Gotta Be You - EM HIATUS
4 Naked
Notas iniciais
[Harry P.O.V]
Quando fechei a porta de meu apartamento e me joguei no sofá, ao lado de Niall, eu ainda estava fedendo a vitamina de banana com maçã e a sorvete baunilha, mas agora eu tinha um largo sorriso no rosto e um cheque de mil e quatrocentos dólares em minha carteira, que eu planejava descontar na manhã seguinte.
– Você conseguiu um emprego? – Niall perguntou, fitando meu rosto sorridente com certa curiosidade.
– Consegui. – afirmei alegremente.
– Estou com medo de perguntar, mas você foi obrigado a mergulhar em um tanque cheio de alguma gosma branca e não identificada para consegui-lo ou fez isso por puro esporte mesmo?
– Isso aqui é vitamina de banana. – respondi – Exceto o dos pés. Aquilo é sorvete de baunilha. E, não. Eu não tive que mergulhar em um tanque cheio de vitamina para conseguir o emprego, mas... sim, eu tive que passar por um pequeno calvário que estou disposto a relevar porque eu consegui mil e quatrocentos dólares. – retirei o cheque da carteira e mostrei-o a Niall – Adiantados. – acrescentei com um sorriso orgulhoso.
– Você conseguiu mil e quatrocentos dólares? – Niall pegou o cheque de minhas mãos e estudou os números e letras escritos nele como se pudessem desaparecer se ele os olhasse um pouco mais de perto – Continuo com medo de perguntar, mas que tipo de emprego você arrumou?
– De babá. – dei de ombros e acho que nunca vi Niall rir tanto na vida dele.
– Ai, meu Deus. Não. Eu não acredito que realmente ouvi isso. Você vai trabalhar de babá?!
– Olha, é melhor do que trabalhar como striper, que seria a minha próxima opção caso o emprego como babá não desse certo. – tomei o cheque de suas mãos e me coloquei de pé, um tanto irritado por ele estar rindo da minha cara – Além do mais, eu não serei exatamente uma babá, serei mais como um acompanhante.
Niall parou de rir.
– Te aconselho a não dizer isso em público. As pessoas vão achar que você é um pedófilo.
– Vão achar que eu sou... O quê? – exclamei indignado – Olha aqui, eu não vou cuidar de uma criança. Vou cuidar de um cara de vinte e três anos.
– Vai cuidar em que sentido?
Eu estreitei meus olhos para ele.
– Meu Deus, Niall, a sua mente é tão suja!
– Eu não perguntei por mal. – ele ergueu as palmas das mãos para mim – Só perguntei porque eu realmente não faço a menor ideia de que tipo de cuidados um cara de vinte e três anos precisa. Quero dizer, o quão retardada uma pessoa dessa idade precisa ser para necessitar dos cuidados de um acompanhante?
Só não mandei Niall calar a boca porque eu mesmo me fiz essa pergunta quando a Dra. Tomlinson me disse que Louis tinha vinte e três anos ao invés de doze, mas isso, claro, foi antes de ela me dizer que ele era cego.
– Ele tem deficiência visual. – expliquei – Sofreu um acidente de carro há seis meses e ficou cego. Agora, seus pais precisam viajar para ir a um congresso de medicina na Itália e não tem com quem deixa-lo porque sua governanta está de férias. Por isso decidiram contratar um acompanhante.
– E aí eles contrataram você?
– Ah, qual é, hein?! – dei um chute na canela de Niall e ele recolheu as pernas para cima do sofá – Você acha que eu não sou responsável o suficiente para cuidar de um cara cego de vinte e três anos de idade?
– Você está coberto de vitamina de banana e você nem estava trabalhando hoje. – Niall observou – Quem me garante que você não vai deixar o cara cair da janela e morrer?
– Eu não vou deixar. – afirmei – Apesar de que ele merece... bem, não morrer, mas talvez dar de cara com uma parede de concreto ou algo assim.
– Você está desejando o mal para uma pessoa cega? – Niall pareceu horrorizado – A sua alma vai descer direto para o inferno. Você sabe disso, não sabe?
Eu resmunguei um palavrão qualquer em resposta.
– Você acha que aquele garoto é um santo por acaso? Ele jogou um copo de vitamina de banana na minha cara hoje! Se eu vou para o inferno quando morrer, pode ter certeza de que ele vai ficar na churrasqueira ao lado da minha.
Niall suspirou.
– Por quanto tempo você vai precisar cuidar dele?
– Por quinze dias a partir dessa sexta-feira. O congresso dos pais dele vai durar duas semanas.
– E você vai trazê-lo para cá?
– Não. Eu é que vou para a casa dele. Então, vou passar duas semanas fora. Divirta-se.
– E quanto a batalha de bandas?
– O que tem ela? – questionei sem entender o que isso tinha a ver com o meu novo trabalho.
– O festival é no próximo sábado. – Niall explicou – Como é que você vai se apresentar com a gente se estiver servindo de acompanhante para esse cara?
Oh. Ali estava um pequeno problema.
– Eu ainda não tinha pensado nisso.
– Pois acho bom começar a pensar. O pessoal está contando com você no sábado, Harry. A gente não vai poder se apresentar se não estivermos com a banda completa. Seremos desclassificados.
Eu pensei naquilo por um momento. Eu já havia me comprometido com a Dra. Tomlinson para cuidar de Louis nos quinze dias em que ela e o marido estariam viajando e não podia voltar atrás agora, principalmente porque os dois mil e setecentos dólares que ela iria me pagar pelo trabalho seriam necessários para pagar minhas contas e a minha parte do aluguel nos dois meses em que a universidade estivesse de recesso e as monitorias de música suspensas. Por outro lado, eu também não podia pisar na bola com os meus amigos, porque vínhamos nos preparando para essa apresentação há três meses e eles estavam contando comigo. Eu não sabia o que ia fazer a respeito, mas mesmo assim respondi:
– Vou dar um jeito. Ainda temos mais de uma semana até a apresentação. Eu vou pensar em alguma coisa.
– Ótimo. Agora, me conte: como é que foi essa história da guerra de vitamina de banana, hein?
– Ah, é uma longa história. – eu ri – Vou tomar um banho e te conto tudo depois. Você nem vai acreditar no quanto esse cara é uma peste.
– Eu imagino. – disse Niall, olhando com repulsa para minha roupa suja e meu cabelo grudento.
Durante o jantar contei a Niall tudo o que havia acontecido em meu dia, desde o acidente com a máquina de sorvete, até o anuncio para a vaga de babá e meu desastroso primeiro encontro com Louis. Nem preciso dizer que Niall riu horrores com toda a história da vitamina de banana e, por mais que, naquele momento, as atitudes de Louis tivessem me deixado possesso, enquanto eu contava toda a história a Niall, consegui rir um bocado de toda a confusão que Louis e eu tínhamos aprontado.
Eu só conseguia pensar em como seria passar quinze dias sozinho com ele naquela casa. Se nosso primeiro encontro já tinha sido esse desastre, eu nem queria imaginar o que viria a seguir. Provavelmente, Louis iria me receber na porta, armado com um rifle, mas, felizmente, eu ainda tinha três dias para me preparar psicologicamente para essa batalha. E, também, se ele fosse mesmo me receber na porta com um rifle, eu não precisaria me preocupar muito com a possibilidade de ele me acertar. O cara era cego afinal de contas, né?
Bloqueei esse pensamento maldoso, mais uma vez, e fui me deitar. Eu só esperava que aqueles quinze dias passassem voando e que Louis não me esfaqueasse enquanto eu dormia, mas, por via das dúvidas, deixaria a minha porta trancada todas as noites.
***
Três dias depois, eu estava em frente a bela mansão dos Tomlinson com uma pequena mala de roupas numa mão e o absurdo molho de chaves que a Dra. Tomlinson havia me entregado, na outra.
– Esses são os telefones do hotel onde estaremos. – ela me entregou uma folha de papel e eu tive que prendê-la, meio sem jeito, entre os dedos de minha mão que seguravam o molho de chaves – Ligue se algo acontecer. E aqui tem um cartão de crédito para as eventuais necessidades que vocês tiverem nesses quinze dias. – ela me entregou o cartão e, dessa vez, eu tive que soltar minha mala para pegá-lo, pois não tinha mais dedos livres – Deixei a senha junto com uma lista de atividades que você e o Louis podem fazer enquanto estivermos fora. Está sobre o balcão da cozinha. Qualquer dúvida basta me ligar.
– Ok. – foi tudo o que respondi, porque desde que eu havia chegado ela já tinha me passado tantas instruções que eu já nem conseguia me lembrar quais tinham sido as primeiras.
– Espero que vocês se divirtam. – o Dr. Tomlinson desejou, abrindo a porta do táxi para que sua esposa pudesse entrar – Nos vemos em duas semanas.
– Até lá, então. – eu respondi e acenei para eles em despedida, mas mentalmente tudo o que eu conseguia pensar era “isso se eu ainda estiver vivo quando vocês voltarem”.
Quando o táxi do doutor e da doutora Tomlinson sumiu de vista, ajeitei o cartão de crédito que ela havia me dado junto com a folha de telefones, peguei minha mala e segui para dentro da casa.
Fui direto para a cozinha, tomando o cuidado de verificar os corredores por onde passava, pois eu ainda não tinha visto qualquer sinal de Louis por ali e não sabia se ele tinha armado alguma surpresinha contra mim. Da última vez que nos vimos ele tinha ficado bastante irritado com a minha presença e decidido a me manter afastado, então, eu não achava que estava ficando neurótico com aquela situação. Achava apenas que estava me precavendo.
Encontrei a lista de atividades e a senha do cartão de crédito da qual a Dra. Tomlinson tinha me falado sobre o balcão e, depois de dar uma rápida lida na lista, guardei o papel com a senha do cartão num dos bolsos externos de minha mala e afixei a lista de atividades na porta da geladeira.
Aproveitei o momento para dar uma olhada no que tinha ali dentro e, depois de constatar que havia comida suficiente para alimentar um exército, peguei uma caixinha de suco e subi para o segundo andar.
A Dra. Tomlinson disse que eu poderia escolher qualquer um dos quartos de hóspedes da casa, então, já que eu teria que ficar de olho em Louis por quinze dias, escolhi aquele ficava, exatamente, ao lado de seu quarto. Sua porta estava fechada quando passei, por isso, quando cheguei ao meu quarto, encostei minha cabeça na parede que nós dividíamos e tentei ouvir qualquer ruído que pudesse vir de lá. Pude ouvir o barulho da TV que parecia estar sintonizada em algum programa de entretenimento, mas fora isso não havia qualquer outro barulho vindo do quarto de Louis.
Larguei minha mala no canto, tirei os tênis, joguei minha caixinha de suco já vazia no lixo e saí do quarto para ir até a porta dele.
– Louis? – chamei, mas não obtive qualquer resposta – Sou eu, o Harry. O cara que não é enfermeiro, lembra? Você está aí dentro?
Mais uma vez o único barulho que ouvi foi o da TV e aquilo começou a me deixar preocupado. Será que aquele infeliz tinha fugido de casa assim que eu cheguei e que seus pais saíram? Eu não achava que isso seria possível dado o fato de que ele não enxergava para onde estava indo, mas essa informação, ao invés de me tranquilizar, só fez com que eu me apavorasse mais. Oh, meu Deus! Será que ele tinha sido atropelado? Ou será que tinha caído na piscina tentando fugir pelo quintal?
Desesperado, forcei a maçaneta de sua porta, na esperança de que ela se abrisse e ela realmente se abriu, mas quando isso aconteceu, encontrei Louis saindo do banheiro que havia em seu quarto, tão nu quanto no dia em que veio ao mundo e ainda um pouco molhado por causa do banho que ele devia estar tomando cerca de um minuto antes de eu chegar ao meu quarto, já que eu não consegui ouvir o barulho do chuveiro ligado através da parede.
– Santo Deus! – eu exclamei e isso fez Louis congelar onde estava e olhar ao redor, assustado.
– Quem está aí? – ele perguntou e, nesse momento, eu fiquei na dúvida se respondia ou se apenas dava meia volta e fingia que nunca tinha estado ali, porque era óbvio que o último lugar do mundo onde Louis ia querer que eu estivesse agora era, justamente, em seu quarto, invadindo sua privacidade no momento em que ele estava saindo de um banho, completamente nu – Harry, é você? – ele voltou a perguntar e eu não soube dizer se o que me deixou mais inquieto foi o fato de que ele ainda se lembrava do meu nome ou o fato de que ele continuava sem roupa e não parecia nem um pouco inclinado a mudar aquela situação.
– S-sim. – gaguejei – Sou eu.
A expressão no rosto de Louis endureceu no mesmo instante e ele esticou a mão para pegar uma toalha que havia deixado pendurada em um gancho ali perto, antes de seguir tateando até a mesinha ao lado de sua cama para pegar seus óculos escuros e colocá-los de volta no rosto.
– O que você está fazendo aqui dentro? – ele questionou irritado – Eu já disse que não gosto que entrem no meu quarto.
– Teoricamente, você nunca me disse isso.
– Teoricamente, eu disse que não te queria aqui dentro e isso dá no mesmo.
– Bem, eu só fiquei preocupado. – tentei me explicar – Eu te chamei e você não me respondeu.
– Já parou para pensar que, talvez eu não tenha respondido por que eu não quero falar com você?
– E já parou para pensar que, já que eu vou ter que ficar com você por quinze dias, seria muito bom se você me respondesse ao invés de me deixar lá fora, pensando que você morreu?
– Eu estava tomando banho, caramba!
– E a sua língua ia cair se você dissesse duas míseras palavras só para eu saber que você ainda estava vivo aqui dentro? – rebati – Não vou conseguir tomar conta de você, se você vai agir feito um imbecil, Louis.
– E quem disse que eu preciso que você cuide de mim? – ele refutou, zangado – Eu não preciso disso.
– A sua mãe discorda. Afinal, é por isso que ela está me pagando uma fortuna para te aturar durante quinze dias.
Louis se sentou na cama e cruzou os braços diante do peito, com a cara amarrada.
– Quero que saia do meu quarto nesse instante. – ele ditou – E nunca mais entre aqui sem ser convidado.
– Ah, dane-se. Eu nem gosto do seu quarto mesmo. Só estou aqui porque achei que você tinha morrido, mas foda-se. Se você quer que eu saia, eu saio. Não tem nada aqui que me agrade. Principalmente, quando se trata de você.
– Sai logo daqui! – ele gritou e eu bufei e revirei os olhos, mas saí de seu quarto e bati a porta.
– Você quer que eu traga o seu almoço para cá?
– Vá para o inferno. – foi tudo o que Louis respondeu e eu reprimi a minha vontade de voltar lá para dentro e atirá-lo pela janela.
– Eu vou te deixar morrer de fome, Louis!
– Não estou nem aí.
– Eu não estou brincando.
– Eu já disse que não estou nem aí.
– Você está agindo como uma criança! – reclamei – Não vai dar para a gente conviver quinze dias com você agindo desse jeito.
– Então, vá embora. – ele gritou – Ninguém te quer aqui mesmo.
Eu cerrei os punhos e bufei de raiva, mas consegui não dar um soco na caríssima porta de madeira de seu quarto.
– Quer saber? – eu disse, decidido – Foda-se você e a sua criancice. A sua mãe já me pagou mil e quatrocentos dólares adiantados e eu só preciso que você esteja respirando para que ela me pague o restante do dinheiro quando ela chegar de viagem. Então, se você quiser ficar trancado dentro da porra desse quarto por quinze dias, isso é um problema seu. Eu estarei lá embaixo, assistindo TV e comendo pipoca, enquanto você apodrece aí dentro. Passar bem, Louis Tomlinson! – ditei e me afastei de seu quarto, seguindo rumo às escadas.
Acho que Louis me xingou com pelo menos três palavrões pesados durante o meu percurso, mas nem dei bola. Uma hora ele ficaria com fome e teria que sair dali. E, nessa hora... Ah, rapaz, ele ia ter que se humilhar muito para que eu sequer pensasse em começar a ajudá-lo, ainda que a visão de seu corpo nu, parcialmente molhado e repleto de tatuagens tivesse me deixado completamente sem fôlego.
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