Got My Heart In Your Hands
144 Acredite em mim
Laurence’s POV: ON
Seb e eu seguimos até o antigo apartamento de Nemours, afinal, o irmão dele deve ter pensado que seria um ótimo lugar para levar uma criança que você sequestrou. Surpreendemo-nos, o prédio estava totalmente abandonado... Subimos, mas antes ligamos para a polícia, é claro.
Seb e eu estávamos muito preocupados com nossa filha, mas mesmo assim eu não conseguia perdoá-lo, eu precisava de provas, eu precisava de algo para provar que eu estava errada. Ele estava calado; olhei em seus olhos, aqueles lindos olhos azuis, estavam cheios de lágrimas... Eu parei por um instante e comecei a refletir sobre mim mesma, sobre o que estava acontecendo.
"Ninguém ligou, ninguém vai ligar. O visor do telefone não acusa uma mensagem perdida. E-mail, sinal de fumaça, uma chamada não-atendida. A tela da TV não parece uma saída. Eu vivo um refrão antigo, feito às pressas, plágio de uma bela melodia. Eu vivo um sonho toda noite, eu vivo a noite todo dia. O que eu não pude prever, o que eu não queria. E quando eu ver TV, vou ter sempre uma chance de lembrar.”
Deixei lágrimas escaparem e percebi que Seb também parou:
– Você não vem?
Eu corri até ele que estava um pouco mais a frente por motivo da minha pausa. Ele acabara de secar as lágrimas e enquanto nós andávamos eu o observava.
– O que foi? — Disse ele percebendo.
– Ah, nada. — Eu disse passando em sua frente tentando esconder meu braço que ainda sangrava muito, mas a dor física não era nada comparada a emocional.
Subimos as escadas, pois os elevadores não funcionavam... Checamos cada andar e nada, até chegarmos ao telhado, e lá estava aquele maldito do irmão Nemours. Pierre e David estavam amarrados e desmaiados em um canto, e Lauren estava desmaiada no chão. Ele não notou nossa presença. Seb me disse para desamarrar David e Pierre e ele pegaria Lauren que estava mais próxima ao gêmeo de Nemours, portanto, era mais perigoso.
Fui abaixada até os dois. David acordou assim que comecei a desatar a corda que os prendia.
– Laurence? — Disse ele parecendo meio tonto.
– Shiuuu, vai ficar tudo bem, mas não faça barulho, por favor!
– 'Tá bem.
Eu tentava desatar aquela corda, mas estava muito firme. Eu não tinha forças... Pierre então despertou.
– Onde nós estamos? — Ele disse abrindo os olhos.
– Em um prédio abandonado, tentando sobreviver. — David disse.
– Gente, não dá, não consigo desamarrar isso!
– Eu tenho um canivete no meu bolso, da camisa! — Pierre sussurrou.
Eu procurei pelo canivete e logo o encontrei, comecei a cortar a corda, mas mesmo assim estava difícil. Escutei um barulho muito alto, era um... Tiro? Virei-me para ver: o gêmeo de Nemours havia dado um tiro no abdômen de Sébastien e Lauren ainda estava desmaiada no chão. Eu não conseguia acreditar, eu não podia perdê-lo.
– Não! — Eu disse em prantos indo até ele para socorrê-lo.
– Laurence, eu vou ficar bem, por favor, vai soltar o David e o Pierre, você precisa fazer isso agora, por mim! — Ele com muita dificuldade disse olhando nos meus olhos.
Eu parei e fiquei olhando-o naquele estado, não conseguia parar de chorar. Aquele maldito agora olhava para mim, estava vindo em minha direção. Seb se jogou em minha frente para me proteger e gritou:
– Corre!
Eu me levantei rapidamente e corri novamente até David e Pierre. Cortava o mais rápido o possível a corda, até que finalmente eu consegui soltá-los. Virei meus olhos na direção de Seb e daquele desgraçado, eles estavam brigando, e Seb estava com a arma nas mãos. Pierre correu para ajudar Sébastien, mas antes disso eu ouvi mais um tiro, dessa vez foi o irmão de Nemours que havia sido atingido, ele caiu para trás, mas antes disso deu outro tiro em Seb.
Eu corri até lá, ele sangrava muito, o segundo tiro tinha atingido sua bacia. Pierre tirou a camisa xadrez que vestia por cima de outra camiseta e tentou estancar o sangue, mas quando Seb olhou pra mim com aqueles seus belos olhos azuis e sorrindo eu soube que teria que ser forte.
– Pierre, por favor, vê como a Lauren e o David estão. — Eu disse chorando.
– Tá bem, fica calma, a polícia já vai chegar! — Ele correu até Lauren e depois a levou para perto de David.
Voltei meus olhos a Seb, ele levou uma de suas mãos ao meu rosto. Eu estava com ele no meu colo, o sangue escorria por todos os lados, mas mesmo assim, ele continuava sorrindo.
– Meu amor, eu preciso ouvir só uma coisa pra partir em paz.
– Para de ser bobo! Você ainda tem muito a viver! — Eu gritei em meio às lágrimas.
– Só diz que me perdoa, eu preciso ouvir isso.
– Eu te perdôo, eu te amo, aguenta firme!
– Cuida da Lauren e cuida desses bobões dos nossos amigos, eu amo muito mais você. – Ele disse sorrindo, até fechar os olhos.
– Não! — Eu gritei desesperada. – Você não pode morrer Seb! Eu te amo, você não pode me deixar sozinha, seu idiota, acorda! — Eu dizia chacoalhando-o.
Não tenho idéia de quanto tempo fiquei ali fazendo e dizendo aquilo, depois Pierre e David me abraçaram e me levaram pra casa deles.
Eu simplesmente não podia acreditar, eu fui tão estúpida, mas é claro que aquilo era uma montagem, e ele partiu assim, tão de repente, assim como o meu ânimo de viver. Eu sei, eu tinha que continuar por Lauren, mas a imagem dele sorrindo enquanto estava nos meus braços sangrando era impossível de se apagar da minha mente. Naquele momento eu só queria morrer, eu estava no banheiro da casa dos meninos e fiquei lá por um bom tempo.
"Água, lágrimas e um liquido vermelho escorriam pelo ralo. E eu querendo inutilmente me limpar daquela sensação estranha que pesava sobre meu ombro. Foi só uma ultima vez, eu mentia para mim mesma, outra coisa em vão. Sentia uma necessidade terrível de gritar, mas não podia, eles não entenderiam minha forma de aliviar-me das dores. Me senti fraca por ter jurado não ma fazer e me encontrar num banheiro, com aquele liquido vermelho escorrendo sobre meus braços. Já não dói, já virou costume. E teve aquele momento que, por não suportar mas nem aguentar tudo em pé, deixei-me cair. Comecei então a passar as mãos em minhas cicatrizes, e saia indagando foi culpa sua, culpa sua mais uma vez, outra vez culpa sua. Satisfeito? Espero que sim. Já não mas sentia a vontade de utilizar as lâminas afiadas em meus pulsos, embora vez ou outra eu olhasse para o lado e a encarasse. Dói ser forte o tempo todo não é mesmo? Eu sei que dói. A água já havia estancado o liquido vermelho que antes escorria, mas o liquido vermelho não foi capaz de estancar as lágrimas que vinham sem cessar. Soluços. E eu ali observando a minha alma lavar, em meio ao líquido vermelho, popularmente chamado de sangue, mas que pra mim, carregava muito mais que glóbulos vermelhos e brancos. Carregava a dor junto, de certa forma.”
Depois de me cortar o máximo que eu podia, me levantei com a água que se misturava com o sangue ainda escorrendo no meu corpo. Eu comecei a me perguntar por que diabos aquilo não tinha acontecido comigo.
– Então é isso? Quando eu mais preciso de você, é isso, Deus? Por que não levou a mim em vez dele? Por quê? O que diabos eu fiz de errado? Você esteve comigo nos momentos que eu mais precisei e agora vai sumir? Se eu pudesse, eu teria ido ao lugar dele, você nem ao menos me deu escolha, acho que agora sei por que as pessoas dizem que Deus não existe, porque talvez ele não exista mesmo! — Eu dei um soco no espelho fazendo minha mão cortar.
Fui para debaixo do chuveiro novamente, caí sobre meus joelhos e fiquei ali.
– Você não podia ter tirado ele de mim, simplesmente não podia! — Agora eu sussurrava enquanto chorava e via o sangue escorrer. Eu estava ficando tonta e desmaiei.
Nada restou do sonho de menina, da esperança, do leve sorriso. Sempre em frente, inocente como criança. E hoje mulher, marcas de saudade, melancolia e dor. Sim, sonhou em um dia ser feliz. Sonhou, se iludiu, lutou e morreu de tanto chorar. Não conseguiu provar que sua ausência dói. Tentou voar, mas com asas molhadas de lágrimas não dá pra voar. Hoje, é uma ave em agonia. Que ainda tenta voar. Deseja adormecer, ter sonhos eternos. Hoje, escreve suas ultima palavras de dor Se trata de um corpo sem alma. Morreu aos poucos, dia a dia. Últimas palavras Últimos suspiros. Ultimas lágrimas. Não vai haver mais derramamento de lágrimas. Lágrimas que ardiam como fogo na face. Esse é o fim Foi perdida a vontade de lutar.
[...]
De repente acordei, ali mesmo, perto do canteiro de flores, e percebi que foi tudo um sonho. Mas e se aquilo tivesse sido real? Eu aguentaria perder o Seb? Agora eu percebi que devo confiar mais nele, aquela foto com certeza era uma armação. Como eu estava sendo idiota, ele me ama, e eu sei disso, sempre soube.
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