Gotta Be You
18 Capítulo 18
Notas iniciais
POV Christian Grey
Estaciono o carro na garagem de casa, desço dando meio volta e abro a porta do passageiro. Tiro o cinto que prende Anastásia e a pego no colo. Ela é tão magrinha, que não tenho dificuldade nenhuma de carregá-la. Subo as escadas e vou direto para o meu quarto. A porta já está aberta, então caminho até a cama e deito Anastásia. Ando até o banheiro, ligo o chuveiro e coloco no modo frio. Volto para o quarto. Sacudo o corpo de Anastásia mas ela não acorda, minha gatinha capotou. Tiro sua jaqueta e jogo no chão. A pego novamente e a levo até o banheiro, entro com ela no box e ligo o chuveiro. No momento em que a água fria cai em suas costas, seus olhos praticamente saltam para fora me fazendo rir.
– M-meu De-eus! Tô congelando aqui. — Reclama batendo os dentes.
– Para de reclamar. Você deveria estar me agradecendo, por ser tão paciente.
Desligo o chuveiro e faço um sinal para que a mesma fique quieta enquanto vou até o armário que tem debaixo da pia e pego uma toalha. Passo a toalha em volta de seu pequeno corpo e voltamos para o quarto.
– Eu não posso dormir assim, vou pegar um resfriado Christian! Você é burro ou o que? — Anastásia fala, enquanto agarra a toalha com força. Ela está tremendo.
Reviro os olhos. Era só o que me faltava, ter que aturar as reclamações de cinco em cinco minutos de uma bêbada.
Abro meu guarda-roupa e tiro uma camisa e uma cueca minha. Jogo a mesma para Anastásia, que me xinga baixinho. Aproveito e vou ao banheiro trocar de roupa. Tiro a roupa molhada e jogo no sexto de roupa suja, colocando uma calça de moletom cinza e fico sem camisa. Volto para o quarto e encontro Anastásia sentada na cama.
– Minha cabeça tá doendo muito. — Fala fazendo biquinho.
– Vou pegar um remédio para você, enquanto isso se troca.
Saio do quarto, desço as escadas silenciosamente e vou para cozinha. Pego a caixa de remédios de dentro do armário e tiro um para dor de cabeça. Caminho até o outro lado da cozinha e pego um copo no armário. Coloco o mesmo no suporte do filtro e aperto o botão, deixando a água cair dentro do copo. Volto para o quarto e entrego para ela.
– Tô com sono. — Fala, me entregando o copo e esfregando os olhos. Pego o copo e coloco em cima do criado mudo.
– Vamos dormir, já deve ser umas três da manhã. E, amanhã temos aula. — Faço careta e apago a luz.
Anastásia já está deitada na cama. Me deito e ela se vira para mim.
– Até que eu me diverti. — Fala bocejando.
– Eu sei como você se divertiu! — Falo ironicamente.
Não escuto resposta. Olho para ela e seus olhos estão fechados, sua respiração está mais calma. Ela apagou. Me aproximo um pouco mais de Anastásia e a puxo para perto de mim. Ela geme em reprovação, mas passa o braço pela minha barriga. Coloco minha mão esquerda em suas costas, desço e subo com a mesma várias vezes, até enfim pegar no sono.
(...)
Acordo ouvindo o meu celular tocar. Esfrego meus olhos e vejo uma cabeleireira negra. Anastásia. Tiro seus braços que estão em volta de mim e me levanto da cama. Pego o celular e arregalo os olhos.
– Puta que pariu!
10h00 AM! Perdi a aula.
Anastásia se remexe na cama mas não acorda. Coloco minha mão no rosto e nego com a cabeça.
Que desgraça!
Caminho até a porta do quarto e me lembro que tinha trancado essa porra! Meu pai e minha mãe devem ter batido, batido e batido nessa merda! Como é que eu não escutei? Me xingo mentalmente e destranco a porta. Desço as escadas á procura de Gail ou dos meus pais, mas percebo que a casa está vazia. Decido ficar na cozinha mesmo e arrumar a mesa para o café. Pego pães, leite, suco, café, bolo, geleia, bolacha e algumas frutas. Subo para o quarto e encontro Anastásia abraçada ao meu travesseiro. Rio e vou até ela. Tiro o seu cabelo que está na frente do seu rosto, acaricio o mesmo e beijo sua bochecha.
– Ei, Anastásia? — A chamo, alisando seu rosto. Nada. — Ei acorda! — Nada. — ANASTÁSIA!
Na hora, ela arregala os olhos e se senta na cama. Mordo os lábios tentando não rir da sua cara de assustada.
– Isso é jeito de acordar alguém? — Sua voz está meio rouca. Caralho!
– Bom dia gatinha. Dormiu bem?
– Que horas são? — Pergunta bocejando.
Reviro os olhos.
– Isso não importa, já que — Abaixo meu tom de voz. — perdemos a aula.
– O que?
– Perdemos a aula.
– Aaah sim. — Se espreguiça. — Espera aí O QUE?
Anastásia se levanta e corre até a janela, abre as cortinas e tampa os olhos em seguida, por conta da claridade.
– Meu Deus, Christian! — Ela me olha coçando a cabeça. Ela está desesperada. — E agora? MEU DEUS DO CÉU!
Levanto minhas sobrancelhas e cruzo os braços.
– Tudo isso por que perdeu aula?
– MEUS PAI IDIOTA! VÃO ME MATAR! EU ESTOU PERDIDA! — Fala gritando, e a única coisa que eu faço é rir.
– Tá fodida, gatinha.– Falo rindo.
Anastásia fecha a cara e corre atrás de mim, me xingando. Deixo ela me bater um pouco, afinal estou merecendo. Quando penso que ela vai parar, ela continua, então seguro seus pulsos e nego com a cabeça.
– Já deu né gatinha? Acho que já apanhei demais. — Beijo sua testa. — Vamos tomar café, depois pensamos no que fazer com o seus pais tudo bem?
Ela assente e me segue até a cozinha.
(...)
– Não me lembre de quase nada. — Comenta, enquanto beberica seu Nescau.
– Eu me lembro.
Anastásia arregala os olhos.
– Nós não... eer... — Fala gaguejando.
– Não!– A interrompo.
Ela suspira aliviada. Dou de ombros.
Assim que terminamos de comer, decidimos ficar deitados no meu quarto assistindo desenhos. Isso porque ela me obrigou.
– Christian? — Me chama.
Olho para Anastásia, que está abraçada a mim, com a sua cabeça deitada em meu peito.
– Onde os seus pais estão? E a Mia e o Elliot?
– Meus pais estão trabalhando e o Elliot e a Mia estão na escola.
– Huum. — Responde voltando á olhar para a televisão, enquanto faço o mesmo.
– Christian? — Me chama de novo.
– O que?
– O que aconteceu na festa? Não consigo me lembrar de quase nada. Acho que bebi demais. — Fala enquanto me olha atentamente. Huum, Steele. Chegamos na parte que eu queria.
– Eu com certeza bebi mais. — Respondo, lembrando de todas as garrafas que virei. Apesar dos apesares, foi uma boa festa.
– Você se lembra do que aconteceu?
Assinto.
– Não consegue se lembrar de nada? — Pergunto para ver até onde vai o seu cinismo.
– Bom, eu me lembro de ter dançado com o Welch e o Jack... Odeio ir em festas com você! — Fala fechando a cara. — Você sempre me deixa sozinha.
– Isso não vem ao caso agora. — Falo irritado.
– Como não? Já que estamos "juntos", você no mínimo deveria me respeitar e me fazer companhia não acha? — Pergunta debochadamente. Filha da puta!
– Você ficou com Jack, não pode ficar reclamando de mim caralho! — Falo explodindo.
Anastásia se levanta e me encara com os olhos arregalados.
– C-como?
– É ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU! EU VI VOCÊ FICANDO COM ELE, TODA SOLTINHA, PARECENDO UMA... — Falo gritando.
– CALA ESSA BOCA CHRISTIAN! CHEGA! EU JÁ ENTENDI! — Grita me interrompendo.
– O PIOR É QUE FOI NA FRENTE DE TODO MUNDO! EU ESPERAVA MAIS DE VOCÊ. — Grito explodindo de vez.
Ela abaixa a cabeça. Eu estou com raiva, muita raiva. Vadia não pensou duas vezes antes de ficar com aquele desgraçado. Ele ainda vai ter o que merece... Eu avisei para ele ficar longe dela, porra! Eu avisei! Mas que se dane ela, que se dane o Jack! Vão tudo para puta que pariu.
– C-Christian, e-eu não sei o que me deu... e-eu estava bêbada e com raiva de você! — Tenta se explicar. – A CULPA É SUA!– Aponta para mim.
Como é que é? A culpa é minha? Ela que vira uma vadia dá noite para o dia e a culpa é minha? Como assim a culpa é minha?
– Tá louca ou o que? — Pergunto, passando a mão no cabelo. — Era você que estava igual uma vadia oferecida com ele, não eu. E não vem jogando a culpa para cima de mim não, garota.
– A culpa é sua sim, sabe por que? Porque você me deixou sozinha naquela porcaria de festa! Você me trocou por uma vadia qualquer! E quem é você para falar assim comigo? — Ela cruza os braços. — Você — aponta para mim. — fica com Deus e o mundo e eu não ligo. Acha que eu não percebi o jeito que você estava com aquela vagabunda depois do jogo não?
Espera, de quem ela tá falando? Opa! Anastásia está com ciúmes de mim?
Me aproximo dela e seguro sua cintura. Molho os lábios e sorrio para Anastásia, que me encara com uma cara de "WHAT?".
– Tá com ciúmes?– Pergunto debochando.
– O que?
– Não se faz de boba, — Beijo o canto da sua boca. — você me escutou. — Mordisco seu lábio inferior. — Me escutou muito bem.
– Eu não estou com ciúmes. -Fala me olhando intensamente.
– Então não ligar quando eu disser que fiquei sim com a Julie. Tanto depois do jogo, quanto na festa.
– Você o que?
– Por que eu tenho sempre que repetir as coisas para você?
– Não muda de assunto. — Ela vira seu rosto emburrada. — Seu babaca! — Me dá um tapa no braço. — Fica longe de mim Grey! — Fala tentando tirar os meus braços de sua cintura, me fazendo grudar ainda mais meu corpo no seu.
– Tem certeza?
Anastásia olha meus olhos de uma maneira estranha. Depois de um tempo, desvia o olhar para minha boca.– Sinal verde.– Puxa ela para um beijo. Invado sua boca com a minha língua sem permissão, a fazendo ofegar. Sua mãos, que estavam ao lado do seu corpo, sobem para o meu peito tentando me empurrar, a aperto ainda mais, a fazendo enroscar seus dedos em meus cabelos. Mordisco seu lábio inferior e aprofundo o beijo, vasculho cada canto da sua boca. Ela geme em minha boca, enquanto nossas línguas traçam um tango próprio, dançando e explorando, e beijando.
– Eu... te o-ode..io. — Ela diz, durante o beijo.
Ela me quer e eu quero a ela! Eu estou completamente, totalmente, e irremediavelmente viciado nela.
(...)
POV Anastásia Steele
Assim que desço do carro do Christian, encaro a porta da minha casa como se encarasse um bicho de sete cabeças. Eu estou com medo. Não sei como meus pais vão reagir. Não sou de ir em festas, muito menos faltar as aulas. Christian desperta o que tem de pior em mim! Nego com a cabeça. Christian pega minha mão e caminha comigo até a porta. Juro, que pensei que ela fosse me engolir. Respiro fundo e abro a porta. Franzo a testa, ao constatar que não tem ninguém em casa. Bom, era o que eu achava até ver minha mãe descer as escadas.
– Por onde andou, mocinha?
Engulo em seco.
Aperto a mão de Christian, como um pedido de socorro. Ele apenas solta minha mão e envolve minha cintura, me puxando para mais perto dele.
– M-mãe e-eu... eu...
– A culpa é minha senhora. — Arregalo os olhos, encarando Christian. — Eu pedi para Anastásia ficar mais tempo na festa e acabou que dei um pouco de trabalho para ela.
– Ela do jeito que é, ficou cuidando de você. — Minha mãe fala nos olhando atentamente.
Foi meio que o contrário, mas tudo bem.
– Sim senhora. Me desculpa eu...
– Tudo bem, mas não sei se o pai dela vai gostar muito de saber disso.
Christian aperta minha cintura, deve ter ficado nervoso. Assim como eu.
– Mãe, você contou para o papai? — Fala desesperada.
– Claro.
– Não acredito. — Bufo.
– Eu tinha que avisá-lo meu amor. Ele ficou preocupado com você.
– Ele vai em matar mãe!
– Me desculpa. — Ela torce a boca.
Era só o que me faltava. Como vou falar o que aconteceu para o meu pai? Ele me conhece bem, sabe quanto estou falando a verdade e quando minto.
Dona Carla começa a rir de repente. Franzo o cenho.
– Por que está rindo?
– Eu não contei para ele, filha.
– Como é?
– Ele bem que tentou ir no seu quarto, mas eu disse que você já tinha ido dormir.
– Sério? — Sorrio, e minha mãe assente. — Você quase me matou Dona Carla. Nunca mais faça isso, por favor.
Christian dá um beijo na minha cabeça. Tinha até esquecido que ele estava ali.
– Bom, vou deixar vocês conversarem. Qualquer coisa estou na cozinha. — Fala indo em direção a cozinha.
Assinto.
Christian e eu vamos para o meu quarto. Ele vai até minha cama e se esparrama na mesma, como se fosse o dono. Reviro os olhos e caminho até o banheiro. Preciso de um banho urgente! Tiro minhas roupas e ligo chuveiro. Depois de me ensaboar e enxaguar, desligo o registro e saio do banheiro com o meu roupão. Caminho até o meu closet, sentindo o olhar de Christian em mim. Entro e pego uma regata preta e um short da Minie bem confortável. Me visto, volto para o quarto e pulo em cima do Christian.
– Nossa, quando você quer você consegue ser bem pesada. — Reclama.
– Tá me chamando de gorda? — Pergunto me ajeitando a cama.
– Não, é que... deixa para lá.
– Só porque estou com bom humor. — Falo rindo fazendo o Grey rir também.
A porta do quarto é aberta e minha mãe aparece com uma bandeja cheia de doces e salgados.
– Pensei que estariam com fome, então trouxe isso aqui. — Fala deixando a bandeja em cima da minha penteadeira. — Qualquer coisa me chamem.
Assinto e sinto minha bochechas queimarem, ao perceber que estou em cima do Christian. Que vergonha.
(...)
POV Christian Grey
Pego a bandeja e começo a comer, enquanto Anastásia olha para o nada. Ela percebe que estou comendo e me olha com os olhos cerrados. Sorrio com a boca cheia, fazendo a gatinha fazer uma careta de nojo.
– Deixa um pedaço de torta para mim! E para de comer as bolachas, Christian! Ah, não!
Anastásia se aproxima de mim e pega uma bolacha.
– Ei! — Fecho a cara, fazendo-a revirar os olhos.
– Deixa de ser chato garoto!
– Chato, mas você não faz nada para se afastar. — Falo enquanto mordisco um bolinho.
– Idiota!
– Você é mesmo. — Falo rindo.
– Cala a boca. — Responde irritada
– Vem calar. — Revido.
– Você é completamente idiota Grey.
– Não precisa ficar com ciúmes, gatinha. São só bolachas.
Ela revira os olhos e eu me aproximo, envolvendo sua fina cintura em meus braços. Anastásia olha para mim e de repente cai em uma crise de risos. Se tem uma coisa que eu gosto nela é a sua risada. Tão espontânea e sincera. Aliso seu rosto com as costas da minha mão e me inclino, selando nossos lábios em um selinho.
As vezes eu não te entendo sabia? — Sussurra olhando para mim. Olho para ela e me perco na imensidão dos seus olhos. É como se um escudo tivesse sido removido de seus olhos, revelando uma força vital que me faz perder o fôlego. Posso estar parecendo um idiota, mas estou mais preocupado em olhar, hipnotizado essa mulher na minha frente. Seus cabelos de um preto bem vivo emolduram o seu belo rosto. Sua boca de contornos finos, ah e que boca, seu nariz retilíneo e seus intensos olhos azuis lhe conferem uma beleza ingênua e selvagem.
Seus olhos estão pregados em mim, penetrantes e inquisidores. Meu coração começa a bater mais rápido, meu lábios se abrem parcialmente com a aceleração da respiração. Seu cheiro é maravilhoso. Não é perfume. Loção corporal, talvez. Ou xampu. O que quer fosse é inebriante, assim como ela.
Essa garota me traz sensações estranhas.
– Tem horas que nem eu me entendo. — Sussurro em seu ouvido. Como se estivesse compartilhando um segredo.
Anastásia se deita na cama e eu me deito do seu lado a abraçando. Afundo meu rosto na curvatura do seu pescoço inebriando o seu cheiro maravilhoso. Deposito um beijo ali. Ela acaricia meu cabelo enquanto faço carinho em suas costas. Eu poderia dormir, mas tenho que resolver uns assuntos. Me afasto dela, que, vendo que vou me levantar, prende suas pernas em meu quadril.
– Eu tenho que ir, gatinha.– Acaricio seu rosto, e coloco alguns fios de cabelo atrás da sua orelha. Ela faz bico, e mordo o mesmo, tirando uma risada dela. — Amanhã a gente se vê. — Lhe dou um selinho.
Anastásia geme em reprovação e me puxa.
– Não.
– Sim.
– Não.
– Sim.
Começo a rir e rolo com ela pela cama.
– Eu tenho que ir é sério. — Falo me levantando. – Até amanhã gatinha.
(...)
“E como era lindo iluminar o escuro dos esconderijos com os seus olhos.”
– Tati Bernardi.
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