhecia essa lei. Ela diz que a ordem dos guardiões de uma criança é: pais, padrinhos, parentes e pais adotivos. – Você poderá ter quantos dias de adaptação precisar, mas sua guarda será transferida para ele.
— Ok.
— Jo, Neil, garotas, tenho que ir também. Tenho coisa do trabalho para terminar. — falou Remo e eu fique meio triste. Poxa, ele tinha que ir embora naquele momento?
— Como quiser, amigo. – disse meu pai adotivo.
— Tchau- falei aborrecida e abracei ele, que rapidamente correspondeu.
— Tchau, pequena. – por que todo mundo me chama assim? – Prometo que venho te ver logo, está bem?
— Uhum. -murmurei e balancei a cabeça em confirmação.
Os dois visitantes se despediram de todos e foram embora. Os cinco que restaram dentro de casa, arrumara a sala e a cozinha, guardando as comidas e jogando fora os papéis de presente.
Depois da Noite cair, eu fui tomar banho, para, finalmente, deitar. Aquele dia havia sido longo e cansativo, tanto mentalmente, quanto fisicamente. Eu caí muito daquele skate.
Quando já estava no meu quarto tirando minha roupa para colocar o pijama, eu vi no meu antebraço direito, o que estava doendo de manhã, uma tatuagem. Não daquela de chiclete, que ficam “por cima” da pele. No lugar daquele desenho minha pele ficou preta, preta de tinta ou do que fez aquilo. Era uma tatuagem de uma chave alada, era muito linda.
Aquilo me assustou. Não queria ir para o St. Mungus e nem ser colocada embaixo de um microscópio, metaforicamente falando. Se eu tinha certeza de uma coisa era: eu não contaria aquilo para ninguém.
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