Gotta Be You - EM HIATUS
7 Dark Horse
Notas iniciais
[Harry P.O.V.]
Louis ainda estava de cara amarrada quando terminamos de vestir nossas roupas de jóquei e seguimos para a hípica do Doncaster Racecourse acompanhados pelo Sr. Clayton. Ele não parecia nada animado com a história de ter aulas de equitação, provavelmente porque devia estar pensando que eu, simplesmente, o colocaria em cima de um cavalo e o entregaria a sua própria sorte, mas por mais que às vezes eu tivesse uma vontadezinha cruel de realmente fazer isso, eu não era tão louco assim, não é?
Antes de marcar nossa aula eu telefonei e verifiquei se o Doncaster Racecourse possuía um programa de aulas de equitação para pessoas com deficiência visual e se todas as medidas de seguranças que eles tomavam eram realmente confiáveis. Eles pareciam ser muito bons no que faziam e, procurando na internet, descobri que já haviam até ganhado alguns prêmios por isso, portanto, não vi qualquer problema em nos inscrever. Eu até tentei dizer isso a Louis enquanto trocávamos de roupa no vestiário, mas ele continuou resmungando, então, não acho que ele tenha acreditado em mim. Problema dele!
– Ali estão. – disse o Sr. Clayton assim que chegamos a uma área cercada, coberta de areia branca e repleta de obstáculos de madeira onde dois belos cavalos nos esperavam, sendo segurados pelas rédeas por um casal de funcionários do Doncaster Racecourse – Esses são Ragna e Blackthorn. Os dois melhores cavalos que temos aqui na hípica. Já ganharam vários prêmios em competições de adestramento e são muito dóceis e bem treinados. Exatamente como o senhor pediu, Sr. Styles.
Abri um sorriso de agradecimento para o Sr. Clayton e olhei rapidamente para Louis, para ver sua reação, mas ou ele não ouviu uma única palavra do que o Sr. Clayton disse ou o fato de eu ter me preocupado em assegurar sua total segurança durante a aula não o importava nem um pouco. Conhecendo Louis como eu conhecia, eu tinha certeza de que a segunda opção era a escolha certa, afinal, aquele filho da mãe egoísta e egocêntrico não estava nem aí para o que fazia de bom por ele. Ele só se preocupava em me ofender.
– Michael e Selena – o Sr. Clayton continuou, indicando os dois funcionários atrás dele que, imediatamente, sorriram e acenaram para mim e para Louis, embora ele não pudesse vê-los – ficarão conosco durante a aula, para nos auxiliar no que for preciso. Agora, se já estiverem prontos, podemos começar a aula de equitação.
Olhei novamente para Louis que, assim como nos últimos quinze minutos, permanecia parado ao meu lado parecendo tão silencioso e furioso quanto o céu antes de uma grande tempestade começar a desabar. Ele não parecia nada contente por estar ali e eu não tinha certeza se poderia confiar completamente nele para não fazer um escândalo ou destratar um dos funcionários da hípica durante a aula – porque Louis era desses –, mas agora que estávamos ali, vestidos com nossos uniformes de jóqueis e bem diante da área de treinos eu não podia simplesmente desistir.
– Estamos prontos, sim. – respondi com um sorriso que transmitiu mais confiança do que eu realmente tinha – Qual desses será o meu cavalo?
– O senhor pode escolher. – Selena disse gentilmente – Acreditamos que o cavalo sempre tem uma ligação com o jóquei que o monta, então, se quiser vir até aqui e dar uma olhada neles antes de escolher seria maravilhoso. Assim você pode montar aquele com o qual mais se identificar.
– Ah, aquele com o qual eu mais me identificar? – repeti um tanto nervoso com aquilo. E se nenhum daqueles cavalos se identificasse comigo? E se eles me odiassem tanto que quisessem me derrubar? Ai, meu Deus. O que eu ia fazer? – Tudo bem. – respondi com um sorriso amarelo – Acho que eu vou até aí trocar uma palavrinha com eles, né? Para gente se conhecer um pouco.
Selena e Michael sorriram para mim em incentivo e eu me afastei de Louis para seguir até o lugar onde os cavalos estavam.
Eles eram animais magníficos. Ragna possuía uma bela pelagem cor de caramelo com uma crina tão branca quanto a neve e Blackthorn era um belo cavalo negro que praticamente reluzia a luz do sol daquela manhã. Ambos eram animais enormes e imponentes, repletos de músculos rígidos e bem trabalhados e que aparentavam ser muitas coisas para mim, exceto os animais dóceis e amáveis que o Sr. Clayton havia descrito antes. Para ser bastante sincero, eles me assustavam um pouco, então, voltei-me novamente para Louis.
– Quer escolher primeiro? – disse em um tom que eu esperava que não deixasse transparecer todo o meu nervosismo, mas percebi que foi um esforço inútil porque Louis rapidamente abriu um sorrisinho de escárnio para mim.
– Não me diga que agora você está com medo dos cavalos, Harry?
– Não é medo. – eu me defendi – Só acho que você deveria escolher primeiro para eu não correr o risco de acabar me identificando com o cavalo errado e roubando aquele que deveria ter sido seu.
– Ah, claro. – Louis respondeu num tom de completo deboche – Você apenas não quer pegar o cavalo errado. Uhum, Harry. Eu acredito em você.
Fechei a cara para ele e já estava me preparando para retrucar seu comentário sarcástico, quando Louis se aproximou de mim e segurou em meu antebraço, pedindo que eu o levasse até os cavalos. Com medo de que ele desistisse da aula caso eu falasse alguma coisa, fiz como ele solicitou e, lentamente, o conduzi até onde Ragna e Blackthorn estavam, deixando-o primeiro ao lado de Ragna.
Devagar, Louis estendeu a mão e tocou o torso largo do animal, deslizando os dedos cuidadosamente por sua pelagem até chegar ao seu pescoço e à sua crina branca.
– É um garoto? – ele perguntou a Michael, que estava segurando as rédeas de Ragna e observando todos os seus movimentos.
– Sim. É um garoto. – Michael respondeu parecendo estar tão orgulhoso do cavalo quanto o pai do astro do time de futebol do colégio estaria de seu filho – Ragna é um puro sangue inglês. Tem oito anos de idade e está em ótima forma. É um belo rapaz.
– Ele parece ser lindo mesmo. – Louis o elogiou, acariciando a crina do animal, que sacudiu um pouco a cabeça, satisfeito com o carinho – Você tem uns músculos impressionantes aqui, Ragna. Deve enlouquecer todas as meninas do seu estábulo, não é garanhão? Aposto que elas ficam doidinhas por você.
Ele acariciou um pouco mais o animal e depois deu um passo para trás, deixando-me guiá-lo até Blackthorn.
– E este? – Louis perguntou assim que sua mão pousou sobre o torso forte do outro cavalo – É um garoto ou uma garota?
– Ele também é um garoto. – Selena respondeu acariciando a face de Blackthorn – Ele é um puro sangue lusitano e tem dez anos de idade. Foi resgatado de uma fazenda onde era maltratado pelo antigo dono e trazido para a hípica, por um grupo de ativistas, há cerca de quatro anos.
– Sério? – Louis também acariciou a pelagem do Blackthorn, assim como fizera com Ragna, mas, para a minha surpresa, quando ele se aproximou de seu pescoço, Blackthorn se desvencilhou dos carinhos de Selena e inclinou a cabeça para Louis, roçando-a em seu ombro – Ei. – Louis sorriu. Ele realmente sorriu. De uma maneira que eu nunca o tinha visto fazer antes e aquilo me deixou completamente desconcertado por um instante.
Deus, ele tinha um sorriso tão lindo! Eu nunca imaginei que ele pudesse sorrir daquele jeito, já que estava sempre de cara amarrada ou gritando comigo, mas ali, com os cavalos, ele quase parecia outra pessoa. Alguém cujo sorriso era sincero e radiante e que em nada se comparava ao Louis mal educado e rabugento que ele normalmente era.
– Ei, garotão. – ele continuou murmurando com Blackthorn – Acho que você gostou de mim, hein? Você gostou? Quer me deixar passear com você? Você é um garotão muito lindo, sabia? É um guerreiro. Já estou orgulhoso de você e eu só te conheço há um minuto.
Eu fiquei olhando para aquela cena, completamente embasbacado, porque eu nunca tinha visto nada parecido como aquilo antes. Observar Louis interagindo com aquele puro sangue lusitano enorme como se estivesse falando com um simples Poodle era a coisa mais fofa que eu já tinha presenciado na vida e eu simplesmente não conseguia parar de olhar para aquilo.
– Acho que eu já me decidi. – Louis disse por fim – Vou ficar com o Blackie. Acho que rolou uma química entre nós. – ele acariciou a crina negra do cavalo e, ainda encantado com o sorriso que pairava em seus lábios, tudo o que eu fiz foi assentir e me afastar, deixando-o nas mãos experientes de Selena e do Sr. Clayton.
Nossa aula correu melhor do que eu imaginei. Os treinadores nos ajudaram a montar nos cavalos e depois nos ensinaram a cavalgar, mantendo-nos fora dos espaços onde havia obstáculos de salto. Acho que demos, pelo menos, uma dezena de voltas junto a cerca da área de treinos, sempre com os treinadores segurando as rédeas dos cavalos e atentos a todos os nossos movimentos, antes de eles finalmente nos levarem para área de saltos e nos ensinarem a passar pelos obstáculos.
Tudo foi feito com muita segurança e os obstáculos nunca eram colocados muito altos para que não corrêssemos o risco de cair, então, ao final do dia nossa aula tinha sido muito bem aproveitada e a experiência tinha sido maravilhosa. Eu me diverti muito acompanhado de Ragna e até me apeguei a ele como se fosse meu, mas nada se comparou ao quanto Louis se divertiu ao lado de Blackthorn e ao quanto ele se apegou àquele cavalo. Foi até difícil separá-los no final do dia.
– Você foi um companheiro de saltos maravilhoso, sabia? – Louis murmurou praticamente abraçado ao pescoço de Blackthorn quando nosso horário acabou – Eu queria te levar para casa, mas eu não tenho um estábulo lá. Só uma garagem. E uma piscina, mas eu não uso nenhuma das duas coisas.
– Louis, a gente precisa ir. – eu o chamei novamente. Acho que aquela já era a quinta ou sexta vez que eu o chamava para ir embora – A hípica já vai fechar. Selena e Michael precisam levar os cavalos de volta para as baias deles.
– Se eu pudesse eu vinha cavalgar com você todos os dias. Acho que a gente ia ser uma dupla imbatível nessas competições de adestramento aí. A gente se deu muito bem hoje.
– Louis.
– Eu já estou indo. – ele reclamou, parecendo nem um pouco interessado em fazer isso realmente – Dá para esperar só um minuto?
– Eu já estou esperando há quase dez. – respondi com um suspiro cansado – Anda. Vamos embora, Louis. Os cavalos precisam voltar para o estábulo e precisam comer e descansar. Deixe Selena e Michael levá-los.
– Está bem. – Louis respondeu de mau humor.
Ele acariciou mais uma vez a crina negra e lisa de Blackthorn e lhe deu mais uma espécie de abraço e, então, totalmente contra a sua vontade, se afastou dele e deixou que Selena o levasse de volta para o estábulo.
– Viu, só? – eu disse assim que saímos do Doncaster Racecourse e nos acodamos novamente nos bancos de seu carro – Eu disse que a minha lista de atividades seria legal. Sabia que você ia gostar delas.
Manobrei o carro para fora do estacionamento e relanceei os olhos para Louis, mas ele apenas permaneceu com a cabeça pressionada contra o vidro da porta do passageiro e não disse nada a respeito de meu comentário.
– Você não vai começar a me ignorar de novo, vai? – questionei um tanto indignado com sua atitude – Você passou a tarde inteira de bom humor, Louis. Não vá voltar a ser um filho da mãe comigo agora.
– Eu quero um cavalo. – ele resmungou em voz baixa.
– Você quer o quê?
– Eu quero um cavalo. – ele repetiu, finalmente se virando em minha direção – Acho que vou pedir aos meus pais para me comprar um cavalo quando eles voltarem de viajem. Talvez o pessoal da hípica me venda o Blackie. O quintal da minha casa tem espaço suficiente para construir um estábulo para ele.
Eu o olhei por um segundo e depois voltei a me concentrar no trânsito.
– Você ficou doido, foi? Você não pode ter um cavalo.
– Porque não? – ele soou um pouco na defensiva e eu percebi que estava começando a ficar bravo comigo de novo – Eu me dei muito bem com o Blackie hoje. A gente formou uma dupla perfeita.
– Vocês formaram, sim, mas cavalos precisam de espaço. – eu tentei explicar minhas razões – Não podem simplesmente viver no quintal da sua casa por maior que ele seja. Eles precisam de ar livre, Louis. Precisam de alguém que os levem para cavalgar todos os dias, precisam de comida específica, de tratamento adequado. Tudo isso gera um custo. Não é simplesmente comprar um cavalo. Manter esses animais é trabalhoso e caro.
– Meus pais têm dinheiro. – Louis retrucou indignado – Eles podem muito bem manter um cavalo.
– Provavelmente sim, mas manter um cavalo não se trata apenas de ter dinheiro suficiente para construir um bom estábulo para ele e para comprar comida. Seus pais teriam que contratar um tratador para limpar a sujeira dele e alimentá-lo todos dias. Teriam que pagar os tratamentos veterinários que todo animal precisa e que são bem caros. Teriam que contratar um treinador para adestrá-lo, porque cavalos como o Blackie não se treinam sozinhos e, além disso, eles ainda teriam que manter esse treinador sempre por perto, para quando você quisesse cavalgar, porque você não consegue montar um cavalo sozinho já que você é... – eu me interrompi antes que pudesse falar alguma coisa da qual viesse a me arrepender depois, mas foi uma precaução tardia e inútil porque Louis entendeu exatamente o que eu queria dizer.
– Vá em frente. – ele disse verdadeiramente irritado comigo agora – Diga que eu não consigo montar a droga de um cavalo porque eu não o enxergo, Harry. Diga. Termine a sua frase idiota.
Eu apertei o volante do carro entre os dedos e respirei fundo, procurando uma maneira de sair daquela situação incômoda que eu havia acabado de criar, mas como não encontrei nenhuma desculpa suficientemente boa para explicá-la, decidi ser sincero e falar exatamente o que eu pensava sobre essa história porque dizer a verdade, nua e crua, era melhor que ficar procurando formas de me justificar quando eu já sabia que Louis não acreditaria em uma única palavra do que eu dissesse.
– Você não pode me culpar por estar falando o óbvio. – eu respondi achando que poderia ter sido um pouco mais suave, mas sem conseguir encontrar uma maneira melhor de dizer aquilo – Você é cego, Louis. Não dá para simplesmente montar em um cavalo e sair cavalgando por aí quando você nem sabe que direção está tomando. Você precisa de supervisão até para encontrar a cozinha da sua própria casa. Como espera poder andar a cavalo sozinho desse jeito?
Louis não respondeu nada, mas eu podia ver em seu rosto que meu comentário o havia deixado ainda mais zangado e magoado do que já estava. Eu quis olhar para ele e dizer que eu não estava falando aquilo por mal, que apenas queria que ele entendesse as limitações que tinha, mas ele virou a cara para mim e voltou a encostar sua cabeça na janela do passageiro, decidido a me ignorar por todo o caminho do Doncaster Racecourse até sua casa.
Sentindo-me culpado, deixei que ele ficasse em silêncio então, mas, assim que estacionei o carro de volta em sua garagem e Louis abriu a porta e desceu, caminhando em direção à saída sem esperar pela minha ajuda, eu tive que pôr um fim àquele nosso acordo silenncioso.
– Louis, espera. – pedi, correndo para interceptá-lo antes que ele se esbarrasse em alguma coisa e acabasse se machucando, mas assim que fechei minha mão ao redor de seu pulso, ele se virou para mim e empurrou o meu peito com força, quase derrubando a nós dois com o movimento.
– Não toque em mim! – gritou completamente possesso, enquanto se debatia e tentava me estapear na esperança de libertar seu pulso de minha mão – Eu não quero que você se aproxime de mim! Não quero que fale comigo! Não quero sequer que você olhe para mim de novo, Harry. Eu não quero nada que venha de você ou que tenha a ver com você!
– Louis! – eu exclamei tentando me desviar dos tapas que ele desferia a esmo em minha direção – Louis, eu só disse o que eu pensava. Não falei por mal. Não falei para te ofender. Para de tentar me agredir, caramba!
– Não! – ele continuou a desferir tapas em minha direção, acertando-me algumas vezes quando eu não era rápido o suficiente para me desviar dos golpes – Eu não quero ouvir o que você tem a dizer. Não quero suas explicações idiotas. Eu só quero que você me largue e que me deixe em paz! Solte o meu braço!
– Tudo bem! – eu o soltei, mas um segundo depois me arrependi disso porque, no momento em que meus dedos largaram seu pulso, Louis estava se puxando para longe de mim e o resultado disso foi que ele se desequilibrou completamente e saiu cambaleando para trás até se chocar contra a parede da garagem, onde bateu a cabeça com força e saiu escorregando até parar no chão – Ai, meu Deus! Louis! – eu me apressei para ajudá-lo porque o barulho estrondoso que sua cabeça fez ao se chocar contra parede da garagem, de fato me deixou preocupado e, então, me abaixei ao lado dele – Louis, você está bem? Está acordado? Consegue me ouvir? – perguntei em meio ao desespero – Você está machucado? Precisa ir ao hospital? Eu devo chamar uma ambulância?
Ele não respondeu nada, mas o gemido sôfrego que escapou por seus lábios só serviu para me deixar ainda mais preocupado e, em meio a minha aflição, eu demorei um instante para entender que, na verdade, Louis tinha começado a chorar.
– Ah não, Louis. Não. Você se machucou muito? Sua cabeça está latejando? Eu vou ligar para a emergência, está bem? Espera só um instante. – eu me coloquei novamente de pé, mas antes que eu pudesse dar um único passo, Louis segurou a barra de minha camiseta e me manteve no lugar.
– Não liga para a emergência. – ele me pediu – Não estou machucado. Foi só uma queda boba. Eu vou ficar bem.
– Você não me parece bem. – eu observei – Você está chorando, Louis. Me deixa ligar para a emergência. Eles podem dar uma olhada em você e...
– Harry, não precisa. – Louis disse com firmeza – Eu estou bem. Foi só uma queda boba. Eu já disse. Foi apenas isso. Só me ajude a levantar, está bem?
– Isso foi só uma queda boba? Louis, eu achei que você tinha rachado a sua cabeça nessa parede. E, se você está bem, então, porque está chorando? Eu não estou entendendo o que está acontecendo com você.
– Não é nada. – ele começou a se levantar sozinho e eu não tive outra escolha se não de ajudá-lo a se colocar de pé.
– Você devia permanecer deitado. Você pode ter tido uma concussão. Não é bom fazer esforço.
– Eu estou bem.
– Então porque você está...
– Porque eu estou vivo! – Louis respondeu a minha pergunta antes mesmo que eu tivesse a oportunidade de concluí-la – É por isso que estou chorando, Harry. Porque eu estou vivo.
– Isso não faz sentido nenhum. – eu encarei, assustado com aquela declaração – Isso não é motivo para chorar, Louis. É motivo para...
– Não diga sorrir. – ele me cortou de maneira dura – Não diga sorrir a menos que você queira que eu comece a te bater de novo.
– Mas eu não entendo. Você...
– Me leva para o meu quarto. – ele exigiu em um tom que deixava bem claro que não havia espaço para discussões ou conversas – Eu só quero tomar um banho e me deitar um pouco. Estou cansado.
– Não acho bom você dormir agora. Você acabou de bater a cabeça com força. Pode ter tido...
– Uma concussão. – Louis completou irritado – É. Eu já sei, Harry. Você já disse isso. E eu não vou dormir, ok? Só vou me deitar um pouco. Pode ficar me vigiando se quiser. Agora me leva para casa. Eu cansei de ficar batendo papo dentro de uma garagem.
Eu olhei para ele, disposto a discutir aquilo, mas ao ver a expressão séria que estava estampada em seu rosto, preferi deixar para lá. Eu não sabia que motivo Louis tinha para chorar por estar vivo e também não sabia se eu devia começar a me preocupar com isso. Sua mãe não havia me falado nada sobre qualquer tendência suicida a seu respeito, mas eu não sabia o que pensar depois daquela declaração terrível. De qualquer forma, eu fiz o que Louis pediu e o levei para seu quarto. Também preparei uma sopa para nós e o obriguei a comer pelo menos um pouco.
Até pensei em burlar aquela sua regra estúpida de que eu não podia entrar em seu quarto, apenas para poder ficar de olho nele a noite toda, mas isso não chegou a ser necessário. Louis acabou adormecendo no sofá da sala mesmo e, como um bom acompanhante, eu apanhei nossos cobertores no andar de cima e me acomodei no sofá ao lado do seu para não deixá-lo sozinho. Felizmente, os sofás da família Tomlinson eram até mais macios e confortáveis que a minha própria cama.
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