Notas iniciais
A maioria dos personagens são inspirados em amigos, então agradeço a eles

Era quinta feira, faltava dois dias para o show de talentos do Instituto Tomas Marshall, Greg estava um tanto desanimado, mas não podia desistir agora, sua banda estava formada, só precisava de algo para manter o foco de todos, então começou a pensar.

Roger tratava a banda como se fosse algum concurso de popularidade, Jenny estava por causas dos seus VHS e Joe para passar o tédio, nenhuma motivação muito forte, parecia que tanto fazia estar na banda ou não. Como motiva-los? Greg então pensou nas próprias motivações...

O sinal do fim da aula tocou e mais uma vez estava na hora de se encontrar com sua banda.

Dessa vez, Greg foi o primeiro a chegar, em seguida Roger, depois Jenny e Joe, que vinham comentando se realmente as animações japonesas fariam sucesso no futuro.

—É, parece que fizeram. Greg disse a Steven.

O ensaio não foi nada mal, Surfin’ Bird não era uma música tão difícil, o problema era encontra uma sincronia entre eles, Jenny tocava a percussão mais rápido do que a guitarra e o baixo, e Joe tentava acompanhar com a voz do jeito que dava, não estava ruim, mas podia ficar melhor.

—Certo pessoal, essa foi boa! Exclamou Joe ajeitando seus óculos escuros no rosto.

—Sim, foi mesmo. Greg assentiu.

—Só vamos tocar essa música? Jenny perguntou naquele tom de voz dele de como se estivesse morto.

—Seria bom pelo menos três músicas, dá uns 10 minutos de show. Disse Greg.

—Hum... Pensou Roger. -Vocês gostam de Billy Idol?

—Wow. Billy Idol é legal. Joe disse.

—Não é um pouco fora da proposta do rock roll? Jenny questionou.

—Nem. Greg disse. -Ele tem umas músicas legais, qual você pensou?

—Err... Eu só sei a letra de uma. Disse Joe.

—Aff Joe. Roger disse insatisfeito. -Qual delas?

—Dancing with Myself. E para ser sincero, nem sei toda.

—Eu tenho uma revista que tem a partitura. Disse Greg. -A gente pode ver as partituras amanhã.

—Então está certo. Roger disse. -Surfin’ Bird e Dancing with Myself.

—A outra podemos pensar depois. Greg puxou um acorde da guitarra. -Vamos tentar Surfin’ Bird mais uma vez.

Certo!

O sincronismo ia timidamente aparecendo, estava melhor que a primeira vez, Greg recuperou o ânimo, pareciam que todos estevam bem interessados.

‘-Podemos mesmo ser uma banda de verdade. ’ Greg pensou.

—Bem, já são quatro horas, está na hora de ir. Anuncio Roger tirando a bandoleira do baixo.

—O que?! Mas a gente só ensaiou uma hora! Exclamou Greg.

—É bom o bastante. Roger disse coçando a parte atrás da cabeça. -Amanhã tem mais.

Todos iam em direção a saída, e mais uma vez iam deixar Greg ali, mas este foi mais rápido e foi para a porta bloquear a saída do restante da banda.

—Isso não vai dar certo se nós não ensaiamos nada.

—Greg, me poupe. Roger disse. -Nós já ensaiamos demais hoje.

—A gente ensaiou por uma hora!

—Mais do que ontem. Jenny disse.

—É! Joe disse. -A gente todo dia está se superando, qual é?

Greg pensou no que poderia mantê-los naquela sala, ele já havia coagido e prometido, só faltava motiva-los, mas como, Greg começou a pensar por que estava também naquela banda.

—Greg saia da frente da porta, por favor.

Greg refletiu e lembrou-se da conversa que teve com o professor Mike, aquilo o motivou a forma a banda, está na hora de motiva-los também.

—Vocês não acham que isso pode ir adiante? Greg respirou fundo e começou a falar. -Mais do que só um show de talentos, ou de ensaios na sala de música do colégio, eu estou falando de uma banda de verdade, vocês entendem, reconhecimento, shows, fãs, músicas épicas, fama, tudo que vocês poderiam imaginar, a gente tem condição de fazer isso, não agora, mas a gente vai ter se trabalhar para isso! Nunca passou pela cabeça de vocês que a gente pode simplesmente ser uma das melhores bandas que o mundo já viu, basta a gente querer?

Todos ficaram em silencio, Greg olhava para os olhos de cada um, mas não via brilho nenhum, não havia ambição naqueles olhos, só o vazio.

—Que exagero Greg. Disse Jenny com ar de desaprovação. Greg já estava a ponto de desistir daquilo até que Jenny deu nos ombros e disse. -Mas eu acho que podemos ser a melhor banda da escola, pelo menos.

—É né. Joe voltou para onde estava o microfone. -Acho que o que eu tinha para fazer pode esperar um pouco mais, podemos ensaiar até mais tarde, se vocês toparem.

—Hum, é. Pensou Roger. -Eu irei me dedicar aos estudos a noite, então agora a tarde eu pertenço a banda. Greg respirou aliviado, de algum jeito o que ele falou funcionou

—Então vamos Greg, pegue a guitarra e vamos continuar.

O ensaio seguia pela tarde, mesmo depois da hora da saída todos ainda estavam lá e bem-dispostos a tocar, o tempo passou bem depressa, e tudo estava dando certo para a banda.

—E ai galera do rock! Andy entrava pela porta com mais uma combinação arrojada de roupas

—E aí Andy. Greg o saudou.

—Andy querido! Disse Roger.

—Oi Andy. Jenny disse.

—E aew cara. Disse Joe que ainda não o conhecia.

Quando Andy olhou para a cara de Joe, seu rosto ficou purpuro de ódio, parecia que tinha batido o dedo mindinho do pé na quina de algum lugar.

—Você! Disse Andy apontando para Joe.

—Eu? Joe apontava para si mesmo.

—Vocês se conhecem? Greg perguntou.

—Não que eu saiba? Joe disse.

—Sim, você não me conhece, mas eu conheço muito bem você! É um cretino!

—Como é?! Joe foi até ele de punhos fechados, mas Greg entrou na frente dos dois.

—Andy, o que deu em você? Greg perguntou.

—É! Me diga o motivo pelo qual vou ter que quebra a sua cara! Joe rosnou.

—Joe por favor. Roger segurou um dos pulsos de Joe.

—Você não sabe o que está acontecendo? Andy Questionou. -Pois eu lhe digo o que está acontecendo! Estou falando de Riley Grace!

Por um momento todos ficaram quietos. Joe puxou seu pulso de volta.

—O que tem ela? Joe perguntou no tom de raiva.

—Não cansa de tortura-la, ela gosta tanto de você, e você nem a enxerga, tudo que faz é sair com umas garotas que não são nem metade do que ela é.

—E o que você tem a ver com isso? Joe questionou surpreso.

—Não percebe o quão isso deixa ela triste. Andy falou. -O quão você a machuca, ela não tem olhos mais para ninguém e você vive bancando o idiota! O tempo todo!

—Naquele momento eu pensei que Joe ia voar no pescoço do seu tio Andy, eu estava pronto para separa a briga e tentar manter a calma dos dois lados, mas Joe agiu de uma forma totalmente diferente.

—Ele resolveu não bater no tio Andy? Perguntou Steven.

—Quem dera. Respondeu Greg.

Joe tirou o casaco de couro e os óculos, olhando atentamente, Greg pode perceber o quanto os olhos de Joe eram vermelhos.

Vermelhos? Perguntou Steven. Ele estava chorando? Greg Juntou as mãos e respirou fundo.

—Steven, naquela época a gente ainda não sabia, mas Joe... Bem... Ele usava algumas paradas pesadas... Entende o que eu digo.

—Acho que sim. Steven coçava a cabeça. -E o que ele disse para o tio Andy?

—Eu to te esperando lá embaixo. E saiu sem olhar para trás, esbarrando em Andy e fazendo-o cair no chão.

—Andy você ficou louco?! Greg berrou.

—Eu... não podia deixar as coisas do jeito que estavam. Andy se levantou. -Riley sempre fala comigo quando está triste por causa desse... Imbecil!

—Você tem que ir embora, agora! Greg disse assustado.

—Sem chances, eu vou confrontar Joe, ele não merece aquela garota.

—Olha Andy. Disse Roger pensativo. -Mesmo que você ganhasse dele nessa briga, o que eu já acho bem difícil, isso não te tornaria o vilão da história?

—Bem... Andy pensou melhor. -Mas e seu perder?

—Você morre. Jenny completou.

—Andy, você não está cogitando descer lá em baixo está? Greg ainda estava assustado.

—‘Descer lá em baixo’. Roger cochichou para Jenny e este começou a sorrir do pleonasmo.

—É preciso, ele me desafiou e eu tenho que ir, pela honra da família e pela de Riley, eu irei. Andy correu para fora da sala.

—Meu deus. Greg colocou a palma das mãos no rosto.

—Olha, Joe está ali. Disse Jenny, da janela da sala dava para ver Joe parado em Frente à escola e Andy saindo pela porta principal, indo em direção a ele.

—Vocês precisam me ajudar! Gritou Greg. -Isso pode acabar muito mal.

—Eu não vou suja minha reputação com essas bobagens. Roger ajustou sua franja ao seu olho. -Lamento, mas estou torcendo para que Andy não se machuque tanto.

—Pensei que gostasse desses triângulos amorosos? Disse Jenny a Roger.

—Gosto quando estou incluído nisso, e mais ainda quando estou no papel da Riley na história.

—Me ajuda então Jenny! Greg disse.

—... não. Respondeu Jenny no seu tom Frio e costumeiro.

—Olha o pau quebrando!! Greg ouviu e viu que já tinha perdido tempo demais ali em cima, então correu para baixo, quando chegou viu uma multidão que vinha de todos os cantos do colégio, e de cada janela do bloco escolar tinha espectadores, quando conseguiu ultrapassar a multidão viu seu primo Andy no chão recebendo uma chuva de socos de Joe que estava com um sorriso pintado de vermelho na boca. E em volta ouvia o coro da multidão.

—Briga! Briga! Briga! Gritavam todos. Greg viu Ray e Riley indo em direção ao centro da multidão.

—Joe, para! Você ganhou. Greg disse.

Quando Joe parou de soca-lo e olho para Greg, Andy deu um gancho no queixo de Joe que o fez cair para trás. Greg segurou Andy para tentar cessar a briga, mas isso só contribuiu para que Andy não se defendesse do soco de Joe que veio em seguida que o desacordou.

—Greg! o que você tá fazendo!? Exclamou Ray.

—Eu estou tentando separa a briga.

—Joe? Riley disse assustada. -Por que estava brigando com o Andy?

Todos iam recuperando a calma, até que outro grito veio da multidão.

—Lá vem os monitores!! De repente, todas as pessoas que estavam lá saíram correndo.

—Ray, me ajuda a levar o Andy! Gritou Greg.

—Certo. Disse a garota.

Ray pegou Andy por um braço e Greg pelo outro e praticamente o arrastaram de lá. Joe levantou e tentou correr, mas não conseguia andar em linha reta, Riley o pegou pelo braço e o ajudou, eles correram até a parte de trás do bloco do colegio

Sentaram os dois no chão de costas para a parede, Riley abanava Joe com um caderno, seus lábios e olhos estavam muito vermelhos, Andy estava completamente roxo e um dos seus olhos não abriam mais devido ao inchaço.

—O que desgraça foi isso?! Ray perguntou furiosa. -Vocês três não tem juízo não?

—Três?! Greg respondeu. -Eu fui separar! Andy ia acordando aos poucos.

—Hey! Disse Joe dando um chute leve no Pé de Andy para chama a atenção dele. -Belo gancho, eu não ia esperar por essa nunca.

—Belos socos então, meu corpo todo está doendo. Os dois começaram a rir.

—É sério isso? Ray não entendia mais nada.

—Joe e Andy! Riley pois as mãos na cintura. -Por que vocês estavam brigando? Os dois se olharam.

—Foi só uma divergência de ideias. Disse Andy com um sorriso

—É, uma grande bobagem da minha parte, você estava certo no final Andy.

—Eu estava? Bem, se você percebeu, então ainda não é tarde para consertar as coisas.

—Do que é que eles estão falando? Perguntou Ray.

—É melhor você nem saber. Disse Greg.

—Mas de toda forma você desceu. Joe disse após cuspir sangue no chão. -Podia ter ido embora mas desceu, eu te respeito por isso.

—Eu não te respeitava até que você disse que eu estava certo. Os dois riam um pouco mais. – Promete então dar uma chance?

—Eu prometo.

—D-do que vocês estão falando? Riley perguntou.

—Respeito você também Greg. Disse Joe. -Por segurar seu primo pra que eu desse um senhor soco na cara dele.

—É! Valeu Greg! Andy disse zangado.

—Não foi a intenção. Greg disse com um sorriso amarelo.

De longe, eles viram se aproximando uma figura de casaco de couro, óculos escuros e cabelos compridos, logo perceberam que se tratava de Jenny.

—Ei, devolve minhas coisas! Protestou Joe.

—Vim aqui para isso. Jenny disse. -Afinal, estou indo embora.

—Entendo. Greg disse. -Perdemos tempo demais nessa baderna.

—Eu e Roger guardamos os Instrumentos. Jenny disse tirando o casaco e os óculos. É bom você evitarem as saídas principais, estão cheias de monitores.

—Valeu Cara. Joe vestia o casaco e colocava os óculos. -Já vou indo então pessoal, Riley você vai agora?

—Sim, eu vou. A garota loira respondeu.

—Podemos ir juntos? Joe disse. -Afinal somos vizinhos.

—S-sim. Podemos, disse a garota escondendo o rosto atrás do caderno.

—Então vamos, até mais para vocês.

—Até mais. Riley se despedia. -Até a aula amanhã Andy.

—Até. Andy respondia enquanto colocava as mãos na cabeça dolorida. Os dois seguiram seu caminho.

—Então era por causa disso? Ray perguntou a Andy.

—Sim, ela pode até não ser minha garota, mas não quero vê-la triste.

—Ai que fofo! Disse Ray. -Mas já pensou que isso podia ser resolvido isso sem você ter que apanhar feito um corno!?

—Nunca pensei que chegaríamos a esse ponto, Andy disse tentando ficar em pé, mas sem conseguir.

—Percebesse. Jenny retrucou. -Acho que você não pensou em nada na verdade. Enfim, vou indo também, amanhã as três, não é Greg?

—Certo, amanhã a três. Jenny virou as costas e foi até o estacionamento.

—Vamos Greg, eu te ajudo a levar ele para casa.

—Você já ajudou demais Ray, não posso te pedir mais nada.

—Isso não é nada demais, e eu sei que você não aguenta com ele sozinho, a gente deixa ele na casa dele e voltamos para a nossas.

—Vou deixa-lo na tia Rubbert, eu não quero encontrar com os pais dele e ter de dar explicações, me ajuda a levantar ele.

Cada um pegou um Braço e passou em torno do próprio pescoço, iam arrastando ele que ia se movendo com passos bem devagar.

—Você é muito alta Ray. Disse Andy. -Eu estou todo esticado aqui.

—Obrigada, eu acho. Disse Ray. -Então, valeu a pena apanhar para o punk?

—Se Riley ficar feliz. Andy pensou. -Então sim, valeu a pena.

—Isso foi bem legal da sua parte Andy. Disse Greg. -Loucura, mas foi legal.

—Eu achava que ela iria olhar para mim com outros olhos, acho que não rolou.

—Greg, nunca faça isso por mim, certo. Ray disse.

—Por você!? Greg virou o rosto vermelho.

—É, sabe. Ray tentou se explicar. -E por mais ninguém também. Andy começou a rir.

—Quer que eu vá embora Andy? Perguntou a garota.

—Não não. Andy respondeu dolorido. -Vou ficar quietinho.

—Espera, ela gostava de você também? Steven interrompeu.

—Sim, gostava. Greg esclareceu.

—É por que vocês ainda não estavam juntos.

—Bem... Eu ainda não cheguei a notar todo isso de primeira, apesar de Ray deixar escapar algumas coisas, ela era bem durona, não parecia ser do tipo que namorava e tudo mais.

—‘Ainda’ você disse? Questionou Steven. -Quando foi que você realmente percebeu?

—Ahn? Isso fica para outra história, continuando. Greg pensou um pouco. -Bom na verdade, foi só isso mesmo, deixamos Andy na tia Rubbert, e eu acompanhei Ray até a casa dela, torcendo para que nenhum dos 4 irmãos dela estivessem por lá, por que isso poderia causar outro episódio igual ao do Andy, por sorte eles não estavam, ela foi metade do caminho imitando um som de algum monstro que ela viu em um seriado de terror, não me lembro muito bem qual era mais foi bem isso.

—Que bom que está dando tudo certo, vocês arrebentaram no show de talentos, né?

—Bem filho, devo dizer que o balde de água fria vem agora.