Notas iniciais
Olá, galerinha, sentiram minha falta? Agora não estou demorando tanto para atualizar a fic e estou até emocionada porque essa é uma das raras vezes que entro aqui e não preciso me desculpar pelo sumiço. Ahaha! E hoje eu preciso compartilhar com vocês uma coisa maravilhosa que aconteceu: Gotta Be You recebeu sua primeira recomendação e estou eufórica! Aaah! Só quero dizer à Agridoce (ID 379364) que estou muito feliz com a recomendação e que eu AMEI cada palavra que escreveu. Agradeço muito pelo carinho com essa fic e dedico o capítulo de hoje à você. Boa leitura!

[Harry P.O.V.]

Era oficial. Até o fim daquela semana eu precisaria de terapia ou de uma camisa de força e a razão era uma só: Louis Tomlinson. Aquele garoto seria a minha ruína, eu podia sentir.

Fazia dois dias que Louis estava me ignorando. Dois dias! Ele não falava comigo, se recusava a participar das atividades que eu planejara para nós, não me deixava entrar em seu quarto e, sua última gracinha, tinha sido começar a pedir comida pelo telefone só para não ter que me dirigir à palavra. Ele estava me deixando louco!

— O que foi que você fez para ele? – Niall perguntou enquanto se jogava no sofá ao meu lado e pegava um punhado de pipoca.

— Não fiz nada.

— Alguma coisa você deve ter feito, porque ele está uma arara com você.

Afundei ainda mais nas almofadas macias do sofá e tomei um gole de meu refrigerante de laranja. Já estava quase arrependido de ter chamado Niall para me fazer companhia.

Eu o tinha convidado para assistir a um filme naquela noite porque Louis tinha saído com Liam de novo e eu não queria ficar sozinho naquela casa enorme. Fora isso, eu também queria esfregar na cara de Louis que ele não era o único ali que tinha um amigo com quem podia contar, mas enquanto Liam, provavelmente, o proporcionava momentos divertidos no shopping, Niall só servia para me lembrar daquilo que eu estava tentando esquecer.

— Eu quem deveria estar com raiva, sabe? – Resmunguei. – O Louis disse que a nossa música era uma droga e que o meu estilo não convencia. Por acaso ele sabe há quantos anos nós damos duro com essa banda? E o que ele sabe sobre música, afinal? Ele mal toca aquele maldito violão.

— É... – Niall concordou. – Ele pegou meio pesado com a gente.

— Meio pesado? Ele foi um completo estúpido e ainda disse que se eu não conseguia lidar com críticas deveria repensar minha carreira como músico.

— E o que você respondeu?

— Ora, eu disse a ele que eu não precisava repensar coisa alguma, exceto, talvez, a noite que nós tínhamos passado juntos.

O queixo de Niall caiu e ele parou, com uma pipoca a meio caminho da boca, me encarando como se eu tivesse acabado de lhe dizer que era nazista.

— Não acredito que você jogou essa para ele. – Disse embasbacado. – Não é a toa que ele não quer nem ouvir a sua voz.

— E o que você queria que eu dissesse? – Me sentei e depositei minha latinha de refrigerante sobre a mesa de centro da sala, que ainda estava vazia já que eu não tinha ido comprar novos enfeites para repor aqueles que Louis quebrara. – Ele insultou a nossa música, Niall. Insultou todo o nosso trabalho!

— Pois insultasse o violão dele ou, sei lá, dissesse que o cabelo dele era feio. Qualquer coisa, Harry! Mas se desfazer da noite que vocês passaram juntos foi sacanagem.

— Ah, então agora eu sou o vilão? – Reclamei. – O Louis é um pé no saco comigo todo santo dia, mas eu cometo um deslize – só um— e ele se sente no direito de me ignorar até o próximo milênio?

— Me corrija se eu estiver errado, mas não foi ele quem dormiu com você e depois disse que tinha sido um erro, foi?

Abri a boca para retrucar, mas, infelizmente, eu sabia que Niall estava certo. Louis podia me irritar de cento e dez maneiras diferentes todos os dias, mas nada do que ele havia feito até então se comparava àquilo. Nós tínhamos compartilhado um momento tão bonito naquela noite e eu havia agido como um grande idiota ao me desfazer dele como se não significasse nada. Aliás, como se ele tivesse sido o pior erro que eu cometera na vida.

— Tudo bem, eu vacilei.

— Vacilou e muito! – Niall ressaltou e eu me coloquei de pé, nervoso.

— Eu sei, Niall, mas o que eu posso fazer?! Ele nem me deu uma chance de falar com ele depois daquilo. Sempre que tento, ele bate a porta na minha cara. – Eu disse sentindo-me um tanto desesperado agora que Niall me fizera perceber o tamanho do meu erro. – Ele nunca mais vai falar comigo, eu tenho certeza. O Louis vai me odiar para sempre.

— Também não é assim, Harry.

— Não é assim? – Encarei-o como se ele tivesse desenvolvido demência. – Por acaso você conhece o Louis? Ele é o cara mais rancoroso que já pisou sobre esta terra.

— Tudo bem, talvez ele seja, mas acho que se você se explicar e pedir desculpas, ele vai te perdoar.

— E como é que eu vou me explicar se ele nem me deixa chegar perto dele?

— Ah, não é possível que ele não vá lhe dar uma chance de conversar se você pedir com jeitinho. – Niall pareceu cético. – Qual é, Harry, você deve significar alguma coisa para ele ou ele não teria ido para a cama com você.

Eu ri.

— É, Niall, talvez eu significasse alguma coisa antes de dizer que ter transado com ele foi um erro.

— Você estava com raiva. – Niall tentou me reconfortar. – Errou feio, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra.

Eu fiz uma careta.

— Por favor, não diga isso ao Louis. Errando ou não, tenho certeza que ele atiraria bem mais que uma pedra em mim.

Niall revirou os olhos.

— Deixe de ser exagerado, Harry. Já sei que o Louis não é fácil de lidar, mas ele não pode ser tão rancoroso assim.

— Você quer apostar?

Nesse momento a porta da sala se abriu e Liam entrou por ela, arrastando um Louis visivelmente embriagado. Ele parou quando se deparou com Niall e eu ali na sala e, depois de um instante de silêncio tenso, em que apenas nos encaramos completamente em choque, Liam abriu um sorrisinho constrangido para mim.

— Hora ruim? – Perguntou.

Eu senti o sangue rugir em meus ouvidos. Aquilo só podia ser brincadeira!

— Mas que merda aconteceu com ele?! – Questionei avançando na direção Liam antes mesmo que Niall pudesse me impedir de fazer isso. Ele sempre atuava como minha consciência quando eu perdia a calma, mas, naquele momento, eu não precisava de suas palavras de paz e sabedoria. Eu só precisava dar um soco em alguém.

— Foi mal, Harry. Sei que nós deveríamos ter ido ao shopping, mas o Louis me disse que precisava beber um pouco e eu achei que não teria problema...

— Você achou que não teria problema?! – Meus olhos se cravaram nos olhos castanhos de Liam como facas afiadas. – Olha o estado dele, Liam! – Apontei para Louis que estava praticamente desacordado enquanto Liam o apoiava em seus braços.

Ele teve pelo menos a decência de parecer envergonhado.

— Eu sei. Não deveria ter deixado que ele bebesse tanto, mas ele me disse que estava legal.

— Ah, ele disse? – Debochei. – E ele parece legal para você?

— Bem... não, mas ele estava melhor quando a gente saiu do bar, sabe? Acho que o álcool finalmente bateu.

Eu respirei fundo. A sorte de Liam era que, naquele momento, garantir o bem estar de Louis era a minha prioridade, porque se eu não achasse que ele estava à beira de entrar em um coma alcoólico, nós já estaríamos resolvendo esse assunto lá fora.

— Me ajude a levá-lo para o quarto. – Pedi, bufando de raiva. Passei o outro braço de Louis sobre os meus ombros e, junto com Liam, subi as escadas até o quarto dele no andar de cima.

Nós o levamos direto para seu banheiro e o colocamos debaixo da água fria da ducha com roupa e tudo.

— Vou fazer um pouco de soro caseiro. – Niall se prontificou, saindo do quarto rapidamente.

— Traga algo doce para ele também. – Pedi. – Pode ser um chocolate, tem alguns na despensa. – Niall assentiu e sumiu escada abaixo, então, agachei-me diante de Louis e toquei seu rosto. – Vamos lá, Louis, reage. Não posso te levar para o hospital assim. Seus pais me processariam se descobrissem que você bebeu desse jeito.

— É tudo culpa minha, Harry. Desculpe.

Eu me virei rapidamente para Liam e estreitei os olhos para ele.

— Pode ter certeza de que a culpa é toda sua mesmo! O que você tinha na cabeça para deixá-lo beber desse jeito?

— Ele parecia tão triste. – Liam se explicou. – Eu só quis ajudá-lo a esquecer um pouco os problemas.

— Não é assim que se ajuda alguém, Liam. Quando um amigo está triste, você se senta e conversa com ele, não o leva para beber até que ele perca a consciência.

— Eu sei.

— Não, você não sabe. – Bronqueei. – Se soubesse, não estaríamos nessa situação agora.

Liam se calou e abaixou a cabeça. Estava claro que ele ainda tinha algumas coisas que queria dizer, mas agradeci por ele ter decidido que o silêncio era melhor, pois eu não sabia se seria capaz de responder pelos meus atos caso ele continuasse tentando encontrar desculpas para ter deixado que Louis se embriagasse daquela maneira.

— Talvez seja melhor eu ir embora. – Ele disse após um instante. – Não estou ajudando em nada aqui.

Eu nem respondi àquele comentário. Simplesmente aumentei um pouco mais a vazão da água do chuveiro e mantive toda a minha atenção concentrada em Louis. Liam pareceu entender o recado.

— Desculpe mesmo, Harry. – Ele concluiu e saiu do banheiro no mesmo instante em que Niall voltou com um copo de soro caseiro e uma barra de chocolate.

— Aonde ele vai?

— Embora. – Desliguei o chuveiro e me virei para ele. – Pode colocar isso lá dentro e me trazer uma toalha?

— Claro. – Niall me jogou uma toalha de banho limpa e, depois, depositou o soro e o chocolate sobre a cômoda no quarto de Louis e voltou para me ajudar a retirar as roupas molhadas dele.

— Não. – Louis balbuciou e tentou afastar minha mão de seu corpo bem quando eu terminava de desabotoar sua calça e, apesar do tapa que ele me deu, eu respirei aliviado. Graças a Deus ele estava acordando.

— Sou eu, Louis. Preciso tirar essa sua roupa molhada, ok?

Louis inclinou um pouco a cabeça.

— Harry?

— Isso.

Ele deixou que eu terminasse o meu trabalho, mas não sei se era porque estava tranquilo com o fato de eu o estar despindo ou se era porque estava bêbado demais para protestar. Se eu tivesse que escolher, diria que a segunda opção era a mais provável já que ele mal se mexeu quando eu o enrolei na toalha e o levei para a cama com a ajuda de Niall.

— Vai precisar que eu fique? – Niall perguntou quando terminamos de apoiar Louis em alguns travesseiros para que ele ficasse parcialmente sentado.

Dei uma olhada ao redor, como se para me certificar de que tinha tudo sob controle e neguei com a cabeça.

— Pode ir se quiser. Acho que consigo me virar agora.

— Certeza? Posso ficar se precisar.

— Não. Tudo bem. – Abri um sorriso fraco para ele. – Agradeço pela ajuda, Niall.

— Não foi nada. – Niall se inclinou para me dar um abraço. – Acha que vai conseguir ir ao ensaio amanhã?

Eu transferi o meu olhar dele para o corpo semiconsciente de Louis na cama. Era difícil dizer.

— Vou tentar, mas não posso prometer nada. – Baixei os ombros, desanimado e Niall deu alguns tapinhas nas minhas costas.

— Tudo bem, cara. Na verdade, acho que é melhor você ficar aqui e cuidar dele. Eu aviso ao pessoal que você não vai poder ensaiar com a gente.

— Espero que eles não fiquem com raiva.

— Tá tranquilo, Harry. Eles vão entender. A gente já organizou tudo mesmo, você só precisa estar na Koko no horário certo.

— Estarei lá. – Prometi e Niall sorriu.

— Bem, eu vou indo nessa, então. Me liga se precisar de alguma coisa.

— Obrigado. – Acompanhei-o até a saída e me certifiquei de trancar a casa e acionar os alarmes antes de voltar para o quarto de Louis. Quando cheguei lá, encontrei-o meio debruçado para fora da cama, vomitando até a alma. Que maravilha! – Ótimo trabalho, Louis. Tudo que eu queria era encerrar a minha noite limpando o seu vômito do chão. – Reclamei. – Estava ansioso por isso.

Subi na cama e me aproximei dele, usando uma parte da toalha que estava enrolada em seu corpo para limpar o canto sujo de sua boca. Eu tinha quase certeza de que Louis era o meu Karma, não havia outra forma de explicar o fato de que aqueles quinze dias com ele seriam suficientes para me fazer pagar por todos os meus pecados.

— Você sabe que os seus pais vão me matar se descobrirem que você bebeu, não sabe?

— Hum? – Louis murmurou meio grogue e eu suspirei. Tentar dialogar com ele naquele estado seria inútil.

Deixei que ele colocasse para fora tudo que havia em seu estômago e quando sua náusea finalmente diminuiu um pouco, aproximei o copo de soro que Niall havia preparado de seus lábios.

— Beba um pouco disso. – Pedi. – Vai ajudar a melhorar.

Com certo esforço, Louis conseguiu tomar alguns goles do soro e, depois, se recostou contra os travesseiros de sua cama. Ele parecia exausto e sua aparência estava péssima, mas pelo menos ele estava se recuperando do porre.

— Você vai ter que dormir no meu quarto hoje. – Avisei, embora não tivesse muita certeza de que ele estava me ouvindo. – O cheiro aqui dentro está insuportável e de jeito nenhum eu vou passar o restante da madrugada limpando o seu chão.

Como ele não respondeu, passei um dos braços dele sobre os meus ombros e comecei a arrastá-lo para fora da cama.

— Não...

— Não o que, Louis?

— Seu quarto... não... não quero, Harry. – Ele balbuciou de maneira débil e eu revirei os olhos.

— Você não está em condições de escolher. – Continuei arrastando-o para fora dali enquanto ele protestava sem muito sucesso e, quando cheguei ao meu quarto e o coloquei em minha cama, ele rolou para longe de mim até estar totalmente encostado à parede.

— Azentenaumvaitransahozi. – Ele disse em seu tom de completa embriaguez e fiquei divido entre a vontade de rir e a vontade de mandá-lo ir à merda.

— É claro que a gente não vai transar hoje, Louis. Você está bêbado, vomitou em todo o seu chão e nem escovou os dentes. A gente sequer vai dormir na mesma cama essa noite.

Louis rolou para perto de mim novamente.

— Você me odeia?

Aquela pergunta me pegou de surpresa.

— Porque eu te odiaria, Louis? – Ele deu de ombros como uma criança, mas não respondeu.

De repente, algo que Liam havia dito mais cedo e para a qual eu não tinha dado à mínima, começou a martelar em minha cabeça com força. Ele havia dito que Louis pedira para ir a um bar e que ele só concordou em levá-lo porque Louis parecia muito triste e ele queria ajudá-lo a esquecer seus problemas. Agora, depois desse estranho questionamento por parte dele, eu me perguntava se “o problema” que o levara a se embebedar naquela noite tinha a ver comigo e com o que eu lhe dissera há dois dias. Se fosse isso, eu me sentiria um tremendo babaca.

Eu tinha total consciência de que minhas palavras haviam magoado Louis naquela tarde, mas ele passou a agir com tanta frieza perto de mim, que não achei que ainda se importasse com isso. Se ele tivesse bebido daquele jeito hoje porque eu tinha sido um estúpido que ferira seus sentimentos, eu me sentiria o pior dos seres humanos.

— É melhor você dormir um pouco. – Eu disse, cobrindo-o com o meu edredom. – Amanhã nós teremos muito que conversar.

— Não. – Ele fez uma careta de desagrado. – Eu tô te ignorando.

— Sei que está, mas você não pode me ignorar para sempre.

Louis bufou.

— Posso, sim. – Respondeu em meio a um bocejo e eu relevei seu comentário rebelde. Dava pra notar que ele já estava praticamente dormindo e eu não ia perder o meu tempo discutindo com ele naquele estado.

— Tá. A gente resolve isso amanhã.

Peguei um colchonete no armário – desses que a gente usa dentro das barracas – e o estendi no chão, ao lado de minha cama, para que eu pudesse dormir. Eu sabia que o sofá da sala era bem maior e bem mais confortável que aquilo, mas eu não queria deixar Louis sozinho ali em cima, então, forrei um lençol limpo em minha cama improvisada e apanhei outro travesseiro e outro cobertor para mim. Eu só esperava que Louis não acabasse vomitando na minha cara durante a noite.

— Harry. – Louis me chamou e eu me virei na direção da cama, onde podia ver apenas sua silhueta escura em meio à penumbra do quarto.

— O que é?

— Eu não me arrependi. – Ele disse baixinho.

— Não se arrependeu de que?

Louis se remexeu sob o edredom e um de seus braços ficou pendendo da beirada da cama, a centímetros de meu colchonete, quando ele se virou na direção da minha voz.

— Daquela noite. – Respondeu. – Não me arrependi de você.

Aquilo me tocou profundamente e senti um bolo de emoções se formar em minha garganta. Me apoiei sobre um dos cotovelos e me inclinei em sua direção, disposto a dizer que eu também não me arrependia de nada que havia acontecido entre nós, mas logo percebi que Louis já havia adormecido, então, entrelacei minha mão a dele e tornei a me deitar.

Amanhã nós resolveríamos nossas diferenças nem que, para isso, eu tivesse que amarrá-lo em uma cadeira e obrigá-lo a me ouvir.

Notas finais
Bem, gente, eu espero que vocês tenham gostado do capítulo e que estejam ansiosos pelo próximo. Agradeço a todos que estão favoritando e comentando e quero dizer ao Sr. Freiitas, que há algum tempo até me mandou uma MP perguntando se eu estava viva, que achei que veria sua senhoria nos comentários, hein? Onde você se escondeu? Aos demais, grande beijo e até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.