Green Eyes

5 Chicago, 20 de junho de 1908.


Chicago, 20 de junho de 1908


A Partida para o Internato



Hoje é um dos dias mais difíceis que já vivi.

Edward, meu filho querido, com apenas sete anos, parte para o internato. Ele está crescendo tão rápido, e eu sinto como se estivesse perdendo um pedaço de mim. O meu coração está apertado, e a ansiedade se mistura com uma tristeza profunda que não consigo disfarçar. Não importa o quanto ele cresça, o quanto ele se torne independente, eu sempre o verei como aquele pequeno bebê que chegou ao mundo em meus braços, com os olhos curiosos e a risada que derretia meu coração.

Esta manhã começou de forma diferente de todas as outras. Eu o vi acordar cedo, mais cedo do que o habitual, e seus olhos estavam diferentes, como se ele já soubesse o que estava por vir.

Ele tentou parecer animado, tentando esconder a apreensão com seu sorriso largo, mas eu podia ver nas entrelinhas da sua expressão que ele estava sentindo o peso da despedida, como eu.

Ele não disse nada, mas seu silêncio me dizia tudo. Era como se ele estivesse guardando tudo para si, querendo ser forte, querendo que eu acreditasse que ele estava pronto. Querendo que o seu pai acreditasse que ele estava pronto. Querendo orgulhá-lo.

— Bom dia, mamãe! — Ele disse, tentando soar despreocupado e bagunçou suas madeixas cor de bronze, mas sua voz traía-o. Eu sabia o que ele estava sentindo. Sabia que estava omitindo.

— Bom dia, querido! — Respondi, tentando não mostrar o quão difícil estava para mim também. — Você dormiu bem?

Ele assentiu, mas ficou em silêncio, os olhos perdidos por um momento, como se estivesse refletindo sobre o que aconteceria nas próximas horas. O que é estranho, porque Edward sempre foi tão cheio de energia, tão extrovertido. Nunca o vi tão calado pela manhã, e isso só fez meu coração pesar ainda mais.

A casa estava em um estado de silêncio, exceto pelos passos apressados de meu marido no corredor, organizando os últimos detalhes da viagem e dando ordem aos empregados.

Edward sempre foi tão prático, tão racional, mas hoje, até ele parecia mais contido. Sabíamos que esse momento chegaria, mas ninguém estava preparado para ele. Anthony cresceu e agora estava pronto para iniciar sua educação formal em um internato em Nova York, um dos melhores do país.

Era o que ele precisava, o que a sociedade esperava de nós. Mas isso não tornava a partida mais fácil.

Enquanto tomávamos o café da manhã juntos, a sala parecia mais fria do que nunca. O som dos talheres batendo nas xícaras soava como ecos no ar. O pequeno Edward estava sentado à mesa, mexendo na comida, mas sem realmente comer, com os olhos fixos no prato, como se estivesse tentando engolir o momento e fazer com que ele desaparecesse.

— Edward. — Eu disse suavemente, tentando quebrar o silêncio que pairava sobre nós — Você está pronto para essa nova etapa, meu amor?

Ele me olhou por um instante e, em seguida, respondeu com uma calma surpreendente para alguém de sua idade:

— Eu acho que sim, mamãe. Acho que vou fazer novos amigos lá.

Meu menino. Sempre resiliente.

Eu sorri, embora sentisse uma dor profunda no peito.

— Eu sei que você vai. Você é muito inteligente e muito corajoso, meu querido. Mas sempre lembre-se de que você pode voltar para casa quando quiser. Você tem um lar aqui, onde sempre será bem-vindo.

O meu marido, que estava mais focado nos detalhes práticos da viagem, olhou para mim, como se quisesse me tranquilizar. Mas eu podia ver, através da máscara de calmaria que ele vestia, que ele também estava preocupado.

— Elizabeth, ele está pronto. Ele vai se sair bem. Essa é a melhor oportunidade para o futuro dele.

Eu sei, e a razão pela qual decidi colocá-lo neste internato não é apenas pela educação que ele receberá, mas também para prepará-lo para o mundo lá fora. Lá, ele teria as melhores condições de ensino, com os melhores professores. Poderia estudar a música que tanto ama na companhia de jovens de famílias distintas.

Edward é tão brilhante, tão cheio de potencial, e este é o caminho que devemos seguir.

Mas, mesmo assim, meu coração não consegue se acostumar com a ideia de que meu filho, meu Edward, não estará mais aqui todos os dias, correndo pela casa com sua energia incansável, conversando sobre suas descobertas, fazendo perguntas que eu nem sempre sabia como responder.

Depois do café, a hora da despedida chegou rapidamente. Quando fomos para o jardim, onde o carro de meu marido já estava esperando, Edward parecia tão calado, tão pensativo. Ele segurava minha mão, com seus dedos pequenos, como se quisesse permanecer perto de mim um pouco mais, mas ao mesmo tempo estava se preparando para o que viria.

— Está tudo bem, querido? — Perguntei, tentando ler seu rosto.

— Sim, mamãe. Eu só... só não gosto de dizer adeus. — Ele respondeu, a voz trêmula, e eu senti uma pontada de dor no peito.

Eu me agachei na frente dele, colocando minhas mãos em seus ombros.

— Eu entendo, Edward. Eu também não gosto de dizer adeus. Mas isso não é um adeus para sempre, sabia? Você vai crescer, fazer novas amizades e aprender coisas incríveis. E, quando voltar para casa, teremos muito o que conversar.

Ele assentiu, mas seus olhos estavam brilhando, como se as palavras que eu dizia não pudessem realmente aliviar o peso que ele sentia. Eu beijei sua testa suavemente.

— Eu te amo, meu querido. Eu estarei esperando por você, sempre.

— Eu também te amo, mamãe. — Ele disse, e seu abraço foi apertado, como se ele soubesse que naquele momento, ele estava deixando uma parte de si para trás.

Quando ele finalmente se afastou, seus olhos estavam cheios de lágrimas, que tornavam a tonalidade de seus olhos verde esmeralda ainda mais intensa, mas ele rapidamente os enxugou, tentando ser forte, tentando esconder a fragilidade que sentia.

Seu pai colocou as malas no carro e se aproximou, colocando a mão no ombro de Edward.

— Está na hora, meu filho. Vamos, está tudo bem. Você vai fazer grandes coisas.

Eu fiquei ali, observando enquanto o carro se afastava, levando meu filho para um novo capítulo da sua vida. A casa estava silenciosa agora, e parecia que uma parte de mim tinha sido arrancada. Eu sabia que ele estava indo para um bom lugar, um lugar que iria prepará-lo para a vida adulta, mas nada disso tornava o vazio que eu sentia em meu coração mais fácil de suportar. O futuro estava se abrindo para ele, e eu sabia que ele tinha muito potencial, mas também sabia que ele seria sempre meu Edward, o menino que eu segurei nos meus braços quando nasceu, o menino que eu amei incondicionalmente, e o menino que, agora, começava a dar os primeiros passos para fora de casa.

Enquanto o carro desaparecia na estrada, eu me vi sozinha no jardim, o vento tocando meu rosto, mas, de alguma forma, eu sabia que o amor que eu tinha por Edward jamais se afastaria. Ele levaria comigo não apenas suas lembranças de casa, mas também o meu amor eterno. E, por mais difícil que fosse, eu sabia que ele voltaria para mim, porque o laço entre mãe e filho nunca se quebra. Nunca.