Gotta Be You - EM HIATUS

15 Kiss Me Like You Wanna Be Loved


Notas iniciais
Rélow Pipous! Quanto tempo, não? Vocês devem estar indignadas comigo e tem todo direito, afinal, eu sumi sim e não tenho nenhuma desculpa além da minha grande falta de vontade de escrever uma palavra que fosse nos últimos meses. No entanto, here I'm! E se ainda tiver alguém acompanhando essa fic, espero que curtam o capítulo que está bem grandinho até. Beijocas e boa leitura.

[Harry P.O.V.]

— Estou aqui. – Disse Niall assim que se sentou em uma das cadeiras vazias da mesa que eu havia escolhido com todo cuidado, de maneira estratégica. – Pode me dizer agora porque toda essa insistência em vir almoçar aqui hoje?

— Shhhh. – Eu sussurrei para ele, mantendo o cardápio da pizzaria estrategicamente posicionado de modo a ocultar o meu rosto, enquanto mantinha meus olhos concentrados na mesa em frente a nossa, onde Liam e Louis estavam sentados, conversando distraidamente.

Niall se virou, de modo a estudar o interior da pizzaria, em busca daquilo que prendia a minha atenção e quando ele avistou Louis e seu amigo, há algumas mesas de distância, voltou-se para mim e arrancou o cardápio da pizzaria de minhas mãos.

— Você parece um maldito psicopata, Harry. – Reclamou enquanto eu, de maneira ridícula, agarrei um dos guardanapos de tecido que estavam sobre a mesa e tentei me esconder atrás dele. Mais uma vez, Niall o tirou de minhas mãos. – O que diabos você acha que está fazendo?

— Apenas o meu trabalho. – Passei as mãos rapidamente pelos cabelos e ajeitei meus óculos escuros sobre o nariz. – Estou sendo pago para cuidar dele, então, aqui estou.

— Escondido? – Niall ergueu uma sobrancelha para mim e eu me contorci de maneira desconfortável. Eu odiava quando ele erguia a sobrancelha para mim daquela forma. – Ele não sabe que você está aqui, não é? Você não veio a trabalho. Veio para espionar.

— Eu vim porque ele pode precisar de ajuda.

A sobrancelha de Niall se ergueu um pouco mais.

— Ajuda com o que? Cortar a pizza? Achar o caminho até o banheiro? Ele está acompanhado, Harry. Acho que ele já tem toda a ajuda de que precisa aqui.

Mesmo sem querer eu fiz uma careta.

— Não tenho certeza se aquele garoto é confiável. Olhe só para ele. – Baixei um pouco os óculos e estudei a postura ligeiramente inclinada de Liam. Eu estava mais que satisfeito com o fato de haver uma mesa de madeira entre ele e Louis, mas ainda me incomodava o fato de que ele estivesse reclinado sobre ela de forma a ficar mais próximo dele para facilitar o diálogo. – Não. Não. – Concluí. – Definitivamente ele não é confiável.

A minha frente, Niall revirou os olhos e suspirou.

— Ok. Você enlouqueceu. Isso é um fato e, cá entre nós, está tudo bem por mim. Ainda vou te amar como um irmão, mesmo quando você estiver amarrado em uma camisa de força, mas, Harry, é sério, eu prefiro que você pare antes que isso aconteça.

Dessa vez fui eu quem revirou os olhos.

— Eu não estou espionando ninguém. – Me defendi. – Só quero me certificar de que tudo vai ficar bem e… você viu aquilo?! – Me reclinei sobre a nossa mesa e Niall se virou para olhar para a mesa onde Liam e Louis estavam, sem entender o que tinha acontecido. – Ele limpou um pouco de queijo derretido da boca do Louis. Porque ele fez isso?

Niall virou-se novamente para mim.

— Sei lá. Talvez porque estivesse sujo? – ele respondeu de maneira irônica e eu lancei a ele o meu melhor sorriso de escárnio.

— Não me diga, Sr. Sabe Tudo. É obvio que eu sei que estava sujo, mas o Louis tem duas mãos. Ele poderia limpar aquilo sozinho. Acho que o Liam está se aproveitando da situação.

— Se aproveitando da situação? – Niall franziu a testa para mim. – É sério, Harry. Você precisa se tratar.

Eu estava pronto para respondê-lo de uma maneira nada gentil, quando um garçom sorridente se aproximou de nossa mesa.

— Boa tarde, senhores. Já estão prontos para pedir?

Olhei para o garçom. Eu tinha passado exatos quinze minutos com o rosto enfiado no cardápio da pizzaria, mas, sinceramente, não havia lido nada do que estava escrito ali. Por sorte, não era preciso realizar nenhum estudo detalhado do menu para pedir uma pizza.

— Vamos querer uma pizza grande, metade hawaiana e, a outra metade, sabor frango com bacon e cheddar. – Niall ergueu os dois polegares para mim, porque eu já sabia que aqueles eram seus sabores favoritos e o garçom anotou tudo em sua caderneta.

— E o que vão pedir como bebida?

— Um guaraná para mim. – Niall se manifestou e eu dei de ombros.

— Chá gelado. – Respondi e ele fez careta, porque sempre reclamava que pizza e chá gelado eram uma combinação horrível. Eu gostava.

O garçom terminou de anotar nossos pedidos e se afastou, dizendo que em breve voltaria com nossas bebidas. Mais uma vez, voltei a me concentrar na mesa onde Louis e Liam conversavam, entre uma fatia de pizza e outra, como se não houvesse amanhã.

— Acha que eles parecem felizes? – perguntei pegando Niall de surpresa.

Ele olhou para trás por um instante e fiquei feliz por ele não ter me lançado outro revirar de olhos como já tinha feito pelo menos uma dezena de vezes desde que chegara.

— Bem, eles estão sorrindo.

— Eu sei. – Suspirei e apoiei o queixo sobre uma mão. – Mas você acha que eles estão realmente felizes? Quero dizer, nem sempre sorrir significa estar feliz, certo? As vezes é só uma forma de mascarar uma situação ruim e…

— Harry. – Niall me encarou e trouxe minha atenção de volta para ele e seus olhos azuis. – Não sei o que você está procurando ali, mas não vai encontrar. Acredite em mim, o Louis está feliz e está bem. E eu não sei quem é o garoto com ele, mas os dois parecem estar se divertindo um com o outro. Não há uma situação ruim sendo mascarada, apenas duas pessoas passando um tempo agradável uma com a outra e você precisa se conformar com isso. O Louis está bem.

Niall manteve seus olhos sérios em mim e eu fingi não enxergá-lo enquanto observava a interação animada que estava rolando entre Liam e Louis na outra mesa. Eu sabia que ele tinha razão no que dissera. Eu realmente estava ali procurando por algo que eu não encontraria e precisava me conformar que Louis e Liam eram um casal bonito e feliz e que o nosso beijo, na noite, anterior tinha sido nada além de um erro terrível.

Doía pensar nisso, no entanto, pois ainda que eu soubesse que aquilo era um erro, que Louis já tinha alguém em sua vida, que eu era apenas sua “babá” e que teria de me afastar dele ao final daqueles quinze dias de trabalho, a lembrança do beijo caloroso que trocamos em seu quarto ainda ardia, bastante vívida, no fundo de minha mente.

Em silêncio, amaldiçoei Louis por ter me beijado na noite anterior. Ele havia me estragado completamente naquele momento, porque, ainda que eu tivesse começado a me sentir atraído por ele no decorrer de nossos poucos dias de convivência, eu seria capaz de lidar com os meus sentimentos se eu nunca tivesse sentido o gosto de seus beijos em minha boca. Agora, porém, eu havia provado o sabor daqueles lábios, sua maciez e não tinha volta. Eu não podia apagar aquilo e agir como se nunca tivesse acontecido. Não conseguia olhar para ele e Liam na outra mesa e não imaginá-los se beijando, enquanto a inveja me consumia lentamente.

Acho que perdi muito tempo vagando por meus próprios pensamentos, porque, quando percebi, o garçom tinha voltado com nossas bebidas e estava depositando nossa pizza no centro da mesa. Também percebi que os olhos de Niall ainda permaneciam sobre mim e, mentalmente, agradeci ao meu amigo por sua consideração. Era óbvio que ele sabia que havia mil e uma coisas passando por minha cabeça naquele momento e eu não tinha dúvidas de que ele já estivesse ciente de minha crescente atração por Louis, já que conseguia me ler como um livro aberto, mas saber que ele havia me deixado a sós com meus sentimentos por um instante me deixou encantado. Niall sempre sabia quando deveria falar e quando deveria calar. Era o melhor amigo e colega de apartamento que alguém poderia ter.

— Com fome? – Eu perguntei, abrindo um sorriso genuíno para ele e apontando para a pizza grande e suculenta que o garçom havia nos trazido.

— E precisa perguntar? – Niall retribuiu ao meu sorriso e, sem cerimônia, colocou quatro fatias da pizza em seu prato, cobrindo-as com ketchup para, então, começar a devorá-las como um animal selvagem.

Eu ri de sua atitude e também peguei algumas fatias da pizza para mim. Um segundo antes, achava que todos os meus pensamentos sobre Louis haviam acabado com o meu apetite, mas o sabor maravilhoso daquela pizza me fez perceber que não.

Resolvi me desligar do que acontecia entre Louis e Liam na outra mesa e me concentrei em comer e conversar com Niall entre uma mordida e outra. Falamos sobre o próximo ensaio, sobre o fato de que Skye e Marc pareciam ter feito as pazes e sobre as bandas que seriam nossas concorrentes no festival de sábado, na Koko. Eu tinha muita confiança em nossa música e achava que tínhamos uma chance real de sairmos vitoriosos, mas conhecer os nossos concorrentes e focar nos ensaios nunca era demais.

Quando terminamos nossa refeição e a barriga de Niall já quase não cabia mais no cós de sua calça, decidi que já estava na hora de irmos embora. Louis e Liam, mesmo tendo acabado de comer, ainda estavam em sua mesa, conversando e saboreando seus refrigerantes como se não quisessem sair dali tão cedo, então, não havia um motivo real para eu continuar ali. Pelo menos, não depois que Niall tinha me feito perceber que eu estava sendo um tolo, espionando-os daquela forma.

Tirei uma nota de cinquenta libras da carteira e a entreguei a Niall, antes de me levantar.

— Vou ao banheiro. – Avisei. – Pague a nossa conta enquanto isso e, quando eu voltar, vamos embora. – Ele assentiu e eu me dirigi até o banheiro nos fundos da pizzaria, enquanto ele acenava para o garçom lhe trazer a conta.

Após usar o mictório e lavar as mãos, joguei um pouco de água no rosto e fiquei alguns minutos observando o meu reflexo no espelho. Automaticamente, meus pensamentos voaram para Louis e para o fato de que devia ser horrível, para ele, não conseguir se ver ali, como eu. Estamos tão acostumados a nos olharmos no espelho e ajeitar o cabelo ou verificar se está tudo em ordem com nossa aparência que tal ato torna-se corriqueiro para nós, mas convivendo com Louis eu percebi que, quando se perde a visão, qualquer coisa corriqueira é mais importante do que podemos imaginar.

Suspirando, ajeitei alguns fios que haviam se soltado de meu coque e saí do banheiro, quase desejando poder voltar correndo lá para dentro quando passei pela porta e me esbarrei em Louis. Ele cambaleou um pouco para trás por causa do choque e, instintivamente, eu me apressei em segurá-lo pelos ombros antes que ele caísse.

— Desculpe. – Nós dissemos ao mesmo tempo, mas, quando ele franziu a testa para mim, eu me arrependi de ter aberto a boca.

— Harry? – Ele inclinou a cabeça um pouco para o lado, como se para ouvir melhor a minha voz e eu fiquei em dúvida se deveria assumir que estava ali ou se deveria agir como um idiota e correr ou, ainda pior, tentar modificar a minha voz para respondê-lo. Cheguei a conclusão de que as últimas duas alternativas eram demasiadamente ridículas para que eu as escolhesse.

— Sim. Sou eu. – Respondi com um fio de voz, já me encolhendo um pouco, porque imaginei que Louis começaria a dar um chilique naquele mesmo instante.

Para a minha grande surpresa, ele nem alterou o tom de voz.

— O que está fazendo aqui? – Perguntou, depositando uma de suas mãos em meu cotovelo e, só então, percebi que eu ainda estava segurando-o pelos ombros. Pensei em soltá-lo, mas agora que ele estava com uma das mãos em mim, mudei de ideia e continuei como estava.

— Eu vim… vim almoçar. – Respondi sem qualquer segurança, porque, na verdade, eu tinha vindo para espioná-lo. Ter almoçado nesse meio tempo foi o bônus.

— Mas aqui? – A testa de Louis se franziu um pouco mais e eu engoli em seco.

— Pois é. O Niall… O Niall adora pizza. – Menti de maneira descarada. – Eu o chamei para almoçar comigo hoje e, por coincidência, ele escolheu esse lugar. Acredita nisso? – Sorri, tentando demonstrar como essas coisas podiam ser engraçadas as vezes. – Eu não quis atrapalhar seu encontro, por isso, nem te cumprimentei quando chegamos, mas nós já estamos indo embora agora. Não precisa se incomodar comigo aqui.

Finalmente, soltei seus ombros e me afastei para o lado, disposto a sair do corredor rapidamente e encontrar Niall para que pudéssemos ir embora logo, mas a voz de Louis me fez parar.

— O Niall também está aqui? – Ele perguntou tateando o ar a sua frente, como se ainda quisesse saber se eu estava por perto. Toquei rapidamente em seu braço para demonstrar que eu ainda estava ali.

— Eu o deixei pagando a nossa conta enquanto vinha ao banheiro. – Expliquei. – Porque?

— Por nada. – Louis deu de ombros e eu o encarei por um instante. Ele estava agindo de maneira estranha, principalmente porque não tinha gritado comigo ainda ou me ofendido de alguma maneira. Achei que ele estava com ódio de mim quando saiu de casa…

— Você está bem?

Um sorriso breve e, diga-se de passagem, muito falso iluminou seus lábios por um segundo antes de se apagar e ele virar o rosto para o outro lado.

— Estou. – Ele respondeu rapidamente e, sem maiores explicações, se afastou de mim e tateou a parede em volta, até chegar a porta do banheiro.

Pensei em segui-lo até lá e me certificar de que ele ficaria bem, afinal, ele poderia escorregar e bater a cabeça na pia ou algo ainda pior, mas antes que eu tivesse a oportunidade de me mover em sua direção, Liam apareceu no corredor e sorriu quando me viu.

— Harry. – Ele me cumprimentou, aproximando-se para apertar minha mão e, por um instante, desejei não tê-la lavado ao sair do banheiro apenas por maldade.

— Oi, Liam. – Abri um sorriso mais falso que o de Louis para ele e soltei sua mão rapidamente. Se ele reparou nisso, não disse nada.

— Que coincidência encontrar você aqui. Veio verificar se eu estava sendo cuidadoso com o Louis? – Ele sorriu, pois obviamente tinha feito uma piada, mas se ele soubesse…

— Não. Na verdade eu vim almoçar com um amigo, mas já estamos de saída.

— Oh. – Uma expressão confusa e não muito segura passou por seu rosto rapidamente, mas, como sempre, ele me lançou outro de seus sorrisos perfeitos e gentis, que só me fizeram ter mais vontade de lhe dar um soco e assentiu. – Bem, foi bom te encontrar, então. Levarei o Louis para casa daqui a pouco. Vamos passar no parque antes e tomar um sorvete.

As palavras “não estou nem aí” queimaram na ponta de minha língua, mas eu me forcei a engoli-las de volta e apenas acenei, concordando.

— Já estarei em casa quando vocês voltarem. Divirtam-se. – Passei por Liam sem nem me despedir e fui ao encontro de Niall a quem eu, praticamente, arrastei para fora da pizzaria.

— Você encontrou o Louis lá dentro? – Ele me perguntou e eu lancei a ele um olhar mortal, que o fez erguer as palmas das mãos para mim, de maneira defensiva. – Ei! Não é de mim que você está com raiva. – Ele me lembrou e eu me esforcei para respirar fundo e me acalmar.

— Eu sei. Me desculpe. – Abri a porta de meu carro e me voltei para ele. – Precisa de carona para casa?

Niall fez que não com a cabeça.

— Eu vim de moto. – Ele apontou para seu veículo e eu o achei muito seguro de si por se referir a sua pequena e antiga vespa azul-celeste daquela forma, pois, para mim, aquilo estava mais próximo da família dos triciclos que das motos realmente.

— Tudo bem. Obrigado pela companhia hoje, Niall. Nos vemos amanhã para o ensaio?

— Sem falta. – Ele ergueu um polegar para mim e eu acenei para ele em despedida, entrando em meu carro e rumando para a casa de Louis.

Nem tive ânimo para subir as escadas e ir para o meu quarto. Sem nem tirar os sapatos, me joguei no sofá e permaneci ali, absorvendo o total silêncio daquela casa grande e vazia, mesmo com o controle da TV a um braço de distância. Eu não tinha nem vontade nem de ligá-la.

Minha mente deu voltas, pensando em Louis e Liam saindo daquela pizzaria e indo até o parque para tomar um sorvete. Os dois de mãos dadas, conversando e sorrindo um para o outro da mesma forma que estiveram na pizzaria… O pensamento foi tão deprimente que eu tive de socar uma das almofadas do sofá e atirá-la do outro lado da sala.

— Porra, Harry! – Briguei comigo mesmo por não conseguir controlar meus pensamentos e sentimentos com relação a Louis, mas me surpreendi quando ouvi a porta da sala se abrir

— Agora, além de ser um completo chato, você também fala sozinho? – Louis perguntou ao entrar em casa e eu só consegui encará-lo, sem reação, enquanto ele fechava a porta e tateava pela sala, tentando chegar ao sofá. – Parece que nem mesmo você está feliz consigo, Harry. Isso deve significar alguma coisa, não é? Ouvi dizer que quando a própria pessoa não consegue se suportar é porque ela é realmente um pé no saco. Acho que você deveria fazer terapia. – Ele alcançou o braço do sofá ao meu lado e se sentou, rindo do próprio comentário bobo.

Finalmente encontrei minha voz.

— O que você está fazendo em casa a essa hora? – Questionei. – Achei que você ia ao parque com o Liam. Vocês não iam sair para tomar sorvete?

— Eu preferi voltar para casa. – Ele deu de ombros, tranquilo. – Meu estômago não tem tanto espaço assim.

— E onde está o Liam? – Olhei para a porta como se ele fosse entrar por ali a qualquer momento. – Ele não trouxe você?

— Trouxe. – Louis se espreguiçou um pouco. – Pedi que ele me deixasse aqui na entrada e, então, ele foi para casa. Onde está o Niall?

Eu estava prestes a fazer algum comentário sobre isso, mas parei e franzi a testa diante da pergunta estranha de Louis, pois realmente não entendi que interesse ele poderia ter na presença de Niall ali. Eles tinham trocado o quê, cinco ou seis frases durante o ensaio ontem? Talvez nem tivesse sido tudo isso.

— O Niall também está em casa. – Dei de ombros, mas a expressão no rosto de Louis me deixou ainda mais confuso. – O que foi?

Ele se ajeitou no sofá e franziu os lábios levemente.

— Nada. Só achei que você aproveitaria essa tarde para ficar a sós com o seu namorado aqui, já que eu estaria fora.

Senti meu queixo tocar o chão.

— Meu… Namorado? – Louis apenas balançou a cabeça como se isso fizesse todo sentido e ele não conseguisse entender o porquê de meu espanto, mas eu, sinceramente, estava pasmo. – O Niall não é meu namorado! – Afirmei. – De onde você tirou isso?

— Bem, vocês moram juntos, cantam juntos, estudam juntos e hoje foram até almoçar juntos. – Ele virou as palmas das mãos para cima, como se eu tivesse que compreender o quanto minha suposta relação com Niall era óbvia. – Fiquei pensando se ele não tinha sido o motivo pelo qual você não voltou para me ver ontem a noite, sabe? Por causa dessa coisa de culpa e tudo mais.

— Culpa? – Me coloquei de pé rapidamente e o encarei como se ele fosse louco. Não que isso fosse influenciá-lo de alguma maneira, é claro. Ele não podia me ver, mas mesmo assim… – Você perdeu a sanidade? É você quem tem um namorado aqui, não eu.

— Namorado? – Ele franziu a testa e eu tive que me controlar muito para não começar a gritar com ele. Por acaso ele achava que eu era o quê? Um palhaço?

Revirei os olhos e suspirei de maneira audível.

— Você sabe muito bem do que eu estou falando, Louis. Não se faça de desentendido agora. O que realmente me surpreende é que você pense que eu deveria me sentir culpado por trair o meu suposto relacionamento com o Niall, enquanto você mesmo não parece sentir qualquer remorso por ter me beijado ontem, embora esteja namorando o Liam.

— Como é que é? Namorando o Liam? – Louis repetiu minhas palavras com um horror visível. – Você ficou louco?!

Não entendi sua reação. Ele pareceu tão chocado com minhas afirmações que eu quase pensei que pudesse ter me enganado, mas eu os tinha visto juntos hoje e eles não podiam ser outra coisa além de um casal feliz e tão doce que chegava a dar nojo.

— Eu vi vocês no restaurante. – Declarei. – Estavam muito próximos, conversando e rindo um com o outro. E ele segurou a sua mão quando saíram daqui.

Louis bufou ruidosamente e, por trás dos óculos escuros, eu tive quase certeza de que ele estava revirando os olhos.

— Isso é tudo? – Ele questionou em um tom que deixava bastante claro que ele achava que eu era um completo idiota. – Liam e eu somos amigos, Harry. Nos conhecemos há anos, estudávamos juntos, por isso temos certa intimidade um com o outro e, caso não tenha reparado ainda, eu sou cego. Se ele não segurasse a minha mão eu, provavelmente, daria de cara com um poste.

— Mas e o telefonema? E todo aquele clima de reconciliação? – Eu não conseguia aceitar que havia errado em meu julgamento.

— Nós nos afastamos um pouco quando o Zayn morreu. – Louis explicou. – Não foi um período fácil para mim e me distanciei de muitas pessoas, mas o Liam é um bom amigo. Ele quis que nós recuperássemos a amizade que tínhamos antes e eu concordei. Pelos céus, Harry, ele é hétero!

— O Liam é hétero? – Eu tive que me sentar novamente, surpreso que eu tivesse sido tão impulsivo e tolo. – Então, vocês não estão juntos? Ele não ama você?

— Como um bom amigo, eu acredito que sim. – Louis abriu um leve sorriso. – Qualquer coisa além disso está além do nosso limite.

— Eu achei que… Bem, eu pensei que… Sabe, pensei que vocês… – Eu nem conseguia concluir a frase de tão estúpido que me sentia. Meu Deus, eu havia entendido tudo errado.

— Pensou que eu estava brincando com você e com os seus sentimentos? – Louis questionou. Ao contrário de mim, ele era bom em suas suposições.

— Bem, você me beijou e, depois, recebeu aquele telefonema… Eu realmente achei que você e o Liam tivessem algo.

— E isso te deixou com ciúmes? – Louis abriu um sorrisinho jocoso pra mim e eu tive que fazer uma careta de desprezo. Ele era tão cheio de si…

— Você também achou que o Niall era meu namorado. – Concluí. – Isso te deixou com ciúmes?

Estampei um precoce sorriso de vitória no rosto, porque realmente achei que tinha acabado com todos os argumentos de Louis naquele instante, mas ele me surpreendeu quando se levantou do sofá onde estava e deu dois passos cuidadosos em minha direção, tateando até encontrar meus joelhos onde repousou as mãos e se inclinou para muito, muito perto de mim.

— E se eu te disser que sim? – Perguntou com os lábios a milímetros do meu rosto, deslizando suas mãos mais para cima em direção as minhas coxas. – O que você vai fazer, Harry?

Eu engoli em seco.

Da forma como ele estava inclinado para mim, eu podia sentir sua respiração soprando em meu rosto e seu hálito quente praticamente se misturando com o meu. Sua boca avermelhada parecia muito convidativa, entreaberta da maneira como estava, mas seus óculos escuros me impediam de ver o azul maravilhoso de seus olhos e eu não queria perder isso.

Ergui as mãos e toquei, levemente, a armação negra de seus óculos escuros, fazendo-o se sobressaltar um pouco sob o meu toque, antes de perceber minhas intenções e relaxar. Louis permitiu que eu retirasse seus óculos e os depositasse seguramente sobre a mesinha do abajur, ao lado do sofá e, de repente, eu me tornei muito consciente de que as mãos dele ainda permaneciam firmes em minhas coxas, fazendo uma onda de calor irradiar por ali.

— Tire a blusa, Harry. – A voz suave de Louis fez um leve arrepio percorrer meu corpo, tanto pela surpresa quanto pela realização daquilo que ele havia acabado de me pedir e quando, alguns segundos depois, eu me inclinei para retirar minha camiseta, minhas mãos estavam não apenas suando como, também, tremendo um pouco.

Depositei minha blusa no assento ao lado e esperei, em silêncio, que Louis se pronunciasse. Eu não confiava em mim mesmo para dizer coisa alguma naquele instante. Meu coração estava acelerado, minha respiração pesada e minha pele parecia tinir com a eletricidade que pairava no ar. Eu tinha medo de me liquefazer caso ele me tocasse, mas, ao mesmo tempo, ansiava por isso, porque eu ainda me recordava muito bem do beijo quente que tínhamos trocado na noite anterior.

— Você deveria ter voltado. – Louis disse como se pudesse ler os meus pensamentos. – Eu nunca me senti assim, Harry. Nunca estive com outro garoto na minha vida e não consigo entender isso, mas você pode me mostrar.

Meu Deus!

Se eu sobrevivesse à tensão sexual que estraçalhava meu corpo naquele momento eu teria muito prazer em lhe mostrar o que quer que fosse, mas eu precisava entendê-lo antes. O que eu era para ele, afinal de contas? Alguém por quem ele realmente se sentia atraído ou um simples teste de sexualidade que ele precisava fazer para se autodescobrir.

— Você me quer, Louis? – Eu me forcei a perguntar, embora meu rosto tenha ardido de vergonha. Eu certamente estava tão vermelho quanto um tomate.

Louis se inclinou para ainda mais perto, suas mãos deslizando lentamente por minhas coxas até chegarem a minha virilha e, então, subindo dali para meu peito, ombros e pescoço, até chegarem ao meu rosto.

— Tenho pensado nisso desde que estávamos naquele quarto de hotel no parque de diversões, Harry. – Ele acariciou minha mandíbula levemente, me fazendo fechar os olhos por causa do toque quente e suave de suas mãos e, então, tocou o elástico em meu cabelo desfazendo o meu coque. – Quase não consegui dormir naquela noite com você ali, tão próximo e, agora que estamos aqui, assim, não tenho porque negar isso. – Seus lábios roçaram os meus e seus dedos se emaranharam pelo meu cabelo. – Acho que seria tolice eu dizer que não te quero agora, pois desde que eu te beijei ontem eu já não consigo pensar em outra coisa. – Ele admitiu. – Mas dessa vez eu não quero apenas que você me beije, Harry. – Seus joelhos repousaram um de cada lado do meu corpo no sofá e eu me inclinei para trás, deixando-o com total acesso ao meu pescoço, onde ele depositou dois beijos breves. – Quero sentir você.

Em algum recanto profundo da minha mente eu sabia que os pais de Louis poderiam não aprovar a minha conduta. Sabia também que o próprio Louis poderia se arrepender de sua decisão depois porque, cá entre nós, ele nunca tinha estado com outro homem antes, ele sequer tinha certeza de sua orientação sexual e, por experiência própria, eu sabia que a primeira vez não era uma das coisas mais agradáveis pela qual podíamos passar, mas… que Deus me ajudasse! Eu não conseguia simplesmente colocar a cabeça em ordem e ter uma conversa com ele sobre isso. Não quando ele estava sobre o meu colo, com seu corpo roçando casualmente em meu membro desperto e seus lábios deslizando pelo meu pescoço daquele jeito.

Louis parecia decidido, agora que tínhamos resolvido nossas diferenças quanto ao motivo de termos deixado um ao outro na noite anterior e eu não podia me controlar. Eu o queria tanto que doía. E, não sei em que ponto de nossa convivência conturbada acabamos por vir parar onde estávamos agora, mas era tarde demais para voltar atrás.

Então, sem parar para pensar mais sobre o assunto, trouxe os lábios macios e quentes de Louis para junto dos meus e, simplesmente, o beijei de maneira profunda.

Notas finais
É... Eu sei que vocês curtiram essa pegação ai, nem neguem porque eu sei kkk Espero que tenham gostado do capítulo e, no próximo, vai ter momento quente entre Louis e Harry sim e se reclamar vai ter dois! rsrs. Beijocas e até o próximo capítulo.