Grand Chase e a Chave do Tempo
5 Amor à Primeira Vista
Notas iniciais
Ryan
O mais jovem dos druidas, Ryan, estava desesperado, pois foi praticamente abandonado. Ele foi o único a ouvir um sutil chamado da floresta. Ninguém ligava para o que ele dizia, por causa de seu sangue. O único que, aparentemente, ouvia a voz de Ryan era Satyr, o líder dos druidas, seu mestre e pai, mesmo que adotivo. Ele era especial para Ryan. Mas estava ocupado com assuntos dos reinos de Canaban e Serdin.
— Droga! Eles são muitos! – dizia Ryan para si mesmo.
E de fato, eram muitos Oaks e Harpias que causavam a destruição na floresta. Apareceram do nada, invadiram o local enquanto os druidas estavam fora e tomaram o lugar em segundos.
— Mas que diabos...! Como tantos monstros fizeram movimento em grupo? Quem será a mente por trás disso?
O garoto estava encurralado. Seus cabelos alaranjados estavam sujos com alguns galhos que ficaram presos enquanto ele corria por ali em busca de uma brecha, mas ele não tinha coragem de limpá-lo. Seus olhos verdes demonstravam medo e suas roupas, de mesma cor, estavam em farrapos. A floresta tinha árvores altas, porém estas não passavam de quatro metros, o que não sustentava a ideia de escalá-las para se livrar dos monstros. Por dentro, viam-se também alguns arbustos e matos com mais ou menos um metro de altura. Ryan tinha um machado pesado em mãos e o usava para abrir caminho por entre os monstros. A mata o atrapalhava em sua batalha, fuga, ou o que quer que ele esteja tentando fazer, mas ele não usava seu machado para cortá-la. Não, ele tinha um objetivo: chegar à árvore e conseguir mais informações acerca desses monstros e esse ataque massivo.
— Droga! Se pelo menos Satyr estivesse aqui, ele saberia o que fazer! – o garoto apenas resmungava consigo mesmo. Não tinha mais ninguém ali senão ele próprio. Os druidas tinham saído para ajudar uma vila próxima, mas apenas Ryan voltou. Como foi dito, os outros simplesmente não se importavam com o que o garoto dizia.
Ryan é metade humano, metade elfo. Suas orelhas pontudas dizem isso, mas ele não possui a bênção da natureza. Ele foi o único a receber o chamado da floresta de uma “árvore abençoada”, a que fica bem no centro da floresta, mas ninguém ouviu o que ele tinha a dizer. Regressou sozinho, voltou para a floresta para protegê-la.
Uma Harpia deu um rasante e arranhou o ombro de Ryan com suas garras. O garoto pôs a mão sobre o corte e sentiu um líquido quente escorrer por entre seus dedos. Era sangue. Não era verde claro como o sangue dos elfos e nem dourado como dos imortais ou dos deuses, era vermelho, como o de um simples humano. Ele não via opções, precisava usar aquilo.
O que ele usou é uma técnica secreta que ele treinou com Satyr, e lhe foi ordenado que não a usasse a não ser que estivesse em emergência. Na mente de Ryan, aquilo era uma emergência, pois se a “árvore abençoada”, a protetora da floresta, a bênção dos deuses, o avisou, aquilo não era brincadeira. Ele reuniu a energia da natureza, pensou na fera que dormia dentro de seu corpo e foi como entrar em um banho quente com roupas. Começou a sentir como se todo o seu corpo estivesse sendo lambido em chamas. Após um momento de agonia que parecia sem fim, lembrou que aquela dor era apenas parte do processo de transformação. Seu corpo estava mudando, pelos cresciam em sua pele e suas feridas cicatrizavam. A dor só parou quando a metamorfose se completou.
— AUUUUUUUU! – seu uivo ecoou pela floresta escura e ao mesmo tempo sua transformação foi completada. Pelugem alaranjada com mechas verdes, assim era o lobo de Ryan.
Ele viu algo, ou melhor, alguém. Um garoto jovem, correndo apressadamente. Ele não conseguiu ver mais detalhes, apenas cabelos azulados...
Um Oak tentou acertá-lo com uma clava, mas o garoto desviou agilmente e deu uma mordida fatal no pescoço do monstro. Que nojo, pensou Ryan, cuspindo o pedaço de pele de Oak que ficou preso em seus caninos. Um pouco de sangue de Oak espirrou em seu rosto antes dele desaparecer em pó. Isso foi estranho. Eles normalmente não sangram, pensou Ryan.
Sua transformação acabou, mas agora ele podia sentir. Não estava mais cercado e se aproximava da árvore que havia feito o chamado. Uma enorme massa de energia maligna se juntava naquele local, então o garoto deduziu que lá estaria a mente por trás do ataque.
No caminho até a árvore, outra Harpia tentou acertá-lo, mas ele a partiu em dois sem dó com seu machado. Ryan pulou por um arbusto e chegou a seu destino. Um Troll. Um enorme monstro das montanhas com uma enorme clava de madeira e um prego em sua ponta. O garoto logo soube que a mente por trás de tudo era Cazeaje... então logo deduziu que a rainha das trevas começou a agir. Transformou-se novamente. A dor foi menos intensa, mas mesmo assim foi excruciante. O Troll grunhiu ao ver a metamorfose e investiu contra Ryan, que foi mais rápido e conseguiu desviar. Mas ele não esperava que a clava do monstro fosse acertá-lo em cheio, e ao receber o golpe direto na nuca, a transformação acabou, e caindo no chão, desmaiou.
* * *
Quando recobrou a consciência, estava com muita dor de cabeça. Tentou focar a visão em algo e apenas viu uma garota de cabelos e olhos de cor púrpura, iluminada pela luz da Lua. Ao vê-la, Ryan fitou a garota por alguns segundos, incrédulo. Como uma garota tão linda poderia estar cuidando dele?
Segundos que mais pareceram uma eternidade. Os grandes olhos roxos dela penetravam em seu interior, inundando seu coração com algo que ele nunca sentira. Seria aquilo amor à primeira vista? O garoto não tinha tempo para pensar. Agora seus sentidos estavam voltando, um por um; primeiro a audição, depois a visão em seu perfeito estado e por último, o tato. Mas ele só percebeu isso quando ergueu a mão para saber se estava sonhando ou não.
Ele encostou em algo fora do seu campo de visão. Era macio, mas estava limitado pelas vestes apertadas dela. A garota deu um pulo para trás e gritou, assustada com a reação de Ryan. Ele se espantou, percebendo o que fez, e levantou subitamente. Mas logo uma dor indescritível veio a sua nuca, fazendo-o gritar de dor.
—Não se mexa. – ordenou outra voz feminina, com uma ternura rara para Ryan. Dessa vez vinha do lado direito dele. Ele se virou levemente para vê-la. Viu que eram semelhantes, talvez até primos. Ela era uma elfa. – Eu disse para não se mexer! – repreendeu ela, ainda gentilmente. Fê-lo deitar e colocou alguns curativos improvisados em sua nuca, feitos a partir de folhas medicinais da floresta.
Durante os minutos seguintes, a elfa faz mais curativos para as outras lesões visíveis em Ryan, e os sons produzidos pelos tratamentos e o dos insetos na floresta são os únicos a serem ouvidos.
— Por que você fez isso? – perguntou a garota de cabelos rubro-negros, quebrando o silêncio e ainda constrangida.
— Desculpe – Ryan conseguiu dizer, mesmo que isso lhe proporcionasse mais uma dor excruciante na nuca. Mesmo assim, ele sentia arrependimento pelo ato e continuou: – Não tive a intenção.
— Tá, tá... – confirmou a garota, não parecendo convencida.
— Arme, foi só um acidente – disse a elfa, defendendo Ryan. – Ele ainda estava confuso.
— AAAAAAHHHHHH!! – todos ouviram um grito desafiador, e então o som de um salto e o brandir de uma espada.
— Elesis, toma cuidado, hein! – disse Arme, zombeteira.
— Crítico X! – declarou Elesis, como se não tivesse escutado a provocação.
Ryan virou ligeiramente a cabeça para entender. Então ele viu: uma guerreira de cabelos vermelhos, provavelmente da família Sieghart, dando o golpe final no Troll que ele não conseguiu derrotar. Depois que o Troll desapareceu, Elesis se aproximou deles, dizendo:
— Nada como uma batalha!
— É, né? – disse Arme, ainda provocando.
— Que tom é esse? Eu sou sua comandante!
— Tá, tá... Como se batalhas fossem tão interessantes assim...
— São mais interessantes que você, sua baixinha!
— O que disse? Você...
— Já chega! – interrompeu a elfa com um grito. – Eu não pedi para as duas colaborarem?
— Pediu, mas a Arme que provocou... – começou Elesis, arrogantemente.
— Mentira! – rebateu Arme. – Mas é claro que a Elesis que sempre começa, não é, Lire?
— Não. Foi você que provocou, Arme – respondeu Lire, que parecia magoada. Era de se esperar, elas tinham feito uma promessa. Arme então virou de costas e se afastou do grupo, irritada.
— Que menina idiota – comentou Elesis. – Lire, você sabe se ele é capaz de andar?
— Não, por quê? – perguntou Lire.
— Porque vamos voltar a aeronave agora.
— O quê? Mas e a Arme?
— Esqueça ela, por mim que se torne uma desertora. Só cria confusão e agora fugiu. Eu disse que se ela trouxesse mais problemas, iríamos substituí-la, certo?
— Mas... substituí-la por quem? – Tomou as palavras, Ryan. Ele estava confuso e não conseguia processar a situação direito, mas segundos depois entendeu o que a ruiva estava falando. – Não! – ele retrucou em uníssono com Lire.
Tanto Elesis quanto Lire se surpreendem com o grito de Ryan. Ele finalmente consegue se sentar sem sentir dores tão fortes. Respira fundo e diz:
— Não podemos deixá-la.
— O quê? Você está sendo convidado para a Grand Chase diretamente pela líder e ainda se acha em posição de recusar!?
— Não é isso! – disse Ryan, meio confuso e desesperado – É que vocês não podem abandoná-la, porque...
— Porque... o quê? – Elesis não conseguia entender porque ele, que mal conhecia Arme, se esforçava tanto em defendê-la.
Ryan não tinha resposta. A única coisa que ele sabia é que Arme fora a menina mais bonita que ele viu – e tocou – em toda sua vida, então ele não queria perdê-la de vista tão facilmente. Mas é claro que ele não poderia falar isso para Elesis, já que isso não era um argumento interessante. Um nó começou a se formar na garganta dele. Estava sem alternativas, cercado como antes.
— Pare com isso, Elesis! Ele ainda deve estar confuso por causa do machucado! – alertou Lire, salvando Ryan.
— Tá – Elesis suspira. Pensa um pouco, mas a única resposta para a reação do garoto seria que a surra que ele levou danificou seu cérebro. Não tinha como alguém gostar de Arme. Então prossegue com o que interessa: – Enfim, você é o lobo que protege a floresta élfica, não é? Se não me engano... Satyr?
— Sim e não – respondeu ele, o que reforçou a teoria de Elesis sobre o cérebro do garoto. – Sou o lobo, mas não sou Satyr. Sou filho adotivo dele, chamo-me Ryan.
— E trabalha nisso junto com os druidas? Onde eles estão?
— Trabalho, eles estão um tanto ocupados nas vilas vizinhas... eu vim sozinho pois atendi ao chamado da floresta. Sou o único que pode sentir isso e os druidas não me ouviram... apenas Satyr me dá ouvidos.
— Então te peço para abandoná-los e se unir a Grand Chase. Nós somos um grupo de guerreiros que estão em busca de Cazeaje e do grande mal que assola Ernas. Precisamos de sua ajuda.
Ryan fica confuso com o convite repentino. Após refletir um pouco, ele não queria ir porque ele tem que proteger a floresta. Mas necessita ir para pagar a dívida eterna que ele tem com a Grand Chase: sua própria vida. Se eles não tivessem aparecido, o que seria dele agora? Para seu consolo, os druidas retornam, todos suados e feridos. Satyr estava com eles. Todos tinham uma expressão de terror no rosto.
— O que aconteceu aqui!? Quem são vocês e o que fizeram com Ryan!? – Satyr parecia irritado, mas estava confuso. A floresta estava um caos e todos os druidas se expressavam arrependidos.
— Satyr! – gritou Ryan, esperançoso.
Enquanto Lire explicava a atual situação, Ryan confirmava os fatos. Logo após o garoto também contou sua versão da história, por mais vergonhosa que fosse.
— Lothos me contou a respeito de vocês – Satyr sorriu. – Eu lembro de você, Lady Elesis. Usou nossa toca em meio à guerra, seis anos atrás? Não, sete. Eras tão pequena.
— Sim, mas isso realmente é irrelevante. Eu tenho uma proposta a fazer: nós levamos Ryan e vocês fazem o que quiserem com a Maga Violeta – Elesis fora fria, o que fez o meio-elfo ter um arrepio. Como ela podia ser tão fria com Arme? Uma criatura tão linda como aquela garota...
Enquanto Elesis discutia com Satyr, Lire ajudou Ryan a se levantar, e ele pede para ela levá-lo até onde Arme está. Ele não iria deixá-la ali. Eles caminharam por dez minutos, voltando por onde vieram.
— Sai daqui! – gritou a garota. Ela estava agachada perto da Aeronave, parecia triste, solitária.
— Eu só quero...
— Sai!
— Ele só quer conversar, Arme...
— Certo... – disse Arme, um pouco impaciente – O que você quer?
— Quero... me desculpar. Sinto muito, mesmo.
— Tudo bem. Você só tava tonto, né?
— É. E... eu não quero que você saia da Grand Chase.
— O quê? Mas eu não...
— Arme... eu pedi para que você cooperasse. Dessa vez Elesis parece estar séria, é melhor você se desculpar – Lire parecia falar sério. – Por favor. Ela pretende deixar você aqui e levar Ryan em seu lugar.
— Olha isso! Mas que... – Arme se forçou a baixar o tom de voz. – Tá bem. Por mais que eu a odeie, preciso ficar na Grand Chase – ela olhava para Ryan com certo desprezo. Ele era fraco e estava prestes a tomar seu precioso lugar no grupo.
— Olha, Arme, certo? – Ryan tentava se esclarecer. – Eu sinto muito, não quero tirar você de seu grupo. E... desculpe por mais cedo...
— Dá pra esquecer isso!? – interrompeu Arme, um pouco irritada e fria.
— Arme! Não seja grossa, ele te defendeu. Ele recusou se unir a nós para não tirar você do grupo. Mostre gratidão.
— Certo... desculpa – ela não pareceu convencida.
Elesis se uniu ao restante, saindo por entre alguns arbustos. Ela estava acompanhada por Satyr.
— Bem... vou fazer algumas mudanças... – ia dizendo, mas Lire a interrompeu.
— Antes de tudo, Arme tem algo a dizer.
— Bem... que seja dito.
— Elesis... – Arme estava se esforçando ao máximo para soltar as palavras, mas elas não queriam sair.
— Ela quer se desculpar – completou Ryan, para surpresa de todos.
Mesmo Elesis não encontrou palavras para aquilo. Ela iria dar notícia da substituição de Arme por Ryan, Satyr estava lá para realizar a troca. Diante às desculpas de Arme, se tornaria difícil fazer a troca. Mesmo que por orgulho.
Ryan não podia dizer o que se passava pela cabeça de Elesis, mas Satyr o fez:
— Bem... então deixaremos os negócios de lado. Não posso te separar de uma amiga assim – disse ele. – Ryan, você gostaria de partir com a Grand Chase?
Elesis não encontrou resposta para tamanha gentileza. Satyr abandonou uma troca que seria mais justa para ele que para o grupo e ainda assim queria deixar o druida ir com eles? A espadachim se perguntou se eram todos os druidas que tinham problemas mentais.
— Eu quero... mas não posso... – Ryan via-se num impasse. Queria ir, mas precisava ficar. Só ele podia atender aos desejos da floresta. – Eu preciso ficar e proteger a floresta, eu sou o guardião dela. E também seria difícil dizer adeus depois de tantos anos...
— Então você está expulso da ordem dos druidas – disse Satyr, frio. – És agora um desertor.
— O quê!? – gritou Ryan. Não sabia o que dizer. Como assim desertor?
— Druidas! Desertor à vista! Peguem-no!!! – berrou o homem, com um sorriso no rosto.
Elesis era astuta. Puxou Ryan pela camisa e Arme pela orelha, e correu para a Aeronave.
— Estou levando esse desertor para a prisão! – dizia Elesis enquanto segurava o sorriso confiante. – Vamos Lire!
A elfa também era astuta, para sorte de Satyr e de Elesis. Elas estavam sequestrando Ryan e fazendo dele membro da Grand Chase por "ordem" de Satyr.
Assim todos subiram na aeronave. Ryan não entendeu direito a situação e nem Arme – que reclamava por Elesis tê-la puxado pela orelha.
— Satyr é um bom homem – explicou Elesis. – Ele entendeu a sua vontade de vir conosco, mas sabia que você não tinha coragem de deixá-lo para trás. Ele fez tudo aquilo para você não ter escolhas, ele te libertou.
Após todos se acalmarem, acabaram até rindo do que aconteceu. A lua já estava alta, então Ryan, Lire e Arme finalmente foram deitar. Lire apresentou a Aeronave para Ryan e o deixou em outro quarto. Bem, tinham dois quartos – um foi deixado para Ryan, e o outro, para as três garotas. Ryan apagou assim que deitou e fechou os olhos. Horas depois, uma garota o acordou. Sentia-se bem mais forte e descansado. Nada como uma boa noite de sono. Arme o acordara ao nascer do sol.
— Esperem, eu sinto cheiro de algo – disse ele, fitando Elesis.
— Como assim? – ela perguntou.
— Pensando bem, eu vi um homem que desconheço na floresta. Ele tinha cabelos azuis e estou certo de que o cheiro que sinto é o dele...
— Alguém que nunca viu, cabelos azuis... – bingo. Era dele que Ryan falava. – Onde ele está!?
— Bem abaixo de nós – Ryan foi olhar o que os aguardava mais abaixo, mas nada pôde enxergar. Era um vale desértico e Ryan já esteve ali antes uma vez, com Satyr. O Vale do Juramento.
Elesis aterrissou imediatamente. Não pensou duas vezes, não fez votação, apenas desceu a Aeronave.
— Qual a razão disto? – perguntou Arme.
— Temos um desertor de Canaban em nosso encalço. Estamos à procura de Ronan Erudon, antigo Guarda Real de Canaban e também o responsável pela guerra dos reinos, sete anos atrás. Bem... Cazeaje controlou seu corpo, mas após ter recebido perdão real ele fugiu. Assim foi condenado por traição ao reino.
Ryan não pôde sentir o cheiro de nada quando desceram. Ventava muito no Vale, assim tanto o cheiro quanto o som não eram confiáveis. Eles andaram por cerca de dez minutos em direção ao norte e então chegaram ao seu destino.
— Hyaaa! – berrou o homem encapuzado enquanto brandia a espada. – Morra, vil criatura!
— Ei! – Elesis não pensou duas vezes e avançou.
O homem de capuz pareceu olhar para Elesis. Não dava para ver seu rosto.
— Ah! Ajuda! Você deve ser Elesis, a líder dos Cavaleiros Vermelhos.
— Não sou ajuda, sou teu pior pesadelo. Já que me reconheceu, és um desertor! Eu abandonei meu posto de Cavaleira Vermelha e todos em Vermécia já sabem disso.
— Eu estou com pressa – o homem ignorou Elesis. – Vou deixar com vocês uma benção e irei seguir em frente! Preciso chegar às praias norte do continente. Não posso perder tempo!
— Ei! Qual o seu objetivo com isso!? – retrucou Elesis.
— Oras. A fonte de todo o mal, Cazeaje! – disse o homem. Logo depois recitou algumas palavras em... rúnico? – Bênção Divina! – disse, por fim.
Antes que Elesis pudesse pará-lo, um enorme Drillmon se interpôs a eles.
— Droga! Ajudem-me aqui! – ela não tinha tempo para pensar, mas rúnico... aquilo era magia Arcana. Aquele homem com certeza era...
Após alguns segundos de batalha, o Drillmon foi derrotado por Ryan. O garoto se sentia mais forte, seria aquilo a "bênção" que o homem tinha deixado? Bem, não tinha tempo para pensar nisso.
— E agora? – perguntou Arme.
— Eu sou boa em caçadas, mas não conheço todo o continente – disse Lire, querendo ajudar.
— Não se preocupem – disse Elesis. – Ele não nos disse quem é, mas disse para onde vai. Praias do norte, hein?
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