Notas iniciais
Não me incomodo de escrever capítulos muito longos, afinal se você está aqui é por que gosta de ler, não é? Boa leitura.

‘-Já era sexta!’ Greg não podia acreditar, era uma mistura de entusiasmo e apreensão, por um lado tudo estava dando certo para a banda, os ensaios corriam bem, e os problemas que surgiam no meio do caminho iam sendo transpostos, por outro faltava só um dia para o dia em que ele, segundo Mike, ouviria o universo chamando seu nome, seria verdade? A banda de Greg ensaiaria até umas 5h, por que em seguida, o professor Mike precisaria da sala para a inscrição dos participantes, e eles seriam os primeiros a se inscreverem, ‘Surfin’ Bird’ estava perfeita, e ‘Dancing With Myself’ estava boa o bastante, Greg e Roger conseguiam acertas as partituras sem precisar recorrer a elas, Jenny acompanhava o ritmo da música naturalmente, Joe apesar de ter que ficar com a revista na mão para lembrar a letra estava conseguindo cantar bem, eles já haviam decidido que tocariam apenas duas músicas, e que três acabaria só os sobrecarregando. Quando Mike chegou a sala, eles guardaram os instrumentos e foram até a mesa do Professor, aguardando para se inscreverem.

—É Greg, você conseguiu. Mike disse orgulhoso. -Montou uma banda em tempo recorde e vão participar do show amanhã.

—Isso mesmo! Respondeu Greg. -Obrigado pelo incentivo senhor!

—Me chame de Mike. Foi só um pequeno empurrão. Vocês faram o resto amanhã.

—Professor. Err... Mike. Disse Roger. -Quando serão as apresentações?

—As bandas faram seus shows a tarde. Mike disse. Na verdade, só tem duas. Vocês terão 30 minutos para o show de vocês. Aliás vão tocar quantas músicas?

—Apenas duas. Roger respondeu. -Não precisaremos dos 30 minutos.

—Todas as bandas têm 30 minutos. Independente das músicas, vão tocar Dancing with myself?

—Como sabe? Joe perguntou.

—Ouvi quando estava vindo para cá, devo dizer que foi uma excelente escolha.

—Se foi! Disse Joe animado. -Todos vão curti, com certeza!

—Bem, deixe-me botar o nome de vocês na inscrição, qual o nome da banda aliás?

— The Sour Cream! Joe anunciou.

—É só Sour Cream! Greg disse.

—De onde veio o nome? O professor questionou. Todos da banda começaram a rir.

—A gente conta depois.

—Certo, certo, deixe-me ver. O professor pegou sua caneta e começou a escrever. -Sour Cream, composta por Gregory Demayo, Joey Huntman, Jossep Tennent e Roger Princeton.

—Teu nome de verdade não é Jenny? Joe olhou para o gótico, esse só colocou as mãos no rosto.

-Meu deus Joe, claro que não! Roger respondeu.

—Minha vida era uma mentira! Joe disse ironizando.

—Bem, está tudo certo rapazes, amanhã as cinco da tarde é o show de vocês, estão prontos?

—Pode apostar! Greg disse.

—Muito pronto! Joe disse

—Prontíssimo! Afirmou Roger.

—É né, estamos prontos. Disse Jenny.

—Eu descordo! Uma voz veio da porta, era o Diretor Jaroussky, um homem magricelo de Barba aparada, rosto redondo, pele rosada e terno e gravata. -Professor, não está considerando em colocar esses marginais para participar do show da nossa instituição. Nesse momento Mike levantou da cadeira e apoiou as mãos na mesa

—Diretor. Com todo respeito, não é uma competição de comportamento, é um show musical.

—Vou ser bem direto professor, esse tipo de comportamento, não é o que queremos que seja exposto para os visitantes e alunos. O diretor foi para traz da mesa e empurrou a cadeira para que Mike senta-se de novo. -Não posso concordar que Um dos alunos que tem um número recorde de faltas se una a um encrenqueiro, a um aluno que usa drogas lícitas dentro do campus e a um... Libertino pela falta de adjetivos.

—Obrigado pela parte que me toca. Roger fez uma reverencia. Mike parecia estar tomando nota em uma página de caderno de tudo que o diretor falava.

—Estamos intendidos professor. Rapidamente ele escondeu a folha com as mãos.

—Claro, direto Jaroussky! Disse ele nervoso.

—Buuu! Vaiou Steven. -Esse diretor é um bundão!

—Ele não era tão mal assim Steve. Greg disse pensativo. -A gente que não prestava.

—Mas música é música, mesmo que vocês não fossem perfeitos, isso não tem importância.

—Bom, para ele tinha. Greg sorriu. -É, ele era um bundão mesmo.

—Não vou repreende-lo professor. O diretor se virou para a janela. -Mas esses garotos não vão se apresentar, vou lhe acompanhar para que a inscrição dos demais participantes não tenha mais surpresas, vocês estão dispensados. Vão.

Antes de ir, discretamente, Mark colocou um papel no bolso de Greg, ele sentiu o papel e resolveu abrir assim que saíssem da sala.

Eles andavam pelos corredores cabisbaixos, enquanto desciam as escadas, Roger quebrou o silencio.

—Esse diretor Jaroussky é tão... Urg! O que faremos?

—Nada, eu acho, meio que estamos fora. Jenny disse desanimado como sempre.

—Eu riscaria o carro dele, de novo. Roger tirou os óculos escuros e limpou na camisa. -Mas não tem a mesma graça que tinha antes.

Greg Pegou o papel de seu bolso e leu o conteúdo.

‘’Me espere na saída, perto do estacionamento dos professores, não façam nenhuma bobagem. ’’

—Bem, mas agora há um bom motivo para riscar. Disse Joe com uma chave de fenda nas mãos.

—Isso, eu te ajudo! Disse Roger tendo um ataque de nervos.

—Espera, o professor Mike me deu esse bilhete, disse para a gente espera-lo no estacionamento.

—O que? Joe disse confuso. -Ele quer riscar o carro também?

—Deixa de ser besta Joe! Roger disse em tom histérico. -Ele deve ter um plano!

—Então vamos. Jenny fez um gesto com as mãos apontando para saída. -Quanto mais rápidos fomos, menos suspeito vamos ser.

Todos foram até o estacionamento dos professores e esperaram na cerca da entrada, aturaram os protestos de Joe para riscar o carro do diretor, estavam jogando conversa fora enquanto o professor não chegava.

—Eu te digo, no futuro, só os ricos terão vinil. Greg dizia. -Seremos todos escravos das fitas cacetes!

—Nem, eu acho que eles vão produzir uns disquetes e vão colocar na nossa cabeça. Jenny disse. -Ai a gente pensa na música e ouve na nossa cabeça.

—Então ia todo mundo anda com uma pochete cheia de disquetes. Questionou Joe.

—É, mais ou menos isso.

—Que ideia boba! Disse Steven.

—É verdade. Greg consentiu. -As pochetes saíram de moda faz muito tempo.

Não demorou muito até o professor Mike aparecer.

—Dei uma folga do meu trabalho, preciso falar com vocês.

—Sim, somos todos ouvidos. Roger disse ansioso.

—Bem, o que aconteceu, foi que vocês foram cortados do show, então, bem, só ano que vem.

—Ano que vem? Greg disse assustado. -A gente tá no terceiro ano, não estaremos aqui ano que vem.

—Fale por você. Joe disse. -Do jeito que as coisas andam eu vou ficar aqui para sempre.

—Bem, infelizmente. Mike disse em tom triste. -É isso.

—Bem Steven, então essa foi a história de como eu quase toquei em um show de talentos e fiz sucesso, mas no fim, nada deu muito certo.

—Está mentindo. Disse Steven. -Eu sei que tem mais coisas, eu vi o porta-retratos na caixa, vocês quatro estão todos felizes.

—Droga. Disse Greg, eu queria assusta-lo. Ok, não foi só isso.

Rebobinando a fita.

—Bem, o que aconteceu, foi que vocês foram cortados do show, então, bem, só ano que vem.

—Ano que vem? Greg disse. -A gente tá no terceiro ano, não estaremos aqui ano que vem

—Fale por você. Joe disse. -Do jeito que as coisas andam eu vou ficar aqui para sempre

—Sei que não estarão aqui ano que vem, por isso, enquanto estava lá em cima, pensei em uma ideia, mas é bem arriscada.

—É o que seria? Roger disse. -O perigo me excita professor! Todos ignoraram esse comentário.

—Bem, a banda Radio Love vai tocar, o diretor não perderia duas atrações para o evento do colégio, então entre as bandas marciais e o show da Radio Love vocês entram.

—E como faremos essa proeza? Jenny perguntou.

—Vocês entraram como se fossem da equipe de organização, para afinar os instrumentos e tudo mais, de repente, boom, vocês tocam e vão embora.

—Ah, claro. Joe disse irritado. -Os monitores vão curtir bastante nosso show.

—Bem, eu não posso pensar em tudo. Mike disse. Tem mais, vocês terão de enrolar os caras da outra banda, e ganhar mais tempo para uma apresentação, sem contar ter de atrair o público para que vocês possam começar a tocar e se livrarem dos demais auxiliares da organização da banda deles.

—Isso tá beem impossível. Joe afirmou.

—Eu sei. Mike levantou o punho em um tom inspirativo. -Mas é isso ou nada.

Greg pensou um pouco.

—A gente não tem outra opção, chegamos muito longe para desistir agora, temos que pelo menos tentar.

—Pegar esse plano e fazê-lo funcionar. Jenny disse pensativo. -Precisamos parar e pensar um pouco.

—Isso. Roger disse esperançoso. -E falar com alguns de nossos aliados para esta empreitada.

—Já estou com algumas ideias. Disse Joe com um sorriso maligno.

Os quatro já iam pensando no que iam fazer, o professor Mark riu.

—Me digam, vocês levaram isso para depois do colégio? Digo, a banda. Todos pensaram um pouco, mas não responderam.

—Não se aprecem em pensar sobre isso, é muito cedo mesmo, pensem no que farão amanhã, tudo tem que correr perfeitamente para isso dar certo.

—Certo! Eles responderam em coro.

—Vou indo então, boa sorte garotos.

—Valeu Professor! Greg disse animado.

—Irmão, me chama de Mike.

—Certo então, valeu Mike.

—E se qualquer um perguntar, eu não vi nenhum de vocês por aqui.

A tarde passou rapidamente, todos arquitetaram um plano que mais parecia loucura, tudo indicava que nada passaria de uma tentativa em vão, mas todos estavam contribuindo, todos queriam tocar amanhã, todos queriam levar aquilo adiante. A turma se despediu e foram para casa.

—Como Ray tava ocupada com a apresentação de amanhã, tive de ir para casa sozinho, a tarde estava bem bonita, o sol ia se pondo devagar, e eu voltava para casa sem pressa, martelando as ideias e as decisões que tomaria amanhã...

—Pai, essa parte está bem arrastada, por que não pula logo pra sábado?

—Por que algo que ainda vai acontecer sexta, vai interferir para que no sábado mais coisas aconteçam.

—Que coisa? Steven estava curioso.

—Calma que a gente tá chegando lá.

Quando chegou em casa, viu uma van branca parada na calçada, e quando entrou viu seu tio Owen na minha frente. Um homem de terno e chapéu de cowboy ambos bem branquinhos, assim como seu cabelo e bigode.

—Quem era esse? Perguntou Steven.

—Tio Owen era um caipira, um pastor presbiteriano, que morava em outra cidade, lá ele vendia e trocava carros usados, volta e meia ele aparecia lá em casa.

—Por que eu só estou conhecendo minha parte humana da família agora?

—Sei lá. Eles eram chatos. Me deixa continuar.

—Tio Owen? Disse Greg surpreso. -O que faz aqui?

—Estava passando e decidir fazer uma visita aos seus pais, mas eles ainda não chegaram.

—Ainda não, quer alguma coisa. Greg foi até a cozinha pegar um copo de água.

—Não, estou bem, passei na casa do seu Tio Robert, o que ouve com o Andy? Ele tá parecendo uma uva de tão roxo.

—Então... Ele foi brigar na escola com um cara um pouco mais, err... experiente.

—Não foi ajuda-lo? Owen perguntou surpreso.

—Fui. Greg tomou a agua e foi até ele. -Mas cheguei tarde.

—É, percebe-se. Aliás Greg, ainda juntando dinheiro para comprar um carro.

—Sim, por que tio Owen?

—É se eu te dissesse que tenho um veículo para te oferecer por um preço bem camarada.

—Jura? Qual.

—É aquela maravilhosa van parada aqui na frente.

—Uma van, não sei tio, um carro me parece mais legal.

—Pense por outro lado Greg, você pode levar mais pessoas dentro, e coisas, e ideal para se fazer uma viajem, com amigos e quem sabe com uma banda.

Greg o olhou torto.

—Como sabe?

—Passei na casa de Andy lembra, sei que é muita coisa pra pensar de uma vez só, mas que tal um teste drive?

—Certo. Ambos foram para a saída. -Vamos ver a van.

—Posso dizer que essa van é meu amor mais antigo, claro que eu gastei bem mais que 700 dólares depois que comprei, pintando, concertando e tudo mais, mas valeu muito a pena, e ela faria sua estreia como membro da banda no sábado.

—Sim! Disse Steven. -Finalmente sábado.

—Enfim, deixe-me falar do sábado...