Grand Chase e a Chave do Tempo
1 Elite Grand Chase!
Elesis.
– Papai! Onde está o meu papai!? – gritava Elesis em frente aos muros de Serdin. Era perigoso, mas a garota mal sabia o que estava acontecendo.
– Precisamos sair daqui, Elesis! – gritou Lothos, em meio aos sons da guerra.
Gritos de dor, o tilintar de espadas, explosões e choros preenchiam o lugar. A guerra que cercava Serdin e Canaban era devastadora, e o exército das trevas massacrava os guerreiros sem piedade, com gargalhadas que mais pareciam sinfonias aos ouvidos dos monstros.
– Sem meu pai, eu não sairei! Eu posso lutar! – gritava Elesis, mas na verdade a garota tinha apenas oito anos e frequentava apenas aulas de espada de nível júnior. O que a menina sabia não era suficiente, pois até mesmo os Cavaleiros Vermelhos de Canaban sofriam dificuldades. Seu pai era líder dos mesmos, mas foi dado como desaparecido pelo rei de Serdin horas antes.
A menina ruiva estava sendo protegida por Lothos, que era uma guerreira loura, com vestimentas pesadas. A armadura de Lothos apenas mostrava o quão forte o coração da tutora de Elesis era. Desde pequena, Elesis era treinada para liderar os Cavaleiros Vermelhos, e sua professora fora Lothos, a melhor guerreira de Vermécia. Inicialmente a loura era contra, mas cedeu devido ao carinho que criou pela menina teimosa.
Elesis não sabia falar baixo, apenas gritava, corria, aprontava, era realmente hiperativa. Durante os treinos com a espada, ela sempre aprontava com Lothos e a tirava do sério. A professora sempre perdia a paciência, mas o afeto pela garota era muito grande.
Lothos sempre admirou a relação de Elesis com seu pai. Mesmo que ela aprontasse, gritasse, fosse uma terrível peste, Eusclud a amava com todo seu coração. Ele sempre demonstrava seu amor pela garota, e isso deixava certa admiração em Lothos. Não era surpresa que Elesis queria saber onde seu pai estava.
– Eu vou procurar por ele Elesis, por favor, vamos voltar! – prometeu Lothos.
– Bem... se você me prometeu que vai achá-lo... eu confio em você – disse Elesis, ainda chateada.
Ambas voltaram para a "toca". Elas seguiram por um calabouço ali perto dos portões de Serdin. O caminho estava tomado pela penumbra, mesmo que o sol ainda estivesse se pondo. Estalactites, rochedos e crateras infestavam o local, pois fora feito às pressas.
A "toca" era como um abrigo subterrâneo para os civis, feito pelos druidas de Vermécia. O caminho os levava até a floresta élfica onde um druida com capacidade de se transformar em lobo protegia a todos. Ele era muito forte, mas ficava exausto com as noites em claro e as batalhas inacabáveis com o exército da Escuridão.
Ao chegarem à floresta élfica, Lothos e Elesis encontraram com um Cavaleiro Vermelho. Ele reverenciou para a garotinha ruiva, e aguardou ordens. Lothos pediu para ele se levantar.
– Qual seu nome, honrado Cavaleiro? – perguntara.
– Chamo-me Kevin, Lady Lothos – disse o homem.
Seus cabelos eram cinza e os olhos caramelo. Ele vestia a farda dos Cavaleiros Vermelhos, que era uma armadura completamente escarlate.
– Cuide de Lady Elesis. Treine-a até que eu regresse e espalhe notícias sobre uma elite vindo para derrotar Cazeaje. Essa elite se chama "Grand Chase".
– Mas Lady Lothos, Elesis tem mais poder militar do que eu...
– Então concedo-te o título de Guarda Real do rei de Serdin, assumindo agora meu posto e total poder militar sobre Canaban – declarou Lothos.
– Mas...
– Sem mais! Essas são ordens diretas da antiga Comandante Lothos.
– Lothos... – interveio Elesis. – Você vai procurar meu papai?
– Sim Elesis – Lothos suavizou a voz, falando com tanta ternura que Kevin decidiu não mais argumentar.
Agora o guerreiro entendera... para Lothos, Elesis não era a herdeira do poderio do exército Vermelho, mas sim uma filha. A proteção da garota em si era o desejo da Comandante, e Kevin votou, consigo mesmo, protegê-la com sua vida.
– Comandante Kevin, novo Guarda Real do rei de Serdin a seu dispor, ex-comandante Lothos – disse o homem.
– Obrigada Kevin... – compreendeu Lothos. – E... adeus.
Antes que Elesis pudesse se despedir, Lothos saiu correndo por entre as árvores da floresta. A ruiva se perguntou quando a veria de novo, deu as mãos para Kevin e seguiu para um local mais seguro.
Já Kevin, tomou como seu novo motivo para viver a proteção de Elesis. A garota era pequena, então deve não ter visto, mas lágrimas escorriam pelo rosto de Lothos.
Sete anos depois...
– Lothos voltou! – gritou Kevin, quase arrombando a porta pela qual entrara.
– O quê!? – Elesis deu um salto da cadeira, derrubando algumas coisas de sua mesa.
– Dizem os boatos. A Grand Chase retornou com Lothos, e eles estão no território de Serdin, passando por um treino para invadir Ellia – explicou Kevin, arrumando os cabelos agora grisalhos, que foram bagunçados pela euforia.
– Arrume suas coisas, Kevin. Marcharemos para Serdin imediatamente – ordenou a ruiva.
– Certo, miLady – Kevin saiu às pressas do salão de sua protegida.
– Então você finalmente voltou, Lothos! – Elesis falava consigo mesmo, empolgada. – tenho tantas novidades! Tanto para você quanto para meu pai. Sabe quantos anos se passaram? Sete anos! Tornei-me a nova líder dos Cavaleiros Vermelhos e melhorei tanto com a espada! Aprendi algumas técnicas da família Sieghart! Vocês dois terão orgulho de mim.
Elesis sacou sua espada e fez alguns movimentos rápidos, que deixaria qualquer guerreiro sem defesa. Logo a embainhou de novo, e saiu atrás de Kevin, que já havia preparado a carruagem com antecedência, prevendo as ações da ruiva.
Os cavalos eram brancos e vestiam celas vermelhas, característica dos Cavaleiros Vermelhos. As rédeas os ligavam à uma carruagem bela, escarlate com detalhes em dourado em todas molduras. Elesis entrou na carruagem e sentou-se no pequeno assento, que era de um algodão extremamente confortável.
Kevin tomou as rédeas e seguiu para Serdin, penosamente. Elesis podia ouvir os relinchos dos cavalos, os barulhos dos monstros que agora dominavam boa parte de Vermécia, mas eles nada faziam. Após algumas horas de viagem para o sul, a ruiva e seu cavaleiro chegaram aos portões de Serdin.
– Abram os portões! Cavaleira Vermelha de Canaban, Elesis Sieghart, desejo falar diretamente com Lothos! – gritou Elesis, vibrando em nostalgia.
Dessa vez os portões foram abertos, diferentemente de sete anos atrás. Elesis seguiu o caminho nostálgico até o salão do rei de Serdin.
– Vossa Majestade, meus cumprimentos – ajoelhou-se a cavaleira.
– Senhorita Elesis. Já faz um tempo, certo? – tomou a palavra a rainha de Serdin.
– Desde que marchei de Canaban até seus domínios com meu pai pedindo por abrigo durante a guerra, vossa alteza. Juramos servi-la por sete anos, e sete anos já se passaram.
– Entendo... – assentiu a rainha, pondo sobre o queixo sua mão banhada em joias. – Então irá regressar a Canaban?
– Não hoje minha senhora, vim por Lothos – disse Elesis, soltando um olhar pesado pelo salão.
–Entendo... ela está com a Grand Chase há uma milha daqui. Diz ela que livrará Vermécia dos monstros perigosos de Cazeaje, e que assim marchará ao território da rainha das trevas.
– Onde posso encontrá-la? – perguntou Elesis, ousada.
– Em uma floresta onde um Ente agora reina. Fica ao norte.
– Certo, com sua licença, Vossa Alteza – Elesis cuspiu as palavras e saiu correndo do salão antes mesmo de obter uma resposta. – Kevin, leve-me para a floresta do desafio.
Kevin apenas assentiu, cavalgando ruidosamente aos arredores dos muros de Serdin. Passaram-se duas horas, talvez? Não se sabe. Elesis estava distraída suficiente sonhando com seu reencontro com Lothos, e o tempo para ela podia congelar ali. Mas seria melhor congelar no reencontro, então a garota despertou ao chegar à floresta.
A ruiva desceu de sua carruagem, fitando Kevin. O cavaleiro grisalho observava a floresta, ansioso. Elesis viu o medo em seus olhos, então se obrigou a dizer:
– Se quiser, pode guardar a carruagem. Não precisa vir comigo se tens medo, Kevin – disse a garota, com tom suave de voz.
Kevin conhecia aquele tom e se limitou a aceitar a generosa oferta. Ele sabia que se recusasse a gentileza da garota, ela o obrigaria a tomar a frente.
Elesis entrou na floresta, com os sentidos aguçados. A garota andou pelas matas até que uma flecha zuniu por seus ouvidos.
Zum, passou a primeira.
– Quem está aí? – perguntou Elesis.
– Sou Lire, elfa de Eryuell – disse uma garota loura de orelhas pontudas, que saía por entre arbustos. – Você é...?
– Elesis Sieghart, líder dos Cavaleiros Vermelhos de Canaban.
– O que faz uma espadachim de Canaban nos territórios de Serdin? – perguntou uma outra garota, com vestimentas roxas.
Era um uniforme escolar, mas não um comum. Era como um vestido roxo, luvas e sapatos da mesma cor. Meias-calças brancas vinham de seus pés até um pouco acima do joelho.
– Uma aluna da Academia de Magia Violeta? – deduziu Elesis. – Os Cavaleiros Vermelhos estão em dívida com os magos de Serdin. Recebemos apoio e ajuda durante a guerra contra Cazeaje e perdemos nosso rei. O generoso rei de Serdin nos ofereceu ajuda em troca de trabalho, e assim servimos vosso reino por sete anos – explicou a garota.
– E o que faz nesta floresta? Estamos em meio a um treinamento – explicou Lire, gentilmente.
– Vim em busca de Lothos e Eusclud Sieghart, meu pai – Elesis fitou os profundos olhos verdes de Lire.
– Lothos! – gritou Arme, ecoando por toda a floresta.
Não passados dois minutos, Lothos brotou por entre as árvores.
– O que foi?! – perguntara a esgrimista, preocupada. – Pedi para me chamarem apenas se fosse urgência!
– É uma urgência – avisou Lire. – Líder dos Cavaleiros Vermelhos veio aqui apenas para lhe fazer uma visita.
– Líder dos... – ia dizendo Lothos, mas sua voz falhou assim que olhou para Elesis.
A espadachim ruiva correu e abraçou Lothos, dando-lhe beijos e sorrisos.
– Elesis! – exclamou Lothos. – Quanto tempo! Então você virou a líder dos Cavaleiros Vermelhos, certo?
– Sim! E aprendi as técnicas da família Sieghart! Onde está meu pai?
Lothos fechou o rosto em uma tempestade furiosa.
– Não o encontrei. Parece que ele foi pego por Cazeaje e só podemos ir atrás dele quando a força da Grand Chase estiver completa – concluiu Lothos.
– E quantos membros essa elite já tem?! – perguntou Elesis, sem nem mesmo esconder a face desapontada.
– Bem... dois. Lire e Arme Yes Violet – disse Lothos, também se mostrando triste.
– Então deixe-me participar dessa elite! – gritou Elesis.
– Não Elesis! A GC é para pessoas capacitadas e seu nível de habilidade é insuficiente! – mentiu Lothos, mas na verdade a loura só queria afastar sua protegida do perigo.
– Eu treinei! Fiquei mais forte, ou o título de líder dos Cavaleiros Vermelhos é tão fraco assim!?
– Seu título carrega poder sanguíneo, habilidades de uma linhagem sanguínea antiga e incrível – admitiu Lothos.
– Então por que não me deixa ajudar, se me provar suficiente?!
– Por favor Elesis... não queira se meter nessa guerra...
– Desculpe Lothos. Se é por Eusclud, invadirei os territórios de Cazeaje mesmo sozinha.
– Bem, – interveio Lire. – Eu não me importo de trabalhar com uma espadachim de Canaban.
– Eu, sim – disse Arme.
– Tudo bem – decidiu Lothos, por mais que doesse. – Declaro você, Elesis Sieghart, a mais nova espadachim da elite Grand Chase. Também a declaro líder do grupo – disse a loura, confiando seu poder militar à ruiva.
– O quê? – perguntaram Lire e Arme em uníssono. Arme deu continuidade: – Essa novata é nossa líder?
– Elesis não é novata. Ela é líder do exército com mais poder de Canaban, possui a linhagem sanguínea dos Sieghart e também um enorme senso de justiça. Ela foi minha aluna e também minha protegida sete anos atrás, então à ela eu confio minha vida.
Elesis encheu o peito de orgulho, mas teria de abandonar seu posto como líder dos Cavaleiros Vermelhos... sua única saída era confiar novamente a Kevin. Afinal, Eusclud era tudo o que importava para Elesis agora. A ruiva confiava em Lothos, mas sabia que poderia se decepcionar. Ela já esperava que sua antiga tutora voltasse sozinha.
A ruiva encontrou-se novamente com Kevin e explicou para o homem sua posição e desejo. Ele entendeu perfeitamente, apenas assentindo, triste. Após uma pequena despedida, Elesis voltou para a floresta e Kevin para o QG dos Cavaleiros Vermelhos.
– Deu tudo certo? Cabeça de pimenta – perguntou Arme, claramente irritada com a mudança ocorrida no grupo.
– Sim. Estou apenas por mim mesma, e agora sou a líder da elite Grand Chase – disse Elesis, exigindo respeito com os olhos.
– Sem mais conversas. Sigam-me – ordenou Lothos, seguindo por entre as florestas.
– Vamos continuar com nossa missão? – perguntou Lire, satisfeita.
– Sim, derrotaremos o Ente – disse Lothos, séria.
Eles seguiram em silêncio, apenas ao som das árvores e dos animais que ali viviam. Ruídos dos cogumelos, o som gelatinoso das gosmas preenchiam a floresta, até que o grupo ouviu um grito terrível de dor. Não... não era de dor. Era o grito de um Ente. Um espírito das árvores procurando por seus parentes, assim conquistando esse nome.
– Por aqui! – guiou Lothos.
Elesis a seguiu de perto, mas Lire e Arme eram lentas e chegaram um tanto atrasadas.
Uma enorme árvore com um terrível rosto de solidão marcado em seu tronco soltava um murmúrio doloroso. Galhos maiores formavam-lhe braços e suas raízes, pernas. O Ente se assustou ao ver o grupo – ou não, pois era difícil dizer algo sobre ele através de sua face disforme – e os atacou furiosamente.
Elesis desviava facilmente das maçãs que a árvore jogava. O mesmo tocou o chão e vinhas subiram do gramado, tentando enroscar-se em Elesis. Mas a ruiva fora rápida, ela sacou sua espada e as fatiou num piscar de olhos.
Arme e Lire chegaram logo após, recuando alguns passos ao ver o monstro.
– O que diabos é isso?! – perguntou Arme.
– Algo anti-natural... não posso permitir algo assim! – disse Lire, determinada a derrotar aquela coisa.
Elesis lutava com maestria. A ruiva desviava e atacava sempre que necessário, deixando o Ente apertado. Lire entrou na briga e decidiu ajudar, afinal se remoer por não ser a líder não iria salvar Eryuell do mal. A elfa loura aceitou bem Elesis como líder na luta contra o Ente, pois ela se provou realmente boa com a espada.
Metralhando flechas e cortes impacientes, o Ente logo caiu fazendo o chão tremer e um horrível grito de dor ecoar por toda a floresta.
– Muito bem! – aplaudiu Lothos. – Agora vamos para nosso próximo local, a Torre Sombria.
– Sem nem uma pausa para descanso? – arfou Lire.
– A justiça nunca descansa – disse a Comandante com um ar de responsabilidade. – Vamos.
E assim o grupo seguiu por entre a floresta, em caminho à uma Torre há meio quilômetro dali.
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