Greco-Romana

13 Advogados do Mal


Resumidamente o que aconteceu foi o seguinte.

Os caras do beco me cercaram. Eu sou idiota, mas não fui tanto ao ponto de reagir. Um dos caras me pegou pela mochila.

-Ei! Vai devagar!-Falei. -Ele fingiu que não ouviu. Ao comando de Damon saiu me empurrando pela mochila.

Voltamos ao movimento da Times Square. Tentei avistar alguma pessoa do meu pessoal, mas nada. Fomos andando até um ponto em que em meio aos prédios tinha um prédio com uma placa: ‘Advogados’.

-Quem diria que essa espelunca ia estar aberta ainda, em.-Falei.

-Cala a boca -O careca puxou meu cabelo.

-Ai. Escuta aqui. Se você não tem cabelo, não puxa o meu. E pode ficar na inveja. Mas você deve ter pelos, não é? Ótimo, vou puxar eles! Mas os das pernas.

-Já disse para calar a boca. -Ele puxou novamente meu cabelo.

Entramos no prédio. Pegamos o elevador e ele apertarou até o térreo. Chegamos lá e eles abriram uma porta que estava escrito ‘maletas’. Eu achava que ia ter um monte de maletas, mas lá tinha uma escada. Descemos aquelas escadarias. As luzes se ascenderam tão rapidamente e tão forte que fechei os olhos.

-Ela me pegou! –Ouvi uma voz dizer.

-Jessy? -Quando abri os olhos vi a grandona com um cara de refém apontando uma flecha (só a flecha) para o pescoço do cara. Pelo brilho Jessy tinha afiado aquela belezinha.

-Solta ela e devolvo ele — Jessy disse.

-Justo- falei.

-Ela nos deve. -Damon disse

-Devo? Vamos somar o que vocês fizeram para ver que deve mais. -Falei.

-Romana o que está acontecendo? -Era a voz de Jay.

-Jay? -Ele estava atrás de Jessy com outro cara feito de refém. O soco de Jay estava encostado no dente do cara. Senti que Jay sabia manusear muito bem aquilo.

-Seus molengas! Como deixam dois adolescentes pegarem vocês? E cadê o gordo?-Damon falou.

-Ele fugiu. E para constar, sou alta e extremamente rude, solta ela ou ele morre. -Jessy disse.

-Ora, por favor, não me venha com essas piadas. –Damon riu.

-Ok. -Jessy fez um pequeno rasgo no pescoço do cara. Ele gritou de dor.

-Ok. A garota. Mas soltem eles. -Damon apontou para os dois caras. Jessy confirmou. Quando eles me empurraram para eles Jessy e Jay empurraram os caras.

-Agora, -Damon e os outros sacaram as armas- morte coletiva. Mas antes quero que me diga da criança, fedelha.

-Meu nome é Romana. – eu nunca uso meu sobrenome porque eu acho que ele não combina comigo- Lembra? Já disse que não sei onde está a criança, e por falar nisso, nem sei do que está falando. Acaba com isso logo e mata a gente. Quero que acertem bem minha testa. –falei.

-Não brinca com a sorte! –Disse Damon.

-Sorte? Não me venha de falar de sorte porque você teve muita quando escapou da morte.

-Mas você os matou, tem uma divida comigo.

-Damon, Damon...sempre tão inútil. Se fosse esperto o bastante saberia que não sei do que você está falando.

-Matou eles a sangue frio. Lembro dessa noite.

-Flashback? Ok. Na noite de sábado, as oito, nas ruas de Londres. Vocês mataram a minha mãe. Matei cada homem seu a dedo e a seleção.

-Eles tinham famílias.

-Foram trouxas porque eu tinha a única pessoa que me amava e me aceitava, ela era a minha família. Não pensaram nisso. Não pensei na deles.

-Isso torna você igualzinho a eles.

-Eu sei. –Olhei friamente para ele .-Me mata logo, porque se eu sobreviver você vai morrer. Sabe que não poupo ninguém.

-Ultima chance. Cadê a criança?

-Ta se iludindo, é? Não sei do que está falando. Que droga!

-A criança perdida da sua mãe! Aquela na qual ela ficou grávida e ia nos dar como divida.

-Minha mãe o que? Você está louco, cara!

-Parece que você nunca soube. Pois bem, sabia que a divida da sua mãe era tão grande, que quando ela engravidou de você ela ia te vender. Mas, como toda mãe ela te amou e nunca te abandonou. Ela ficou grávida do outro. Esse nós íamos caçar. Ele nasceu. Mas ela foi mais rápida e mandou ele para algum lugar que o protegia. Não se lembra disso porque você tinha um ano. Ele é seu irmão mais novo e agora deve estar um moço. Mas ainda assim ele é uma criança para nós. Legal que sua mãe nunca te disse isso.

-Mentiroso.

-Eu sou. Mas isso é verdade. Poderia perguntar por sua mãe, mas ela está morta. -Ele começou a rir. Rir. Rir. Eu fui tomada pelo ódio.

-Desgraçado! -Tirei minha Adaga e fui para cima dele. Os homens iam atirar em mim, mas o próprio Damon disse para não atirarem. — Me conta isso direito!

-Quer detalhes? Eu também quero. A criança foi levada para algum lugar que foi criado. Depois vimos ele a mais ou menos cinco anos atrás nas proximidades de Nevada depois disso nunca mais o vimos. Deduzimos que ele estaria com você. Reativamos a busca pela filha da mulher das dívidas. E achamos que nunca íamos te achar. Mas o destino...

-Verme! Nada é destino na minha vida. — Soltei ele e voltei para Jay e Jessy. -Peguem eles! -Jay armou seu soco que agora era um escudo. Pegou sua vassoura, ou melhor espada. Jessy tinha em mãos um pequeno arco e flecha. Peguei de minha meia uma faca na outra mão minha Adaga em posição.

-Acha mesmo que vão nos matar com uma vassoura e essas flechas de plástico?

-Ahh! -Jessy acertou a perna de um com uma flecha. O sangue escorria.

-Atirem! -Damon deu a ordem.

Fomos para trás do escudo de Jay, por ele não passava nada. Levantei minha cabeça e joguei minha faca em um. O homem caiu no chão. Minha faca acerto seu peito.

-Romana um e os idiotas zero .-Sorri.- Jay, consegue atravessar isso até a escada? -Jessy havia acertado dois.

-Talvez.- Jay respondeu.

-Da cobertura para Jessy. E vou tentar sair daqui sozinha.

-Romana...-Antes que Jay falasse algo sai correndo. Uma bala quase me acerta o pé,mas tinha me jogado essa hora. Fui atrás de um painel de controle. As chuvas de balas não paravam.

-Romana! -Jay me chamou da escada. Ele atravessou com Jessy.

-Eu dou cobertura para você. -Jessy disse.

-Eu vou em um minuto. Peguei outra faca da meia .-Só uma dívida.- Atirei a faca da direção de Damon. A faca entrou certeira em sua costela.

-Maldição!- Damon gritou.

-Corram!- Berrei enquanto corria.

Jay e Jessy correram. Sai e fechei a porta. Quando terminamos de subir a escada e chegamos ao andar da entrada, e corremos para a porta houve uma explosão.

-Não parem de correr. -Continuamos a corrida até entrarmos de novo na Times Square.

-Romana, o que foi aquilo?

-Meu passado voltando a tona, Jay.-Respondi.- Cadê o garoto gordo.

-Morto. -Jay disse friamente.

-Mas... Mas...

-Mas é mentira. -Jay disse.- Ele escapou. Vamos até o Mc Donald’s ver se ele está lá. Mas antes, você pois um explosivo lá?

-Sim.-Respondi.

-Onde você arrumou aquilo?

-Filhos de Vulcano.

-Ãn? -Jay não tinha entendido.

-Hefesto em grego.- Jessy disse.

-Como eles te deram?

-Quem disse que deram?- Sorri.- Vamos logo achar Tresh.

-Depois queremos uma explicação daquilo, Romana. -Jessy disse.

-Não me amolem, pois já sou afiada o suficiente.-Sai andando pela Times Square até o Mc Donald’s.

-Aquele é Tresh discutindo com uma senhora?- Jessy viu e apontou. Fomos ver o que estava acontecendo.

-Senhora, minha vassoura não está a venda.- Tresh falava.

-Mas eu a quero. Você não tem o direito de vir aqui e erguer a vassoura. Isso mostra que vai vender. Propaganda enganosa. -A senhora estava irritada.

-Minha senhora ,não está escrito a venda.

-Mas deva! Vou atrás dos meus direitos.- Ela saiu andando.

-Que droga que foi essa que vimos?- Falei.

-O que aconteceu com vocês? Quem eram os caras? Monstros? Eles fizeram algo?

-Não. Mas não sabemos quem é. Parece que Romana sabe deles, né, Romana?-Jay disse.

-Tinha que ter haver com ela. -Tresh revirou os olhos castanhos. Seu cabelo bagunçado naturalmente combinava com sua expressão.

-Eu explico isso no caminho.

-Caminho? Não temos um caminho! Você tem uma rota? Um plano? Alguma coisa ou certeza? Eu vou te quebrar. -Jessy disse.

-Vai me quebrar os cambaus. Eu acho que uma parte da profecia foi resolvida.

-Qual parte?- Tresh disse pondo a espada disfarçada de vassoura nas costas.

-A pista. A pista foi que eu possa ter um irmão. E ele pode ser um meio-sangue. Temos que achar a criança.-Falei.

-O que eu perdi?-Tresh falou.- Aqueles caras sabem que somos meio-sangues.

-Não sabem. Eles são mortais. Mas querem a criança como pagamento. -Falei.

-Pagamento?- Tresh indagou.

-Vamos seguir em frente e Romana vai contar tudo. Não é?-Jay disse.

-A história é longa. Querem saber?

-Sim. -Jay disse.

-Você nos deve explicação. -Disse Jessy.

-Não temos outra opção- falou Tresh.

-Ta. Vamos entrar?-Falei.

-Entrar onde?-Tresh indagou.

-No Mc Donald’s, dã!

-Romana, a algumas horas atrás nós comemos. Não podemos entrar. -Jay disse.

-Não? Tem placa? Proibido delinqüentes anormais?

-Engraçadinha. -Falou Jay.

-Gente, é a maior rede fast food do mundo. Se quiserem vocês ficam. Eu vou comer.

-Onde arrumou tanto dinheiro? -Jessy perguntou.- Andou fazendo contrabando.

-Sim. De coisas roubadas do chalé. Consegui um bom dinheiro naquela sua blusa vermelha.

-Você o que? Romana, se isso for verdade eu vou te bater,e muito.

-Amiga, é mentira .-Abri a porta e entrei. Eles logo entraram atrás.

-Ainda acho que ela está nos manipulando. -Jessy disse.

-Ta. Vocês vão me contar o que houve quando nós nos separamos. -Tresh disse quando a gente já havia se sentado para comermos.

Jay contou cada parte da história. Eu e Jessy ficávamos abrindo a boca para ver quem tinha o lanche mais mastigado.

-Da para vocês pararem de nojeira? –Jay falou.

-Nojeira é isso .-Jessy arrotou. Eu e ela começamos a rir.

-Eu prefiro que elas se matem.- Tresh Disse.- Então, quer dizer que você explodiu tudo lá? Uau.

-Agora pode contar a sua história, Romana. -Jay disse.

-Ta. Tem que prometer que não vão contar nada para ninguém. -Falei.

-Daqui nada sai.-Jay disse.

-Ótimo. -Falei- Eu sempre tive uma relação muito boa com minha mãe.

-Só com ela, né?

-Cala a boca. Voltando, eu e ela nos dávamos muito bem. Minha mãe era uma pessoa muito boa.

-Ela deve ser mesmo. Ela aguentou você.-Jessy riu e ela e Tresh tocaram as mãos como quem diz ‘arrasamos’.

-Vou continuar. Minha mãe conheceu...

-O lado ruim da vida quando você nasceu .-Tresh começou a rir e Jessy o acompanhou.

-QUEREM CALAR A BOCA!- Gritei tão alto e bati minha mão na mesa. Todas as pessoas olharam para mim.

-Ei, calma!- Tresh disse vermelho. Pode continuar.