Got My Heart In Your Hands
147 Terremoto de lágrimas
Notas iniciais
Na manhã seguinte, David acordou assustado. Estava com o seu corpo amarrado em uma cadeira, enquanto Julie agonizava. Afinal, por que ela estava assim?
─ Julie! — David falava com dificuldade por causa de um pano que tampava a sua boca. A respiração estava ficando complicada e ofegante.
─ Calma irmão. Eu estou viva, não precisa se preocupar comigo.
David sorriu um pouco ao ouvir a voz de Julie, porque ela ainda estava viva. Mas Julie estava se sentindo fraca, desidratada, sem vida. O mundo saiu dos pés de Julie, tudo havia sumido. Estava tudo se tornando escuro, ela percebeu que estava quase desmaiando, mas se conteve. Não sabia o que fazer agora, olhava em volta desesperada.
Um flashback de sua vida percorreu seus pensamentos e ela pensou. Pensou em Joel. Pensou em Nicolle. Ele estava em Montreal, sem saber dos problemas que ela estava passando. E será que ele estava bem? E se ele estiver ferido? Tudo aconteceu tão rápido. Ela estava paralisada enquanto sentava no chão. Mas a casa era luxuosa, parecia o Palácio de Buckingham. Mas quem havia os levado pra lá?
Ambos ficaram congelados, olhando em volta. Conseguiam ver a torre de Londres da janela, e o famoso relógio, o Big Ben. Não conseguiam desviar o olhar, e a todo o momento, olhavam a paisagem. Não era nada de muito novo, as construções eram antigas, mas era bonito de se apreciar.
Quando Julie saiu de seu modo estátua, abriu a sua mochila e tirou uma tesoura lá de dentro. David a olhou assustado, afinal, por que diabos ela carregava uma tesoura consigo? Segundo ela, era uma auto-proteção.
Cortou a corda que estava passada por todo o corpo de David, e tirou o pano da boca dele. Pegou o celular em seu bolso e discou o número da polícia, mas David a impediu, pois isso traria consequências ruins. Ela movimentou a cabeça de forma positiva, concordando, e pôs o celular de volta no bolso. A janela estava aberta, e eles saíram, tomando muito cuidado para que a moça com vestimentas preta e o lenço da mesma cor cobrindo parte de seu rosto, deixando apenas os olhos visíveis, não os visse.
O mistério continuava, afinal, quem era a mulher que os prendeu? E por que ela estava fazendo isso? Enfim saíram da casa... Olharam em volta, e eles realmente estavam no Palácio de Buckingham. As pessoas olhavam para eles assustados, percebendo o quanto eles estavam em choque. Julie estava tremendo, e David respirava cada vez mais ofegante.
─ Meu jovem, você parece muito preocupado. Fique tranquilo. — Disse uma moça que tentava acalmar David, que estava mais apavorado que o normal.
Fique tranquilo? Como?Ele pensou. Como ficar tranquilo sabendo que Julie poderia, poderia...Ele não completou a frase em sua mente. Agora mais que tudo queria isolar os piores pensamentos, mas parecia impossível.
Ele não respondeu a moça, e saiu correndo com Julie, quando percebeu que poderia realizar movimentos. Estavam de mãos dadas, e corriam por toda a cidade. É claro que eles se cansariam fácil, pois a capital do Reino Unido era grande. As ruas eram movimentadas, e sempre que queriam algo, tinham que andar vários quilômetros. Tudo muito distante.
Passaram perto da estação de Notting Hill, seguiram até a estação de metrô e foram parar no HMV Forum, uma casa de show muito famosa. Nos cartazes, estava anunciando shows do Bon Jovi e do Guns N’ Roses.
Uma lágrima rolou no rosto de cada um. As folhas das árvores caíam sobre suas cabeças, mas isso não era o que preocupara no momento. Todas as coisas horríveis que estavam passando em suas cabeças foram ficando cada vez mais intensas. Algo os martelava, fazia o coração doer.
Correram sem se importar se deixaram a moça, que antes tentava acalmá-los falando sozinha. Perceberam que estavam tremendo. E mais lágrimas rolando. Cabelos grudavam em seus rostos com a força do vento, mas eles não se importavam. Importavam-se apenas em viver.
As pessoas tentavam ver o que de fato existia naquele Palácio, mas não conseguiam ver nada. Deviam estar pensando que David e Julie eram loucos, mas o que importava isso? Eles ficaram na mira de uma moça muito estranha. Na rua, pessoas iguais à moça os encaravam. Eram muçulmanos, e isso os deixou com mais medo, pois qualquer pessoa ali poderia ser a misteriosa mulher.
─ David, eu estou tremendo de medo. — Julie estava desesperada, e se comunicou enquanto chorava, mas deu para entender.
─ Eu também estou. — David a abraçava.
─ Você está bem?
─ Sim, Julie. Tudo vai ficar bem.
Ela só conseguia pensar em Joel e Nicolle. Se eles estavam bem, se não corriam perigo... Estava apreensiva pensando nisso, e com o chip internacional, discou o número da casa dela. Tocou cinco vezes, e finalmente Joel atendeu.
─ Alô?
─ Joel? Você está bem, meu amor?
─ Julie? Como você está, pelo amor de Deus?
─ Bem... Aliás, eu acho que bem.
─ O que houve?
─ Fiquei presa no Palácio de Buckingham. Estou indo tomar café na Starbucks, porque estou morrendo de fome e desidratada. Estou a duas horas correndo, daqui a pouco eu desmaio.
─ Eu estou percebendo a sua voz cansada. Vai comer. Nicolle está dormindo, já dei banho e tudo mais.
─ Eu precisava ouvir a sua voz pra ficar bem. Fiquei muito preocupada, achei que estava correndo perigo.
─ Não, eu estou bem... — De repente, o telefone ficou mudo. Choros de Nicolle ao fundo e alguns gritos de Joel dizendo para alguém o soltar.
─ Joel? Joel? PELO AMOR DE DEUS, ME RESPONDE! — Ela dizia chorando, mas era tarde demais. O telefone havia ficado mudo.
“Desculpa por não conseguir realmente fingir que não me importo, mas aqui é o meu espaço e tenho o direito de usá-lo como julgar necessário. E eu sei. Sei que vai ler simplesmente porque ainda se importa, porque ainda vai atrás de saber da minha vida enquanto eu disfarço o máximo possível, e você se acaba nessa minha falsa indiferença. Então, para não quebrar o protocolo, leia o texto, mas finja que não é pra você, não vai ser difícil, você já fez isso outras vezes, lembra? Alguns erros atrás, tudo começou. E começou de repente. E por que haveria de acabar de maneira diferente? Você afirmou com tanta certeza, e eu simplesmente concordei, não me daria ao trabalho de discutir com você, simplesmente te dei as costas, e fui. Mas será que você também ignorou outro texto, de outros tempos, que dizia que eu te daria as costas, mas voltaria, como de costume? Não pode ter ignorado, você já me cobrou essa promessa, e eu hei de cumpri-la. Mas, espera, e os seus braços, como estão? Só poderei voltar se você ainda estiver a minha espera, de braços abertos. Espero um dia poder voltar, de verdade. Mas, pelo menos por enquanto, é melhor assim, você longe de mim, mesmo com a falta, com a saudade e todo o resto. Não posso mais ficar esperando você decidir se me quer ou não na sua vida. Sei que tenho muita coisa a te oferecer, mas eu também sou incompleta, também preciso receber… E depois de tudo, era de se esperar que um dia eu olhasse nos seus olhos, sorrisse e te dissesse adeus, por mais que fosse um adeus temporário.”
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