Notas iniciais
Bom, eu tinha feito um desenho pra fic, como eu não consegui colocar aqui, coloquei uma imagem da internet que coube bem a historia. Boa leitura.

Pela janela redonda da porta, Greg observava o clube de teatro, e nele uma pessoa especifica, o garoto que Greg olhava tinha a pele escura, um cabelo mullet cheio de laque com uma franja no olho esquerdo, um fino bigode que entortava para cima, usava uma camisa de botão branca com alguns babados e os dois primeiros botões estavam aberto, junto com um blazer azul celeste e calças igualmente azuis, ele interpretava alguma peça com o texto nas mãos, colocava as costas das mãos na testa enquanto falava.

‘-Roger Princeton, Josep Tennent e Joe Huntman. ’ Pensava Greg, os nomes que o professor tinha o entregado, deles, apenas um era conhecido por Greg, e na verdade por todos, Roger Princeton, o ‘príncipe’ da escola, um dos caras mais populares de todo o instituto Marshall.

—Mais popular? Interrompeu Steven. -E o que fazia ele popular?

—Bem Steven, essa é uma pergunta difícil, os populares são simplesmente populares, não existe uma votação que os escolhe, acho que era por que ele era mais bonito talvez, ou por causa da moda.

—Eu não entendo, como funciona as escolas. Por que todos não são populares? Perguntou Steven.

—Não faço ideia, as coisas eram assim, existiam vários grupos de alunos, os populares, os valentões os nerds, os góticos e os...

—Não seria melhor se simplesmente não existisse esse tipo de classificação? E todos aceitassem suas diferenças? Steven cruzou os braços em sinal desaprovação.

—Eu não faço as regras campeão. Greg passou a mão pelo cabelo do filho. -Mas concordo que isso seria muito melhor para todos.

Quando Greg viu o rapaz de azul indo em direção a saída, Greg rapidamente se afastou-se da porta e encostou-se na parede paralela a porta, e colocou um dos pés na parede, Greg já tinha ensaiado o que diria, mas era hora de repassar na sua cabeça.

‘-Hey, você é o Roger, né? O meu nome é Greg. Eu queria perguntar se vai fazer alguma coisa para o show de talentos, o Professo Mike disse que você toca guitarra e baixo, não estaria interessado em fazer uma banda? ’

Com o texto pronto em sua cabeça era hora de agir. Roger saiu pela porta e virou para ela, fechando silenciosamente.

—Hey. Disse Greg. -Seu nome é Roger, né?

Roger virou apenas o rosto para ele e o olhou de cima a baixo.

—Sim. Disse ele em um tom calmo.

—Eu sou o Greg e eu...

O olhar de Greg encontrou-se com o do rapaz e Greg congelou, era um olhar de uma análise fria, ele parecia estar vendo mais do que somente Greg encostado na parede.

—eu queria... Greg se perdeu no que estava falando -falar com...

—Comigo? Disse Roger o completando com um sorriso.

—É. É isso mesmo. Disse Greg ficando embaraçado com a situação.

Roger o ficou encarando um pouco mais, Greg começou a suar. ‘-O que será que ele tem?’ Pensou ele.

—Só um instante. Disse Roger se virando para a porta entrando de novo na sala, Greg já não entendia nada, até que o rapaz de azul voltou com sua mochila.

—Venha comigo. Roger pegou Greg pela mão e o arrastou pelos corredores a dentro, Greg o acompanhava, apesar de esquisito ele era popular, ele não podia ser louco e popular ao mesmo tempo, podia? Enquanto caminhavam absolutamente por todos que eles encontraram no caminho cumprimentavam Roger, e ele sorria e cumprimentava a todos.

Roger o arrastou pelos corredores até chegar em um que não tinha saída e nem ninguém, com apenas uma grande janela no final, em meio a vários armários verdes emparelhados e duas portas que levavam a salas vazias. Perto da janela, Roger colocou sua bolsa no chão e se ajoelhou procurando algo. Greg se abaixou também, estava curioso para saber do que se tratava aquilo tudo.

—O que está fazendo? Perguntou Greg.

Roger então pegou algumas folhas e uma caneta e entregou para ele.

—Assine isso. Disse ele sem olhar para Greg, pegando mais coisas de sua bolsa. Greg começou a rir nervoso.

—O que é isso. O riso de Greg terminou quando ele leu o cabeçalho da primeira folha.

—Ahn? Contrato de... Servidão. Greg lia incrédulo.

—E ponha isso. Tirando da bolsa, Greg viu nas mãos de Roger uma coleira roxa cravejada com várias pedras brilhantes e uma corrente reluzente que parecia até prata.

—O que?! Exclamou Steven. -O que está acontecendo!?

—Calma que ainda vai ficar mais estranho. Disse Greg sorrindo.

—O que? Exclamou Greg. -O que é tudo isso?

—Ue, você não veio para isso? Roger olha para ele confuso.

—Nãao! Eu vim perguntar outra coisa, o que achou que era isso? Greg começa a suar ainda mais.

—Não sei, você parecia meio perdido, com esse olhar de cachorrinho. Roger diz isso colocando as mãos nas próprias bochechas.

—Err... Eu não estava... Greg começou a corar e gaguejar.

—E você é bem bonitinho, adorei seu cabelo alias. Roger afastava os cabelos de Greg de seu rosto. -E só assinar ai e seremos bem mais próximos, só isso. Ele disse dando um sorriso travesso.

—Isso é brincadeira né? Greg disse afastando as mãos do outro Rapaz de seu rosto.

—Pense antes de responder. Roger pegou nas mãos de Greg. -Na minha corte, todos são bem vindos, garotos e garotas, as vezes eles até brincam entre si...

—R-Roger! Eu vim falar do show de talentos! O professor Mike disse que você tocava bem. Disse Greg dando quase um salto para trás.

—Por que veio falar de algo que eu não vou participar? Roger colocou uma das mãos no queixo, como se estivesse pensativo.

—Ia te chamar para uma banda, para poder participar. Respondeu Greg

—Ah, entendo, infelizmente eu não estou muito disposto. Ele se ergueu do chão. -E mesmo por que é daqui a quatro dias. Ele parou um pouco e olhou pela janela. -Mas, seria legal participar eu acho, minhas fãs poderiam me ver em um palco tocando, talvez aumente até o número de vassalos da minha ‘corte’.

—Isso é. O lance com a coleira? Greg perguntou pondo uma das mãos no pescoço.

—É. Roger pois as mãos atrás da cabeça. -Aliás isso pode ficar só entre nós, não é? Ele disse rindo. Greg pensou um pouco antes de responder

—Só se você topa participar. Disse ele sorrindo.

Roger abaixou a cabeça em gesto de derrota.

—Você me pegou nessa, e no mal sentido da palavra. Ele fitou Greg sorrindo. -Sendo assim eu aceito.

—Lega. Disse Greg animado. -Amanhã, ás três horas, sala de música, sem falta.

—Vou desmarcar algumas coisas. Disse o de azul recolhendo sua bolsa do chão. -Mas eu irei. Rapidamente Roger tomou a folha que estava com Greg e as colocou junto com a coleiras na bolsa, e deu as costas para ele. Na metade do corredor ele disse sem se virar para Greg.

—Se mudar de ideia quanto a ‘corte’, é só me procurar.

Antes de Greg responder ele partiu.

‘-Bizarro, mas mesmo assim, agora só faltam dois. ’ Pensou Greg.

Jossep Tennent por outro lado seria um desafio maior do que Princeton, ele conheceu o garoto a muitos anos, no ensino fundamental, mas nunca foram próximos, ele tocava um tambor e participava do desfile da escola no dia da independência, nessa época, Greg ainda estava aprendendo a tocar violão. Lembrava vagamente de Tennent, um garoto pálido, de cabelos claros, com um longo nariz e um sotaque caipira. Infelizmente ele havia perdido contato quando ele saiu da eletiva.

Greg perguntou aos seus conhecidos, e depois aos desconhecidos, mas ninguém sabia quem era Jossep Tennent, então só faltava perguntar aos professores, por sorte o professor Sawyer de Literatura, um homem velho que cheirava a mofo e era careca, passava por ali.

—Sim, eu o conheço. Sawyer disse entusiasmado. -Um de meus melhores alunos, olha... Ele pensou um pouco. -Pelo que me lembro ele e seus colegas ficam pela biblioteca nesse período da tarde.

—Obrigado professor. Greg correu para a biblioteca, para não perde mais tempo do que tinha perdido, era quase três horas e meia, quatro e meia era o horário da saída.

A biblioteca, um complexo que ficava fora do bloco principal, onde se encontravam a salas de aulas, ficava colado a uma das paredes externas a este bloco, mas para alcança-lo você teria de sair do bloco principal e dar a volta nele até chegar a entrada da biblioteca, passando pelo gramado e árvores onde a boa parte dos alunos estavam sentados e conversando, e pela cantina externa, Greg não era muito frequentador da biblioteca, ele já havia frequentado algumas vezes quando ainda se tinha um coleção de filmes e vinis antigos, depois que a coleção foi jogada fora, não havia mais motivos para continuar indo.

A biblioteca não era tão grande então rapidamente Greg percorreu o local procurando por Jossep mas não o achou em canto nenhum, e todos que perguntava não sabiam quem era ele, estava a ponto de desistir até que lembrou de um lugar que não viu. O professor falou na biblioteca, mas não falou dentro da biblioteca. Greg se dirigiu então para trás da biblioteca. Área onde os góticos se encontravam, lá ele avistou 6 pessoas, que pareciam ter saído de um filme preto e branco, boa parte das meninas usavam meias cumpridas e listradas, absolutamente todos tinham cabelos pretos, haviam livros de capas escuras, guarda chuvas pretos que funcionavam como guarda sol, todos tinham maquiagem pesadas nos olhos e rostos, e não pareciam nada satisfeitos de ter Greg por perto, quando ele já pensava no que ia dizer, alguém esbarrou nele, rapidamente ele virou para trás e viu uma garota com grande óculos escuros, cabelos tingidos de um preto fosco, um vestido preto picotado e um casaco bege escuro e usando umas botas bem pesadas.

—Ah, foi mal. Disse ela em com uma voz roca e um tom de indiferença. -Nunca te vi por aqui, quem é você?

—Sou Greg, estou procurando um garoto, talvez ele esteja aqui, o nome dele é Jossep Tennet.

A garota tentou segurar o riso, mas não conseguiu, era uma risada roca e alta.

—Hey Jenny, esse cara que falar com você. Dentre os góticos, levantou-se uma garota com uma camisa sem mangas com um desenho de um a caixa torácica na estampa, uma mochila rasgada nas costas e uma toca escura com um x vermelho no topo, cabelos pretos e compridos e um livro nas mãos, quanto mais chegava perto, mas Greg percebia que se tratava de um garoto, não tinha sobrancelhas, usava uma pesada maquiagem em torno dos olhos, dando a impressão que não estava mais vivo, tinha uma calça igualmente escura e um casaco xadrez amarrada na cintura. Por algum momento Greg achava que não podia ser Jossep até identificar o grande nariz que Jenny tinha, depois disso não restava dúvidas.

—Valeu Mandy, por que demorou tanto para chegar? Jenny perguntou guardando o livro em sua mochila.

—Uma das minhas provas estava com a nota errada, tive de falar com o professor. Respondeu a garota ajustando os óculos no seu rosto.

—Você tirou B+ na ultima prova me poupe. Disse Jenny cruzando os braços.

—Você sabe como sou, enfim, conversamos depois. A garota saiu e deixou Greg e Jenny a sós.

Ele virou-se para Greg e o encarou com um olhar desanimado.

—Bem, disse ele em um tom de tedio. -O que quer?

—Jenny? Por que Jenny? Greg perguntou.

—Se só veio perguntar sobre isso, eu voltarei para onde eu estava.

—Não, não! Oi, meu nome é Greg, vim falar com você sobre...

—Espera. Greg? Greg Demayo? Jenny o interrompeu.

—S-Sim, sou eu. Disse Greg sem entender.

—Então isso é seu, não? Da mochila, Jenny tirou um VHS, Greg a reconheceu de imediato, era o Monstro do Lago, o que ele tinha emprestado a Ray.

—Onde achou isso? Disse Greg assustado.

—No chão, perto do meu armário, tem seu nome nela, você por acaso perdeu isso? ‘-Eu devia matar a Ray! ‘ Greg pensou. Não tinha dúvida que ela tinha perdido a fita, ela vivia perdendo suas coisas e as dele.

—Sim, posso dizer que sim. Disse Greg coçando atrás da cabeça. -Obrigado por devolver.

—Eu tenho um igual, por isso não me incomodo em te devolver. Disse Jenny indiferente. -Tem mais, essa aqui não vale tanto quanto as sequencias, que são bem mais difíceis de achar.

—Não sabia que as sequencias valiam tanto. Greg adorava esse tipo de filmes, era legal conhecer alguém com o mesmo gosto cinematográfico, além de Ray que também era a única que ele conhecia que gostava.

—E por acaso você as tem? As sequencias? O tom de desanimo de Jenny mudou.

—Tenho sim, acabei comprando de um cara com uma garagem cheia a um preço bem em conta.

Jenny então passava por uma transformação na frente de Greg, seus olhos pareciam ter mais vida e seus lábios se contorciam em uma espécie de sorriso grotesco.

—O que você quer por essas fitas? Ele perguntou. -Mesmo que não queira vende-las, eu preciso assisti-las.

—Você gosta tanto assim desses filmes antigos? Greg animou-se a saber.

—Filmes-B são a única coisa que fazem a vida valer a pena. O gótico parecia falar sério. -Então eu pergunto de novo, o que quer pelas fitas, quanto você quer?

—Beem... Greg pensou em como não devia deixar essa oportunidade escapar. -Ainda toca tambores como no ensino fundamental?

—... não. Jenny respondeu.

—Quero dizer, sabe tocar bateria? Greg reformulou a pergunta.

—Sei. Jenny tinha medo de onde isso poderia chegar.

—O show de talentos vai ser nesse sábado, eu estou juntando pessoal para uma banda, professor Mike me disse que você era talentoso e tudo mais.

—Sem chance, qualquer outra coisa. Jenny respondeu de imediato.

—Ah qual é. Não é tão ruim. Disse Greg cruzando os braços.

—Quem já está participando?

—Roger Princeton. Disse Greg. Os olhos de Jenny se arregalaram.

—Você é tipo um daqueles escravinhos dele?

—N-Nãoo, não sou. Greg ficou vermelho ao lembrar daquela cena de horas atrás com Princeton.

—Mesmo assim, minha resposta ainda é não. Jenny parecia decidido.

Greg estava com dificuldade de convence-lo, e não conhecia ninguém que pudesse substitui-lo, estava na hora de jogar pesado.

—Bom, se esse for o caso, acho que devo assistir toda a fita hoje e depois dar um fim nelas, para que fiquem só na minha memória. Greg deu um sorriso maligno.

—I-isso é heresia! Você está blefando. Jenny falou preocupado.

—Queima-las talvez, afinal foi tão barato. Greg enrolava as pontas do seu cabelo comprido com o dedo indicador.

—Não! Exclamou Jenny. Era a primeira vez que tinha demostrado um claro sentimento desde que Greg tinha chegado, e o sentimento era ódio. -Espera, me deixa pelo menos pensar um pouco.

—Não posso espera, o show é no sábado. Respondeu Greg.

—Me dá uns minutos então. Implorou o gótico com ódio em seu coração, estava ele em uma sinuca.

—Alguns minutos então. Greg assentiu com a cabeça.

Jenny enfiou a mão no bolso e tirou um maço de cigarros, pegou dois deles.

—Você quer um? Ofereceu Jenny.

—Obrigado. Respondeu Greg pegando o outro.

—Paai! Interrompeu Steven. -Você não deve fumar, faz mal!

—Filho, você tem 14 anos, acho que já posso falar desse tipo de coisa com você. Sim, faz mal, muito mal, mas na época ninguém sabia, bem, algumas pessoas sabiam, mas o problema é que era moda, todo mundo fazia isso. Disse Greg.

—Lembra, você mesmo disse, ‘- não é por que todo mundo se joga de um penhasco que você deve se jogar também. ’ Disse Steven cruzando os braços em reprovação. Greg riu disso.

—Você é bem mais esperto do que eu era. Greg colocou uma das mãos atrás da cabeça. -Bem, fumei, é verdade, mas não fumo há anos e nem pretendo voltar, não se preocupe.

—Ficarei de olho em você a partir de agora. Disse o menor e os dois riram em seguida.

Jenny dava tragadas lentas e soltava a fumaça para o alto enquanto olhava para o nada. Greg fazia o mesmo, apesar de tossir algumas vezes. Depois de alguns minutos ele se voltou a Greg.

—No sábado, é bom que eu esteja com minhas fitas em mãos. Greg não aprovava ter de dar suas fitas, mas não havia outra forma.

—Certo, negócio fechado, vá amanhã a sala de música as três horas.

—Estarei lá. Jenny voltou ao seu tom desanimado.

—Tenho de correr, até mais Jenny. Este se virou e foi de encontro aos demais de sua espécie, Greg devia se apressar, já eram quase 4 horas, mas ele estava otimista. ‘-Só falta 1.’ Pensou.

Enquanto voltava ao bloco escolar deu de cara com Ray e uma amiga que pareciam já está indo embora.

—Hey Greg. Disse Ray. -Eu fiquei te esperando, mas você nem apareceu, tome vergonha.

—Tome vergonha você! qual o significado disso! Greg mostrou o VHS para ela.

—O-Onde você encontrou? Ray estava desconcertada.

—Um cara achou no corredor e me devolveu, você perdeu a fita, não foi? Greg colocou as mãos na cintura em desaprovação.

—Bem, não foi por que eu quis, isso eu garanto. A garota piscou para ele e sorriu.

—Serio, eu não te empresto mais nada. Ele disse isso e reparou que tinha mais alguém com Ray. -Ah, desculpa, as loucuras dessa distraída acabam me distraíram, eu sou Greg, e você quem é?

A garota que estava com Ray se vestia como uma senhora de idade, usava até um xale por cima do vestido rosado, tinha meias que iam até um pouco depois do tornozelo e sapatilhas simples e sem graça, era loira, e no seu cabelo não havia resquícios de tinta, dois laços prendiam seu cabelo nas laterais e uma franja bem aparada ficava acima de seus olhos. Tinha uma estatura normal, o que perto de Ray, fazia ela parecer uma anã.

—Meu nome é Riley Grace. Respondeu a garota loira.

—Riley é da minha turma de biologia. Disse Ray colocando a mão no ombro da garota loira. -Descobri que moramos perto, bem, mais ou menos perto, e desde então vamos para casa juntas todos os dias. Esse ai é o Greg que eu estava falando.

—Estava falando de mim? Greg perguntou tentando esconder a vermelhidão de seu rosto.

—Estava falando da sua frescura de não querer participar do show de talentos mesmo tocando bem. A garota loira ria disfarçadamente. Ele cruzou os braços e sorriu.

—Bom, para sua informação eu vou sim, estou até formando uma banda.

—Serio, isso é bem legal, bem a gente já vai indo, é quase 4 horas já. Ela disse olhando para o relógio de pulso.

—Espera, vocês por acaso não conhecem um cara chamado Joe Huntman? Disse Greg apressado.

Ray colocou a mão no queixo pensativa.

—Nunca ouvi falar, e você Riley? Nesse momento, a garota loira era uma mistura de vermelhidão com surpresa.

—S-sim, eu o conheço, ele mora na minha rua. Ela alisava a franja quase freneticamente, tentando esconder o rosto.

—Serio, que ótimo. Disse Greg. -Onde eu posso acha-lo?

—Bem... Ela disse pensativa. -A essa hora, ele deve estar atrás da arquibancada do campo.

‘-Não! definitivamente não!’ Pensou Greg, atrás do campo era área dos punks, Greg nunca foi e sempre disse a si mesmo que nunca iria lá. Mas parece que não foi só ele que percebeu do que se tratava.

—Sem chances Greg. Ray disse assustada. -Você não pode ir até os punks, eles vão te triturar.

—Espera. Disse Riley. -Joe não é uma pessoa má, ele é bem legal, não faria nada com você.

—Certo, ele não. E os demais? Ray estava bem preocupada.

Greg respirou fundo, não havia mais opção, nem ninguém mais a recorrer para a banda, tinha chegado tão longe, não dava para parar agora.

—Esse Joe. Greg perguntou a Riley. -Ele não é mau, não é?

—Não, não é, eu tenho certeza. Disse ela. -Só um pouquinho hiperativo.

—Greg, por favor, você vai se matar. Disse Ray o abraçando.

—Não se preocupe Ray. Greg disse com um sorriso tímido. -Vai ficar tudo bem.

—Toma cuidado Greg. As mãos da garota tentaram alcançar o VHS.

—Ahn? Greg afastou a mão dele. -O que pensa que tá fazendo?

—A qual é Greg. Disse Ray sorrindo. -Você vai morrer hoje mesmo, me deixa assistir pelo menos.

—De jeito nenhum, e muito obrigado por me dar suporte nesse momento difícil. Greg disse em tom irônico.

—Você que quer ir lá se matar, não me culpe, fiz o que pude. Enfim, vamos indo Riley, se cuida Greg.

—Vocês também. Obrigado Riley.

—De nada. Disse a garota se apressando para seguir a maior.

Greg então correu para o campo enorme de futebol americano que ficava atrás da escola, e por trás das arquibancadas onde ficava os famigerados punks, haviam garotos e garotas ali, um rádio que tocava um rock pesado bem alto, garotas com tintas fortes no cabelo, haviam todas as cores, os garotos ou tinham cabelos longos ou moicanos, jaquetas de motociclistas eram quase que obrigatórios, Greg se aproximavam deles até que dois caras enormes com cabeça rapada foram até ele.

—E ai mermão. Disse um deles. -Você quer o que aqui? Greg não podia se deixar intimidar, já tinha chegado até aqui, e não podia recuar agora.

—Estou procurando Joe Huntman, vocês sabem onde ele está. Greg ficou firme na base e os dois punks se entreolharam.

—É amigo do Joe? Um deles perguntou.

—Sim, eu sou. Mentiu Greg.

—Mentiu para eles? Steven questionou.

—Minha vida estava em risco, eu não podia fazer nada. Respondeu Greg.

—Eu sei onde ele está, apesar dele não andar mais com a gente, eu ainda o respeito.

Greg respirou aliviado por dentro, mas por fora estava todo durão.

—A gente te fala por cinco dólares. Greg colocou a mão no bolso e tirou de lá uma nota de dez.

—Err.. vocês não teriam troco, teriam? Greg perguntou sorrindo.

—Agora são dez dólares. Um deles arrancou a nota da mão de Greg. -Ele fica agora pelo estacionamento, perto do container de coisas velhas do colégio.

—E se eu fosse você eu me apressava. Um dele disse. -Já são 4 horas.

Greg então não perdeu tempo e correu para o estacionamento, no final dele havia um container que servia de deposito de materiais escolares velhos, que o colégio iria jogar fora, como carteiras e armários antigos ou quebrados, o container era todo pichado, principalmente com o A anarquista.

Lá ele encontrou uma figura com uma camisa listrada, calça jeans e cabelos castanhos que cobriam todo o seu pescoço, estava com um bastão de basebol e quebrava uma mesa antiga com ele, Greg viu também uma cadeira de três pés e em cima dela tinha uma mochila, uma jaqueta de motoqueiro e uns óculos redondo e escuros. Greg então foi até ele.

—Hey, você é o Joe. Joe virou o rosto para ele, ele tinha uma franja que cobria seus olhos por completo, seu rosto parecia simples, tirando o nariz arredondado e dentes amarelos.

—O que quer? Joe respondeu se voltando para a mesa.

—Eu sou Greg, eu vim por que o professor Mike disse que você tocava Guitarra, e a turma atrás das arquibancadas disse que você estaria aqui. Joe dava fortes pancadas na mesa de madeira velha com o bastão, e ela começava a ceder.

—Aqueles idiotas. Disse Joe sem olhar para Greg. -São tudo uns modinhas, nenhum deles é um punk de verdade. As pancadas ficavam mais forte. -Ser punk não é só vestir uma jaqueta de couro e ficar atrás da arquibancada o dia todo feito uns babacas.

—Certo... certo. Disse Greg tentando entra na conversa.

—Mas o que tem o professor Mark? A mesa finalmente se partiu em duas, mas Joe batia nas estruturas que ainda ousavam ficar em pé.

—Estou reunindo pessoas para uma banda, pra o show de talentos, não está a fim de participar?

Joe então parou de bater na mesa com o bastão e ficou imóvel por um tempo.

—Hum... ok, eu topo.

—Serio. Disse Greg. -Fácil assim? O punk apoiou o bastão no chão e usava como uma bengala.

—É, eu não tenho nada pra fazer mesmo, pode ser legal.

—Bem, amanhã de três horas a gente vai ensaiar, na sala de música. Greg disse entusiasmado.

O sinal da saída começou a tocar. E Joe pegou sua mochila, vestiu a jaqueta e colocou os óculos.

—Certo então, Greg. Três Horas, amanhã. Joe já ia em direção a saída com o bastão nos ombros.

—Isso. Até amanhã. Greg se despediu, e o punk só acenou de costas, sem parar de seguir seu curso.

Voltará então para o bloco escolar satisfeito de si, foi até seu armário e pegou alguns livros, sem aviso prévio, ele sentiu um tapa em seu ombro e quando virou, viu Andy seu primo, com a roupa mas esquisita que já havia visto. Usava um macacão e uma camisa sem mangas junto com um lenço no pescoço, no cinto estava preso luvas amarelas de borracha.

—Meu deus Andy. O que é isso? Disse Greg assombrado.

—Espera, tio Andy estudava com você? Perguntou Steven.

—Na mesma escola sim, mas em turmas diferentes. Disse o pai.

—Ah sim. Vocês andavam juntos então? Steven tentava entender.

—Bem... Não. Greg fez uma expressão triste.

—Mas, Por quê? Questionou Steven.

—Steven seu tio era a personificação da vergonha alheia, e as roupas era só uma parte disso, mas voltando.

—E ai roqueiro Greg! Eu vou ajudar a Tia Rubbert no jardim dela, por isso a roupa.

—Não dava para você botar a roupa só quando fosse pra lá? Greg tentava esconder a vergonha de seu rosto quanto aquilo, e torcia para ninguém está vendo.

—Nem, eu achei um estilo legal, não é? Andy parecia ter gostado daquele visual.

—Nem um pouco. Greg foi sincero.

—Deixe disso Greg, Tia Rubbert disse pra eu te procurar, ela não te ver a tempo, não quer ir comigo até a casa dela? Andy colocou o braço sobre os ombros de Greg. -Não quer ver a coleção de aviões, as fotos antigas e tudo mais?

—Andy, eu tenho coisas a fazer, não posso. Ele afastou Andy e tomou distancia dele.

—Outro dia então? Andy sorria para Greg.

—Sim, outro dia.

—Vou indo então, a gente se vê Greg. Andy caminhou para saída acenando para o seu primo.

—A gente se vê. Greg esperou Andy sair e depois foi para casa, com um ar de vitória, estava tudo pronto para amanhã, e no sábado seria seu dia de ter sucesso, esse seria seu primeiro degrau para as estrelas.