Notas iniciais
Olá,
Se vocês leram a sinopse e ficaram interessados no que esta história pode oferecer, então, sejam bem vindos à Gotta Be You. Essa é a primeira fanfiction que escrevo que não é uma original e também é a minha primeira fanfic sobre a 1D. Eu espero que vocês gostem.
Boa leitura.

Prólogo

6 Meses Antes

[Louis P.O.V.]

Pude ouvir o tilintar das chaves do guarda antes mesmo que ele chegasse ao corredor de minha cela. Clint, conforme eu havia lido em seu crachá, era o típico guarda de delegacia: baixinho, gorducho e egocêntrico. Aquele tipo que a polícia considera incompetente demais para fazer patrulhas e perseguições, mas que não descarta porque, apesar de ele ser um idiota, é bom o suficiente para fazer o trabalho administrativo chato que ninguém mais quer fazer e para cuidar de alguns poucos detentos encrenqueiros.

– Levanta, garoto. – ele gritou batendo nas grades de minha cela com o cassetete antes de tirar um molho de chaves da cintura e começar a abrir a porta – Seu papai veio te buscar.

– Ah... Sério? – levantei-me da pequena e desconfortável cama onde estava e me espreguicei – Logo agora que nós estávamos começando a nos entender.

– Você se acha muito engraçado, não é Tomlinson?

– Só o suficiente, na verdade. – respondi com um sorriso jocoso.

Clint deu dois passos para dentro de minha cela e parou, diante de mim, encarando-me. Assim, de perto, ele parecia ainda menor do que eu imaginava. Mesmo erguendo a cabeça mal chegava à altura de meu peito e com a expressão furiosa que mantinha, mais parecia um Buldogue mal humorado que um policial.

– Sua sorte é que, apesar de ser um idiota, você é filho de um ricaço. Caso contrário – ele se aproximou mais um passo, tentando parecer ameaçador –, eu adoraria mantê-lo no xadrez por um longo tempo, Tomlinson.

– Não tenho dúvidas, Clint. – sorri e pousei a mão em seu ombro, totalmente indiferente às suas ameaças – Aposto que você sentirá minha falta no momento em que eu sair por aquela porta, não é?

– Se manda! – Clint rosnou entre dentes e, como um bom menino, obedeci.

Encontrei meus pais e meu primo, Zayn, esperando-me no hall da delegacia, parecendo completamente deslocados no meio daquela paisagem de prisão trajando suas melhores roupas de festa.

– Puxa vida! – brinquei – Se eu soubesse que viriam me buscar vestidos assim, eu teria me arrumado um pouco melhor para ser preso.

– Você está de castigo. – meu pai me repreendeu fazendo o sorriso que eu mantinha em meu rosto, até então, desaparecer mais rápido que um raio – Nada de festinhas ou passeios com os amigos por um mês. E nada de mesada também.

– Fala sério, pai.

– O que você tinha na cabeça, Louis? Não vê quantos jovens sua mãe e eu atendemos no hospital diariamente...

– Ah, não. Essa conversa de novo? – o interrompi, mas ele nem se deixou abalar por meu comentário.

– Você estava dirigindo embriagado. Poderia ter sofrido um acidente, Louis. Poderia ter morrido ou até matado alguém! Você não tem noção do tamanho da sua irresponsabilidade?

– Pai, eu nem estava tão bêbado assim. Tomei apenas duas cervejas.

– E não deveria, sequer, ter tomado uma! – ele sentenciou – Essa não foi a educação que sua mãe e eu lhe demos, portanto, você está de castigo.

– Mãe! – apelei, voltando-me para ela com minha melhor cara de cachorrinho, mas isso não foi suficiente para convencê-la.

– Louis, meu querido. – ela tocou o meu rosto carinhosamente – Não há o que discutir. Você sabe que estava errado e sabe que seu pai tem razão. Agora vamos. Ainda há um jantar beneficente ao qual seu pai e eu precisamos comparecer esta noite.

Assenti e, sem ter mais argumentos, apenas me contentei em segui-los para fora da delegacia, onde o Mercedes CLS de meu pai e a Bentley de Zayn nos aguardavam.

– Onde está o meu carro? – perguntei olhando ao redor à procura de meu amado Boxster.

– Vejamos. – meu pai parou e se voltou para mim – Você estava dirigindo bêbado e acima do limite de velocidade permitido. Acho que não é preciso ser nenhum grande gênio para saber que seu carro está retido pela polícia.

– E você nem fez nada? – choraminguei – E se arranharem o meu carro, pai?

– Aí você terá tido o castigo que merece por ser irresponsável e dirigir bêbado. – ele respondeu, prontamente, enquanto abria a porta de seu Mercedes para que minha mãe pudesse entrar – Nós já estamos atrasados para o jantar, portanto seu o primo lhe dará uma carona até em casa. Espero que você use o restante desta noite para refletir sobre suas ações e, amanhã de manhã, eu e você teremos uma longa conversa, Louis.

– Ah, fala sério! – resmunguei chutando o ar à minha frente, mas meu pai nem me deu atenção. Apenas entrou em seu carro e acenou rapidamente para Zayn antes de partir.

– Você está encrencado. – meu primo zombou, dando a volta em seu carro para se sentar no banco do motorista, enquanto eu me ajeitava no banco do passageiro.

– Eu estou encrencado? – olhei-o com o rabo do olho enquanto afivelava o cinto de segurança – Espere até eles descobrirem que sua namorada está grávida.

– Eles já sabem. – Zayn deu a partida e saiu do estacionamento da delegacia – Perrie e eu contamos tudo para eles hoje de manhã.

– E eles não surtaram?

– Eles nos deram um sermão sobre como tínhamos sido descuidados e sobre como ter um filho era uma grande responsabilidade que influenciaria em todo o nosso futuro... – Zayn revirou os olhos – Mas, você sabe, eles amam a Perrie e são apaixonados por crianças, então, quando dissemos que planejávamos nos casar antes de o bebê nascer, a tia Jay quase deu pulinhos de alegria. Ela ama organizar festas e, para falar a verdade, acho até que ela já deve estar planejando que arranjos usaremos na igreja.

– Não duvido nada. – sorri – Minha mãe é meio louca com essas coisas.

– Meio louca? Louis, até parece que você não oi criado pela mesmo mulher que eu. – Zayn deu seta e dobrou a esquina para entrar na rodovia A638 de Doncaster – Agora... quando é que você pretende contar a eles que trancou a faculdade?

Suspirei e me concentrei na paisagem escura que passava fora da janela. Embora meus pais fossem legais e bastante compreensíveis com todas as loucuras que eu aprontava, eu tinha quase certeza de que eles não ficariam nada satisfeitos ao saberem que eu havia largado a faculdade de Medicina. Como dois dos neurocirurgiões mais renomados do Reino Unido, eles tinham aquela grande esperança de que eu e Zayn seguíssemos seus passos e, embora Zayn estivesse no caminho certo, eu não podia estar mais longe do futuro que eles sonhavam para mim. Minha relação com o curso de Medicina era quase como um casamento arranjado: estávamos juntos porque meus pais queriam, mas eu não a amava. Na realidade, eu rejeitava completamente a ideia de me tornar um neurocirurgião algum dia, mas duvidava que meus pais conseguissem compreender isso.

– Vou contar a eles em breve. – respondi e, depois, me voltei para meu primo com um sorriso significativo – Poxa vida, se eles aceitaram o fato de que você vai ser pai e esposo antes dos vinte e três, vão ter que aceitar o fato de que a Medicina não é a minha vocação

– E qual é a sua vocação, Louis?

– Ainda não sei, mas com certeza não é ter a vida de alguém em minhas mãos. – respirei fundo e fechei os olhos por um breve instante – Sabe, você, meu papai e minha mamãe podem entender essa profissão como uma forma de salvar vidas, mas eu só consigo pensar: “e se o paciente morrer?”. Pode ser legal ser o cara para quem a família corre para agradecer pelo ótimo trabalho, mas eu com certeza não quero ser o cara que vai ter de encarar um paciente morto na mesa de cirurgia e a família dele depois.

– Louis, nessa profissão você sempre vai perder alguém. – Zayn tentou me aconselhar – Não é possível salvar todo mundo, até os seus pais já perderam algum paciente.

– E esse é exatamente o problema, Z! Eu não suportaria perder alguém. – expliquei – Não suportaria ter uma vida se esvaindo por entre meus dedos, mesmo que eu não pudesse fazer nada para salvá-la. Eu não poderia conviver com a culpa.

– Não seria sua culpa, Louis. Essas coisas simplesmente acontecem, mas tudo bem. Eu entendo o seu medo. – Zayn suspirou e deu um tapinha em meu joelho – Tenho certeza de que os meus tios entenderão também, ok? Nem todo mundo consegue lidar com essa profissão.

– É. – assenti – Bem, pelo menos eles têm você para atender às altas expectativas da nossa família. Não é como se eu fosse destruir todos os sonhos deles, não é?

– Não fala assim, Louis. – Zayn me olhou rapidamente – Você sabe que eles te amam. Não importa se você vai cursar Medicina ou fugir de casa para se juntar a um circo, os meus tios sempre vão amar você. No fim, eles têm todas aquelas expectativas, mas o que querem mesmo é que você seja feliz. Eles sabem que você tem o seu próprio caminho para seguir.

– Vou tentar me lembrar disso quando eles começarem a gritar comigo depois que eu contar a eles que tranquei a faculdade. – sorri.

Paramos em um semáforo e Zayn recostou o braço na janela do carro.

– Vou pedir a mão de Perrie esta noite. – ele comentou, mudando completamente de assunto – Ainda não contamos aos pais dela sobre o bebê e ela organizou um jantar para darmos a notícia.

– Então você estava indo para a casa dela esta noite? É por isso que está usando gravata? – fiz careta, indicando o quanto achava aquela roupa patética.

– Não seja chato, Louis. – Zayn remexeu na gravata, envergonhado – Os pais da Perrie são um pouco linha dura. Tenho que convencê-los de que serei um bom homem para ela e... tenho que convencer o pai dela a não me dar um tiro.

– Nesse caso, foi bom te conhecer, Z. – dei um tapinha no ombro dele, mas ele afastou a minha mão dali rapidamente.

– Será que você pode, por favor, não ser o primo chato dessa vez e não me deixar ainda mais nervoso do que eu já estou?

– Hey. – sorri e ergui as palmas das mãos, rendendo-me – Eu só estava brincando, ok? Você vai ficar bem. Você é a melhor pessoa que conheço e é impossível não ver o quanto você ama a Perrie. Os pais dela seriam idiotas se não te aceitassem como genro. Até porque você é o segundo melhor pretendente dessa cidade.

– O segundo? – Zayn me olhou de esguelha.

– Claro. – abri um sorriso convencido – Não é possível que você ainda não saiba que o primeiro sou eu.

Zayn revirou os olhos, mas mesmo se esforçando muito não conseguiu reprimir um sorriso.

– Você é um idiota e nunca para de brincar, mas obrigado. – ele respirou fundo – Me sinto um pouco mais calmo agora.

– De nada. E... Z, desculpe atrapalhar a sua noite.

– Tudo bem. Eu não estou atrasado para o jantar ainda. Vou te deixar em casa e depois vou correndo para a casa da Perrie. Acho que meus futuros sogros não vão se importar com um ou dois minutos de atraso quando nós contarmos a eles sobre o bebê, não é?

– Pode ter certeza que não. Eles nem vão se lembrar disso, na verdade. – dei alguns tapinhas em seu ombro – Mas, falando sério, Zayn, estou feliz por você e pela Perrie. Ela é uma ótima garota e, se me permite confessar, eu mal posso esperar para segurar o meu afilhado, ou afilhadaa, nos braços pela primeira vez, porque é óbvio que você vai me convidar para ser o padrinho, não é?

– Mas vejam só. – Zayn riu – Louis Tomlinson é um grande coração mole.

– Ah, cala essa boca! – fechei a cara, mas Zayn não parou de rir.

– Não se preocupe, Louis. – ele disse em um tom divertido – Vou manter o seu segredo bem guardado. Para o mundo você continuará sendo um bad boy assustador, tá legal?

O sinal passou de vermelho a laranja e Zayn retirou o braço da janela e se ajeitou melhor no banco. Era fácil ver em seus olhos o quanto ele estava feliz pelo noivado e por se tornar pai, apesar de a gravidez de Perrie não ter sido planejada e, internamente, eu me orgulhei por tê-lo quase como um irmão.

Zayn veio morar com nossa família quando tinha cinco anos, após o falecimento de seus pais que, na verdade, não eram meus parentes e, sim, amigos tão íntimos dos meus pais que Zayn tinha o costume de chamá-los de tios e, exatamente por isso, eu passei a chamá-lo de primo, embora o considerasse como um irmão.

Nós crescemos juntos e, apesar de nos darmos muito bem, Zayn era exatamente o oposto de mim. Ele era centrado e responsável e também era aquele que resolvia os problemas que eu, normalmente, criava. Eu o amava incondicionalmente, mas, se perguntassem, eu negaria até a morte porque irritar meu primo era outra coisa que eu gostava muito de fazer.

Quando o sinal finalmente se abriu, Zayn me lançou um último sorriso e colocou o carro em marcha. Aquele era o último semáforo que encontraríamos antes de chegarmos à quadra onde ficava nossa casa em Doncaster e eu já estava me imaginando largado no meio do sofá da sala, dedilhando no novo violão que havia comprado, depois de tomar um banho quente e relaxante, quando notei os faróis altos e rápidos se aproximando de nós.

– Zayn! – gritei, mas qualquer coisa que eu tinha para dizer depois disso foi interrompida quando o carro que vinha, em alta velocidade, na direção oposta a nossa, chocou-se contra a lateral do Bentley, atingindo, em cheio, o lado do motorista onde ele estava.

No segundo seguinte nós estávamos rodando, descontrolados, pela avenida e acho que o carro deve ter capotado duas ou três vezes, mas não tenho certeza. Senti o cheiro férreo do líquido quente que escorria por meu rosto invadir minhas narinas e ouvi algumas vozes ecoarem à distância. Depois disso, todo o meu mundo foi engolido pela escuridão.

Notas finais
Sim, eu fiz o Zayn ser "primo" do Louis e, sim, eu fui uma escritora cruel e matei o nosso garoto normal de 22 anos =/ Espero que vocês não me matem por causa disso rsrs
De qualquer forma, espero que tenham gostado do prólogo e do que a história tem a oferecer e caso estejam curtindo (ou não), deixem um review para eu saber o que estão pensando.
Vejo vocês no próximo capítulo, que já está disponível;
Até lá =*