Green Eyes

4 Chicago, 20 de junho de 1906.


Notas iniciais
- Boa leitura!

Chicago, 20 de junho de 1906


A Primeira Leitura de Edward


Hoje foi um dia que nunca esquecerei. O meu coração ainda está leve, batendo mais forte do que o normal, como se ainda estivesse absorvendo a beleza do momento.

Edward, meu querido filho, aprendeu a ler hoje. Aquele pequeno garoto de olhos curiosos e sorriso travesso, que há apenas alguns anos estava aprendendo a engatinhar, agora está desbravando as palavras como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ele me disse ontem que queria aprender a ler como o pai, e hoje, finalmente, conseguiu.

Eu me lembro de quando ele era um bebê, seus primeiros passos vacilantes, suas palavras arrastadas. E agora, com apenas cinco anos, ele lê as palavras em um livro infantil com uma clareza que me deixa sem palavras.

Como o tempo passou rápido!

Ele já não é mais aquele bebê que eu segurava em meus braços, mas um pequeno rapaz curioso, com os olhos verdes brilhando de entusiasmo por cada descoberta que faz.

O dia começou como qualquer outro. O sol brilhava através das cortinas de linho da nossa sala de estar, e o aroma do café fresco invadia a casa.

Edward estava acordado cedo, como sempre, com sua energia incomparável. Quando entrei no quarto, ele estava deitado na cama, seus pequenos pés balançando para fora dos cobertores. Sua cabeleira ruiva — como a minha — estava bagunçada e pelo seu olhar travesso, eu conseguia assumir que a sua cabeça estava cheia de planos, e eu sabia que aquele seria um dia especial.

— Toc, toc. — Ri após pronunciar minha onomatopeia.

— Bom dia, mamãe! — Ele exclamou, com seu sorriso largo, cheio de dentes de leite, com exceção de uma pequena janelinha que despontava. Ele estava tão animado quanto um pássaro que acaba de sair do ninho pela primeira vez.

— Bom dia, querido! — Edward reclamava, dizia que cuidar da rotina matutina de Anthony deveria ser função das empregadas, mas eu amava estar próxima do meu pequeno e aproveitar cada dia de sua infância. Fui até a janela para abrir as cortinas.

O brilho do sol iluminou seu rosto, e ele se esticou como se quisesse absorver toda a energia do novo dia.

— Eu quero ler o livro do papai hoje, mamãe, por favor! — Ele tinha falado sobre isso a semana inteira, com um fervor que eu sabia ser mais do que uma simples curiosidade. Era uma necessidade, uma chama ardente para entender o mundo ao seu redor.

Eu sorri, cúmplice.

— Você quer mesmo tentar? É um grande desafio, Edward. Não é tão fácil quanto parece. — Falei dramaticamente, mas sabia que o desafio só o instigaria.

Ele balançou a cabeça, determinado, com os olhos cheios de confiança.

— Eu posso, mamãe! Eu vou conseguir! — Sua voz passava tanta verdade que precisei me conter para não chorar.

E foi assim que começamos o dia de seu aniversário de 5 anos.

Sentamos à minha escrivaninha, com o livro de capa dura que Edward sempre deixava sobre a mesa de escritório. Era um livro simples, cheio de palavras pequenas e figuras grandes, mas para nosso pequeno, naquele momento, aquelas palavras eram uma chave para um mundo novo.

Eu sentei ao seu lado e segurei a página para ele.

— Vamos começar devagar, está bem?

— Sim, mamãe! Eu estou pronto! — Ele disse, sua voz cheia de entusiasmo.

A primeira palavra que ele leu foi “gato”. Seus olhos brilharam quando ele a pronunciou corretamente. Eu quase não pude acreditar no que estava vendo. Ele olhou para mim, sua expressão de surpresa e orgulho, e eu não consegui conter um sorriso.

— Gato! Eu acertei, mamãe! Eu acertei! — ele exclamou, pulando de alegria. Ele nunca teve medo de tentar, e era essa coragem que o tornava tão especial.

— Isso mesmo, meu amor! — Eu o abracei, com a garganta apertada pela emoção. — Você está muito bem, Edward. Vamos para a próxima?

Ele assentiu com a cabeça, focado novamente no livro. Cada página parecia um novo desafio para ele, mas ele não se intimidou. A cada palavra que ele conseguia pronunciar corretamente, a confiança dele crescia, e eu via o mundo se expandir diante dos seus olhos.

— Agora, tente esta. — Eu disse, apontando para a palavra "pato". Eu sabia que ele sabia as letras, mas juntar as peças era um passo grande para uma criança tão pequena. Ele olhou para a palavra por um momento, seu dedo tocando cada letra com precisão. A tensão em seu rosto desapareceu quando ele finalmente disse:

— Pato! Mamãe, é pato!

— Isso mesmo! — Eu disse, e minha voz estava embargada de emoção. — Edward, você está fazendo um trabalho maravilhoso. Continue assim.

Ele não parou por aí. Cada palavra que ele lia parecia levar a uma descoberta maior, e seu entusiasmo só aumentava. Eu o observei com uma mistura de orgulho e admiração, quase sem palavras.

Como ele cresceu rápido, como ele se tornara alguém que não apenas via o mundo ao seu redor, mas agora estava começando a entendê-lo. Cada palavra que ele lia parecia ser um pedaço de um grande quebra-cabeça que ele, com apenas cinco anos, estava começando a montar.

Quando ele terminou o livro, ele olhou para mim, a respiração rápida de quem havia corrido uma maratona. Eu podia ver o cansaço em seus olhos, mas também o brilho da satisfação.

— Eu li, mamãe! Eu consegui! Eu aprendi a ler! — Ele exclamou, os braços levantados como se tivesse acabado de conquistar o mundo.

— Você fez isso, meu amor. Eu estou tão orgulhosa de você. — Eu o abracei apertado, e ele, feliz e cansado, encostou a cabeça no meu ombro.

Eu segurei as lágrimas enquanto o observava, aquele pequeno ser tão cheio de vida, tão curioso e determinado. Ele não sabia ainda, mas naquele momento, ele estava mudando o curso da sua vida. Ele estava descobrindo o poder das palavras, o poder do conhecimento, e eu sabia que esse era apenas o começo. A primeira palavra lida foi apenas a primeira de muitas.

Pensei em como gostaria que seu seu pai estivesse junto conosco, mas o trabalho sempre o roubava de nós.

Enquanto ele se acomodava em meus braços, cansado, mas com um sorriso de pura alegria, eu sussurrei para ele:

— Hoje, você deu um grande passo, Edward. Um grande passo para um futuro cheio de possibilidades.

Ele me olhou com seus grandes olhos azuis, tão puros e inocentes, e me respondeu com a confiança que só as crianças têm:

— Eu vou aprender muito mais, mamãe. Vou ser o maior leitor do mundo!

Eu sorri, acariciando seus cabelos. O futuro dele, eu sabia, seria cheio de histórias e aventuras, todas ligadas pelas palavras que ele começava a entender agora.

E enquanto ele se aninhava em meus braços, eu sabia que meu papel era simples: amar e apoiar, ajudar a guiá-lo enquanto ele descobria o mundo. E isso me fazia mais feliz do que qualquer coisa que eu já tenha experimentado.