Greg and The Sour Cream
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Fora da van do senhor universo uma pesada chuva caia, o clima estava frio e úmido, porém não havia do que se reclamar daquela noite, em meio ao caos organizado dentro do veículo havia pizza, uma tv, vídeo game um violão e Steven é claro, que para Greg fazia qualquer momento especial. Steven jogava algum jogo genérico é parecia estar ganhando da máquina, Greg afinava seu violão e tocava alguma coisa de vez e quando. Steven então parou de jogar e começou a encarar o pai que estava concentrado no que fazia.
—Pai? Perguntou o garoto.
—Diga, grande homem.
—Quando decidiu que viraria musico?
—Beem... Greg pousou o violão no colo e começou a coçar o queixo. -No ensino médio, lá eu meio que já sabia o que queria, apesar de ter ido a faculdade. Steven olhava apreensivo para o pai até que ele pegou o violão mais uma vez e começou a afina-lo.
—O que? Só isso? Steven questionou. -Foi assim que você se tornou o maior pai guitarrista de todos os tempos? Greg olhou para ele com um sorriso.
—A história é longa sabe, inclui eu e mais três caras, formando uma banda, invadindo palcos e tocando numa batalha de bandas épica e bailes de formatura, mas você não iria querer ouvir isso, não é?
—Ei! Eu quero sim! Disse Steven animado.
—Então acomode-se em seu colchão de ar e prepare-se para ouvir sobre a maior banda de colégio da história das bandas de colégio de todos os tempos! Greg fez um solo improvisado no violão desafinado para dar ênfase no que dizia. -Mas antes, deixe-me pegar algo.
Ele então abriu porta da van e pulou para fora mesmo no temporal que caia, correu até o lava jato onde trabalhava e depois de poucos minutos retornou correndo com uma caixa de papelão nas mãos.
—Poxa, está chovendo canivetes lá fora, espero não ter estragado tudo. Disse Greg secando-se com uma toalha de rosto que estava jogada em meio a bagunça.
—Ahn? O que é isso? Perguntou Steven curioso. Greg então abriu cuidadosamente a caixa, em seu interior tinha algumas coisas velhas e empoeiradas, dentro dela havia um porta-retratos velho, um vinil, fitas cacetes para rádios antigos, folhas com notas musicais, um recorte de jornal, um caderno com a capa dura verde pela metade e uma palheta com as iniciais J.H.
—Isso são pedaços de lendas. Greg disse animado. -São o que sobrou daquela época, e vão me ajudar a narrar para você o que aconteceu. Greg soprou a poeira do porta retrato e as moléculas de poeira começaram a forma o efeito Flashback dos filmes.
O despertador tocava freneticamente, até que uma camiseta preta foi arremessada nele fazendo o cair no chão e misteriosamente, parar de toca. A cena se passa dentro de um quarto cheio de pôsteres de bandas e filmes, com caixas e mais caixas entulhando por todo e qualquer canto do quarto, uma televisão ligada em um canal estático e um beliche que na parte de cima tinha mais caixas (para variar). Emergia das cobertas uma figura descamisada de longos cabelos castanhos que estavam arrepiados devido a noite de sono.
Greg sai cambaleando da parte de baixo do beliche, resgatou o despertador que havia misteriosamente caído no chão e verificou a hora.
—Hum.. são 7h e 45mim.. Ele disse com voz de sono. -É, acho que vou chegar atrasado de novo.
—Paai! Protestou Steven. -Isso é coisa que se faça!
—Calma. Disse o pai. -Você não ouviu tudo ainda, voltando a história.
Greg olhou mais uma vez para o Despertador e viu na data que era terça, lembrou também que hoje era aula do Sr. Richards de geografia. Ainda grogue de sono algo dizia a ele que ele estava esquecendo de algo, como um raio, uma lembrança sobre este professor surgiu;
‘’-Se o senhor se atrasar de novo na minha aula você ficará com F na matéria, entendeu senhor Demayo?’’
Rapidamente todos os resquícios de sono desapareceram, Greg correu para o banho, colocou suas calças e suas camisa de mangas rasgadas (que ele rasgou aliás) e em seguida foi para a cozinha, e em tempo recorde, comeu todo o cereal da semana, quando terminou correu mais ainda, agora fora de casa com sua mochila aberta, e dela voaram todos as folhas de caderno e exercícios que se espalhavam pela rua, Greg corria como o vento para a escola que ficava a 5 quarteirões de sua casa.
A escola local, o Instituto Tomas Marshall, onde Greg estudava era uma grande instituição, a entrada principal possuía um grande estacionamento, também tinha uma quadra coberta e um enorme campo de futebol americano que se localizava na parte de trás do colégio, sem contar que havia uma cantina interna e externa para atender todos os estudantes, Greg correu pelo estacionamento, pela entrada e corredores até chegar a classe do professor, por sorte a porta estava aberta, e o Sr. Richards fazia a chamada. Greg então rapidamente se esgueirou pelas carteiras até a sua e sentou-se lá.
—Gregory Demayor. O professor chamou.
—Aqui! Greg gritou esbaforido.
—Ah. Sr. Demayo, que prazer é ter você em minha classe está manhã. Estava muito ocupado no mundo dos sonhos?
Greg respirou fundo e jogou sua franja para trás.
—Sabe como é senhor. Disse ele. -Nada que eu não pude dar conta. A classe então caiu em uma gargalhada, menos o Sr. Richards, que parecia uma esfinge.
—Muito engraçado. Disse o professor. -Também gosto de rir de suas respostas nas minhas provas, tem ideia de que pretender fazer do seu futuro?
Greg enrolava a ponta de seus cabelos com o dedo.
—Tenho sim, mas se tudo der errado, posso ser professor de geografia, né?
A risada agora foi total, e o professor que era uma esfinge agora mais parecia uma carranca.
—Uau pai! Disse Steven animado. -Você era bem descolado. Disse isso na cara dele mesmo?
—Bem.. Greg coçava a parte de trás da cabeça. -Talvez não na cara dele.
Rebobinando a fita.
—Ah. Sr. Demayo, que prazer é ter você em minha classe está manhã. Estava muito ocupado no mundo dos sonhos?
—Eerr.. Não senhor. Disse Greg encolhido na carteira.
—Ótimo. Essa aula é importante, e quem não se concentra aqui ficará igual ao Sr. Demayo na minha prova.
A risada da turma foi geral e Greg só pode abaixar a cabeça e coloca-la na mesa da carteira.
—Hey Greg. Ficou acordado até tarde de novo?
Virando-se para trás, uma garota com cabelos castanhos amarrados formando um coque na parte de trás da cabeça, com óculos de lentes grossas e aparelho nos dentes da cor roxa, se virou para Greg, ela usava uma camiseta de basquete branca e com detalhes laranjas com um número 9 na parte de trás. A camiseta fazia as alças do top que ela usava por baixo visíveis.
—Hey Ray. Disse Greg.
—Espera, quem é essa? Steven perguntou.
—Ah, essa era a Ray, uma garota que sentava na carteira da frente nas aulas de geografia, e sempre que dava sentávamos próximos, eu era caidinho por ela. Explicou Greg
—Espera, como você nunca me contou dela? Steven questionou.
—Isso faz muito tempo, e desde que você nasceu aconteceram muitas mais histórias para se contar.
—Seei. Disse Steven dando uma risadinha.
—Você sabe que é verdade, as aventuras magicas e tudo mais, parece bem mais interessante, não?
—Neem.. Disse Steven. -Essa história é boa também.
—Nesse caso, deixe-me continuar. Disse Greg.
Ray sorriu para ele e Greg timidamente sorriu de volta.
—Sabe como é. Disse Greg. -Comprei uns LP’S novos, estou escutando a noite e acabo perdendo o horário. A garota começou a rir.
—Greg você é de outro mundo. Disse ela.
—Eu sei, de uma galáxia bem distante, lá nas estralas.
—Pai, o que seria um LP? Questionou Steven.
—É como se fosse um CD das cavernas, tipo um vinil só que menor.
—Certo, pode continuar. Disse Steven.
—Sim, você disse a mesma coisa ontem. Disse a garota. -Você não cansa de ouvir essas coisas velhas?
—Ás vezes, mas ainda tem filmes e vídeo game para espantar meu sono. Disse Greg coçando atrás da cabeça.
—Tem algum filme novo? Perguntou Ray.
—Nem pensar. Greg cruzou os braços. -Você nem me devolveu o Monstro do Lago que eu te emprestei a semanas.
—Ah é mesmo, foi mal Greg, estava ocupada com os treinos do time.
—Time? Que time? Perguntou Steven.
—Ah, ela fazia parte do time de basquete do colégio. Disse Greg
—Espera, ela era alta? Perguntou Steven já segurando a risada.
— ... Era. Respondeu Greg encabulado.
Steven começou a rir, e Greg resolveu continuar a história mesmo assim.
—Ah sem problemas Ray. Disse Greg.
—Ei Vocês. Disse o Professor. Parem de conversa e prestem atenção!
A aula custou a passar. Até que o sinal de termino da aula finalmente deu as caras.
—.. E espero que estudem esse capitulo, ou não apareçam na minha prova. Disse o professor severamente. -E antes de saírem, o aluno Davy Jerryson não está frequentando minhas aulas a algumas semanas, alguém sabe do seu paradeiro?
Então o representante de turma chamado...
—O que foi pai? Questionou Steven após o silencio do pai de alguns segundos.
—Não consigo me lembrar do nome dele... Respondeu Greg pensativo.
—Não importa pai, continue. Disse Steven apreensivo.
—Bom, ele disse
—O Davy está andando com os Punks agora, ele aparece raramente mesmo.
—Entendi. Disse o Professor. -Lamento muito por ele e pelo seu futuro, enfim, dispensados.
Ray então virou-se para Greg.
—Esses punks são sinistros, eu morro de medo daqueles marginais.
—É pode crê. Enfim, você vai ter jogo nessa semana?
—É sério que você esqueceu do show de talentos?
—O que? É essa semana?
—É esse sábado, o time de basquete vai apresentar os uniformes novos como parte do show, você vai apresentar algo? Questionou a garota.
—Tipo o que? Greg pegava seus livros e colocava na mochila.
—Você toca guitarra super bem Greg, por que não se junta mais pessoas da aula de música e forma uma banda. Disse a garota com um sorriso simpático.
—O pessoal da aula de música não se interessa muito pelo rock, e parece que eles já tem planos para o show.
—Ah, olha a hora Greg, eu preciso ir, se não tiver nada pra fazer depois da aula passa lá na quadra eu estarei por lá. Disse a garota se levantando e pegando suas coisas.
—Certo então, até mais Ray. Disse Greg acenando para ela.
—Te cuida Greg. Ela disse enquanto saia pela porta da sala.
As aulas normais terminaram, e Greg foi para a sala de música, que era sua matéria eletiva. Os corredores da escola eram cumpridos, e a sala de música ficava no último dos três andares que o bloco tinha, nos armários e paredes haviam folhetos falando do show de talentos que haveria no sábado, aquele dia era terça. Greg iria praticar um pouco a guitarra antes de ir para casa, chegando na sala ele cumprimentou os demais colegas músicos que organizavam-se com vários instrumentos para compor uma espécie de banda marcial, ele então se dirigiu a guitarra disponível pela eletiva, acoplou a guitarra e seus fones de ouvido no amplificador, pegou uma revista de guitarra e começou a praticar.
—Revistas? Perguntou Steven. -Como aquelas na garagem?
—São essas mesmas. Disse Greg. -Na época não tinha internet, bem, até tinha, mas era uma coisa muito séria, tipo os bancos e essas coisas, para nós no ensino médio, se queríamos aprender coisas, comprávamos revistas que ensinavam a fazer coisas. Mas continuando.
Greg praticava alguns riffs quando sentiu um toque no seu ombro, quando se virou ele viu o Professor Mike Snider.
—E o único motivo que eu lembro o nome dele completo é por causa desse vinil aqui. Greg então retirou da caixa o vinil que tinha um desenho de quatro caras cabeludos em uma cidade infestada de floresta e plantas, com letras garrafais que formavam a frase ‘The Wild City’.
—O cara do canto com a guitarra. Disse Greg, Steven olhou e viu uma figura de longos cabelos loiros e cacheados, vestindo uma roupa toda rasgada de cores verde e rosa, com um batom vermelho nos lábios e sombra azul marinha nos olhos.
—Esse era seu professor? Perguntou Steven.
—Sim, mas ele não dava aula desse jeito. Professor Mike podia ter sido algo na juventude, mas agora era só um homem normal de cabelo curtos e rugas de expressão.
—Na época ele me deu esse vinil, e me incentivava na música e no rock.
—Greg! Disse o professor. -A turma de música vai lá pra fora, para ensaiar seu número musical ao ar livre, vai ficar com a sala toda para você. O que pretende fazer para o show de talentos?
—Sabe professor. Disse Greg. -Não acho que eu vá participar, não preparei nada e já está bem em cima da hora.
—Bobagens! Exclamou Mike. -Você ainda tem quatro dias para fazer algo, você é um dos alunos mais talentosos, você pode fazer algo legal.
Greg tirou os fones e olhava para o chão.
—Não sei não senhor, eu poderia até tocar algo, mas acho que não ficaria legal.
—Greg, venha comigo. Mike foi sem espera que o aluno o seguisse.
Greg acompanhou o professor até uma estante de discos que ficava no canto da sala, a maioria dos alunos já havia saído. O professor então pegou dentre os discos o vinil ‘The Wild City’ e mostrou para o aluno, Greg viu a versão antiga e maquiada de seu professor com mais três caras igualmente maquiados, de cabelos pintados e com bastante laque.
—Greg, ainda me sobrou este disco, deste dia, lançamos o disco e fizemos o show quase simultaneamente, o melhor dia da minha vida, abrimos o show para alguma banda principal, não lembro agora...
—Graças a internet e um pouco de trabalho agora sei que eles abriram o show do ‘The Bomb Boys ’. Disse Greg satisfeito de si.
—Mas enfim. Continuou o professor. -Quando tocamos naquele dia, vendo as pessoas dançarem, balançarem os cabelos, gritarem conosco, cantarem conosco. Eu senti como se nada no mundo fosse maior do que eu, como se eu fosse todo o universo e o universo fosse eu, ele chamava meu nome, e eu escuto até hoje. Naquele dia, eu senti como se nada mais pudesse ser importante, só está ali importava. Entende o que quero dizer?
Greg acompanhava a história com brilho nos olhos.
—Acho que sim, senhor.
—Greg, ouça bem. Disse o professor guardando a foto de volta da prateleira. -Você tem o potencial, e agora tem a oportunidade. Acredite em si mesmo e alcançar as estrelas.
—Sim senhor! Disse Greg animado.
—Mas claro, você vai precisar de ajuda. Disse o professor igualmente animado. Precisa forma uma banda, e nisso eu posso ajudá-lo.
Rapidamente, o professor foi uma grande gaveta metálica de arquivos e puxou de lá uma pasta sanfonada e dela algumas folhas.
—Esse é o registro de todos os alunos já matriculados nessa eletiva. Disse o professor. -Preste atenção nos nomes que vou dizer, por que eles são tão talentosos quanto você.
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