Indo à casa de sua namorada, Andrew espera uma moto de entregador de pizzas da Good Pizzas passar, para atravessar. Ele e Larisse Fitz namoravam há 2 anos, desde que os dois tinham 13 anos. Eles se conheceram no Colégio Preston e desde então estão juntos.

Andrew é um dos principais jogadores do time de futebol da Preston. Nesse colégio, para que se possa fazer parte de clubes e times é preciso que haja certo equilíbrio entre as notas dos alunos e seus afazeres extraclasses. Esse é o problema.. Andrew é muito ruim em algumas matérias, como matemática, física etc, nas outras consegue média suficiente, mas nessas matérias não. E “coincidentemente” sua professora de matemática, a senhora Fitz, era a mãe de Larisse.

Chegando à casa de Larisse, o senhor Fitz abre a porta e o deixa subir até o quarto da filha. Michael Fitz sabia que podia confiar em Andrew, que era um garoto responsável e dedicado.

– Antes das 2h quero vocês de volta – resmunga Michael por trás de seus óculos de armações antigas.

– Sim, senhor. Nenhum minuto a mais. – diz Andrew, antes de subir as escadas.

Ao chegar ao quarto de Larisse, bate à porta e ela a abre com um enorme sorriso no rosto. E lá estava ela, morena, de altura média e muito, muito bonita. Andrew se perguntava como ela poderia ser filha daqueles dois, ela era tão angelical e delicada, bem diferente dos pais.

A participação no time de futebol abrirá uma grande chance para Andrew, pois assim pode chegar ao campeonato nacional, onde há olheiros procurando por novos jogadores para testá-los se estão aptos a entrar em times reconhecidos internacionalmente. Esse era o sonho de Andrew, mas uma coisa o atrapalhava, as notas. Ele demonstrava ser um garoto bem dedicado e esforçado, mas não era, tudo era apenas questão de aparência, o que ele realmente queria era sair da escola e ser famoso jogando em times como Barcelona, Manchester ou Corinthians.

O site do Colégio Preston exige que os professores de todas as matérias publiquem suas provas uma semana antes que as mesmas sejam aplicadas. Cada professor tem seu login e senha para adentrar no site, mas só tem acesso ao site quem possui um programa especificamente criado para o colégio, o Pergamus. Eles só os disponibilizaram aos professores, e coincidentemente, dois quartos distantes dali, estava o notebook da mãe de Larisse, com o Pergamus e a prova que seria aplicada no dia seguinte.

Em certa ocasião, Andrew precisava da nota máxima em matemática para continuar no time, então não resistiu à tentação e enquanto estava na casa de Larisse entrou escondido no quarto de sua mãe e pegou a prova que seria aplicada. Para sua surpresa, a senhora Fitz não era muito boa com computadores e deixou sua senha e login salvos no mesmo. Andrew conseguiu o que queria, tirou 10 e pôde continuar no time.

Andrew era um cara corpulento e alto, de cabelos castanhos e olhos azuis, o que atraiu Larisse. Depois de descobrir que podia pegar as provas com facilidade, na casa da sua namorada, ele queria mais. As outras matérias também. Então chantageou um hacker nerd do clube de computação a conseguir a senha da senhora Gabes, a diretora da Preston. Ela era a única que tinha acesso a todas as provas que estavam no Pergamus, o que seria um grande benefício a Andrew. E ele conseguiu, hoje pode ver qualquer prova que quiser no site.

– Andrew, vou tomar banho e encontro com você lá embaixo para irmos pra festa da Carla.

– Tudo bem, meu amor. – diz Andrew, sem demonstrar que não está ali para ir à festa, mas sim para outra coisa.

Ela entra no banheiro, que fica em seu quarto, e ele sai. Passa devagar pela porta aberta do quarto de Alicia, a irmã mais velha de Larisse. Ele põe um olho e vê a irmã de costas, arrumando algo na bolsa e com seus fones de ouvido. Ele passa rápido. Depois vem o quarto de Teddy, que está dormindo. É o irmão mais novo de Larisse, só tem 5 anos. Ele passa e finalmente chega aonde queria, o quarto da senhora Fitz. Olhando para os lados vê se ninguém se aproxima, espera um pouco, abre a porta e checa se não há ninguém no quarto. O senhor Fitz está embaixo jantando e a senhora Fitz deve estar tomando banho. Ele deduz que tem menos de 5 minutos para pegar as provas, passar para o seu pen drive e sair dali.

Ele liga o notebook, sempre olhando para trás confirmando se ninguém vem. Abre o Pergamus e digita o login e senha mestres da diretora. Ali estão, todas as provas que ele precisa. Tudo tão simples, tudo tão fácil. Foi moleza, ela as passa para o pen drive e o guarda no bolso. Quando se prepara para sair, escuta a voz da senhora Fitz, que parece estar voltando ao quarto. Ele sua frio. Se for pego, vai tudo pelos ares. Precisa se esconder, olha em volta, mas não há nada, só o closet, as persianas e o espaço embaixo da cama. Sem pensar muito, ele opta pelo closet e se esconde atrás de uma parede cheia de cabides. Para a grande infelicidade de Andrew, ela entra, deixa a toalha cair e escolhe a roupa que vai vestir. Ele fecha os olhos para evitar uma visão que não fará falta alguma em toda sua vida. Ela escolha suas roupas de baixo e se aproxima de onde Andrew está para pegar uma camisa, quase tocando no cabelo dele, ela puxa uma blusa rosa com listras brancas e pega um jeans do outro lado do closet, logo depois sai.

Andrew suspira aliviado. Espera ouvir o baque da porta do quarto para sair do closet. Ele o escuta, e sai. Quando está quase tudo dando certo, ele a vê, virando o corredor para procurá-lo, Larisse está vindo. Instintivamente ele vira de costas e finge apreciar a paisagem da noite que está na janela (que vai do chão até o teto) que fica na parede próximo a porta do quarto dos pais dela. A janela parecia mais uma parede de vidro, mas não ocupava todo o espaço do retângulo da parede.

Com uma expressão nervosa, ele procura fixar melhor o olhar para ver o que há na escuridão do quintal, fingindo não ouvir os passos de Larisse atrás de si. Ele vê algo se mexendo em uma moita, e pensa ser só um gato se escondendo de algum cão. Quando tenta ver melhor o que é, ela fala.

– Andrew, estava procurando você.

– Ah.. terminou o banho, amor? Desculpe, eu estava aqui apreciando essa vista linda. Sabe o quanto eu gosto dessa janela enorme, não é?

– Sei sim, amor – diz, meio desconfiada.

– A lua hoje está linda, assim como você – diz ele com um olhar brilhante.

– Você sabe mesmo como me deixar sem graça – fala Larisse, que tenta suprimir um sorriso – bom, vamos. Não quero me atrasar para a festa.

– Então vamos – ele diz enquanto cruza um braço no dela.

A festa foi como esperavam. Muita bebida, dança e diversão. Era difícil ter uma dessas no meio da semana, mas aconteceu, e valeu cada minuto de sono ou estudo que eles perderam. Carla ficou bêbada rápido e passou a maior parte da festa no quintal, com seu namorado, mas fora isso a festa fora muito boa.

Já eram 1:47 da manhã, Andrew estava deixando Larisse em casa com o carro dos pais dele, era um simples celta de quatro portas, mas o servia muito bem. Agora estavam na frente da porta da casa de Larisse, prontos para darem adeus e irem a um bom resto de noite, dormindo, depois de uma noite tão agitada e maluca.

– Obrigada por hoje, me diverti muito.

– Eu também, e obrigado por me convidar. – diz Andrew, meio sem graça.

– Não agradeça – ela diz, enquanto pega o rosto de Andrew e o traz para junto do seu. Estão quase se beijando quando a porta da casa se abre, cortando totalmente o clima.

– Bem na hora, Andrew. Pontual como sempre – diz Michael Fitz, com seu colete social e seus óculos velhos, em uma maneira bem formal.

– Claro, senhor.

– Querida, vamos. Você precisa dormir um pouco, ainda terá aula. E saiba que não concordarei com uma festa no meio da semana outra vez. – diz, olhando para Larisse

– Sim, pai – ela beija o rosto de Andrew e sussurra no ouvido dele – Obrigada !

Eles se despedem depois de alguns minutos e Andrew volta ao carro. Ele entra, liga o rádio e aumenta até o máximo volume do som. Em poucos minutos ele está em casa. Quando se prepara para sair do carro, repara que há uma caixa, no banco traseiro, que não estava ali antes. Uma caixa de tamanho médio, branca e preta. Ele a abre. Lá está ele: um dispositivo pequeno, vermelho e preto, embrulhado em papel manteiga junto a um recado escrito em papel amarelo. O pen drive com as provas, ele toca no bolso para ter certeza que não é outro. Não está lá, talvez alguém tivesse pegado do bolso dele enquanto dançava para fazer algum tipo de brincadeira maldosa ou talvez fosse Larisse, que descobriu e estava querendo dar o troco, mas o recado o fez duvidar que fosse ela.

Geralmente os delinqüentes são cuidadosos com os seus rastros. Cuidado!

–A