Gotta Be You - EM HIATUS

3 I Knew You Were Trouble


Notas iniciais
Olá, Está um pouco (muito) tarde, mas consegui terminar o novo capítulo de Gotta Be You. Prontos para encararem esse primeiro encontro entre Harry e Louis? Então, não vamos perder mais tempo. Espero que gostem. Boa leitura.

[Harry P.O.V.]

– Louis. – Marie Anne bateu à porta de seu quarto e aguardou, por um breve instante, antes de girar a maçaneta e entrar – Sua mãe pediu que eu trouxesse uma pessoa para te conhecer.

– Se for mais um daqueles enfermeiros idiotas pode dizer ele para dar meia volta e sair pela mesma porta pela qual entrou. – Louis respondeu, mal humorado.

Ele estava sentado em sua cama, descalço e com as pernas cruzadas na altura dos tornozelos, usando uma calça esportiva e uma camiseta regata preta, que deixava à mostra algumas de suas tatuagens. Em seu colo havia um belo violão preto e lustroso e, se sua mãe já não tivesse me dito que ele era cego, eu acharia que os óculos escuros que repousavam em seu rosto eram apenas um acessório para compor seu estilo.

Ele era mais bonito do que eu havia imaginado, até porque eu ainda estava com aquela história do garoto de doze anos na cabeça, então, não podia dizer que estava preparado para o que encontrei. Como um grande amante de música e de tatuagens, Louis logo subiu dois pontos em meu conceito, mas perdeu um por causa de sua clara demonstração de mau humor. No entanto, eu estava disposto a lhe dar um desconto porque, qual é, né? O cara tinha perdido a visão há seis meses. Até eu estaria de mau humor se estivesse no lugar dele.

Ouvi Marie Anne pigarrear, discretamente, e quando me virei para ela, ela meneou a cabeça na direção de Louis e ergueu as sobrancelhas para mim de uma maneira significativa que logo deixou claro que eu deveria estar dizendo alguma coisa – embora eu não soubesse exatamente o quê –, então, decidi começar com a primeira coisa que veio à minha cabeça.

– Eu não sou um enfermeiro. – disse em um tom que eu esperava que transmitisse calma e segurança, algo que eu realmente estava sentindo, até Louis dizer:

– Que ótimo. Então, você é apenas idiota mesmo.

Rapaz, eu quis esganar aquele moleque. Provavelmente eu teria feito isso se eu não precisasse tanto do emprego que a mãe dele estava disposta a me dar caso eu conseguisse fazê-lo se dar bem comigo, então, ao invés de voar em seu pescoço, eu apenas sorri e disse:

– Mais ou menos.

Louis se remexeu na cama e se virou para o lado, colocando os pés no chão e tateando ao redor até encontrar o suporte de violão que havia ali. Assim que o localizou, ele retirou seu violão de cima da cama e o colou na posição vertical, tentando encaixá-lo sem muito sucesso na base do suporte.

Acho que eu tenho um coração muito mole para algumas coisas, pois, mesmo o garoto tendo me chamado de idiota havia cerca de trinta segundos, eu me afastei de Marie Anne e caminhei até o lado da cama dele, segurando o braço de seu violão.

– Me dá aqui. – pedi – Deixa eu te ajudar a...

– Solta o meu violão, caralho! – ele esbravejou, puxando o violão para longe de mim com violência.

Retraí as mãos e cambaleei um passo para trás, assustado com seu pequeno ataque de fúria e Louis continuou sua guerra contra o suporte até que, finalmente, conseguiu encaixar seu violão no lugar certo.

– Acho que vou preparar um lanchinho para vocês. – Marie Anne disse com seu costumeiro tom educado e comedido – Quer alguma coisa em especial, Louis?

– Quero que esse babaca saia do meu quarto. Tem como? – ele perguntou ainda mal humorado, mas pelo menos, com ela, ele não gritou.

– Acho que não tem, mas vou trazer alguns cookies e uma vitamina de banana com maçã para vocês dois. – ela respondeu sem se abalar – Volto daqui a pouco. – e, então, deu meia volta e saiu do quarto, fechando a porta ao passar.

O silêncio que reinou ali dentro, depois disso, só podia ser descrito como doloroso. Eu sabia que precisava me entender com Louis, caso quisesse conseguir o emprego, mas também não estava muito entusiasmado para ouvi-lo gritar comigo de novo e me xingar, então, adotei uma abordagem neutra que consistia, basicamente, em ficar no canto do quarto, sem fazer qualquer barulho além de respirar e esperando que ele entendesse isso como uma oferta de paz. Acho que vi algo parecido com esse método no Animal Planet, mas, obviamente, os envolvidos naquela situação eram um homem e um leão e, nesse caso, Louis era o leão que eu precisava não irritar se não quisesse correr o risco de ser atacado.

– Você ainda está aqui dentro? – ele perguntou, olhando exatamente para o canto onde eu estava de pé e o fato de ele estar falando comigo me deixou tão nervoso que eu apenas balancei a cabeça afirmativamente, mas depois me lembrei de que ele não conseguia me ver e gaguejei um “sim”, sem muita convicção – Ah. Achei que você tinha ido embora.

– Não. Não fui.

– Mas deveria ter ido. – ele disse convicto – Eu não quero você aqui.

Aquilo me deixou meio sem palavras, não que eu estivesse falando pelos cotovelos nos últimos três minutos, mas caramba! Aquele garoto sabia ser bem ruim quando queria. Não era a toa que ninguém mais tinha voltado pelo emprego. Eu só estava aqui em cima há cinco minutos e já estava querendo matá-lo, imagine ter de aguentar isso por quinze dias.

– Acho que nós começamos com o pé esquerdo. – tentei contornar a situação com elegância, mas Louis abriu um sorriso de escárnio.

– Na verdade, não. Nós começamos com você se intrometendo onde não tinha sido chamado. – ele respondeu de maneira rude – Eu não pedi a sua ajuda para guardar o meu violão.

– Mas você não estava conseguindo encaixá-lo no lugar certo. – retruquei na defensiva – Tentar te ajudar era algo que qualquer pessoa com bom coração faria.

– Qualquer pessoa com bom coração? – ele repetiu indignado – Você acha que eu sou o quê, hein? A sua boa ação do dia? Por acaso você é daqueles que tem uma cota do tipo: se eu ajudar o cara cego a colocar o violão no lugar certo, não vou precisar ajudar uma velhinha a atravessar a rua?

– Mas que merda você está dizendo?

– Só para começar, você devia estar se perguntando que merda você ainda está fazendo no meu quarto quando eu já deixei bem claro que não te quero aqui.

Eu bufei e me afastei da parede.

– Você é sempre tão idiota assim ou só aconteceu de eu ter tirado a sorte grande hoje? – questionei irritado – Sério, cara. O que foi que eu fiz para você?

– Só entrou no meu quarto sem ser convidado e tentou se meter no que não era da sua conta.

– Para a sua informação, a sua mãe me deu permissão para subir aqui e a sua governanta me trouxe, então, não importa o que você ache eu não estou invadindo essa maravilhosa propriedade privada que você chama de quarto e, quanto ao seu violão, eu só tentei te ajudar a encaixá-lo no lugar certo. Da próxima vez, eu prometo que o jogo pela janela junto com você.

– E, agora, você está me ameaçando de morte. – ele refutou – Espere até a minha mãe saber o tipo de profissional que ela está deixando entrar na nossa casa.

– Um grande foda-se para você, porque eu não estou te ameaçando de morte e eu já disse que eu não sou a droga de um enfermeiro.

– Então, que raios você é? – ele perguntou e, apesar do mau humor evidente também pude detectar uma nota de curiosidade. Bem, nós poderíamos ter resolvido esse problema facilmente se, ao invés de apenas me ofender, ele tivesse deixado eu me apresentar.

– O meu nome é Harry. – eu disse antes que ele mudasse de ideia e decidisse falar que não se importava com porra nenhuma da minha vida – Eu não sou um enfermeiro. Sou um estudante de música. Tenho vinte e um anos.

– Um estudante de música? – Louis pareceu genuinamente confuso – Porque a minha mãe contrataria um estudante de música para ficar de olho em mim?

– Porque ela sabe que você não gosta dos enfermeiros e, provavelmente, porque ela também sabe que eles não gostam de você.

Ele fez biquinho.

– Foda-se. Eu não preciso mesmo de um enfermeiro. – deu de ombros – Também não preciso de uma porcaria de estudante de música.

Aquilo me ofendeu muito. Eu não era uma porcaria de estudante de música. Eu era muito bom no que eu fazia e, tudo bem, podia não ser o melhor, mas eu me esforçava bastante para conseguir isso.

– Olha aqui, seu moleque mimado e egocêntrico, só porque você se acha melhor que todo mundo não significa que você seja, tá legal? Na verdade, você é um verdadeiro imbecil. Eu não sei por que a sua mãe está se esforçando tanto para encontrar alguém legal para passar quinze dias aqui com você quando você não merece. Ela deveria era te deixar sozinho mesmo. Quem sabe você não passava por um sufoco e aprendia a ser menos orgulhoso.

– Se acha isso, então, porque você ainda está aqui? Já deveria ter ido embora, não é mesmo?

Cruzei os braços e virei a cara para ele, embora o fato de ele não poder me ver não contribuir em nada para a cena.

– Só estou aqui por causa do dinheiro. – respondi em meu tom mais altivo – Antes eu estava aqui porque queria ajudar alguém, mas, depois de ter conhecer, eu descobri que eu quero mais é que você se dane.

Louis abriu a boca para retrucar, mas antes que ele pudesse me xingar de todos os palavrões que conhecia, Marie Anne abriu a porta do quarto e entrou no aposento carregando uma grande bandeja.

– Olha o lanchinho. – ela anunciou sorridente – Espero que estejam com fome.

– Ah, sim. Eu estou. – respondi educadamente e caminhei até o lugar onde ela havia depositado a bandeja para me servir de um copo de vitamina e de alguns cookies – Isso está delicioso, Marie Anne. – elogiei e, depois, me virei para Louis na cama – Você quer que eu leve alguns cookies para você, amigão?

O tom vermelho vivo que irradiou por sua face foi a resposta da qual eu precisei para saber que o tinha irritado, mas depois de ter suportado tantas ofensas dele, sem ter feito absolutamente nada, eu queria mais era que ele provasse um pouquinho do próprio veneno.

– Pode deixar que eu o sirvo. – disse para Marie Anne – Estamos nos entendendo muito bem.

Ela sorriu para mim, certamente feliz por que aquilo significava que haveria alguém para ficar com Louis nos quinze dias em que seus pais estariam viajando e, então, saiu do quarto e bateu a porta.

– Ei, idiota. Você vai querer comer ou eu posso acabar com tudo? – perguntei a Louis, assim que os passos de Marie Anne sumiram pelo corredor.

– Eu ouvi o que você disse a ela. – ele respondeu, sem responder a minha pergunta – Nós não estamos nos dando bem. Na verdade, eu estou com vontade de te jogar pela janela.

– Para fazer isso, você precisaria primeiro saber onde fica a janela. – eu retruquei em voz baixa e, até mesmo nos meus pensamentos, esse comentário foi maldoso, então, imediatamente comecei a pedir perdão a Deus pelo que eu havia dito – Você consegue comer mais de cinco cookies? – decidi mudar de assunto antes que eu condenasse minha alma ao inferno.

– Não quero comer.

– Esses cookies estão maravilhosos. – comentei enquanto enchia um dos pires com alguns deles – A vitamina também está muito gostosa. – peguei um dos copos que Marie Anne havia trazido na bandeja e atravessei o quarto para entregá-los a Louis – Experimenta.

– Eu já disse que não quero comer! – ele deu um tapa no copo em minha mão, fazendo-o voar para cima de mim e sujar não apenas a minha roupa, mas também o meu rosto e parte do meu cabelo.

Demorou um segundo para que eu processasse o acontecimento, mas quando isso finalmente aconteceu, a raiva que explodiu em mim foi tão grande que eu atravessei o quarto novamente e peguei o meu próprio copo de vitamina, percorrendo todo o caminho de volta só para jogá-lo sobre a cabeça de Louis.

Acho que ele não estava esperando por isso, porque no momento em que a vitamina cobriu sua cabeça ele se colocou de pé com um salto e acabou tropeçando no suporte do violão que estava ao lado de sua cama, caindo por cima dele e se estatelando com tudo no chão.

– Ai, meu Deus. – eu larguei o copo no mesmo instante e corri para ajudá-lo, mas assim que me aproximei e segurei seu braço, ele usou a outra mão para me empurrar para longe e o piso escorregadio me fez cair de bunda no chão – Seu filho de uma puta! – xinguei – Eu só estava tentando te ajudar.

– E eu já disse que eu não preciso da sua ajuda. – ele se apoiou na escrivaninha ao lado de sua cama e se levantou, tateando o piso ao redor à procura de seu violão e do suporte que havia voado para longe quando ele tropeçou – Mas que merda! Porque você simplesmente não vai embora e me deixa em paz?

– Olha, eu sinto muito por você ter caído, mas foi você quem começou. – me coloquei de pé e recolhi o suporte, arrancando o violão das mãos de Louis e o colocando de volta no lugar – Desde que eu cheguei aqui você está me tratando mal e, agora, você derrubou um copo cheio de vitamina em mim e eu não fiz absolutamente nada para você. Eu não tenho culpa de você ter perdido a visão. Não era eu quem estava dirigindo aquele carro quando você sofreu aquele acidente, então, pare de me tratar como se eu fosse o culpado pelos seus problemas porque eu não sou!

– O que aconteceu aqui? – Marie Anne e a Dra. Tomlinson irromperam pela porta do quarto como o furacão Katrina e seus olhos vagaram de mim, para Louis e para toda a bagunça no chão, como se tentassem decifrar o que se passara.

– Olha, esse emprego não é para mim. – eu fiz questão de me pronunciar antes que Louis começasse a fazer um drama – Eu tentei me entender com o seu filho, mas ele é um idiota. Não é a toa que ninguém quis esse emprego. Seria melhor trabalhar testando colete à prova de balas e arriscando levar um tiro no peito do que enfrentar o Louis por quinze dias. Não dá para aturar ele. – apontei para Louis, que ainda estava se segurando na escrivaninha e, depois, me encaminhei para a porta – Estou indo embora. – comuniquei e saí.

A Dra. Tomlinson me alcançou antes que eu tivesse terminado de descer a escada e supus que ela tivesse deixado Marie Anne cuidando de Louis, porque eu conseguia ouvir os gritos de raiva dele ecoando do segundo andar.

– Sr. Styles. – A Dra. Tomlinson me chamou, mas continuei andando para a porta de saída – Sr. Styles, podemos conversar por um instante? Sr. Styles. Harry! – ela gritou e, dessa vez eu tive que parar e me virar para ela porque, para falar a verdade, ela me assustou – Por favor, não vá embora. O Louis é um garoto difícil, mas eu ainda acho que vocês podem se dar bem.

– Nós podemos nos dar bem? Por acaso a senhora já viu o meu estado? O seu filho atirou um copo de vitamina na minha cara. Como é que a nós dois poderíamos nos dar bem?

– Talvez vocês só precisem de mais um tempinho para se acostumar um com outro.

Eu ri.

– A única coisa que eu preciso é ficar bem longe do seu filho.

– Eu pago o dobro do que ofereci no anúncio. – a Dra. Tomlinson propôs, desesperada – Por favor, Harry. Marie Anne saíra de férias amanhã e meu marido e eu viajaremos em três dias. Ninguém mais apareceu para uma entrevista e todos os que conheceram o Louis não quiseram voltar. Por favor. Eu estou sem opções e não posso deixá-lo sozinho por quinze dias.

– Então, levem-no com vocês para o tal congresso. Eu não vou ficar quinze dias com um garoto que jogou um copo de vitamina na minha cara.

– Eu pago o triplo. – ela ofereceu e, foda-se o mau humor do Louis, o copo de vitamina e a vontade que eu sentia de atirar aquele garoto escada a baixo, nós estávamos falando da absurda quantia de dois mil e setecentos dólares por quinze dias de trabalho, então, ele podia atirar o seu maldito violão na minha cabeça se quisesse, mas eu não ia perder essa grana.

– Acho que estarei disponível em três dias. – disse tentando não parecer muito eufórico quanto a quantia e fracassando miseravelmente – Podemos conversar a respeito das minhas atribuições, se a senhora quiser.

A Dra. Tomlinson respirou aliviada.

– Venha comigo. Vou te explicar tudo enquanto assino o cheque.

E, assim, fedendo a vitamina de banana com maçã e com um sorriso de orelha a orelha no rosto, eu a segui.

Notas finais
Eita que esse dois são como fogo e gasolina, hein? kkk O que vocês acharam da peste do Louis? O Harry vai sofrer um pouquinho? Ou será que é o Louis quem vai sofrer porque o Harry também não deixa nada barato, né? Espero que tenham gostado do capítulo e, assim que possível, eu volto com o próximo. Beijocas.