Good Riddance

40 Puro magnetismo


Notas iniciais
Agradeço IMENSO pelas TRÊS (!) recomendações que recebi. Obrigada à RSS, Heiwajima Haruhi e Sai! Nossa, babei nelas, lindas demais! Obrigada!!! Capítulo dedicada a vocês!

Heitor ainda demorou uns segundos para responder, seus olhos claros e impassíveis movendo-se do filho, para o Fabrício, que se levantara também, sabendo tanto quanto o André como agir em tal situação, ou seja, não tinha a mínima ideia.

Heitor andou alguns passos, afastando-se da escada.

“Cheguei mais cedo do trabalho. Então, não irá me apresentar seu amigo?” Ele perguntou. Seu tom parecia normal, mas o André reconhecia aquele ar neutro, de cão farejador dele.

“Pai, esse é o Fabrício, um amigo da faculdade. E Fabrício, esse é meu pai, Heitor.” André apresentou, tenso. Lembrou-se da cena do livro Dom Casmurro, em que a Capitu é quase flagrada pela mãe dando um beijo em Bentinho, e desejou ter o poder de dissimulação da personagem e não ficar com as mãos trêmulas como estava. Colocou-as nos bolsos.

“Prazer, senhor.” Fabrício estendeu a mão e apertou a do pai do André. Ele o olhou por uns momentos, fixo, até reconhecê-lo.

“Era o amiguinho de infância do meu filho.” Ele disse, e não havia nenhum agrado em tal confirmação. Fabrício sorriu amarelo; lembrava-se pouco daquele homem, mas as lembranças que tinha não eram das mais agradáveis. Ele parecia sempre mal-humorado, e não de uma maneira engraçada como o André. Parecia um cão de caça brabo. Mas não seria ele, claro, a falar ao Heitor sobre esses pequenos detalhes mundanos.

“É, nós nos reencontramos na faculdade.” Fafá aquiesceu.

“Oh, que inusitado. Quem diria.” Heitor sorriu seco. “É um prazer revê-lo.”

“O prazer é meu.” Fafá falou o que era de praxe.

“André, eu estava pensando em irmos hoje assistir a um jogo de vôlei que vai ter no Ginásio Tesourinha, pelo campeonato brasileiro. O que me diz? Podemos aproveitar que está em casa mais cedo.”

André pensou que ao menos Heitor estava sendo sutil para mandar o Fabrício embora. Não entendia aquela atitude do pai, esperava que ele fizesse um escândalo pelo que vira. Ou será que ele não vira muito? Seria uma benção se fosse esse o caso.

“Erm... Eu acho que vou indo então.” Fabrício entendeu a deixa, e o André rapidamente se voluntariou para levá-lo até a saída. Quando chegaram à porta, ambos estavam meio nervosos.

“Precisa de um dinheiro pro táxi?” Perguntou.

“Não, eu vou ir até o Iguatemi, estou querendo comprar umas coisas mesmo. Dali eu pego um ônibus.” Fafá falou. O Iguatemi era uns 15 minutos a pé dali, e ele negou a oferta do loiro de levá-lo de moto. “Vai ficar tudo bem entre tu e teu pai?”

“Não sei, mas se ele não falou nada agora...” Suspirou, ansioso. “Espero que ele não tenha desconfiado.”

“Qualquer coisa me liga, ok?” Pediu e, aproveitando que não havia ninguém por perto, deu um beijo de despedida no loiro, na bochecha. “Até amanhã!”

“Até...” André voltou para dentro de casa e encontrou o pai bebendo uma água na cozinha. Desceu para a área de lazer também, temendo o pior.

“Que grande coincidência, não?” Heitor perguntou. “Por que não me contou que haviam se reencontrado?”

“Tu não gostava dele antes, imaginei que não ficaria feliz com a coincidência.” André rebateu e foi pegar uma água também. Estava nervoso.

“E então?” Heitor perguntou.

“Então o quê?”

“Vai querer ir no jogo?” A expressão do pai parecia ter amenizado, suas rugas de expressão não estavam tão severas. André piscou antes de processar aquilo. Nenhuma reprimenda por ter se ‘associado’ ao moreno novamente?

“Sim, vamos.” Concordou.

Surpreendeu-se por no fim ter momentos bem agradáveis com o pai. Viram o jogo, comentando sobre o vôlei – que Heitor também praticara quando adolescente e curtia tanto quanto o filho –, e depois ainda jantaram fora, no Outback Steakhouse do Iguatemi. Há tempos André não tinha momentos assim com o pai; desde que voltara de viagem, mal o havia visto.

“E as namoradas, filho? Não me diga que continua naquele relacionamento aberto com a Natália.” O pai comentou em certo ponto, curioso, o olhar afiado sobre o mais novo enquanto jantavam. André esqueceu-se dos bons momentos.

“Nunca estive num relacionamento com ela, pai. E só somos amigos agora.” Afirmou com grande atenção para o prato, como se o que restava de comida ali fosse alguma espécie de obra de arte mundialmente famosa.

Heitor limpou os lábios com o guardanapo.

“É mesmo? Uma pena, é uma boa menina, apesar de ter-se tornado uma tatuadora. Ainda assim virou-se com o novo negócio e fiquei sabendo que vem ganhando destaque na área.”

“Sim, o estúdio dela já é considerado um dos melhores de Porto Alegre.” André disse com orgulho da amiga. “Mas ela está com outros rolos agora. Mas, por favor, não venha com essa conversinha de namorados pra cima de mim. Parece a tia Eloísa!”

Heitor riu breve, concordando, mas após uns minutos readquiriu a expressão séria de costume.

“André, queria pedir perdão pelo tapa que te dei alguns dias atrás. Acabei me descontrolando. Eu sei que tu não é nenhuma bicha, como o Lázaro. Confio no filho que criei. Tu me orgulha, filho, sempre foi bem no colégio, não me deu preocupações, se esforçou nos esportes, se comportou na Europa e ainda passou em medicina sem precisar de anos de cursinho como alguns. Tenho certeza de que vai continuar me orgulhando.” Heitor apontou com um orgulho medido, mas de certo modo parecia desafiar o filho e discordar do que dizia.

André sentiu a comida afundar no estômago, um gosto amargo alastrando-se por sua saliva, tornando-a espessa e lhe retirando o apetite.

“Obrigado, pai.” Disse, pois não queria iniciar uma discussão no meio do restaurante. Todo o clima legal que tiveram durante o jogo e no início do jantar pareceu ir pro espaço, explodir e ser engolido pelo vácuo. Chegou a sentir-se culpado por não corresponder às expectativas do pai, mesmo sabendo que essas expectativas eram erradas em certos pontos.

Depois que Heitor pagou a conta, retornaram para casa. André queria ter Sascha para abraçar quando se fechou em seu quarto, mas se contentou com o um travesseiro. Cíntia chegou a aparecer pouco depois, perguntando se eles haviam conversado e o Heitor havia se desculpado, e André soube que havia dedo da mãe em parte daquela conversa.

Não era de se surpreender. Cíntia sempre havia sido o ponto de equilíbrio e reconciliação entre ele e o pai. André não se lembrava de ter apanhado mais do que poucas vezes do pai, e certamente isso se devia à sua mãe.

“Está tudo bem, mãe.” Mentiu, fingindo-se de indiferente. “Eu vou ir tomar um banho.” Levantou-se da cama.

“Está bem, filho. Boa noite, durma bem.” Ela beijou-lhe a testa, acariciando-lhe os cabelos, e saiu do quarto.

André foi mesmo para o banho e ficou lá por vários minutos, tentando colocar as ideias no lugar. Quando saiu, o celular tocava indicando uma chamada do moreno. Acabou sorrindo ao se jogar na cama e atender ao celular.

"E aí, loiro, tudo certo?" Fabrício perguntou de cara, não disfarçando de todo a preocupação. Só de ouvir a voz do moreno, André já se sentiu melhor, e nem saberia dizer por quanto tempo ficaram de papo no celular.

Tão... adolescentes!

XxxX

“Então...” Gabi saltitou ao redor do Fabrício e André. “Já escolheram fantasia? E como foi a última visita ao posto de saúde?”

“Vou dar uma improvisada depois, nem sei.” Fafá comentou dando de ombros. Estavam esperando pela aula de histologia prática. A última aula da manhã terminava às 11h30min, e a próxima aula, para os medianamente colocados no vestibular, era às 15h30min.

Fabrício e André haviam tido visita ao posto de saúde naquela sexta-feira, e vieram direto de lá, um bairro bem distante, até o campus centro. A cada quinze dias, havia visita a um posto de saúde em áreas carentes da cidade. Lá, acompanhavam o médico nas consultas e nas visitas a domicílio. Era interessante, apesar de bastante triste ver as condições precárias em que tantas pessoas moravam, em estados de saúde lamentáveis.

André sentira-se mal, sufocado, em vários momentos. Tinha certeza que aquela cadeira o havia ajudado a ver a situação do país e da saúde de uma forma mais realista, e o ajudara a amadurecer. Ainda se lembrava da velhinha de mais de oitenta anos abandonada pela família, com gastrite, problemas cardíacos e magreza extrema, que não tinha condições nem de sair de casa, tão fraca e frágil era. Talvez isso fosse uma parte do que Henrique lhes falara aquela vez – é impossível não amadurecer e ver o mundo com outros olhos ao envolver-se com a saúde e a vida de outras pessoas.

“Eu acho que vou de pirata.” André cogitou.

“Awn, um pirata loirinho, que amor!” Gabi exclamou, e sorriu travessa com o olhar cortante do loiro. Este ia replicar algum comentário ácido – desde que a Gabi ficara sabendo sobre ele e o Fabrício, agia como se ele fosse a coisa mais meiga e fofa de todos os tempos, e André já começava a perder a paciência –, porém fechou a boca ao justamente ver o primo Lázaro.

Por um segundo, perguntou-se o que diabos ele fazia no Campus Centro da UFRGS, mas então lembrou que ele havia passado em Direito no ano anterior, e deveria estar-se dirigindo para o prédio do Direito do outro lado da rua, em frente à Avenida João Pessoa. André se levantou, sem avisar nada, e correu até interceptar o primo.

Lázaro levou um susto. Era um garoto um pouco mais baixo que André, cabelos extremamente negros num corte que o loiro considerava ridículo de tão certinho, olhos azul-cobalto e uma carinha de mimado enjoada naquele rosto mortalmente pálido, mais pálido que o próprio André.

“Tu!” Lázaro disse, adquirindo uma expressão do mais puro ódio. André arregalou os olhos. Tudo bem que se odiavam, mas também não era pra tanto. “O que tu quer, guri? Jogar na minha cara que sou gay assim como todo o resto da família? Muito obrigado, mas não tenho tempo para tipinhos fofoqueiros como tu!”

Por um momento, André acreditou que ele iria dizer ‘tipinho homofóbico’, mas fofoqueiro? O segurou novamente quando ele lhe deu as costas, e o arrastou até uma área mais reservada, sob um canteiro de árvores onde poucas pessoas passavam, ainda mais àquela hora.

“Como assim fofoqueiro?! E não, não vou jogar nada na tua cara, então não precisa sair atirando pedras, ô branquelo.” O xingou com o apelido ‘amigável’ de infância.

“Fofoqueiro sim! Acha que não sei que foi tu que contou que eu era gay pros meus pais? Eu já entendi tudo que tu fez!” Ele acusou, parecendo latir como um cãozinho indignado. André vincou a testa sem entender bulhufas. “Primeiro, de alguma forma tu descobriu sobre mim, e aí depois me espionou e viu quando o Fabiano foi lá em casa, aí ligou pro meu telefone convencional pra me assustar, e depois ainda tocou a campainha! Acha que eu não tenho como descobrir quem ligou de chamadas de número bloqueado? E eu vi tua moto pela janela.” Ele foi acusando quase sem fôlego. Parecia ter teorizado tudo aquilo por dias. “Por tua culpa pela manhã achei que era outra pegadinha e aí meus pais me pegaram no flagra. Aposto que foi tu que ligou para eles avisando sobre mim! Era pra eles voltarem só dali uma semana!”

“’Tá maluco, moleque? Acha que minha vida gira ao redor do teu umbigo? Eu nem sabia que tu era gay, e nem liguei pros teus pais.” André exclamou, atarantado.

“Vai mentir que foi tu que fez aquela ligação e tocou a campainha?!” Lázaro praticamente gritou. Parecia louco para dar um soco no loiro, mas sabia que perderia caso tentasse. André era maior e um pouco mais forte.

“B-Bem, fui eu mas... Eu só queria pregar uma peça, nunca tive intenção de que teus pais descobrissem alguma coisa. Aliás, eu nem sabia que tu era gay até te ver com aquele cara.” Coçou os cabelos, desviando o olhar. Lázaro o encarou sem acreditar num pingo do que dizia. “Eu só queria perguntar se está tudo bem contigo...?”

“Rá, não te contaram? Meu pai me colocou de castigo, limitou minha grana ao mínimo e ainda me botou pra trabalhar o resto do tempo na firma dele, sem ganhar nada em retorno, ou seja, não posso trabalhar em outro lugar pra juntar uma grana. Depois de uma longa conversa sobre eu ter seguido um mau caminho e precisar ir a um psiquiatra, eles mal falam comigo, ou melhor, meu pai não fala, e o clima é um inferno. Minha mãe até tenta levar tudo como se nada houvesse acontecido, apesar de me dar indiretas, chorar toda noite e pedir a Deus para me mostrar o caminho certo.” Revirou os olhos com extremo desgosto.

André lembrou que tia Flávia era uma das únicas religiosas fervorosas da família.

“Isso tudo é tua culpa!”

“Já disse que não contei nada pra ninguém, mané! Mas tu mesmo gay continua chato como sempre!”

“Cala a boca! Eu sempre fui gay e sempre aceitei isso, desde pequeno, mas também sempre escondi. E agora por tua culpa, todos esses anos de fingimento foram por água abaixo!” Lázaro apontou o dedo quase o encostando ao nariz do loiro, que se sentiu ligeiramente vesgo ao olhar para a ponta do dedo.

André piscou e olhou para o Lázaro.

“Argh, tu é mesmo insuportável. Desculpa se minha pegadinha te deixou descuidado pela manhã, mas em vez de tu mandar o cara embora de noite mesmo, não, foi dar a bunda noite adentro e nem ouviu teus pais chegarem. O que o cara fez, hein? Fodeu teus ouvidos também?”

“Vai pro inferno, André! Caralho, como eu te odeio!” O empurrou e saiu correndo dali, em direção ao prédio do Direito. André suspirou, irritado. Que criatura teimosa aquela, há tempos não falava com ele, mas sempre que falava, acabavam brigando.

Fabrício se aproximou segundos depois e tocou o ombro do loiro.

“Tudo bem? Aquele era teu primo, não?”

“É... Os pais dele descobriram sobre ele e eu queria saber como ele estava.” André deu de ombros, fingindo não estar nem aí. “Mas ele é chato pra cacete, pelo amor de Deus.”

“Bah, que isso! Conta essa história direito! Coitado dele, não é? Hãn? Ou não?” Fabrício perguntou todo preocupado, mas em dúvida pela expressão de ‘foda-se o mundo’ do loiro.

André não teve alternativa que não contar para saciar a curiosidade do moreno. Do contrário, não teria paz nem quando a virada do século chegasse.

XxxX

A festa dos cem dias foi como as outras, a exceção das fantasias. Era sempre divertido ver a criatividade do povo. André vira até mesmo um fantasiado de lixeiro. Ou era criatividade, ou falta de grana. Como no caso do Fabrício, que colocou umas roupas largas, branco com azul, um chapéu pontudo, uma espada de papelão, e fez-se de Raiden.

Dançaram, beberam, impediram um dos colegas, que tinha namorada, de ficar com outra colega, que era considerada já no final do primeiro semestre como a vadia da turma. Gabi reclamava disso, não gostava desses estereótipos, mas a Fran dizia que ela ficava com qualquer um e era mesmo uma vadia. As duas acabaram se desentendendo durante a festa, e no fim André e Fafá estava tendo de aguentar a ladainha de Gabi, reclamando da amiga.

Estavam sentados num degrau logo na entrada da Hebraica, local de festas famoso, usado por muitos cursos das universidades, e para outros eventos. Ficava perto do Campus Centro.

“Ela consegue ser tão machista às vezes, e nem percebe! Vive falando que não gosta de gurias, que elas são falsas e dissimuladas, e eu sei que tem muitas que realmente são, mas ai, eu me irrito. Gurias são desunidas justamente por causa de pensamentos assim.” Bufou com um ar de bêbada e quase caiu sentada para o lado. Aquela fantasia de sereia atrapalhava.

“Acho que vocês estão precisando de uma DR, sereia.” Fafá sugeriu subindo e descendo as sobrancelhas. Era o mais sóbrio dos três, por mais louco que isso possa parecer. André estava quase cochilando sentado, olhos fechados e cabeça baixa. “Se não fosse pelo Rafael, eu acharia que aí tem coisa.”

“Nah, Fran é como uma mana. Brigamos, e no dia seguinte já estamos nos amando de novo. Ai, mas me irrito!” Jogou as mãos para o alto, e dessa vez caiu para trás, ficando deitada de barriga para cima no chão sujo da entrada. “Ela deve ‘tá lá mesmo se pegando com o Rafa. Traíra! Desde que começou a ficar com ele, me largou nesse mundão de Deus.”

“Mundão...” André resmungou meio fora do ar e apoiou a cabeça no ombro da morena. Gabi fez-lhe alguns carinhos distraídos no cabelo loiro, que havia perdido o chapéu de pirata no meio da festa.

“Vocês dois parecem acabados, gurizada. É recém três e meia da manhã!” Fafá exclamou abrindo os braços, e a Gabi bocejou, perguntando-se de onde ele tirava aquela energia. Fafá começou a fazer poses de esgrima com a espada de papelão já meio destruída, caindo aos pedaços.

“Sério, Fafá, às vezes tu me irrita, sabe? Tu é o tipo de pessoa legal demais, energético demais, extrovertido demais, engraçado demais, e às vezes eu simplesmente quero te torturar até te arrancar lágrimas.” Gabi disse pausadamente, com olheiras profundas sob os olhos apagados, enquanto mirava o moreno.

Fafá arregalou os olhos, dando um passo para trás.

“Torturar...” André resmungou novamente, concordando com a ideia.

“Eu acho que vou levar o Santa pra casa, antes que vocês criem um complô contra mim, e meus restos mortais sejam encontrados no Guaíba depois de anos em que ficarei desaparecido, com meus pais ainda tendo esperanças de me encontrar.” Fafá foi dizendo enquanto puxava André pelo pulso e passava o braço inerte dele por seus ombros, enlaçando-o pela cintura.

“Tu ‘tá falando demais, Fafá. Minha cabeça dói. Mas vou pra casa também, amanhã tenho de estar inteira pra viagem até Pelotas.” Gabi se levantou e quase caiu para frente, como um boneco João-bobo. Fafá a empurrou para trás apenas com o dedo indicador, e a morena revirou os olhos, vendo o mundo girando, antes de se endireitar.

“Ah é, vai ir ver a Dani.” Soltou uma risada maliciosa, que fez a morena mostrar-lhe o dedo do meio. “Manda abraços pra ela.”

“Nem quero lembrar ela da tua existência.” Gabi fungou.

“Ciumenta!” Fafá reclamou, mas a morena apenas tropeçou ao tentar-lhe mostrar a língua. Fafá a segurou com dificuldade, abraçando-a com o braço livre, e seguiram para a calçada da rua em busca de dois táxis.

Gabi entrou no primeiro, enquanto estranhamente cantava o hino nacional da Inglaterra “Salve a rainha! Salve a rainha!”.

“Rainha...” André murmurou, mas abriu os olhos, acordando quando Fabrício tentou endireitá-lo, segurando-o com mais firmeza. O loiro o encarou como se visse uma assombração. “Onde estamos?” Olhou ao redor.

“Achei que tu não acordava mais hoje.” Fafá riu e fez sinal para um táxi. Algumas outras pessoas saíram da festa, mas não era ninguém que os dois conhecessem. “Estamos saindo da festa, tu ‘tá podre, e a Gabi também ‘tava. Agora eu ‘tô ficando com sono.”

“Eu não quero ir pra casa.” André resmungou, abraçando o moreno pelo pescoço, sem nem pensar que estavam no meio da rua. Culparia a bebida e o Fabrício mais tarde, como o bom samaritano que era. “Quero ir ver o Sascha.”

“Não vai ser legal ir na casa dos meus tios de madrugada.” Fafá pela primeira vez demonstrou mais bom-senso. André resmungou impropérios em um tom indefinível, escondendo o rosto no pescoço do moreno e sentindo o cheiro de suor e perfume dele.

Ambos cheiravam a final de festa.

“Mas não quero ir pra casa!” André disse embirrado, o tom infantil. Fafá estava para colocá-lo no táxi que havia parado e dar o endereço ao motorista, mas acabou entrando junto, e deu o endereço de seu apartamento, que era bem próximo dali. Poderiam ir andando, caso André não estivesse tão sem forças nas pernas.

“Vamos pro meu apartamento então.” Fafá disse, mantendo o corpo do loiro próximo. Ignorou o olhar do motorista pelo retrovisor, mas não deixou de notar a forma como o André apertou os dedos em sua roupa, com certo nervosismo, ou como ergueu o rosto para olhar-lhe, o nariz roçando em seu pescoço ao fazê-lo. “Que foi? Tu disse que não queria ir pra casa.”

“E não quero.” André abaixou o olhar novamente, mantenho o ar embirrado. “A Cherry ‘tá lá? Ela vai me morder.” Murmurou roçando os dedos no braço forte do moreno.

“Não, ela ‘tá no meu tio fazendo companhia pro Sascha.” Fafá informou e sorriu pro loiro. “Alguém já te disse que tu fica bizarramente bonitinho quando bêbado?” Perguntou abafando uma risada. “Ai! Pra que me maltratar assim, loiro?” Perguntou ao receber um beliscão. Ao que parecia, ainda existiam réstias de consciência nele.

“Sempre sou bonito.” André empinou o nariz.

“Mas não tô falando bonitinho de bonito, tô falando bonitinho de fofo!” Fabrício ainda segurava a risada, abraçando o loiro com mais força e praticamente o colocando em seu colo.

“Não sou fofo.” Agora torcia o nariz olhando ofendido para o moreno.

“Não é a maior parte do tempo, mas mesmo assim eu gosto do teu jeito.” Fafá falou baixo, afastando alguns fios de cabelo dos olhos do André.

O loiro sorriu, mas de uma forma ligeiramente sarcástica.

“Acho bom, né? Como iria aceitar namorar comigo se não gostasse?”

Fabrício arregalou os olhos.

“’Tá me pedindo em namoro?” Perguntou meio abobalhado, e o André se enroscou em seu pescoço, ronronando em concordância. “Tu ‘tá me pedindo em namoro num táxi, quando tu ‘tá bêbado?”

“Tem problema?” André perguntou curioso, ar de bêbado que não entende nenhuma norma social básica. Ergueu o rosto e roçou os lábios nos do moreno, cheio de chamegos. “Não quer namorar comigo?”

Fafá sentiu suas bochechas criarem covinhas com o sorriso que abriu, e ignorou o pigarro do taxista. Ele já havia dobrado na Avenida Independência, e agora parava em frente ao prédio do moreno. Fabrício tirou o dinheiro do bolso com dificuldade e saiu do carro arrastando o André junto, que ainda não conseguia caminhar sozinho.

“De dou minha resposta lá no apartamento.” Disse agora sorrindo de uma maneira perigosamente alegre, e André olhou-o se arrepiando.

“Por que só lá?!” André perguntou, mas não impôs resistência ao ser arrastado pelo outro, atravessando a rua e então seguindo para a entrada do prédio e elevador. Fabrício cumprimentou o porteiro, que soltou um ronco e acordou, aturdido, cumprimentando-os também por reflexo.

Ambos riam ao entrar no elevador.

Fafá abraçou a cintura do loiro, trazendo-o para perto de si assim que começaram a subir. Roçou a boca no pescoço do André, que por algum motivo lhe era tão chamativo, assim como os lábios – e a bunda, mas era melhor que o André não soubesse disso. Não que o André já não desconfiasse. Até fizera a barba para que o loiro não sentisse arrepios e se afastasse como antes, gostava de beijar aquele pescoço.

“Eu não acredito que tu me pediu em namoro primeiro, eu ‘tava tentando pensar em maneiras românticas de fazer isso!” Fafá reclamou acariciando as costas do loiro. “Mas eu devia ter previsto a chance de tu pedir primeiro, ainda mais bêbado.”

“Eu te pedi em namoro?!” André perguntou perturbado, e Fafá segurou-lhe o rosto para olhá-lo, não acreditando que ele já havia esquecido.

“Sério mesmo que tu esqueceu, já?”

André não aguentou e acabou rindo.

“Que mané, acreditou! É claro que não esqueci. E é claro que eu seria mais rápido em te pedir em namoro.” Disse convencido, assim que o elevador parava no andar certo. “Sou mais esperto, mais bonito, mais bem articulado...”

“Tu ‘tá querendo sofrer?” Fafá perguntou sorrindo divertido, porém também maldoso, e começou a fazer cócegas no outro. André se debateu, e os dois saíram do elevador parecendo fugitivo e policial. Seria perfeito se Fabrício não estivesse com sua fantasia de Raiden improvisada de péssima qualidade – na opinião do loiro.

Fabrício aprisionou o André contra a porta, suas mãos apoiadas na madeira, na altura do rosto do loiro. Ambos ofegantes, apesar da corrida curta. André colocou as mãos na cintura do moreno, que se aproximou, pressionando-se contra ele e capturando-lhe os lábios. Um verdadeiro cárcere.

André se entreteve tanto com o beijo, praticamente disputando com a língua do moreno de maneira teimosa, que perdeu o equilíbrio e quase tropeçou para trás quando Fabrício abriu a porta do apartamento, só não caiu de fato pois foi habilmente segurado pelo mais alto. Estava tão bêbado que não ouvira o barulho das chaves, ou o beijo que estava bom demais?

“Vou ir tomar um banho. ‘Tô me sentindo todo suado e sujo... Tem uma toalha?” Perguntou procurando algo para se apoiar. Estava zonzo e uma água fria na cabeça o ajudaria a se manter acordado. Fabrício pareceu murchar um pouco por isso, afinal, o loiro quebrara totalmente o momento de pegação, mas foi buscar uma toalha.

“A água quente é o registro da direita.” Informou, perguntando-se não deveria ir tomar um banho junto com o loiro, mas nem teve tempo de se oferecer, pois o André escapuliu rapidamente para o banheiro, trancando-se lá.

Fabrício resolveu preparar um lanche. Estava verde de fome.

Enquanto preparava uma torrada para ele e o André, escutou o som do chuveiro. Não foi um banho demorado, antes mesmo que conseguisse dar uma mordida em sua torrada, viu o loiro saindo do banheiro com a toalha enrolada na cintura, os pingos de água escorrendo dos cabelos pelo pescoço, descendo pelo tórax esbelto e bem desenhado. A torrada ficou no caminho entre o prato e a boca, esta entreaberta.

André o olhou, sentado na mesinha da cozinha minúscula, e ergueu uma sobrancelha.

“Que cara de mané é essa?” Ele perguntou, e Fafá se perguntou se ele era ou inocente demais, ou simplesmente gostava da ideia de chamá-lo de mané. Sorriu malandro, largando a torrada e se levantando. De repente, estava com fome de outra coisa. Seu sorriso alargou-se ainda mais ao ver o loiro, inseguro, recuar um passo com sua aproximação.

André não sabia se gostava ou não quando o Fabrício entrava naquele ‘modo predador’ e perdia o jeito bobo alegre.

“Eu não ‘tava pensando em fazer nada hoje, porque tu ‘tá bêbado e tudo, mas aí tu me pede em namoro, e depois ainda se exibe de toalha na minha frente...” Fabrício explicou e, quando estava próximo o suficiente, colocou as mãos na cintura nua do loiro e o puxou para si, seus corpos se chocando num impacto prazeroso.

André ofegou baixo com o contato firme, e tentou objetar:

“Eu-” Fabrício o calou com um beijo, e agarrou os cabelos do loiro, pressionando-o mais contra si. Aquele quarto parecia abafado, apesar da janela parcialmente aberta, deixando entrar o vento fraco, mas gelado da madrugada.

André estava completamente arrepiado nos braços do moreno.

Mordeu os lábios quando o Fabrício arrancou o colete que usava. O loiro segurou a barra da camisa dele e a ergueu, retirando-a facilmente quando o moreno ergueu os braços para ajudá-lo. Ambos nus da cintura para cima, seus lábios voltaram a se procurar, ansiosos, assim que se abraçaram, experimentando aquele contato pele a pele que soltava faíscas. A pele amorenada do Fabrício estava tão quente, que André chegou a pensar que ele poderia estar com febre.

Os calçados do moreno marcaram no chão a trajetória curta até a cama, e André caiu de costas sobre o colchão, logo tendo o corpo do Fabrício sobre o seu aprisionando-o novamente. Fabrício agarrou seus pulsos e prendeu-os acima de sua cabeça, num aperto firme que fez o loiro ofegar baixo, antes de ter os lábios tomados. Enlaçou a cintura do moreno com as pernas, gemendo abafado contra a boca dele.

Fabrício interrompeu o beijo, ganhando um resmungo insatisfeito do loiro, e se afastou para olhá-lo – ofegante, afogueado, olhos azuis mais brilhantes do que nunca. Tinha todo aquele ar de marrento, mas ali agora, na sua cama... E isso o excitava tanto! Não posso perder o controle, lembrou-se enquanto mirava o rosto do loiro, que começava a ficar confuso com sua análise. Nem sabia se o André se lembraria daquilo no dia seguinte. E se transassem e o loiro acordasse sem lembrar-se de nada? Seria um Fabrício eunuco caso isso acontecesse.

“Tu ainda não me respondeu.” André dissipou o silêncio que se instaurara junto com a contemplação absorta do moreno, que começava a envergonhá-lo.

Fabrício sorriu largamente e acariciou rosto do loiro.

“Preciso mesmo responder? Não ‘tá na cara que te considero todinho meu desde que damos nosso primeiro beijo?” Perguntou retoricamente e decidiu, ao vê-lo abrir a boca mas logo fechá-la sem saber o que responder, que daria a ele algo para lembrar no dia seguinte.

“O beijo que eu nem lembrava? Aquilo foi praticamente um estupro.” André o acusou após readquirir controle sobre suas cordas vocais.

“Mas não me arrependo.” Fafá garantiu, cara de pau. Largou os pulsos do loiro e, colocando-se de joelhos, o puxou pela cintura para encaixá-lo melhor contra seu quadril. André abriu a boca de novo, num gemido mudo, a parte interna de suas coxas apertando a cintura do moreno. Fabrício espalmou a mão no abdômen magro, sentindo a firmeza do corpo do loiro, a definição leve; porém atraente. André mordeu os lábios com força quando o Fabrício arrancou-lhe a toalha ainda em sua cintura e a jogou para o chão; seus braços haviam permanecido jogados na cama acima de sua cabeça, e segurou o lençol com força, sentindo a adrenalina esparramar-se por seus músculos.

Fabrício sorriu divertido, com um ar matreiro, e tocou a ereção do loiro, que imediatamente suprimiu um gemido. André tinha ideia do que se passava pela cabeça do Fabrício; porém também não tinha intenção alguma de interferir. Apenas apertou os olhos quando ele moveu a mão, com uma lentidão beligerante que parecia testar suas reações. Quando ele se inclinou, capturando um de seus mamilos, André suspirou alto, abrindo novamente os olhos e vendo o teto rodar enquanto a cabeça também girava. Era efeito da bebida? Que mania era essa de tentar destruir o próprio fígado em quase todas as festas?

Fabrício se afastou novamente para retirar suas próprias calças, levando junto a cueca, e o loiro corou ao vê-lo completamente nu. Ainda não se acostumara com isso, afinal, só havia acontecido uma vez, quando tomaram banho juntos. Fabrício ainda apreciou o corpo também desnudo do namorado – namorado! –, apenas tempo suficiente para que não levasse um chute no rosto por olhar demais e fazer de menos. Voltou a se inclinar e passou a beijar os gominhos tensos do abdômen do loiro, que contraíam e relaxavam no ritmo da respiração apressada.

André gemeu distraidamente. A bebida o deixava aéreo e maleável, e não esperava pela próxima atitude do moreno. Fabrício o agarrou pelos glúteos e o jogou mais para o centro da cama, arrancando-lhe uma interjeição surpresa, depois se deitou de bruços, entre suas pernas, e passou os braços sob suas coxas, agarrando novamente seu quadril. André ergueu-se pelos cotovelos, boquiaberto, somente agora entendendo o que Fafá tinha em mente. Não, ele não vai, pensou nervoso, subitamente mais consciente do mundo, e até mesmo os poucos sons da rua voltaram a vibrar em seus tímpanos. Fabrício sorriu enviesado ao olhar para a expressão admirada e expectante do loiro, e segurou-lhe a ereção. André, sentindo a respiração dele bater contra a pele sensível da região, deixou a cabeça cair contra o colchão novamente, tapando os olhos com o braço, pois àquilo seguiu-se a boca do moreno. Ah, ele vai, entendeu e gemeu, suas pernas se dobrando um pouco mais e os dedos dos pés flexionando involuntariamente pelo prazer súbito.

Era, obviamente, a primeira vez que Fabrício fazia aquilo. Sabia que não levava muito jeito, e estranhou inicialmente o ato, mas era ótimo ouvir os gemidos e a maneira como o loiro parecia mergulhar num mar de prazer mesmo que não fosse experiente. Talvez a bebida ajudasse. É, era bom que André estivesse meio bêbado, não perceberia sua imperícia. Agarrou as nádegas dele, apertando-as com volúpia e erguendo mais o quadril do loiro. Adorava aquela bunda, empinada, cheinha, que cabia perfeitamente em sua mão. Continuou aquilo, com os olhos pregados no rosto afogueado e lúbrico do loiro afogado nas sensações que lhe dava.

André se empurrou e se sentou em dado momento, segurando o ombro do moreno e o empurrando comedidamente. Segurou o rosto do dele com ambas as mãos e o beijou, chamando-lhe o nome num sussurro. Queria abraçá-lo, beijá-lo, sentia uma necessidade quase dolorosa de tocá-lo. Fabrício o abraçou, correspondendo aos seus desejos, enquanto se beijavam lentamente, línguas deslizando preguiçosamente uma na outra. Com as mãos um pouco trêmulas, André abaixou a mão e tocou-o intimamente, conseguindo um gemido do namorado.

Fabrício pousou uma mão na lombar do loiro e o puxou para si, e André o enlaçou com as pernas, seus membros roçando juntos, deixando ambos ofegantes. André o abraçou também com os braços, pousando-os sobre seus ombros, arfando contra seus lábios, e Fabrício não resistiu, a mão que estava na lombar do loiro deslizou e seus dedos acariciaram as pregas entre as nádegas. André arquejou surpreso, ficando tenso com o toque, abrindo os olhos e encontrando o moreno olhando-o com um sorriso indefinível.

“Tu se depilou pra mim?” Fabrício perguntou naquele momento, inconveniente, e acariciou com mais pressão aquela parte inexplorada do corpo do outro. Já havia reparado que a parte da frente estava depilada e, bem, achara sexy o fato do André – André! Estamos falando de André Santayana aqui! – ter-se depilado para agradá-lo.

André reprimiu o ímpeto de esbofeteá-lo.

“Não me faça responder a isso, ou tu terá problemas amanhã. Ou até hoje mesmo.” Avisou num tom que poderia ser considerado potencialmente perigoso, caso seu rosto não estivesse tão adoravelmente corado, e não estivesse nu abraçado ao moreno, que sorriu.

Fabrício mordiscou com um sorriso malicioso o lábio do loiro antes de se afastar e virá-lo facilmente. André não entendeu aquilo, mal entendia como acabara de bruços na cama – maldita bebida! –, mas então um arrepio golpeou-lhe as costas quando a língua do Fabrício provocou-lhe a nuca, junto a uma mordiscada. Apertou os dedos no colchão quando a provocação úmida desceu rasante, seguindo o caminho bem demarcado na coluna do loiro até sumir entre as nádegas. André gritou com aquilo, agarrou-se à cama e mordeu o lençol. Fora pego de surpresa, e gemeu baixo quando as mãos do moreno agarraram e apertaram seus glúteos, afastando-os para dar acesso livre à língua.

“Fabrício! O que diabos tu ‘tá fazendo, idiota...? Ah, não, ah...!” André murmurou desconexo e escondeu o rosto entre os braços, pensou em pedir ao outro para parar, pois era constrangedor demais receber um beijo grego – maldito Davi que havia até lhe falado o nome daquilo!

Fabrício gostou do fato de o loiro parecer sentir mais prazer com isso, do que com a oral. E era ótimo ter total liberdade para apertar e amassar as nádegas nas quais reparara desde que ele se vestira de bombeirinha sexy. O penetrou com a língua, e o André gemeu mais alto, remexendo-se, mas o Fabrício o segurou parado. Não estava achando ruim fazer aquilo, apesar de ser algo completamente novo, pelo contrário, estava adorando dar prazer ao loiro. Ainda teria de se acostumar completamente àquele tipo de toque, mas se achasse ruim, ou nojento, não estaria fazendo. Havia assistido a uns pornôs gays e vira como os passivos pareciam adorar aquilo, quisera experimentar com o – agora – namorado.

Sorriu ao pensar na palavra, e intensificou as carícias molhadas. Lambeu as pregas, criando atrito e por vezes mordendo a carne arredondada ao lado. André, como já havia sido estimulado pela frente, acabou tendo um orgasmo, sujando o lençol da cama e o próprio abdômen ao, sem força alguma, cair de bruços, cansado, sobre o colchão. Fabrício subiu os beijos pelas costas do loiro, até deitar-se ao lado dele; ainda estava ridiculamente excitado, mas apenas acariciou as costas do outro.

André virou-se de lado, olhando-o, lábios mordidos.

“Não acredito que tu fez essas coisas...” Murmurou sem conseguir olhar diretamente nos olhos negros. “Não faça essas coisas sem me avisar antes!”

“Mas...! Era pra ser surpresa.” Fafá se aproximou, sorrindo de lado, e ondulou rapidamente as sobrancelhas. André o encarou apenas por um segundo, antes de passar um braço pelo ombro dele e puxá-lo, beijando-o. Levou a mão até a ereção ainda desperta do moreno, e o masturbou, arrancando também gemidos – era uma benção não ser o único a gemer ali, apesar de gemer mais, ainda que nunca viesse a admitir tal ignomínia. Fabrício o montou, e moveu o corpo contra o do loiro, ajudando-o com o movimento da mão, causando atrito na ereção ainda semidesperta do André, que pôde ouvir o próprio coração retumbar, excitando-se novamente por ter o moreno sobre si daquela forma, movendo-se como se... Oh, André fechou os olhos apertados, gemendo em meio ao beijo intenso.

Até que o Fabrício gozou também, e o abdômen do loiro foi novamente a vítima a ser atingida pelo sêmen, dessa vez alheio. André desejou por um novo banho. Logo. Estavam suados, melados e o quarto tinha aquele cheiro característico de libido e sexo. Ainda que não houvessem transado.

Ficaram ainda abraçados, recuperando o fôlego e tentando acalmar aquele jorro de adrenalina que circulava veloz pelo corpo. Fabrício acariciou os cabelos úmidos do loiro e, agora, o vento fresco deixava a pele de ambos arrepiada. André sentia a cabeça girando. Ele lambeu meu cu, não acredito que eu deixei isso acontecer, pensava frenético, estremecendo de leve a cada vez que se lembrava das sensações fortes e novas que experimentara.

“Então somos namorados.” Murmurou o Fabrício, enlevado com a ideia.

“É o que parece, mas não torne isso mais brega do que já é.” André resmungou ao notar o olhar apaixonado e piegas do outro. Se é que um olhar poderia ser brega, mas isso não era importante. Acariciou o rosto barbeado do moreno. “Eu... Não teria te beijado pra início de conversa se... Não gostasse muito de ti e não fosse pra ser algo sério.” Disse, contrafeito. Era difícil ficar falando essas abobrinhas românticas. Mesmo que tais abobrinhas não fossem nenhuma mentira.

Fabrício riu da dificuldade do outro em admitir e segurou-lhe a mão, beijando-a na palma. André ainda teria de descobrir se gostava ou não desses carinhos bobos do moreno. Ok, ele sabia que gostava, por mais que não soubesse onde meter a cara depois.

“Eu sei disso. Quando tu cantou no piano pra mim, entendi que me ama.” Disse, abrindo um sorrisão presunçoso quando o André o olhou boquiaberto.

“Quem disse que te amo?! Convencido! O único que pode ser convencido aqui sou eu!” André tentou de alguma forma estapeá-lo – um desejo antigo – mas Fafá, que já estava ficando craque naquilo, o impediu e os dois rolaram na cama, numa briguinha rápida, o moreno rindo e o loiro mais rosnando que rindo, mas de qualquer forma, acabaram novamente abraçados sobre o colchão, aos beijos.

Porque não conseguiam desgrudar um do outro.

Era puro magnetismo.

Notas finais
Ainda estou em processo de responder os reviews do cap. passado. Estou meio doente, aí estou bem lerda, e daqui a pouco vou sair ainda U___U Mas até o final do dia respondo tudo! Espero que tenham curtido! Não foi lemon ainda IUJHAOIAUJAIO mas foi bem promissor certo? Agora que eles já experimentaram de tudo... O próximo passo... ~sugestivo~ AJHAOUIAJHUIO Tentarei nesse domingo postar um extra, de Beto/Milo e Gabi/Dani. Próximo cap. dos dois sexta que vem! Beijos, gente linda!