Got My Heart In Your Hands
149 Confissão
Notas iniciais
David’s POV: ON
Tem noção de como é ver alguém sendo morto à sua frente? Eu estava em estado de choque, segurando Lennon em meu colo enquanto Pierre confortava a Melanie. Ambas estavam desesperadas. Limpamos o sangue, e fomos tomar banho — em banheiros separados — para poder tirar o sangue em nossas mãos. A imagem de Thomas morrendo nunca mais sairá da minha cabeça, ou não tão rápido como eu gostaria.
Apressei-me no banho e logo depois desliguei o chuveiro. Sim, foi uma ducha rápida, pra quem pensara que iria demorar até tirar todo o sangue do corpo. Pierre ainda estava tomando banho... Yes, eu consegui tomar banho mais rápido que ele... Parece que alguém perdeu para mim e terá que me recompensar.
Dirigi-me até uma das portas do guarda-roupa e tirei dali uma camiseta rosa, perto de uma de cor preta da Role Model que Pierre adorava usar. Peguei rapidamente a camiseta preta dali, e sorri ao inalar o cheiro de Pierre na roupa.
Fui até a janela e observei a camada fina de neve caindo... Não parava mais de nevar em Montreal, e isso já estava ficando estranho. Avistei o baixo pendurado em um prego na parede, com alguns adesivos de zebra, e peguei para tocar, pois era a única coisa que me distraía.
Toquei a melodia de My Dream And I, do Reset, e cantei baixinho, para que só eu pudesse ouvir. Mas acabei não percebendo que Pierre estava se aproximando apenas com a toalha na cintura, e ele ficou parado, me olhando e sorrindo feito bobo. — mas um bobo lindo -. Virei-me para observá-lo, parando imediatamente de tocar e cantar.
─ O que está fazendo? — Perguntei em um tom de voz doce, sorrindo ao ver o cabelo dele todo bagunçado e molhado, o que o deixava ainda mais sexy.
─ Estou te olhando. — Respondeu Pierre também em um tom de voz doce. Seus olhos castanhos ficaram esverdeados devido ao brilho intenso nos mesmos.
─ E por que está me olhando? — Questionei de uma forma sacana, mas ri baixinho, muito baixinho, para que ele não percebesse.
─ Porque eu tenho olhos. — Ele disse fazendo um bico perfeitamente perfeito. Deu vontade de mordê-lo até sangrar (mentira).
─ E por que esses olhos tão grandes? — Mordi meu lábio inferior para conter o riso que por pouco me escapava.
─ É pra te ver melhor. — Ele também conteve o riso.
─ E esse nariz tão grande?
─ É pra te cheirar melhor.
─ Ah, e essa boca enorme?
Ele foi se aproximando de mim, e quando chegou bem perto, ele disse:
─ É pra te beijar melhor. — Eu sorri e ele me beijou calorosamente. Passou ambos os braços ao redor da minha cintura, enquanto eu contornava todo o seu corpo, mas por vezes, acariciava sua nuca de forma delicada. Pierre sugava meu lábio inferior, e também a minha língua, e eu sentia o meu corpo estremecer a cada coisa que ele fazia.
Quando cessou o beijo, ele foi se trocar. Aliás, ele apenas colocou uma boxer, já que Pierre não achava que fosse confortável dormir de roupa.
─ David, veja isso antes de dormir. — Ele entregou um papel para mim.
“Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor. E quanto tempo levou pra eu merecer, antes um mês e eu já não sei. E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei. E ninguém dirá que é tarde demais, que é tão diferente assim. Do nosso amor a gente é que sabe, pequeno. Ah vai! Diz-me o que é o sufoco que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar. E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola. Eu encontrei e quis duvidar, tanto clichê deve não ser. Você me falou pra eu não me preocupar. Ter fé e ver coragem no amor. E só de te ver eu penso em trocar a minha TV em um jeito de te levar a qualquer lugar que você queira; e ir onde o vento for, que pra nós dois sair de casa já é se aventurar. Ah vai, me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar. E se o tempo for te levar, eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar.”
─ Que romântico. — Meus olhos estavam brilhando.
─ Vamos dormir. — Ele deu um beijo na minha testa e nós adormecemos.
__
Jonathan’s POV: ON
Eu estava navegando pela Internet, sem muito que fazer, quando de repente acessei o meu Facebook. Havia uma solicitação de amizade de uma menina chamada Carolina Medeiros. Não a reconheci, mas quando procurei as fotos, era a Carol. De alguma forma, ela mexia com os meus sentimentos. Desde que a vi pela primeira vez, meus pensamentos passaram a ser guiados até ela.
Aceitei o pedido de amizade, sem perceber que eu estava online no chat. Um minuto depois, ela me chamou:
“Oi.”
“Oi.” — Eu respondi tremendo.
“Tudo bem?”
“Tudo, e você?”
“Estou bem também.”
“Er... Vai fazer alguma coisa hoje?”
“Não, só vou ficar em casa mesmo.”
“Quer sair comigo, Carol?”
“Aonde?”
“Vamos a um restaurante.”
“Ah, está bem.”
“Posso te buscar às oito horas?”
“Claro. Sabe onde moro?”
Eu respondi que não, mas ela me passou o endereço e eu instalei o GPS no carro.
__
Quando deu sete horas e trinta minutos, fui dirigindo conforme o caminho que o GPS me mandava prosseguir, e enfim cheguei ao destino, faltando apenas cinco minutos para oito horas. Buzinei e ela saiu, pontualmente, vestindo um vestido preto brilhante e um sapato prata de salto. Estava linda, como sempre. Mas claro, com um casaco cobrindo os seus braços, pois estava frio. Eu estava de smoking.
─ Está chique, hein. — Ela disse sorrindo, e se sentou no banco do passageiro. Eu estava tremendo, suando frio, e não conseguia desviar o meu olhar ao trânsito após ter saído da garagem da casa dela. Por vezes, eu a olhava pelo retrovisor do lado de fora, mas quando meu olhar encontrava-se com o dela, eu disfarçava e prestava atenção ao trânsito.
Finalmente chegamos ao restaurante, e sentamos em uma mesa à luz de velas. O garçom, que vestia um terno com gravata borboleta, aproximou da nossa mesa e nós fizemos os nossos pedidos. Champagne, camarão e a sobremesa ainda estávamos a escolher.
─ Carol, eu preciso lhe confessar uma coisa.
─ Pode falar.
─ Eu estou muito nervoso.
─ É coisa séria?
─ Para mim, é sim.
─ Mas fala.
─ É que...
Pude perceber os pontos de interrogação que ficavam em volta da cabeça de Carol, enquanto me olhava confusa, esperando que eu dissesse algo.
─ Eu queria dizer a você tudo o que sinto...
─ Tudo o que sente?
─ Eu sempre sonhei em encontrar uma pessoa pra mim. Pensei que fosse a Sarah, mas me iludi.
─ Continua...
─ Eu tenho medo de confessar que eu te amo.
─ Como é?
─ Sim, Carol... Eu estou apaixonado por você.
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