Gotta Be You - EM HIATUS
17 Turning Tables
Notas iniciais
[Harry P.O.V]
Acordar com Louis ao meu lado foi algo incrível e surreal. Sentir seus braços ao meu redor e sua respiração em meu pescoço me trouxe uma sensação tão boa que relutei em me levantar da cama só para estender um pouco mais aquele momento, como uma criança que não queria acordar no meio de um sonho. Na verdade, se não tivéssemos passado a noite inteira juntos, conversando e trocando carícias, eu poderia muito bem pensar que estava sonhando agora. E, se estivesse, bem... essa não seria a primeira vez.
Eu vinha sonhando com Louis já há algum tempo, algumas vezes sobre coisas inocentes como conversas e, até mesmo, nossas discussões, outras vezes sobre coisas nem tão inocentes assim, que me faziam acordar suando e sem fôlego e, pensar que eu havia realizado todas as minhas fantasias com ele na noite anterior, trouxe um sorriso bobo aos meus lábios.
Levantei-me devagar, catei minhas peças de roupa do chão e me vesti apressadamente antes de sair do quarto com passos silenciosos para não acordar Louis, que ainda estava em um sono tranquilo. Passei em meu quarto rapidamente para tomar um banho e escovar meus dentes e desci para a cozinha para preparar o café da manhã. Niall e o restante da banda logo estariam ali para ensaiarmos, então, eu tinha muito que fazer, embora minha vontade fosse de não me levantar daquela cama nunca mais.
Eu me perguntava se Niall saberia de minha pequena aventura com Louis apenas de olhar em meus olhos, como geralmente acontecia com tudo. Após tantos anos de convivência e de uma amizade duradoura, ele já conseguia me ler como a palma de sua mão e eu também podia fazer o mesmo com ele. Nós sempre sabíamos quando o outro não estava bem ou quando tinha alguma grande novidade para contar e, claro, também erámos capazes de adivinhar quando a noite do outro tinha evoluído e chegado à terceira base. Isso era tanto interessante quanto vergonhoso e eu só esperava que, caso Niall soubesse, ele não passasse o resto do dia me olhando com aquela cara de “eu sei o que você fez no verão passado”, pois eu não conseguiria me concentrar no ensaio se ele fizesse isso.
— Harry? – A voz tímida de Louis me distraiu da panqueca que eu estava fazendo e eu a tirei da frigideira e desliguei o fogo para ir até a sala ao seu encontro.
— Estou aqui. Deixe-me te ajudar a descer. – Ofereci, subindo os degraus da escada e o encontrando no meio do caminho. – Você está bem?
O rosto de Louis corou como eu jamais tinha visto.
— Acho que estou. – Ele respondeu tímido e eu achei aquilo a coisa mais fofa do mundo.
— Como assim você acha?
— Ah! Não importa. – Ele sorriu e segurou o meu braço, permitindo que eu o guiasse pelos degraus abaixo. – Estou bem. Muito bem, aliás.
Não pude evitar que uma sensação de orgulho me dominasse. O homem das cavernas que havia em mim chegou a rugir de alegria.
— Eu também estou muito bem, aliás. – Comentei, embora ele não tenha perguntado. Eu tinha a sensação de que, se pudesse, gritaria para o mundo todo que estava ótimo depois da noite que havia passado com Louis, mas isso seria meio vergonhoso de se espalhar por aí, para uma plateia. – Eu fiz panquecas. Está com fome?
— Faminto.
— Isso é ótimo. – Guiei Louis até a cozinha e o ajudei a se sentar no banco alto de frente ao balcão. Coloquei um copo com suco de abacaxi a sua frente e um prato de panquecas acompanhado de um pote de mel, calda de chocolate, chantili e alguns morangos. Eu me sentia excepcionalmente inspirado naquela manhã. – Os meninos virão para ensaiar aqui hoje, tudo bem para você?
— Tudo bem.
Eu sorri. Era tão estranho que Louis estivesse me respondendo direito quando, geralmente, ele apenas resmungava ou me xingava de alguma coisa. Eu achei essa sua nova personalidade bem encantadora, mas também meio que senti falta de suas respostas malcriadas e isso me surpreendeu. Era engraçado que eu reclamasse tanto de seu mau humor e, agora, sentisse falta das nossas briguinhas diárias.
— Em que está pensando?
— O que? – Voltei minha atenção para ele, que havia acabado de encher uma panqueca com chantili e estava jogando alguns morangos por cima, com todo cuidado. – Ah, em nada.
— Está sim, eu ouvi você rir.
— Só estava pensando em como costumavam ser as nossas manhãs. Você me deixava louco com todos o seu mau humor, mas agora eu meio que senti falta disso.
— Posso voltar a te xingar sem problemas. – Louis riu. – Tenho uma ofensa na ponta da língua nesse momento.
— Tem? – Eu franzi o cenho, achando graça de tudo aquilo.
— Tenho. Venha até aqui. – Louis estendeu a mão tentando me alcançar e eu fui até ele do outro lado do balcão e me postei ao seu lado. – Mais perto, Harry. Está com medo que eu te morda?
— Você quer me morder?
— Até que quero. – Louis segurou meu rosto com cuidado entre as mãos e o trouxe para centímetros de distância do seu.
— Então, qual é a ofensa que você tem preparada para mim?
Ele inclinou um pouco a cabeça, como se estivesse pensando.
— Nenhuma. – Deu de ombros. – Só queria te beijar, mas você estava longe demais.
Então, ele juntou sua boca com a minha e me beijou de uma maneira lenta e apaixonada. Senti alguma coisa vibrar em meu peito e outra coisa vibrar um pouco abaixo de minha cintura e também segurei o rosto de Louis, mantendo sua boca na minha por mais tempo, aproveitando cada segundo.
— Pode me xingar assim todas as vezes que quiser. – Comentei quando finalmente nos separamos. – Falo sério. Você pode.
Ele sorriu contra a minha boca.
— Vou me lembrar disso.
Nesse momento o interfone na cozinha tocou e deixei Louis aproveitando seu café da manhã para atendê-lo. A voz de Niall ressoou animada do outro lado:
— Pronto para ensaiar? – Ele perguntou com um sorriso que se refletia em sua voz.
— Pronto para ganhar a batalha das bandas?
— Já nasci pronto, Harry. Agora deixe-nos entrar.
Apertei o controle que destrancava o portão automático da casa e depois corri para a porta de entrada para recebê-los. Todos pareciam estar de excelente humor naquela manhã, inclusive Skye e Marc que ficaram brincando um com o outro enquanto retiravam nossos instrumentos da minivan e os levavam até a parte de trás da casa onde ensaiamos da última vez.
— Então – Niall parou na minha frente e cruzou os braços me encarando –, ele ainda está vivo?
Senti meu rosto corar no mesmo instante.
— Como assim “vivo”?
— Você sabe, depois de toda aquela sua perseguição doentia ontem. Quero dizer, fiquei com medo de chegar aqui hoje encontrar os corpos do Louis e do namorado dele estirados no jardim. E, digo mais, eu não poderia testemunhar a seu favor, hein.
Demorei um tempo para entender que Niall, na verdade, não se referia a minha noite com Louis, mas sim a forma como eu estava praticamente atirando fogo com os olhos em Liam na tarde anterior. Niall não fazia ideia da grande reviravolta que as coisas tinham dado desde então.
— Ah, sim! – Eu ri. – Estão todos vivos. Aliás, o Liam não é namorado do Louis. Ele é um amigo antigo e muito querido dele.
Niall me olhou de uma maneira estranha e inquisitiva.
— Muito querido? – Repetiu.
— Muito querido. – Afirmei.
— E isso não incomoda você?
— Nem um pouco.
Niall estreitou ainda mais seus olhos para mim.
— O que foi?
— Você está muito, muito estranho. – Ele disse com ares de suspeita.
Puxei-o para um dos vários cômodos vazios da casa e fechei a porta ao passarmos.
— Eu transei com o Louis essa noite. – Disse sem rodeios e acho que nunca vi Niall ficar tão boquiaberto quanto naquele momento.
— Você... o que?! – Ele perguntou chocado.
— Aconteceu, sabe? Sei lá. Só... sabe?
— Se nem você sabe, como você espera que eu saiba?
Suspirei frustrado.
— Não sei explicar.
— Achei que você o odiava.
— Eu odiava. No inicio. – Afirmei.
— E achei que ele odiava você.
— É. No início. – Sorri um pouco constrangido, embora eu não soubesse bem por que.
— Então, como é que vocês ficam agora? Quero dizer, vocês estão... juntos?
Eu não soube responder. Louis e eu tínhamos passado uma noite juntos e havia sido um momento incrível, mas, por enquanto, isso era tudo. Eu ainda era sua “babá” e teria que ir embora dali quando seus pais voltasse da viagem e eu não tinha certeza se haveria um espaço verdadeiro para mim na vida de Louis quando nossa “noite de Cinderela” acabasse, mas eu não queria pensar nisso por enquanto. O conto de fadas estava bom demais para que eu me deixasse ser arrastado de volta à realidade tão rápido.
— O tempo dirá. – Foi o que respondi para Niall e, de fato, eu acreditava nisso. O tempo sempre trazia todas as respostas.
Niall abriu um largo sorriso e passou um braço por meus ombros.
— Pelo menos já sabemos que ele vai à batalha de bandas conosco no sábado. – Ele disse satisfeito. – E, provavelmente, vai sem reclamar.
Eu fiz uma careta.
— Do jeito que você fala parece até que fui pra cama com ele só para convencê-lo a ir conosco.
Niall riu.
— Não, mas olha só que bônus perfeito!
Voltamos para a área nos fundos da casa e me surpreendi ao encontrar Louis de pé ali. Toquei o braço dele com gentileza, mas mesmo assim ele se sobressaltou um pouco.
— Distraído. – Brinquei e ele riu um pouco.
— Ainda não desbloqueei todas as minhas habilidades de cego, mas espere eu evoluir um pouco mais e serei capaz de te reconhecer pelo seu cheiro.
Dessa vez fui eu quem ri.
— O que? Está me dizendo que é algum tipo de Pokémon?
— Talvez... – Louis esbarrou seu ombro no meu levemente.
— Tá bem, Pikachu, porque não se senta ali para assistir ao nosso ensaio? – Segurei seu braço e o guiei até uma cadeira na área.
Nossa aposta ainda está de pé, não é? – Louis segurou a manga de minha camiseta precariamente quando tentei me afastar. Eu olhei para ele, confuso.
— Você ainda quer apostar contra mim?
— Não leve para o pessoal, Styles, são apenas negócios. – Me abaixei perto dele e estreitei meus olhos, embora Louis não pudesse me ver.
— Espero que você também não leve para o pessoal quando eu esfregar aquele prêmio na sua cara.
— Desde que você não se importe por eu te deixar mil libras mais pobre.
— Sem chance! – Resmunguei, ofendido. – Agora porque não fica aí e apenas cala essa sua boca grande?
Louis fingiu trancar seus lábios com uma chave.
Eu quis dizer mais algumas coisinhas para ele, mas, em vez disso, me concentrei no ensaio. Era realmente uma audácia que depois da noite que passamos juntos ele ainda quisesse apostar que minha banda não venceria a batalha, mas talvez Skye estivesse errada e ele não estivesse fazendo isso para me incentivar a melhorar cada vez mais. Talvez Louis realmente achasse que éramos ruins e isso me incomodou um pouco. Eu não tinha certeza se eu podia ficar com alguém que não gostava da minha música, afinal, eu tinha muito orgulho dela.
O ensaio seguiu sem grandes emoções. Fizemos o que era praxe: encaixar a melodia, corrigir erros, entre outros ajustes. Ensaiamos, completamente focados, por mais de quatro horas, parando apenas quando eu precisava dar comida e água para Louis que acompanhou todo o nosso ensaio em silêncio muito bem vindo, pois eu não tinha certeza se conseguiria me concentrar com ele nos criticando.
— Acho que estamos bem. Vamos fazer um ultimo ensaio na sexta e aí nos vemos na Koko. – Sugeri quando o ensaio acabou.
Niall concordou enquanto me ajudava a tirar os cabos de todos os instrumentos da caixa.
— A gente tem ensaiado muito no último mês, acho que resolvemos tudo que precisávamos.
— A gente vai detonar! – Marc disse confiante e um esboço de careta retorceu o rosto de Louis. Mesmo sem palavras eu pude ler a crítica estampada ali.
— Então, é isso. Nos vemos na sexta à tarde. – Concluí e tentei despachá-los dali o mais rápido possível, porque agora eu realmente queria ter uma conversinha com Louis. Em particular.
Ajudei os meninos a colocarem tudo de volta na van e depois os acompanhei até o portão, despedindo-me deles rapidamente. Quando voltei para a casa, nem esperei e fui direto ao encontro de Louis que ainda estava sentado na cadeira onde eu o havia deixado.
— Qual é o seu problema? – perguntei irritado.
Ele fez cara de paisagem.
— Nenhum.
— Ah, sério? Você quer apostar contra mim na batalha de bandas quando, na verdade, deveria me dar apoio e me incentivar e nem pense que eu não vi todas as caras e bocas que você fez enquanto ensaiávamos. Você faz parecer que a minha música é uma droga.
– Bem, é porque a sua música é uma droga. – Ele disse assim, como quem diz “bom dia” e eu fiquei sem palavras, dividido entre a necessidade de me defender e a vontade de mandá-lo ir à merda. – Não a sua música. – Louis se corrigiu. – Você cantou para mim da ultima vez e você tem um talento inegável, Harry. Mas essa merda que você faz com a banda não é realmente boa.
— Essa... merda? – Eu mal conseguia me expressar.
— Esse não é o seu estilo. Quero dizer, que droga é essa? Grunge? Vocês têm letras fortes e suas músicas são bem escritas, sim, mas quando você canta... simplesmente não consegue convencer ninguém de que a sua alma realmente sente o que você diz. Não como você fez quando cantou para mim e realmente pude ver a verdade que havia por trás de cada uma daquelas palavras.
— Então, você está me dizendo que o meu estilo é falso?
— Não. Estou te dizendo que está no estilo errado. Você e seu amigo, Niall.
Eu cruzei os braços, indignado.
— E você é um super produtor e estudioso de música que sabe exatamente o estilo de cada um. Caramba, que talento inestimável você seria como jurado no The X-Factor UK. Como o Simon pode te deixar escapar?!
— Seu sarcasmo não vai tornar sua música mais convincente. – Louis empinou seu nariz para mim, convencido. – Você pode ouvir de mim agora ou de um dos jurados na Koko, mas a questão é que eu sei do que estou falando.
— Bem, isso é o que vamos ver no sábado! – Virei-lhe as costas, fervendo de raiva e saí da área de lazer, voltando para dentro de casa. Louis se colocou de pé, mas parou quando percebeu que eu não iria guiá-lo de volta.
— É sério? Vai me deixar aqui fora?
— Você tem mãos! – Esbravejei. – Use-as. E se elas forem metade tão boas quanto a sua capacidade de estragar o meu dia, tenho certeza que você conseguirá chegar, não só até o seu quarto, mas também até marte.
— Infantil.
— Olha quem fala. O maior bebêzão que o mundo já viu.
— Quer saber, dane-se. Eu posso voltar sozinho, mas se você não é capaz de lidar com uma critica construtiva, talvez devesse repensar a carreira na música.
Parei.
— Ah, eu não preciso repensar isso, mas talvez eu devesse repensar a noite que passei com você, porque isso sim está me parecendo um erro terrível.
A mágoa fez morada no rosto de Louis ao ouvir minhas palavras, mas eu estava muito bravo para ligar para os sentimentos dele, quando ele tinha se atrevido a chamar a minha música de merda. Eu tinha me empenhado muito com a banda nos últimos dois anos para que Louis a criticasse assim. E o que ele sabia sobre música? Fora compor com o primo dele e tocar violão ocasionalmente, ele não tinha realmente algum embasamento para me criticar.
— Tranquilo. – Louis finalmente voltou a falar. – Esse é o tipo de erro que cometemos apenas uma vez. Não vai se repetir.
Então, ele fez como eu havia dito e usou as mãos para tatear por todo caminho até encontrar o corredor que levava à sala de estar e, de lá, para seu quarto.
Eu quis discutir um pouco mais e também quis pedir desculpas, mas meu orgulho falou mais alto e o deixei ir. Talvez eu devesse ligar para Niall e dizer que Louis não iria mais a nossa apresentação – pelo menos não sem reclamar –, mas sinceramente parecia até melhor que ele não estivesse lá. Eu não conseguiria me apresentar com suas expressões críticas me perseguindo durante todo o festival.
— Você sempre tem que estragar tudo, não é? – Gritei e a única coisa que recebi em resposta foi uma porta batida quando Louis conseguiu chegar ao seu quarto. – Dane-se. – Murmurei para mim mesmo, jogando-me no sofá.
Quem diria que noites perfeitas podiam se transformar em dias caóticos com tanta rapidez?
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