Grand Chase - Heros Never Die
3 ♛ Cαpítulo III : Aliança em Serdin
Notas iniciais
A Torre Sombria era muito bem definida pelo nome que recebia. De fora a visão era tanto bela quanto assustadora, uma enorme estrutura com cerca de trinta metros de altura, edificada por construtores de Serdin utilizando basicamente pedras como material de construção, foram utilizadas lajotas de pedra para as paredes e blocos de rocha para cimentar. A torre era antes utilizada por batedores na prevenção de ataques diretos e na transmissão de mensagens para o castelo, entretanto os boatos eram de que agora havia se tornado o lar para criaturas lideradas pela Wendy. Um monstro de aparência nórdica, similar ao pé-grande de lendas antigas, com pelos brancos cobrindo boa parte do corpo, exceto pelo rosto, patas e braços negros como carvão. Diziam que suas presas eram tão afiadas quanto os espinhos azul-celeste que cobriam suas costas e sua testa em forma de chifre.
– Esse lugar me dá medo, podemos ir pra casa agora? – O desagrado em relação ao local não vinha apenas da maga. Por dentro a luminosidade era péssima, se dando apenas pelos feixes de luz que invadiam as janelas em ruínas. As três guerreiras se mantinham juntas e sempre conversando, ou discutindo, para que não se perdessem uma da outra. A idéia de acampar ao redor da torre na noite anterior se mostrou bem apropriada, já que durante a noite seria impossível se locomover no completo breu que seria o interior da torre.
– Pode ir sozinha se quiser, sempre soube que você seria a inútil do grupo. Lire e eu cuidamos do resto – Apesar de concordar com Arme, naquele momento a preocupação de Elesis era outra. Subiam pelas escadas da torre há cerca de uma hora e nenhuma criatura foi encontrada, a impressão que dava era de que os únicos seres vivos ali além delas eram os ratos que constantemente esbarravam nos seus pés e morcegos que voavam em círculos nos telhados da estrutura, entrando por uma janela e saindo por outra.
– Tem algo muito errado aqui... – Lire interveio quando chegaram finalmente ao topo da torre. O lugar estava realmente abandonado, porém a fumaça que dava os últimos sinais de vida às tochas presas nas paredes, mostravam que o que quer que fosse que habitasse aquela torre, não tinha saído dali a muito tempo.
Uma lufada de vento invadiu o ambiente pela única janela da sala, era dali que partiam os mais velozes pombos-correios avisando quando a torre estava sob ataque, prevenindo o castelo de Serdin que ficava a alguns quilômetros a sudeste dali. E foi no parapeito dessa janela que encontraram uma pequena luneta muito gasta e flexível devido a mau uso.
– Hei, isso é bastante útil, vejam, vejam, dá pra ver Serdin daqui, o meu lar! – Arme estava eufórica, Lire sorria de forma compreensiva.
– Sei, sei. Muito tocante o seu momento “de volta para minha terra”, agora dá licença – Elesis arrancou a luneta das mãos da maga e trombou nela tomando seu espaço próximo à janela. Estava focada no que via, por isso só dessa vez ignorou todos os xingamentos proferidos por Arme, o que preocupava, já que para que isso acontecesse, a visão da cena que estava lhe sendo proporcionada deveria ser realmente desagradável.
– Elesis? O que você está vendo? – Lire parecia perceber que algo estava mesmo errado.
– Veja você mesma.
O que a elfa viu deixou-a tão perturbada quanto a espadachim. A estrada que ligava a Torre Sombria ao Castelo de Serdin estava marcada por uma enorme quantidade de pegadas que seguiam na direção do reino, mais a frente uma grande nuvem de poeira era deixada para trás, como as formadas pela correria de uma manada de elefantes. O grupo da Wendy composto por goblins e goblins de pedra avançava em frenesi pela estrada indo de encontro a outro grupo ainda maior, o grupo liderado pelo Guerreiro Oak, chefe e líder dos goblins de toda aquela região, que nesse exato momento cercava os arredores de Serdin.
– Temos que impedi-los, se os grupos se unirem terão força suficiente para causar um grande dano ao reino.
– Mas não temos como alcançá-los a pé, você viu pela luneta, já estão muito longe daqui! – Como líder dos Cavaleiros Vermelhos de Canaban, Elesis estava acostumada a lidar com situações complicadas, mas essa parecia estar além do seu alcance e por isso se encontrava tão exaltada a ponto de gritar com Lire.
– Hei! Olhem que legal, eu achei um pônei que brilha no escuro, que lindo! Posso ficar com ele? Posso, posso, posso? Bola de fogo? – Um clarão iluminou toda a sala ofuscando a visão das garotas em questão de segundos, por alguns instantes o ambiente que até pouco tempo atrás era sombrio e desesperador agora se tornara tranqüilo e acolhedor, o ar estava impregnado com a fragrância de campos floridos em plena primavera.
– Isso não é um pônei, é Keter, o cervo celestial! – Nem mesmo Lire parecia acreditar no que estava falando. Keter era um ser lendário, seu corpo coberto em partes por um tipo de armadura dourada, assim como a penugem de suas longas asas e cauda. Estampava no peito uma cruz negra com bordas douradas e no centro uma safira no formato de um losango, os olhos e a crina florida eram da mesma cor da pedra. Alguns acreditavam que há muito tempo estivesse extinto, outros diziam que era apenas um mito e que nem mesmo chegou a existir. O fato era que todos estavam errados e o cervo estava ali para provar isso.
– Exatamente... Estou aqui a pedido da Comandante Lothos, uma antiga amiga que... – A voz da criatura soava quase divina. Estava prestes a dar início a uma breve explicação, antes de ser interrompido.
– Ele fala, ele fala! Tem que ser meu! Vou te capturar agora! – Sem pedir licença Arme pulou do parapeito da janela direto para as costas do cervo, agarrando-se com as duas mãos na crina do animal, quicava sobre ele e dava leves batidinhas com os calcanhares em seu dorso. – Upa, upa cavalinho!
– Por que você precisa sempre acabar com toda a emoção de momentos como esse? – Elesis suspirou, sem forças para um embate.
– Desculpe interrompê-las, mas devo lembrá-las de que Wendy e Oak estão prestes a unir forças na tentativa de trazer a baixo os muros do reino de Serdin, com grandes chances de sucesso, a menos que vocês subam em minhas costas agora. – Keter já teve sua paciência testada o suficiente, por isso Lire tratou de obedecê-lo e até Elesis o fez logo em seguida.
– Mayday, mayday, estamos perdendo altitude, Elesis você precisa fazer uma dieta urgentemente!
– Eu vou te derrubar e você vai perder altitude de verdade – A ruiva chutava e tentava puxar os cabelos da maga, tendo Lire entre as duas tentando como sempre conter os ânimos exaltados.
– Fiquem quietas e se segurem, não vai demorar muito – E realmente não demorou. Puderam ver de cima o verdadeiro estrago causado na Floresta do Desafio, mas tanto ela quanto a Torre Sombria em questão de minutos ficaram para trás, desaparecendo entre nuvens e ipês antigos, alguns roxos e outros amarelos que ultrapassavam com facilidade os dez metros de altura. Abaixo delas agora se encontrava a tropa da Wendy, alguns goblins foram deixados para trás ao perceberem a presença da Grand Chase e estes atiravam pedras, que apesar de não atingirem altura suficiente para acertá-las, incomodava.
– É aqui que eu fico, tentarei atrasar ao máximo o avanço da bola de pelos ali. Deixo o Guerreiro Oak com vocês. – Keter desceu em um voo rasante, enchendo os pulmões das garotas de ar.
Envolvidos por um escudo mágico criado por Arme, as pedras se desintegravam antes que pudessem atingi-las, e pelo menos vinte goblins foram derrubados pela chuva de flechas de Lire, o que abriu uma brecha para Elesis, que saltou de uma altura de três metros para aterrissar nas costas da Wendy. Com o impacto da queda, ambas caíram e embolaram pela terra levantando mais poeira, e enquanto a criatura se recompunha dezenas de Goblins caíram sobre a espadachim, que sorria contente com a ação que estava por vir.
– Vê se não morre gordinhaaa! – A essa altura Lire e Arme já se afastavam, dirigindo-se aos muros de Serdin, onde encontrariam o próximo adversário.
– Espero que estejam prontos. Vocês despertaram meu espírito de luta!
Elesis não saberia dizer quanto tempo levou até que se aproximasse da Wendy, talvez segundos ou minutos. Corria na direção dela utilizando-se de sua fúria selvagem aliada a uma espada flamejante, cortando e separando membros carbonizados dos corpos de pequenos goblins, que muitas vezes morriam sem nem ao menos saber de onde vieram os ataques. Em um movimento impreciso acabou tendo a lâmina presa à jugular de um dos monstros, sendo cercada por outros dois. Com a palma das mãos apoiadas no cabo da espada encravada, a espadachim executou um giro de 360º sobre ela mesma, de cabeça para baixo usando as pernas como hélices para acertar em cheio os dois goblins que voaram a alguns metros de distância.
– Waaargh! – Foi tudo o que Elesis teve tempo de ouvir antes que a Wendy caísse sobre si. Apesar do tamanho avantajado a criatura demonstrava extrema velocidade e habilidade em uma luta corpo a corpo. Seu primeiro soco tinha destino certo, um gancho na boca do estômago da guerreira, que como tentativa de bloqueio pôs entre as duas a lâmina de sua espada depois de finalmente conseguir desvencilhá-la do goblin morto, segurando-a em horizontal tanto pelo cabo quanto pela própria lâmina. O dano foi evitado, mas com o impacto foi lançada a alguns metros do chão. Antes que pudesse se recompor teve o corpo abraçado ainda no ar e arremessado ao solo depois de uma meia pirueta.
Uma pequena cratera se abriu onde o corpo da jovem foi arremessado, e ao redor algumas rachaduras se formaram no terreno barroso. Quando a poeira se assentou Elesis estava apoiada sobre um dos joelhos, limpando com as costas de uma das mãos, uma pequena crosta de sangue no canto dos lábios, que demonstravam um meio sorriso ao ver a criatura desferir socos contra o próprio peito, com a clara intenção de provocá-la.
– Parece que isso vai ser mais divertido do que eu esperava.
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