Got My Heart In Your Hands
148 Ainda não acabou
Notas iniciais
Depois de alguns minutos Joel ligou de volta para Julie:
– Alô?
– Meu amor, o que aconteceu?
– O telefone ficou mudo.
– E aqueles gritos?
– A Lennon estava brigando com a Nicolle.
– Lennon?
– Sim, o Pierre a deixou aqui, ele estava atrasado para o ensaio.
– Graças a Deus, pensei que algo tinha acontecido.
– Julie, sua voz está fraca, vai comer logo!
– Ok, meu amor.
– Eu te amo.
– Eu também amo você, até mais.
– Até.
Julie desligou o celular e foi falar com David:
– Eles estão bem.
– Graças a Deus. — David disse aliviado.
Eles seguiram até a Starbucks e tomaram café, e depois conseguiram voltar até a casa dos tios. Ela parecia bem melhor e devido aquele incidente eles decidiram ir embora. Arrumaram suas malas e foram até o aeroporto, e lá David ligou para Pierre:
– Pierre?
– David... Ai meu Deus, o que aconteceu?
– Eu deixo pra explicar quando chegar aí.
– Você está bem?
– Sim.
– E a Julie?
– Também.
– Vocês estão voltando?
– Finalmente estamos. Agora eu preciso desligar porque vamos embarcar.
– Está bem, eu te amo, se cuida.
– Amo você também.
David desligou o telefone e eles embarcaram.
"Hoje não estou a fim de fazer nada. Talvez seja preguiça, mas não preguiça física e sim psicológica. Estou sem animo. Estou num circulo de rotina, sempre com o meu fone escutando músicas, ou lendo e quase sempre dormindo. Não tenho vontade de sair de casa e ir até o outro lado da rua. Estou vivendo monotonamente assim. Cadê as forças? Cadê a vontade para sair por aí, com um sorriso verdadeiro e despertando alegria? Uma parte de mim acha que tudo isso, já se fora embora e não saiba o caminho para voltar. Outra parte acredita que para eu recuperar isso, eu precise de você. Confesso que eu prefiro a outra parte, adoraria ter você comigo e amaria que você quebrasse essa minha rotina monótona. ”
"Eu permaneço no vão da porta do despertador gritando. Monstros chamando meu nome, me deixe ficar onde o vento irá sussurrar pra mim, onde as gotas de chuva enquanto caem, contam uma história. Na minha terra de flores de papel e doces nuvens de canções de ninar, eu repouso dentro de mim mesma por horas e assisto meu céu lilás pairar sobre mim. Não diga que sou inalcançável neste galopante caos, a sua realidade eu sei bem o que existe, além do meu refúgio em sono, O pesadelo que eu construí meu próprio mundo para escapar. Entregada pelo som dos meus gritos sem conseguir parar pelo medo de noites silenciosas. Oh, como eu anseio pelos sonhos do sono profundo. A deusa da luz imaginária"
[...]
Como estava de noite, todos os passageiros dormiam em seus assentos. Exceto David, algo o preocupava, e de repente Lachelle apareceu:
– David?
– Oi Lachelle.
– Por que não está dormindo?
– Não sei, acho que só estou sem sono.
– Mesmo?
– Não.
– É o Pierre, não é?
– Sim, eu só estou preocupado com ele.
– Ele está bem, eu posso te garantir isso
– Eu sei, mas meu peito dói. Eu acho que são apenas saudades, mas mesmo assim, preciso vê-lo para ter certeza, entende?
– Eu entendo David.
– Também estou com muitas saudades da Lennon, da Melanie, da Delilah. Na verdade, de todos.
– Quer ouvir uma coisa?
– Sim.
– O Pierre está sentindo muito mais falta de você, do que você dele.
– Sério?
– Você nem imagina. — Lachelle sorriu.
"Vivo num mundo obscuro. Onde nada parece fazer sentido. Sinto-me impotente diante de tantas dificuldades. Sinto que minha mente, o meu eu, não são mais os mesmos. Vivo confuso(a), já não raciocínio direito. Às vezes faço coisas que não gostaria de fazer. Coisas por impulso, coisas das quais me arrependo, e me envergonho também. Mas sinto que não tenho total controle sobre mim. Não sei mais o que fazer... Vivo numa tristeza profunda, e acho que não tem saída. Sei que preciso de ajuda, mas como fazer as pessoas entender, o que vai à minha mente e no meu coração. As pessoas podem achar que sou louco(a)... E isso eu não quero pra mim. Agora vivo num dilema sem fim. Viver sofrendo, ou morrer..."
[...]
Pierre's POV: On
Acho que finalmente eu estou entendendo o significado de Jet Lag. Isso está me deixando louco mesmo, ficar sem o David é tão ruim. Sinto-me tão vazio... Lennon, Melanie e até mesmo Delilah estão mais tristonhas, eu posso ver isso. Apenas estou tentando aguentar esse dia-a-dia que sinceramente não é mais tão divertido sem ele. Aquela doce voz não é a mesma no telefone, eu não posso sentir a sensação de abraçá-lo, matar essas saudades, e está ficando cada vez mais difícil, mas eu tenho que pensar pelo lado bom: daqui a pouco vou tê-lo novamente aqui do meu lado, mas essas malditas horas não passam e insistem em me maltratar.
"Há uma voz que fala do tempo, há um vazio crescendo por dentro, há portas na vida que eu não posso ver para encontrar, há fogo em meus sonhos. Enfraquecendo dia a dia, parece, há um estreito caminho debaixo das folhas caídas. Os anos que tentamos negar. Permanece nos atormentando. Há um jardim dentro de uma profundidade, quando toda a vida está murchando. Há uma queda e há um muro e não há um pecado. Existem unhas através do meu coração, toda esperança é dilacerada, há passos conducentes ao meu epitáfio. Os anos que nós tentamos negar. Permanece nos atormentando. Eu vejo que você permanece desamparado. Em uma terra distante e desolada você tem estado perdido há muito tempo, ninguém nunca poderá levá-lo de volta á forma como foi. Caído, sentindo-se pra baixo, caindo, afundando ainda mais para baixo, círculos miseráveis ao redor, decadente, sinta a dor, torna-se louco e esta vida é a culpa. Parece que está tudo em vão, negro, o passado estava negro, o presente é negro, o futuro parece tão negro. Tanto os nossos corações. Profundo é o sono que a vida mantém além deste cenário. Que vidas porcas, nós nunca vamos colher. "
Meus pensamentos foram interrompidos por latidos de Delilah e gritos de Melanie e Lennon. Corri até o quarto e lá estava Thomas, o irmão de Nemours. Eu estava com tanta raiva daquele cara. Quando eu o vi segurando Lennon não aguentei, parti para cima dele, o fiz largar Lennon no chão e nós continuamos brigando, até que ele sacou uma arma a apontou na minha cabeça, eu estava sem ter o que fazer.
– Agora a situação mudou, não é mesmo? — Ele disse rindo.
– O que você quer?
– Vingança!
– E você acha que vale à pena?
– Qual é cara, olha pra mim, sou procurado pela polícia, o que mais eu tenho a perder? Eu sou um homem morto!
– Ainda dá tempo de reverter isso!
– Não! Não dá! — Ele gritava.
– Você só precisa acreditar em você mesmo.
– Acreditar em mim mesmo... Isso é uma coisa que nunca aconteceu e também nunca vai acontecer, sabe, Nemours e eu éramos muito próximos, mas daí veio você e seus amiguinhos para estragarem com tudo!
– Você está errado!
– Me prove o contrário!
– Nemours acabou com a nossa vida, destruiu tudo, ele veio e de repente se tornou o nosso pior pesadelo!
– Você está mentindo! Meu irmão era um cara bom, era sim!
– Não, ele não era, e você tem que aceitar isso!
– Cala a boca, eu não quero mais ouvir nenhuma palavra sua! — Thomas agora chorava, ele continuava com a arma na cabeça de Pierre.
– Você está cego! Seu irmão era uma pessoa muito ruim, na verdade, a pior que eu já vi na minha vida. Ele me fez querer morrer, ele fez David querer morrer! ‘Tá vendo isso? — Pierre mostrou seu braço cheio de cortes. ─ Eu não sabia o que era isso até seu irmãozinho aparecer e estragar tudo!
– Isso não pode ser verdade!
– Você tem que aceitar isso, por favor, não seja igual a ele!
– Não! — Thomas gritava em meio ao choro.
Nesse momento David chegou, segurando uma faca, devia ter ouvido os gritos e já veio preparado. Assim que Thomas avistou David, ele colocou a arma em sua própria cabeça e disse:
– Me desculpe irmão. — Logo depois disso ele atirou.
Eu não podia acreditar que ele havia se matado. Tirei Melanie e Lennon dali, e fiquei abraçado com David. Depois Chuck apareceu e nos deu conforto. Ele ligou para a polícia, nós demos os nossos depoimentos e eles levaram o corpo. Limpamos aquela poça de sangue e rezamos por Thomas.
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