Got My Heart In Your Hands
145 Halloween
Notas iniciais
Laurence's POV: ON
Era dia de Halloween, e Pierre iria dar uma festa em um salão muito famoso de Montreal. Comprei uma fantasia de vampira, e Lauren estava de bruxinha. De algum modo, isto seria divertido, já que eu preciso de alguma coisa que me faça sentir bem.
Ainda estava com o celular na mão me perguntando por que ele não me manda nenhuma mensagem... Eu sabia que a qualquer momento isto aconteceria e mesmo assim decidi esperar. Mas depois de muito tempo, eu desisti de continuar pensando nesse assunto, afinal, era tarde demais pra isso, eu já havia aceitado — ou tentado -.
Subi para o quarto, tomei um banho e me arrumei, apesar de não saber o porquê de estar fazendo isso. Eu ia até a casa de Pierre, pois iríamos com ele no caminho. Chamei um táxi e cerca de quinze minutos depois ele já estava na minha porta. Entrei e dei o endereço ao motorista. Ao chegar ao destino, paguei o táxi e desci encarando a casa de Pierre. Não era uma casa tão grande e nem tão luxuosa, mas boa para se viver.
Por um momento, eu pensei em desistir, pois Sébastien estava lá, com certeza. De longe eu pude escutar a voz dele, e reconheci a sombra do tal pela janela. O táxi ainda estava ali e no meio do caminho da volta pra casa eu podia pensar em uma desculpa para dar a ele, mas optei por entrar, afinal, eu já estava ali e me orgulhava muito da minha coragem em encarar os problemas de frente. O táxi já havia partido quando eu finalmente entrei na casa de Pierre, com Lauren em meu colo — a polícia já havia a encontrado e então eu a trouxe pra cá -, e Pierre abriu a porta sorridente.
Eu estava muito nervosa. Queria mais uma vez desistir, mas como eu já havia passado pela porta, não havia mais escolhas para mim. E lá estava eu, sentada no sofá, pensando em como minha vida era injusta. Parecia que eu estava recebendo várias alfinetadas, ou até mesmo apunhaladas no coração.
Ri da minha própria desgraça, nem uma promessa a mim mesma eu consegui cumprir, parecia que estava viciada àquele homem e algo me impedia de ficar por muito tempo distante dele. Era isso, vício. Estava viciada em Sébastien e não havia nada que eu pudesse fazer a respeito.
Respirei profundamente três vezes antes de fixar meu olhar em Sébastien. Estava sentado no outro sofá com um dos braços apoiado no encosto e o outro no colo. Vestia uma fantasia de Drácula, mas aberta no colarinho, de modo que mostrava perfeitamente bem o seu peito. Ele sorria de forma doce, e os olhos azuis brilhavam. Em resumo, Sébastien estava absurdamente sexy e eu sabia que estava perdida no momento em que pus os olhos nele. Droga, eu o amo. Eu o amo muito.
─ Laurence, por que está tão calada? — Fui interrompida de meus pensamentos (em Sébastien, claro) com a mão de Pierre tocando o meu ombro. Ele estava me olhando com um olhar confuso, tentando entender o meu silêncio, mas eu apenas abaixei a cabeça e olhei para o chão, que no momento, era a coisa mais interessante que eu poderia olhar. Na noite anterior eu sonhei que estava me reconciliando com o Sébastien, e havia sido algo tão doce, tão incrível... Espero que agora seja pra valer, e que ele tenha uma explicação clara para o ocorrido.
─ Ah, nada... Eu estou um pouco triste. — Consegui responder o Pierre depois de interromper totalmente os meus pensamentos.
─ Por quê? — Ele perguntou ainda confuso.
Você ainda não estava sabendo, Pierre? Eu terminei com o seu amigo, o Sébastien. Pensei que ele já houvesse espalhado tudo. Hm, até que Sébastien sabia guardar segredo. Eu é que não podia mentir para mim mesma, e achei melhor contar a verdade para Pierre. Mas antes, o chamei para o lado de fora, pois eu não queria que Sébastien escutasse. Apenas deixei Lauren perto dele. Não sei se seria o certo contar toda a verdade, mas ele teria que saber. Às vezes ele poderia ter alguma solução.
─ Pierre, eu acho que posso te contar. Eu terminei com o Sébastien. — Eu disse aos prantos, enquanto me apoiava na sacada.
─ Por que fez isso, Laurence? — Pierre perguntou confuso, me olhando de um jeito triste. De alguma maneira, ele estava tentando entender o que se passava pela minha cabeça, mas eu era a única pessoa que entendia dos meus sentimentos... Ou talvez nem eu mesma entendesse o que se passava em minha mente confusa.
─ Eu vi uma foto do Sébastien beijando outra garota... — Percebi que minha voz estava ficando cada vez mais embolada, pois eu estava chorando enquanto me comunicava. Olhava para o Pierre e ele não tinha entendido nada... Ou era o que parecia, já que as sobrancelhas deles estavam arqueadas, me olhando. Eu sabia que ele estava querendo me entender e encontrar alguma maneira de me ajudar, mas acho que estou a ponto de recusar ajudas até de meu melhor amigo.
─ Laurence, eu não entendi nem metade do que falou. Fala, depois chora. — Ele passou a mão em meu rosto e enxugou a lágrima que escorria.
─ Eu vi uma foto do Sébastien beijando outra garota... — Mais uma vez eu falei chorando. Não conseguia evitar, a tristeza falava mais alto. Parecia que eu estava caindo em um poço de solidão e angústia.
─ Laurence, por favor... Fala o que aconteceu. — Ele insistiu novamente, porém já estava bufando, porque eu não conseguia parar de chorar... E com razão.
─ Eu vi uma foto do Sébastien beijando outra garota... — Repeti o que disse, sem chorar, e quando fitei Pierre, ele estava com a boca aberta.
─ Eu não acredito que o Seb fez isso. — Ele disse apavorado.
─ Fez, e eu não sei o que eu faço.
─ Posso ver a foto?
Movimentei a minha cabeça de forma positiva, como forma de “sim, pode ver”, e então eu tirei a foto do meu bolso e entreguei para ele. A foto continha imagens obscenas de Sébastien com uma ruiva, o beijando e... Bom, eram cenas calientes, os dois estavam nus na cama.
─ Não, não pode ser! — Disse Pierre não acreditando no que estava vendo na foto.
─ Mas está aí... Só prefiro não acreditar que seja verdade.
─ É, pode ser uma armação.
─ Mas quem poderia estar tentando nos separar?
Olhamo-nos, e ao mesmo tempo, dissemos:
─ Marcela!
─ Eu não acredito que ela seja capaz disso. — Eu disse.
─ Aquela mulher é perigosa demais, Laurence. Venha, enxuga essas lágrimas. Hoje no salão você vai pedir desculpas por não ter acreditado em Sébastien e vai voltar com ele.
─ Eu não sei se vou conseguir, Pierre.
─ Deixa de ser boba, Laurence. Fica aí, eu vou chamar os outros para irmos até o salão.
Ele entrou novamente para chamar os outros, e eu fiquei pensando... Pierre tinha razão, ninguém sabe o dia de amanhã. Acho melhor eu perdoá-lo e reatarmos, antes que seja tarde demais. Eu não consigo viver sem ele, eu já tinha que me dar conta disso.
Fui para dentro da van do pai do Pierre, e ele foi dirigindo até o salão. Eu estava no banco da frente, e ficava observando Sébastien pelo retrovisor. Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria evitar olhá-lo. Ele estava lindo... Os olhos azuis brilhavam, o seu peito à mostra estava me fazendo delirar... Ai meu Deus, o que eu faço.
De alguma forma, eu estava feliz em vê-lo. Mas naquele dia, houve um problema na van... Na verdade, na rua. Tivemos que ficar parados por algumas horas por causa de um acidente. Um homem embriagado atropelou um motociclista, que teve fraturas expostas e estava estilhado no chão, perdendo muito sangue. Tapei os olhos de Lauren, assim como as outras mães fizeram com as suas filhas.
O motorista saiu sem prestar socorros, e eu decidi tomar a posse de ligar para alguma ambulância. Não demorou muito para que chegasse, e quando finalmente levou o motociclista, Pierre pisou na embreagem e seguiu o seu caminho até o salão.
A chegada lá estava demorando, pois eu estava apreensiva, e não era só eu, notei também que Sébastien estava apreensivo e meio confuso. Um pressentimento ruim tomou conta dos meus pensamentos e foi quando um caminhão passou ao lado da nossa van e que tomou a atenção de nós dois. “Ai meu Deus, nós vamos morrer”, pensei.
─ Ai meu Deus, nós vamos morrer. — Disse Sébastien.
─ Cala a boca, Sébastien! Vocês estão seguros! — Exclamou Pierre.
No vidro do caminhão, forçando os olhos, nós dois conseguimos ler as três letrinhas que formavam a palavra “FIM”. Um turbilhão de pensamentos passou pelas nossas cabeças, mas sabíamos que não era bom pensar no pior, nunca era. Principalmente naquele dia.
O nosso ponto, enfim, havia chego e nós descemos. O pesadelo entre o caminhão e a van havia se acabado, finalmente. Era só coisa de nossas cabeças confusas. Enfim entramos ao salão. Todos estavam bem fantasiados... Era uma festa da alta sociedade, então só tinha pessoas grã-finas no local.
Fui até o barman que preparava uns drinks maravilhosos e tomei um coquetel de frutas, sem muito álcool, pois eu sabia que era fraca para bebidas. Não percebi que Sébastien estava se aproximando de mim, e então, senti uma voz sussurrando em meu ouvido. Fiquei arrepiada e senti meu corpo estremecer no mesmo instante, e quando me virei, encarei aqueles olhos azuis e brilhantes bem de perto. Sim, minhas pernas ficaram bambas. Parecia que eu estava o conhecendo pela primeira vez.
─ Quer dançar? — Ele suspirou fundo após dizer.
─ Mas tem música romântica em festa de Halloween? — Perguntei com as sobrancelhas arqueadas.
─ Eu pedi para colocar, especialmente para nós dois.
Fiquei sem ter o que responder, apenas fitando Sébastien, mas decidi aceitar o pedido de dança dele. Fomos até o centro do salão, com todos nos olhando... Que vergonha. Pude perceber a cara boba de Pierre, mas boba no sentido de estar gostando do que estava vendo.
Sébastien me envolveu em seus braços, e eu fiquei arrepiada por sentir o calor de seu corpo. Segurei uma das mãos dele e entrelacei nossos dedos, enquanto minha mão livre estava espalmada em seu ombro, mas por algumas vezes, eu acariciava a nuca dele.
─ Você está linda. — Disse Sébastien.
Eu agradeci, sorrindo docemente, e minutos depois, iniciou a música “I Can Wait Forever”. Fiquei encantada, eu não estava acreditando que iria dançar Simple Plan. Movimentamo-nos ao ritmo da música, em uma dança lenta, enquanto eu observava Sébastien me olhando com um olhar doce e um sorriso de orelha a orelha.
─ Sébastien, eu queria dizer que eu te amo e... — Mal terminei a frase, e fui atingida por um tiro na barriga, de Marcela.
─ Socorro! — Gritava Sébastien.
Quando saí de meu transe, percebi que Sébastien me olhava confuso... Ufa, era só a minha imaginação doida.
─ Você me ama e...? — Perguntou Sébastien.
─ Eu te perdôo, e quero ficar com você pra sempre.
Ele sorriu, e nós... Nos beijamos.
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