Grand Chase - Heros Never Die
4 ♛ Cαpítulo IV : Encontro Inesperado
Notas iniciais
- Será que ela vai ficar bem mesmo? – Toda a visão que tinham do campo de batalha ficou para trás, mesmo assim ainda podiam ouvir os estrondos da batalha que perdurava, mesmo depois de terem deixado a espadachim para trás há pelo menos dez minutos. Apesar de não admitir, Arme começava a se preocupar com a ruiva, tanto que nem prestava atenção ao que estava bem diante delas.
- Elesis não será derrotada tão facilmente. Entretanto, você devia começar a se preocupar conosco. Veja o que nos aguarda – Keter mantinha-se oculto entre as nuvens, o que atrasou a percepção dos goblins quanto à presença delas, mas seria impossível esconder-se para sempre e por isso logo foram notados.
Dez fileiras se formaram. Os atiradores de pedras estavam nos fundos de cada uma das fileiras, preparados para o ataque. Esperavam apenas por um simples comando que desencadearia o início da batalha. Nas fileiras da frente, os goblins carregavam clavas maiores que eles, usavam uma espécie de touca vermelha na cabeça e uma argola dourada em uma das orelhas pontudas que lembravam as dos Elfos de Eryuell. Tinham a altura de uma criança humana, mas a força de um homem feito. Seus olhos eram amarelos assim como as bordas da tanga, colete e braceletes que vestiam seus pequenos corpos. Fazendo sombra em frente à fileira do meio estava posicionado o Guerreiro Oak, que enfim executou a ordem de ataque quando percebeu que as garotas estavam dentro do alcance.
- É aqui que nos separamos. Cuidem-se, jovens guerreiras, e boa sorte em suas batalhas.
As duas guerreiras entenderam o recado e logo saltaram das costas da criatura mística, que em questão de milésimos de segundo desapareceu, como se tivesse sido sugado para outra dimensão. Ainda em queda livre, Arme se encarregou de dar cobertura para Lire com seu escudo mágico, a elfa por sua vez dizimava a linha de frente dos goblins com uma chuva de flechas torrencial. Em poucos segundos o campo de batalha se tornou uma verdadeira carnificina, com flechas atravessando olhos e pescoços de goblins que se afogavam em seu próprio sangue, uma maneira nada agradável de morrer.
- Lire, não vai durar muito mais tempo! – O escudo mágico já estava frágil quando finalmente aterrissaram, talvez por isso tenha sido quebrado com tanta facilidade. Nenhuma das duas percebeu quando aconteceu a aproximação, mas o fato era que Oak já estava sobre elas, executando um ataque giratório com um porrete que além de destroçar o que restava do escudo mágico, acertou em cheio a maga que voou a alguns metros de distância, dando várias cambalhotas até cair inconsciente no meio da estrada.
- Arme! Agüente firme! – Lire gritava, e a preocupação com a amiga fez com que baixasse sua guarda só por um momento, mas esse tempo foi o suficiente para que o grande Guerreiro Oak executasse seu segundo ataque. Uma cabeçada que atingiria a elfa na boca do estômago deixando-a também fora de combate. Usar a arma para bloquear o ataque a princípio pareceu uma boa idéia, e foi, pois se não o tivesse feito estaria agora na mesma situação que sua parceira se encontrava, entretanto após o bloqueio o destino do seu arco foi o mesmo do escudo mágico.
A situação não era das melhores. O saldo era uma maga fora de combate e uma arqueira sem um arco. A desvantagem era tanta, que os pequenos goblins deixaram de atacar para assistir ao que seria um massacre espetacular do seu líder, que balançava o corpo de forma desleixada de um lado para o outro desferindo ataques com displicência, enquanto Lire recuava se esquivando da maneira que podia. Ser subestimada era desagradável, mas se tornava uma vantagem para uma lutadora inteligente como ela.
- Vem pra cima, grandão. – Quando notou o cansaço do guerreiro, a elfa percebeu que era o momento de contra-atacar. Esquivou-se do último ataque com um salto, e usando a luz do sol para se camuflar, caiu sobre a cabeça da criatura usando uma de suas flechas como uma adaga para perfurar o olho do monstro. Ao fundo ouvia os gritos de desaprovação e a algazarra dos goblins, mas nada foi tão assustador quanto o grito do Oak, que em estado de fúria arremessou Lire sobre a platéia de goblins raivosos, que logo a empurraram de volta pro ringue.
O desfecho do combate parecia se aproximar, o guerreiro e a elfa se encaravam e o silêncio geral tornava a tensão ainda maior. Quem tomou a atitude foi o Oak, que deu os primeiros passos na corrida em direção a garota, que fez o mesmo. O primeiro carregava um porrete do seu tamanho e duas vezes mais pesado, a segunda empunhava mais uma de suas flechas, e esse era o motivo das gargalhadas vindas dos goblins, que não duraram muito, isso por que no fim do embate Lire estava de pé e o guerreiro ajoelhado sobre uma das pernas, guinchando de dor com uma flecha perfurando sua panturrilha esquerda. Tudo aconteceu em questão de segundos, Lire deslizou por entre as pernas da criatura e enfiou a flecha o mais fundo que pôde, a intenção era atravessar o joelho do monstro, mas a força aplicada foi suficiente apenas para irritá-lo.
- Acho que é o fim, desculpem garotas, e adeus... – Estava cercada, desarmada, e a última flecha era aquela que o Oak arrancava de sua perna e partia ao meio. O sangue jorrava dali, mas isso não o impediu de ficar de pé e direcionar um último ataque à cabeça da elfa, que nem ao menos esboçou alguma reação ou tentativa de fuga, aquele parecia ser realmente o fim.
- Adeus? Desculpem? Do que você tá falando?
- Co... Como você chegou aqui? E a Wendy? – A voz familiar vinha da guerreira vermelha, que empunhava a espada com uma das mãos, bloqueando a porretada do Oak enquanto que, debaixo do outro braço carregava o corpo da inconsciente Arme.
- Aquilo não foi nada, não serviu nem pra aquecimento. – Apesar de toda a marra, Elesis demonstrava sinais de cansaço. Sua espada rachava a partir de vários pontos e as chances de resistir a um próximo ataque eram mínimas – pegue a Arme e vá embora daqui, rápido!
- Nem pensar! Se vamos cair, que caiamos juntas.
Elesis não teve tempo para retrucar. O grande Guerreiro Oak recuou e tomou impulso para um próximo ataque fulminante que destroçaria espada, armadura e corpo, se a atingisse, mas algo deu errado. No começo elas não entenderam e nem mesmo os goblins pareciam acreditar no que viam. O guerreiro cessou o ataque, e mais do que isso, soltou o porrete que desabou no chão em um estrondo enquanto uma lâmina negra atravessava seu pescoço.
- Mas que mer...? – Apesar da surpresa Elesis não baixou a guarda, quem quer que fosse podia ser um aliado, ou um inimigo ainda pior. O corpo trespassado do Oak desabou no chão levantando poeira, o que dificultou na identificação da silhueta que se formava sobre o corpo da grande criatura.
- Parece que vocês andaram tendo trabalho com esse aqui.
O que se viu depois que a poeira baixou foi um jovem de olhos claros e pontudos cabelos negros, assim como toda sua vestimenta. No colete dois brasões com entalhes azuis prendiam a capa que cobria toda suas costas, o cinto carregava os mesmos detalhes dos brasões, três círculos azul-marinho formando um triângulo. O braço da espada era coberto por uma espécie de armadura roxa, enquanto as botas de cano longo cobriam quase metade de suas pernas. Os goblins restantes logo o cercaram ignorando as garotas, todos partiram para cima e logo estavam sobre ele, o jovem desapareceu entre as criaturas verdes e Elesis tomando-o agora como um aliado se preparava para ajudá-lo, mas foi interrompida por Lire bem a tempo.
- Extinção da Alma!
A ruiva não sabia o que era aquilo, mas tinha certeza que não era uma boa idéia se aproximar. Um pilar de energia violeta cercou o corpo do jovem guerreiro e cada um dos goblins foi arremessado para cima, ardiam em uma chama inapagável transformando tudo que tocava em cinzas, e por fim até mesmo as cinzas se desintegravam e desapareciam como se nem mesmo tivessem existido nesse mundo. A beleza da cena camuflava o perigo de tudo aquilo, o calor lambia o rosto das garotas que sentiam uma mistura de medo e admiração.
- Acho que agora acabou, devo voltar a minha missão original – Aos poucos os vestígios das chamas violetas se esvaiam até não restar mais nada. O jovem misterioso deu as costas e gesticulou com uma das mãos um sinal de despedida. – Estou à procura de um grupo recém-formado, eles se auto-intitulam Grand Chase. Se os virem por aí digam que Sieghart quer encontrá-los.
- Espere! Sieghart? Nós somos a Grand Cha... – Tarde demais, Elesis supôs, ele já tinha desaparecido. Mas alguém desconhecido usando o nome de sua família era o que realmente incomodava a ruiva, e incomodou durante todo o percurso à Praia Carry, próximo destino da Grand Chase.
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