Graecus

22 O início da Jornada


Notas iniciais
Cap de hoje e tudo tal. Espero que gostam, pois a jornada começou. Recomendem ok? Valeus

“Ártemis já foi mais imparcial, ficou quieta junto com suas caçadoras, mas no último instante desatou a chorar. Uma atitude que deixou muitos campistas apavorados, pois se uma deusa chora é porque há um oceano de terrores vindo há frente de tudo e de todos.”

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Muitos preparativos foram feitos para a segurança de Alec, Math e Fay, mas por mais que eles adiassem a partida, um dia ela chegou. Na primeira manhã do primeiro dia de Agosto, depois de dois meses de Alec no Acampamento ele já estava partindo novamente, dessa vez com a opção de nunca mais voltar.

Durante a despedida dos três campistas, todo o Acampamento Meio- Sangue havia se reunido para dizer adeus e dar boa sorte, porém o ar estava carregado de pesar e nenhum dos três heróis conseguiu imaginar outra maneira de encarar aquela missão do que a suicida. Apolo carregou-os de elogios e abraçou com força Matt, seu filho. Hécate já foi mais sombria, dizendo a todos “a noite é escura e repleta de terrores” como se fosse algum aviso de que no escuro se encontraria os piores medos dos semideuses. Ártemis já foi mais imparcial, ficou quieta junto com suas caçadoras, mas no último instante desatou a chorar. Uma atitude que deixou muitos campistas apavorados, pois se uma deusa chora é porque há um oceano de terrores vindo há frente de tudo e de todos.

Fay e Math estavam animados para ir junto com Alec na missão, cada um tinha seu motivo particular. Fay e sua lealdade aos amigos a levava para junto de Alec para a missão, já Math tinha seus planos pessoais para encontrar Khopesh após sondar Nicol durante muito tempo.

Assim que os três semideuses puseram os pés para fora do limite do pinheiro protetor do acampamento eles se sentiram desnudos, mas ninguém disse nada sobre medo até que encontraram o primeiro monstro, guardando uma clareira que era um ponto de descanso de quem saia do Acampamento Meio- Sangue.

Um Quiless estava a frente deles, farejando o ar como um cachorro farejando a presa. Quiless são monstros humanoides, com cerca de três metros de altura, com dois braços fortes e cheios de cicatrizes e uma perna normal e outra de madeira. Esses monstros geralmente têm dentes afiados para o canibalismo e a língua é bifurcada, como de uma cobra. Os Quiless são monstros que só tem um ponto fraco, seu único calcanhar.

– Quiless!- Math sussurrou e os três semideuses se esconderam atrás das árvores de copas largas, mas não adiantou em nada, pois o monstro já havia sentido o cheiro deles e corria até o local onde estavam escondidos.

– Separem-se!- Gritou Alec correndo para a direita com sua pesada mochila cheia de coisas úteis como néctar e ambrosia e mantimentos diversos.

Fay foi para a esquerda e desembainhou Aglaê correndo para subir numa pedra. Math subiu na árvore mais próxima e sacou Gelo, o cabo tão branco como a neve e a lâmina mais rígida que muitas outras, fazendo ressoar o barulho de prata celestial da espada luminosa.

– Hei! Aqui!- Gritou Alec do outro lado da clareira brandindo Athos para chamar a atenção do Quiless.

O monstro correu em fúria para Alec pegando no caminho uma enorme tora de madeira e o arremessou na direção do semideus, ele se abaixou, mas a tora acabou imprensando suas pernas e sua espada caiu para fora de seu alcance. Ele estava sem nenhuma defesa contra o Quiless, mas Fay surgiu por trás do monstro e tentou acertar seu único calcanhar, mas acabou errando o golpe e tirou uma lasca de madeira da outra perna. O monstro irritado voltou-se contra ela e a jogou longe, a menina bateu forte contra uma árvore, mas ficou apenas zonza.

Alec já tinha se livrado de boa parte de sua prisão da tora quando o humanoide se voltou para ele. O Quiless fechou a mão e desceu com força com ela para o chão, Alec rolou como pôde para o lado e por centímetros sua cabeça não foi esmagada.

– Ajudem!- Alec gritou se contorcendo para tentar se livrar da tora, mas o máximo que conseguia era desviar dos golpes do Quiless.

Math saltou da árvore e correu em direção ao Quiless, deslizou com a espada empunhada para perfurar o calcanhar do monstro, conseguiu fazer um corte um pouco acima e o enorme humanoide urrou de dor, saltando para trás. Math rapidamente se pôs a ajudar Alec e juntos os dois conseguiram livrar as pernas de Alec da enorme e pesada tora.

– Tudo bem?- Math perguntou ofegante.

– Ok- Alec respondeu tirando Sopro de Vento do coturno.

Fay estava em pé e lutando contra o Quiless que parecia meio burro, tentando agarrar a semideusa que se movia com destreza pulando aqui e ali fazendo cortes que rapidamente cicatrizavam, virando mais uma cicatriz para a coleção do enorme monstro.

– Mate-o. –Disse Math indo ajudar Fay a distrair o Quiless. Juntos os dois semideuses faziam a lâmina das espadas ficarem sujas com o sangue negro do monstro.

Alec ficou na espreita, se movendo com destreza para se safar do enorme pé e assim que teve oportunidade deslizou para baixo como vira Math fazer e com destreza cravou a adaga até o cabo no único calcanhar do Quiless fazendo-o urrar enquanto caia para trás num estrondo que fez os pássaros fugirem assustados.

Alec se levantou e bateu a sujeira da calça, mas pouco adiantou. Limpou a adaga e a guardou de volta no coturno, juntos os semideuses viram o Quiless desaparecer deixando uma poeira negra.

– Nunca havia lutado contra um Quiless antes- Comentou Fay limpando o sangue do corte no braço que fizera quando o monstro a jogou para longe.

– Nem eu. – Alec disse pegando néctar para a amiga.

– Eu não sei. Talvez tenha lutado, mas não me lembro. – Math disse passando calmamente um trapo na espada limpando o sangue do monstro.

– Como assim?- Alec perguntou se sentando junto dos amigos.

– Você não sabe?- Math o olhou com divertimento- Eu cheguei ao acampamento sem memória do que tinha feito no passado. Eu sabia meu nome, onde estava indo e quem deveria procurar, Quíron, no caso. Eu só não me lembrava do meu passado, mas sabia das coisas. Quíron disse que algum deus fez isso comigo, me bloquear para um propósito maior. Eu não sei.

– Nossa, eu não sabia- Alec disse.

– E ele tinha uma arma muito estranha, como uma foice, só que com o cabo curto. Podia arrancar a cabeça num único golpe. — Fay disse fazendo uma careta ao se lembrar da arma terrível.

– E o que aconteceu com ela?- Alec perguntou curioso.

– Perdi Khopesh numa missão num metrô de Boston com Nicol. Procurei-a, mas nunca mais a vi- Math respondeu guardando a lâmina de volta no cinto.

– Devemos ir antes que a morte chame mais monstros. –Math disse e começou a andar sem se importar se os dois amigos o tivessem seguindo.

Depois de Math se distanciado um pouco Fay e Alec se levantaram e andaram lado a lado durante um tempo seguindo a silhueta de Math.

– Ele nunca superou a perda da arma não é?- Alec comentou.

– Nunca mesmo. Era a única coisa que o ligava com o passado que ele não sabe.

– Devíamos ajudá-lo depois que tudo isso acabar.

Fay sorriu tristemente.

– Se isso tudo acabar, se sairmos todos vivos, sim.

– Vai dar tudo certo no final, sempre dá Fay. Os heróis sempre vencem.

– Sempre vencem- Fay ecoou sem convicção, pois sabia mais da vida dos semideuses do que Alec e sua pouca experiência.

– “E a jornada que irá lhe calar”- Fay sussurrou lembrando-se das fúnebres palavras do oráculo que ninguém havia dado atenção- “E a jornada que irá lhe calar”.

Notas finais
Quiless é um monstro criado por mim hue e eu gostei dele. Espero que tenham gostado. Recomendem, apenas uma recomendação já me deixaria muito feliz. Espero que recomendem. É sério; -- Próx cap: “Droga! Esse maldito conseguiu e se mata? Droga!- Math vasculhou sua mochila em busca de néctar e jogou um pouco na boca de Alec, ele nem respondeu ao estímulo” -- Bjs e até domingo MAIS UM FERIADO UHUL