Grandes Mentirosos
5 Capítulo 5
Com a nova prescrição médica da mãe nas mãos, Lucas está na farmácia comprando os novos remédios. Está distraído, olhando para os remédios, enquanto pensa no bilhete deixado em sua jaqueta na quarta feira da semana passada. Quem poderia ser? Lucy talvez, quem sabe ela tem visto o que ele fez e, para fazer uma brincadeira de mau gosto, resolveu pôr o bilhete na jaqueta, mas isso não fazia muito sentido. Uma coisa era certa: quem viu o que Lucas fez estava na cafeteria naquele dia.
– Posso ajudá-lo? – Chega o farmacêutico.
– Claro – diz Lucas, estendendo a mão, dando a receita ao homem de jaleco branco.
– Hum.. acho que esses nós temos. Só um minuto. – O homem vai embora sorrindo.
Lucas volta a pensar sobre o bilhete, mas uma coisa chama sua atenção. Na televisão do estabelecimento, passava algo sobre um homem ter morrido por acerto de contas na última quarta feira, mas não foi isso que chamou a atenção dele, mas sim aquela foto, aquele rosto. O homem loiro. Sim, ele estava morto. Sem reação alguma, Lucas fica pálido, encarando a tela a sua frente.
O jornal mostrava uma filmagem nada nítida da câmera de uma loja de doces. Lá estava ele, o homem de jaqueta vermelha, saindo do seu carro. E poucos minutos depois, alguém sai de um beco, apontando uma arma para o peito dele. Sim, ele cai ferido. O outro homem, que está de capuz, atira mais duas vezes quando o outro está no chão. Ele se abaixa, remexendo nos bolsos do sujeito deitado, até que acha o envelope e sai correndo. Depois o jornal diz mais algumas coisas que Lucas não consegue entender pelo nervosismo e passa a falar sobre a guerra na Criméia. Lucas fita os remédios nas prateleiras com uma cara pálida e o corpo gélido.
– Aqui está, garoto. – volta o farmacêutico Lenon, segundo seu crachá, tirando Lucas de seus pensamentos.
– Ahh, o — obrigado! – diz enquanto paga.
Lenon põe os remédios em um saco de papel e o entrega a Lucas, que sai da farmácia fitando o chão pensando na notícia que acabara de ouvir. Ele tinha morrido? Por quê? E se o cara que o matou soubesse onde o resto do dinheiro estava? E se o cara com o capuz – Lucas sua enquanto pensa nessa possibilidade – fosse.. A?
Ele põe o saco na bolsa e vai andando até a escola, tentando não pensar no assunto, o que é quase impossível. Após uns minutos de caminhada, ele chega. Vai ao armário para pegar seus livros e se dirige a sala. No meio do caminho, escuta um dos garotos da sua sala dizer que não tinha trazido o livro de história, o que o faz lembrar que história era seu primeiro tempo e tinha se esquecido de pegar esse livro no armário.
Ele volta ao armário, andando rápido para não chegar tarde à sala. Ele gira, pondo a combinação. No armário, está o livro de história, mas há alguma coisa em cima. Um jornal. Não qualquer jornal, era um com a notícia sobre o homem loiro que morreu. Lucas pega o jornal como se estivesse prestes a desativar uma bomba atômica, temendo o que pudesse ser aquele pedaço de papel que não estava ali há 5 minutos.
Desenrolando o jornal da liga elástica, Lucas lê. É apenas a página que mostra o cara, não o jornal todo. A notícia está circulada de vermelho. E logo em cima há algo rabiscado.
“ E se o cara da arma quiser o resto do dinheiro? Eu sei onde está.
–A”
Lucas fica pálido, ele olha em volta, procurando por uma pista de quem possa ter deixado aquilo. Ele estivera lá não fazia mais de 10 minutos. Quem escreveu aquilo com certeza estava por perto. Continua girando o olhar em volta, só há um garoto, que Lucas lembra ser da sua sala. Um garoto com cabelos castanhos e olhos azuis, estava lendo um livro de capa verde.
– Você viu alguém colocando alguma coisa nesse armário? – pergunta Lucas, tentando não parecer nervoso.
– Não vi. Estava lendo aqui distraído. – Ele balança o livro, deixando cair um papel de dentro dele, pelo visto o garoto estava disfarçando ler o livro enquanto lia aquele papel.
O garoto de olhos azuis se abaixa rapidamente e pega a folha olhando para os lados e depois para Lucas, fica um bom tempo olhando para ele e depois vai embora. Lucas não sabia se era o nervosismo ou se tinha mesmo visto uma folha com o título Prova de Física em cima e com a data de amanhã. Balança a cabeça pensando estar vendo coisas e se lembra que, exatamente amanhã, irá ter uma prova de física de um assunto que ele ainda não começara a estudar.
Depois de pegar o livro, vai à sala, pensando no que o jornal dizia sobre o homem já identificado como Matthew. Se o cara do capuz fosse mesmo o tal A, Lucas já estaria morto. Alguém sabia o que ele tinha feito e esse alguém era da sua escola, pois só um estudante poderia ter colocado aquilo no armário dele.
Tentando parecer calmo, Lucas entra na sala. O professor Moisés já começou o assunto sobre a segunda guerra mundial, enquanto entra e se dirige a sua cadeira, passando por um menino de cabelos loiros usando boné que parecia ter acabado de acordar de um sono pesado. Antes de sentar, percebe que há alguém do fundo da sala que está o encarando desde que entrou. Ele senta e sutilmente olha para trás, lá está ele, olhos azuis e cabelo castanho, o menino do armário. Ele pareceu muito suspeito depois que a folha caiu. Era ele A? Lucas não sabia, só sabia que se A quisesse, poderia acabar com sua vida em minutos.
Tentando olhar disfarçadamente para o garoto, que antes o encarava, durante toda a aula, Lucas o via na mesma posição, olhando para ele. Quando percebia que Lucas havia virado para olhá-lo, ele virava o rosto para janela e tentava fingir não prestar atenção no garoto que o observava. Sendo A ou não, aquele menino tinha alguma coisa a esconder.
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