Graecus
21 Conferência Divina
Notas iniciais
“Sabem a história de Athena e Aracne e como tudo aconteceu no final. Pois bem, essa é uma revanche.”
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A deusa da magia era rápida com seus passos largos e seu brilho natural envolvia a mata escura com o brilho divino, guiando a comitiva para dentro do Acampamento Meio- Sangue.
O caminho de volta ocorreu sem problemas, pois juntos os cinco peregrinos fizeram um forte feitiço de ocultação, ficando invisíveis a qualquer tipo de olhos. Hécate se mostrava mais calada, preferindo o som da natureza noturna ao som das vozes dos campistas. Assim que chegaram ao acampamento o dia clareou como mágica.
– Será um dia longo, vão descansar meus pequenos- Disse Hécate aos quatro semideuses.
– Obrigada Senhora- Disse Hermine saindo com os outros campistas.
Assim que Hécate se viu sozinha ela foi direto a Casa Grande esperando encontrar os deuses em conferência ou algum movimento tático para a busca de Asmodeus, mas quando entrou na enorme casa branca a deusa encontrou apenas silêncio, pois até Quíron continuava dormindo.
A deusa da magia ficou então na sala esperando os outros deuses e Quíron, mas viu um único papel em cima da mesinha de centro do centauro e não resistiu à curiosidade, acabou abrindo-o e descobriu sendo um mapa mundial comum de escola, apenas em menor dimensão. Hécate teve então uma ideia e colocou o mapa sobre a mesa, sussurrou algumas palavras antigas e cantadas e com um aceno brusco de mão pôs fogo no papel, ele queimou quase todo, apenas um minúsculo pedaço equivalente ao estado norte-americano do Tennessee, no Condado de Davidson ficou intacto.
Por mais que ela não tivesse o acesso irrestrito da localização da arma, ela podia encontrar aproximadamente onde ela estava guardada e foi com grande êxtase que descobriu o Tennessee.
– Oh! Senhora Hécate! Já chegou. Não sabia que chegaria tão cedo... – Quíron surgiu na sala e encontrou a deusa sorridente sobre um pedacinho de papel.
– Não se desculpe Quíron, apenas fiz um pequeno feitiço e o dia surgiu mais cedo que o normal. Gosto mais da luz. – Hécate respondeu ainda analisando seu Tennessee.
– Os campistas deveriam ter me acordado, sinto muito em deixá-la esperando. Quer néctar? Algo para comer ou beber? Um banho? Sei que viajar á noite para chegar até aqui não é fácil até mesmo para uma deusa tão poderosa- Quíron disse se servindo de uma xícara de café de sua cafeteira da sala.
– Não desejo muita coisa, apenas um mapa do Tennessee e os outros deuses aqui. Precisamos nos pôr em ação logo, pois o Olimpo está tão em guerra como o mundo mortal. Nosso Estados Unidos está em conflito contra a Coréia do Sul e em breve muitos soldados serão enviados para lá para uma luta sangrenta. Mas não será apenas isso, vai ter mais e temos que ser rápidos Quíron. Mapa do Tennessee e Apolo e Ártemis.
– Oh, sim, sim. Agora mesmo. — Quíron saiu da Casa Grande em trote rápido indo diretamente ao chalé de Ártemis, assim que chegou lá teve que bater na porta durante um bom tempo até que Cat, uma das caçadoras da deusa atendeu ao seu chamado e acordou sua senhora.
– Está cedo Quíron- Ártemis comentou sonolenta, apesar de acordar cedo todo dia ela se permitia de vez em quando acordar como qualquer outra jovem, bem tarde.
– Eu sei minha deusa, mas Hécate chegou e espera você e Apolo na Casa Grande nesse instante, diz que é de grande importância- Quíron disse se remexendo inquietamente.
– Tudo bem. Irei agora mesmo. Obrigada por me acordar Quíron- Ártemis voltou para seu chalé para se trocar e o centauro foi em direção ao chalé do irmão da deusa caçadora.
Com Apolo foi mais fácil, pois o deus já estava acordado em frente ao chalé dedilhando suavemente sua lira numa música que enchia o seu redor de alegria.
– Bom dia Apolo- Quíron cumprimentou o deus- Senhora Hécate e Ártemis o esperam na Casa Grande para um assunto de grande importância.
– Acha que devo tocar com mais calma ou mais rápido? Essa melodia é mais alegre sabe, então deve ser mais rápida?- Apolo disse indiferente ao que o centauro disse.
– Apolo! Sua irmã o espera!
– Sim, sim. Talvez mais tarde, agora tenho um encontro com a música.
– As caçadoras estão com sua irmã e elas estão com lindos vestidos carmesins.
– Oh! Carmesim é realmente uma cor muito sexy e se minha irmã tem um assunto importante para comigo eu devo ir. Sinto muito Quíron por não poder tocar mais lira para você, mas o dever me chama. – Apolo sorriu e se retirou com o esvoaçar de sua veste branca como mármore.
O centauro foi então ao chalé de Athena e conseguiu com Daenys um mapa de parede do Tennessee, foi com satisfação que voltou a Casa Grande para se juntar a conferência divina.
– Como assim você não tem mais visões claras Apolo?- Ártemis perguntou chocada com a notícia.
– Realmente não sei. Começou faz algum tempo, tudo fica meio confuso e ás vezes vejo coisas tão no futuro que nem os tataranetos dos campistas de hoje estarão vivos para ver aquilo. Não tenho controle mais sobre isso- Apolo respondeu.
Ártemis ficou chocada com a notícia do irmão, pois contava com seu poder de oráculo para a missão ser bem sucedida e agora teriam que agir sem a ajuda dele.
Quíron entrou no recinto trazendo o mapa em mãos, mas Apolo desferiu palavras duras contra o centauro pela pequena mentira motivacional.
– Carmesim hein? Eu deveria colocar um chifre no meio de sua testa para ser o unicórnio Quíron para aprender a não mentir mais para o deus sol- Apolo ameaçou carrancudo com o centauro.
– Desculpe-me Apolo, mais foi necessário- Ele se dirigiu a Hécate- O mapa que pediu minha deusa.
– Ah que bom que o conseguiu- Hécate colocou o mapa na mesa e os outros deuses olhavam com um ponto de interrogação no olhar, sem entender o motivo daquilo.
– Fiz um feitiço simples de rastreamento e consegui descobrir que Asmodeus está no Tennessee, mas não sei em qual cidade, não há como rastrear tão perto. Existe muita magia oculta protegendo a arma e nem mesmo meus poderes são suficientes para encontrá-la. Eu contava com Apolo para dar a localização exata... – Hécate disse.
Quíron se sentou perto de Ártemis e escutou. Apolo corou um pouco pelo apelo da deusa, pois sabia que não ajudaria muito com sua visão bloqueada.
– Vou tentar. Como é a arma?- Apolo perguntou e Quíron a descreveu, o deus fez uma posição de ioga e fechou os olhos murmurando palavras inaudíveis.
– Dramático... –Ártemis sussurrou e revirou os olhos para o irmão.
– Eu vejo... – Apolo começou- Um templo. Oito colunas na frente. É novo... Grego sem dúvida alguma e... Acabou- Apolo abriu os lindos olhos azuis e fitou as duas deusas que estavam com a cara fechada, sem um mínimo sorriso.
– O que foi? Eu disse que estava tudo confuso- Apolo se desculpou e voltou a sentar normalmente.
– Então é um templo do Tennessee. Não deve ter muitos, pois não somos tão adorados nos dias atuais- Ártemis comentou analisando o mapa.
– Tenho um palpite- Quíron interveio- Afinal, só existe um templo de origem grega no Tennessee, o Parthenon de Nashville.
– Tens certeza disso centauro?- Perguntou Apolo.
– Sim. É uma réplica do original Parthenon, com a Athena Parthenos e tudo mais que um dia existiu no original. É bem famoso e dizem as más línguas que é amaldiçoado. Dizem que foi o único lugar onde a deusa homenageada perdeu uma luta. O único lugar onde Athena foi vencida pela trapaça de Aracne, uma única vez- Quíron falou e parou a história, pois achava que os deuses já sabiam do boato.
– Não sei de nada disso- Disse Ártemis.
– Nem eu- Hécate concordou.
– Bem, eu soube de uma coisa aqui e ali, mas a deusa da sabedoria não é lá muito amigável quando a honra dela é posta em prova. Ameaçou e fez tormentas com todos que contaram essa história por ai, mas em dias de guerra, creio que podemos falar livremente- Apolo disse.
– Então continuarei, mas acho que devemos chamar Alec e seus escudeiros para que eles compreendam para onde estão indo- Quíron disse e os deuses consentiram, depois de dez minutos o centauro voltou com as crianças.
– Oh! Que linda menina, tocada pelo sol- Apolo disse abraçando demoradamente Fay que ficou rubra de vergonha.
– Irmão! Largue a menina, não temos tempo para seus gracejos- Ártemis ralhou com o irmão e ele se aquietou.
– Qual o motivo da conferência Quíron?- Alec perguntou com os cabelos em desalinho por ter sido tirado da cama.
– Sabemos para onde devem ir para buscar Asmodeus e queremos contar a história para onde estão indo, para que entendam e vençam o lugar- Quíron disse.
– Finalmente vamos poder sair!- Math disse sentando-se. Alec e Fay imitaram o gesto e todos se calaram para a história começar.
– Sabem a história de Athena e Aracne e como tudo aconteceu no final- Todos consentiram e o centauro continuou- Pois bem, essa é uma revanche. No início do Apocalipse, ninguém sabia que era isto que estava acontecendo e as Portas da Morte de alguma forma foram abertas, muitos dos inimigos lendários dos deuses estão a solta e o contingente de monstros cresce a cada dia, mas quando Aracne saiu das profundezas do Tártaro, ela foi para o Parthenon em Nashville no Tennessee que é uma cópia fiel do original para desafiar a deusa que a transformou naquele monstro. Athena caiu na armadilha e foi ter um duelo com a mãe das aranhas, o que seria mais fácil? Pensou Athena e lá foi a deusa da sabedoria embebida da glória que teve no passado, mas desta vez Aracne havia aprendido e tinha junto de si milhares de seus filhos, juntos eles derrotaram Athena e roubaram sua lança como troféu da luta. Ninguém sabe como isso aconteceu, pois a deusa odeia perder e pune todos aqueles que falam de sua derrota e de sua fuga de seu próprio templo. Agora ela não protege mais o Parthenon de Nashville e Aracne o tomou como morada para si e seus filhos. É um lugar sombrio e marcado pelas forças ocultas- Quíron terminou de contar e todos estavam surpresos com a derrota da deusa.
– Uau é uma história e tanto, quando partimos?- Disse Math ávido para se puser em ação.
– Vocês tem que compreender o perigo que estão se metendo e que é Aracne quem possui Asmodeus e que ela é apenas uma guardiã, uma peça de algo muito maior- Quíron disse.
– Monstros estarão esperando por vocês a cada centímetro de terra a frente- Comentou Hécate.
– Terão que ser fortes meus jovens, pois eu vejo que há muitas provações e muitos desentendimentos- Disse Apolo olhando diretamente para Math.
– Seremos fortes- Alec disse.
– Sei que sim Alec. Sei que sim- Quíron disse cansado de seu trabalho.
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