Graecus
23 Uma parada no Olimpo
Notas iniciais
Droga! Esse maldito conseguiu e se mata? Droga!- Math vasculhou sua mochila em busca de néctar e jogou um pouco na boca de Alec, ele nem respondeu ao estímulo
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Depois de horas caminhando até a autoestrada sem nenhum risco eminente, os semideuses se sentiram tentados a pegarem uma carona até o Olimpo para uma conversa com Athena sobre o ocorrido no Parthenon de Nashville, mas ninguém se sentiu confortável em confiar em um mortal qualquer, bois pela experiência de Math ele sabia que qualquer um e qualquer coisa poderia ser um monstro apenas esperando pelo seu semideus.
Então o que faremos?- Perguntou Fay prendendo o cabelo loiro com mechas azuis num coque pelo calor que fazia.
Não sei- Alec disse olhando para Math esperando uma resposta, afinal, ele era o mais velho.
Vamos ao metrô de Boston e de lá pegamos uma condução até o Olimpo.
Fay olhou para ele boquiaberta.
Esta não é uma missão para sua arma Matheus! Estamos vivendo o Apocalipse! Tenha foco- Fay ralhou com o garoto, mas este se limitou a dar de ombros.
Fique calma Fay, não era isso que Math queria dizer, não é?- Alec quis apaziguar os ânimos.
Aha- Respondeu Math continuado a caminhar, sempre a frente dos amigos.
A estrada era uma vastidão em linha reta, sem fim, sem destino. Os semideuses continuavam andando apesar do calor e dos carros que passavam perto deles fazendo o calor do asfalto resultar em suor. Math já estava com a camiseta enrolada na cabeça, como se estivesse no deserto e Alec já estava ficando fatigado, mas o pior era Fay que quase não conseguia colocar um pé na frente do outro.
Já chega- Alec disse de supetão.
O que foi agora Alexander?- Perguntou Math irritado, ele odiava quando questionavam sua liderança.
Fay não vai aguentar caminhar muito mais e nem nós dois. Aprendi que como semideuses temos uma chance duplicada de morrer, como mortais e semideuses. Então vamos para uma sombra e vou viajar através dela com vocês, bem, tentar ao menos.
Eu não acredito! Andamos nesse calor horrível apenas para você dizer que pode viajar pelas sombras?- Math estava realmente bravo, com a pele brilhando de suor e seus olhos azuis brilhavam mais escuros.
É que não é seguro... Eu não se direito se consigo... Meu pai me ensinou uma vez como fazer, mas eu fui da sombra de uma árvore do quintal para dentro de casa- Alec ficou rubro, envergonhado por não ser tão especial como esperavam que ele fosse.
Pegue leve Math, ele ainda é novo nisso tudo- Fay o defendeu como sempre.
Então tá. Vamos lá Alec, nos leve até o Olimpo- Math disse.
Vou tentar e... Perdoem-me se eu não conseguir.
Juntos os três heróis forma até uma sombra de três árvores e deram as mãos. Alec fechou com força os olhos e se imaginou em frente ao Empire States, o Olimpo moderno. Chamou as forças da escuridão para seu auxílio, imaginou-se viajando como uma sombra, invisível aos olhos mortais e sentiu um puxão no peito quando seus pés saíram do chão para uma viajem alucinada.
Fay gritou enquanto era puxada, pois nunca havia viajado pelas sombras antes, já Math apenas manteve os olhos bem fechados segurando com toda a força a mão dos dois amigos para não se perder no vácuo negro.
De repente já não estavam mais lá e sim cá. O Empire States resplendia a luz divina nos olhos dos semideuses. Math e Fay comemoram animados, abraçando-se, mas Alec estava caído no chão, com sangue escorrendo do nariz.
Deuses!- Fay ajoelhou-se ao lado do amigo e pegou a ponta da camiseta para limpar o sangue que escorria.
Droga! Esse maldito conseguiu e se mata? Droga!- Math vasculhou sua mochila em busca de néctar e jogou um pouco na boca de Alec, ele nem respondeu ao estímulo, mas ao checar os batimentos do jovem, Math sentiu-se aliviado ao constatar que estavam lentos, mas ritmados.
O que faremos?- Fay disse acariciando o cabelo negro do amigo.
Sair daqui. As pessoas não são tão cegas a ponto de não ver um garoto desmaiado no meio da rua. Vamos.
Math pegou Alec no colo e o colocou como um saco de batatas sobre o ombro, Fay protestou e disse que estava machucando o amigo, mas Math ignorou-a e começou a falar sobre como odiava quando Alec ficava de porre, para distrair os olhares desconfiados dos adultos ignorantes.
É sempre assim, ele sai e não volta. Temos que encontrá-lo na rua, desmaiado depois do porre- Math disse mais alto para que ouvissem.
Eu cansei, nunca mais vou atrás desse bebum!
Fay não entendeu a jogada de início, por isso manteve-se calada ao lado de Math e quando entendeu desatou a rir e Math o fez também.
Que idiota- Fay disse.
Vamos para aquele beco, afinal, parece ser o lugar ideal para levar um garoto de porre.
Fay e Math riram, pois apesar de toda a importância da missão e da saúde de Alec, eles não podiam deixar de rir da situação.
Ele não vai acordar tão cedo, precisa recuperar as forças- Fay comentou dando mais um gole de néctar para o amigo.
Ele deveria ser mais forte que nós, não é? Mais poderoso por descender de dois deuses e não de um apenas- Math disse sem compreender a lógica do mundo.
Não necessariamente. Ele tem mais poderes, é mais forte de descendência, mas continua a ser do mesmo material que nós. Alec se esgota mais facilmente quando usa seus poderes e viajar pelas sombras com dois acompanhantes não deve ser a coisa mais fácil do mundo para ele- Fay respondeu depois de tomar um gole de água de seu cantil.
Ele apenas está sem treino. É muito verde para sair numa missão de tal risco. Nunca enfrentou o mundo mortal como nós e nem sabe manusear arco e flecha, assim como não tem conhecimento de sobrevivência e nem da arte da cura- Math disse pegando uma barrinha de cereal e dividindo-a com Fay.
Pode até ser, mas essa missão o fará um homem, um herói. Ouviu o que o seu pai disse Você sendo o herói de nosso mundo, tão grande e majestoso como Héracles foi um dia- Fay sorriu pensando que aquilo aniquilasse a pare em que deixava a entender que Alec morreria.
Math virou o rosto e não respondeu, não podia. Para ele era doloroso demais pensar que o pai profetizava para outros e nada para ele, era como se fosse apenas mais um entre tantos filhos que já teve e não Math, da Khopesh.
Será que já passou do almoço?- Math perguntou, mudando de assunto.
Acho que sim.
Deveríamos partir logo.
Não sem o Alec.
É claro.
Você não gosta dele Math?- Fay perguntou olhando diretamente para o loiro, esperando uma resposta sincera.
É claro que eu gosto, ele é legal. Fez-me de escudeiro no Torneio, me levou junto ao oráculo para ouvir a profecia e me trouxe para cá com ele. Só tenho a agradecer- Math disse de costas para os amigos, corado em meio a verdade de suas palavras.
Então... De nada- Alec sussurrou ainda zonzo.
Alec!- Fay não reparou que o garoto tinha acordado e se jogou em cima dele para um abraço.
Ai... Não consigo respirar Fay.
Desculpe- Fay saiu de cima do amigo e colocou nervosamente uma mecha de cabelo atrás da orelha, escondendo sua vergonha.
Tudo bem- Alec disse fracamente.
Condições de irmos até o Olimpo?- Math perguntou.
Sim. Só preciso de uns minutos... Pra dormir.
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