Good Riddance

38 Perdendo o controle


“Tu ainda ‘tá nos teus tios?” André perguntou por celular.

“Aham, fiquei pra jantar e acho que vou acabar dormindo aqui mesmo e ir direto pra faculdade amanhã.” Fafá contou. Havia passado o dia com os tios, estudado um pouco à tarde e não estava a fim de voltar para seu apartamento minúsculo. “Por quê?”

“Erm... Eu posso passar aí e deixar o Sascha com teus tios por uns dias?” Perguntou, o tom ganhando um ar de chateação. Não queria ficar longe do cãozinho.

“Acho que não tem problema não, meu tio adorou o Sascha, mas por quê?!” Fabrício indagou sem entender, pois sabia que o loiro havia se apaixonado pelo filhote. “Aconteceu alguma coisa?”

André suspirou ainda mais chateado.

“Vou ir aí então. Daí te explico...” Desligou.

Fabrício olhou para o aparelho como se admirasse um óvni e as tentativas de comunicação de um extraterrestre, o que atraiu a atenção dos tios, sentados ao redor da mesinha esperando sua vez no jogo de tabuleiro de zumbis que Diogo havia comprado recentemente. As luzes estavam apagadas, apenas umas velas acesas, só para melhorar o clima. Ideias do tio Diogo.

“O que aconteceu?” Henrique perguntou preocupado ao notar a expressão do garoto.

“Ele não explicou, mas disse que vai passar aqui... Perguntou se tudo bem para vocês ele deixar o Sascha aqui por uns dias.” Fafá guardou o celular no bolso e deu umas afagadas nas orelhas de Cherry, que estava empoleirada em cima da mesa olhando fixamente para os bonequinhos do jogo. Diogo já havia reclamado que ela iria atacar e comer as pecinhas em algum momento.

“Por mim, sem problemas. Cherry e Sascha vão voltar à velha rotina de ‘eu tento brincar contigo e tu me esfola vivo’ tão particular deles, é um passatempo engraçado de se olhar.” Diogo garantiu, se calando e prontamente se preparando para um ataque quando Cherry desviou seus olhinhos negros mal-humorados em sua direção. “O que foi? Vai dizer que eu estou mentindo, diaba?” Perguntou à gata, que miou insatisfeita para o Fabrício, como se dissesse ‘livre-se desse humano!’.

“Que estranho... Algo deve ter acontecido, mas nos resta esperar.” Henrique comentou, acariciando distraidamente a nuca do namorado enquanto Fafá fazia sua jogada. “Se ele quiser, pode dormir aqui. Eu já vou ir me render daqui a pouco, meus olhos estão pesando.”

“Os meus também. Vocês terão certa privacidade daí. Imagino que não tenham isso em muitos lugares.” Diogo ponderou. Lembrava-se de seus primeiros meses de namoro, em que ainda escondiam o relacionamento de muita gente.

“Na faculdade agimos como sempre, só em alguns momentos em que estamos só nós dois rola um beijo ou outro, mas tudo rápido.” Suspirou. Sentia-se um pouco impaciente com isso, tinha momentos em queria poder agarrar aquele loiro com maior liberdade. “Mas ele ainda parece meio tímido com essas coisas...”

“Normal, Rique também era assim e depois virou um devasso.” Diogo garantiu bonachão, dando de ombros como se informasse em que momento o namorado começou a deixar os cabelos crescerem. Rique deu-lhe um tapa que arrancou uma exclamação verdadeira de dor do tatuado, e dessa vez cherry miou com satisfação.

“Segure essa língua. E sim, isso é normal, Fabrício, ele não está acostumado a esse tipo de intimidade com outro guri, e todos os anos em que ele se reprimiu sobre isso não vão desaparecer magicamente em alguns dias... Mas isso vai mudar, e provavelmente não irá demorar.” Piscou para o sobrinho. Rique lembrava-se de como se sentira tímido para retribuir aos toques de Diogo e permitir-se inúmeras coisas nas primeiras semanas.

Fafá sorriu aliviado.

Era sempre bom conversar com os tios sobre isso, pois assim acabava com suas dúvidas e receios. Vinha até pensando que o loiro talvez não estivesse curtindo tanto assim, pela maneira como ele às vezes o repelia, ou ficava tenso com a proximidade. Ele admitir no dia anterior pros amigos que estavam juntos o deixara mais tranquilo, mas ainda assim se perguntava se estava fazendo algo de errado, já que o loiro nunca mais tomara uma iniciativa própria.

Continuaram jogando por alguns minutos, batendo papo, até que a campainha soasse. Fafá correu pra abrir a porta, e encontrou o loiro na entrada, abraçando fortemente o labrador nos braços, parecendo prestes a chorar com a ideia de se separar do filhote. Tinha uma expressão entristecida e – Fafá não conseguiu suprimir o pensamento – terrivelmente adorável também.

“Trouxe ele.” Murmurou e pareceu ainda mais triste quando Sascha deu-lhe uma lambida no rosto, notando a tristeza do dono e tentando consolá-lo. “Ele vai se esquecer de mim se eu deixar ele aqui, né?”

Fabrício teve ímpetos de rir e abraçá-lo para enchê-lo de beijos.

“Claro que não!” Disse enfático, abafando os risos. “Vem, entra. Meus tios querem só te dar um oi antes de irem dormir.”

André entrou e encontrou os tios do moreno na sala de estar escurecida.

“Estamos sem luz.” Fafá informou, explicando aquela escuridão, e Sascha se contorceu no colo do loiro, querendo pular ao visualizar aquele pontinho branco minúsculo sobre a mesa. E ele conseguiu de fato pular bem em cima da mesinha e espalhou as peças de tabuleiro para tudo quanto era lado. Cherry rosnou e pulou da mesa, e os dois começaram um pega-pega pela casa.

“Meu jogo!” Diogo exclamou quase caindo em cima da mesinha para abraçar o que restava das peças. Havia pagado 250 reais naquele jogo de tabuleiro.

“Foi mau.” André mordeu o lábio.

“Não, não precisa se culpar. Foi minha culpa por não ter escondido a Cherry na privada antes do Sascha chegar.” Diogo suspirou, enquanto Fabrício soltava uma interjeição descontente. “E aí, meu garoto, como está? Estamos todos curiosos com o que aconteceu.”

“Diogo! Não dá pra ser mais indiscreto?” Rique reclamou, irônico e retórico.

“Mais? Bem, então, já decidiram que vai ser o ativo, e quem será o passivo? Ou vai rolar uma versatilidade aí? O Rique desde o início quis ser o-“

“Ok, chega. Acho melhor irmos dormir. Sinta-se em casa, André, qualquer coisa estamos no quarto. E não se preocupe que o Sascha pode ficar aqui com a gente pelo tempo que for necessário.” Rique foi falando enquanto empurrava Diogo em direção aos quartos.

“Mas ele nem contou o que aconteceu ainda!” Diogo exclamou sussurrado, rindo da indignação do outro e se encolhendo de possíveis tapas.

“Deixa de ser intrometido!” Henrique ladrou. “Boa noite, garotos.” Sorriu amavelmente para os mais novos.

“Boa noite!” Os dois disseram juntos. Fafá se segurando para não rir, e André meio sem jeito com tudo, e ainda chateado demais para achar qualquer coisa engraçada. Diogo também desejou boa noite de uma maneira infeliz, o rabo entre as pernas enquanto os dois ouviam Henrique sussurrar algumas repreensões para ele, até que o barulho da porta do quarto batendo também chegasse aos seus ouvidos do corredor.

André caiu sentado no sofá. Não estava a fim de voltar para casa, apesar de que os pais provavelmente já teriam se recolhido também. Fabrício sentou-se ao seu lado, ficando preocupado com o jeitinho desolado do loiro. Acariciou-o na bochecha e depois na nuca, chamando-lhe a atenção.

“O que houve?”

“Meus pais...” Engoliu em seco. “Eles voltaram...” Murmurou abaixando a cabeça. Fora bastante súbito. Sabia que a mãe vinha se encontrando com alguém, porém jamais imaginara que esse alguém seria justamente o ex-marido. André levou um grande susto quando encontrou os dois em casa naquele domingo de manhã, quando voltava do apartamento do moreno. Eles simplesmente atiraram a notícia em sua cara, e restou-lhe fingir um sorriso de animação.

Suspirou profundamente e passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os.

“Talvez eu devesse estar feliz, mas não estou. Isso só piora as coisas, eu acho. E ele disse que não queria mais o Sascha lá em casa quando voltou pra lá hoje. Nós brigamos, e ele disse que era um absurdo manter o Sascha lá quando ele causava tanta irritação e desconforto pra minha mãe. Como sempre ele ganhou a discussão, e eu só consegui pensar nos teus tios.” André desabafou, e seus olhos lacrimejaram ainda mais. “Ele nunca irá me aceitar. Vai me querer fora de casa assim como quis o Sascha quando descobrir.” Murmurou, apertando o abdômen como se sentisse náuseas. “Nem ele, nem minha mãe.” Tremeu e acabou abaixando o rosto, começando a chorar baixinho. Mesmo tentando reprimir, as lágrimas eram mais fortes, graúdas e insistentes.

“Hei, hei. Calma! Não vale à pena ficar pensando nisso agora.” Fafá o abraçou, trazendo-o para perto. André recostou a cabeça no peito do moreno, escondendo o rosto e o abraçando também, com força. Estava assustado com aquilo. Fora bom ter o apoio dos amigos, os amigos que lhe importavam – Leo, Nati, Tati, Davi, Lucas, Fran, Gabi, todos esses os aceitavam. Mas não deixava de sentir medo da forma como os pais e o resto da família o olhariam quando, e se descobrissem sobre sua orientação sexual.

“E-Estou assustado. Agora ele morando junto de novo será muito mais fácil de acabar descobrindo. Sei que é egoísmo, mas preferia que eles continuassem separados.” André lamentou, a voz entrecortada e falha pelo choro. Fabrício acariciava-lhe o braço e as costas, e beijou-lhe entre os cabelos dourados.

“Ele não precisa descobrir nada, ao menos enquanto tu morar junto com eles. Não se culpe tanto, tu sabe que eles estão errados por não aceitarem isso.” Tentou consolá-lo. Conseguia compreender como ele se sentia, apesar de não ter as mesmas preocupações. Ainda não havia contado aos pais, pretendia esperar um tempo, mas iria contar no momento oportuno. Sempre haviam tido uma relação aberta e não queria esconder nada deles.

“Eu sei...” André murmurou, fungando e tentando segurar o choro, apenas aproveitando o abraço quente e reconfortador do outro. Sentia-se tão bem naqueles braços, era uma sensação que mal conseguia explicar. Segurança. Onde experimentara isso antes? Em nenhum lugar de que se lembrasse. Não queria largá-lo mais, nunca mais, e deixou os braços subirem até envolverem o pescoço dele.

Ergueu o rosto, olhando na penumbra para aqueles olhos negros, que o encararam de volta, cheios de carinho e apoio. Por que ele tem de ser tão perfeito? Perguntou-se abismado, até mesmo um pouco aflito, e acariciou a bochecha do moreno, sentindo a barba roçar na ponta de seus dedos. Seus lábios se encontraram sem que nenhum dos dois soubesse dizer quem tomara a iniciativa para tal.

Era o beijo mais terno que trocavam até então. Calmo, lento, com o gosto salgado das lágrimas que haviam molhado os lábios do loiro. Fabrício tocou gentilmente os fios dourados, ainda tentando transmitir conforto ao outro. Nunca o vira tão triste e vulnerável, e um instinto protetor tomou conta de si, deixando-o até mesmo meio ansioso. Abraçou o loiro com mais força, puxando-o pela nuca e aprofundando o beijo, conseguindo de André um gemido fraco.

Empurrando de leve o loiro contra o sofá, sem interromper o beijo, Fabrício se deitou sobre ele, sem forçar nada, ambos apenas se deixando levar pelo momento. André sentia arrepios com as voltas que a língua do moreno dava contra a sua, girando numa dança lenta e íntima enquanto se tocavam sem pressa. Fabrício escorregou a mão até a coxa do loiro e a ergueu, acomodando-se melhor contra ele, e André subiu as mãos pelas costas firmes e definidas do moreno por dentro da camiseta, sentindo a pele quente.

Fabrício moveu-se contra o loiro e gemeu abafado, e André arrepiou-se com aquele som. Após alguns instantes de troca de beijos, pôde sentir que o moreno começava a ficar excitado, pressionando-se entre suas pernas e o deixando num estado similar. Afundou as unhas nas costas dele, ouvindo-o gemer de novo, pois elas estavam um tantinho compridas, precisando de um corte. Ele apertou-lhe mais a coxa em resposta, sustando o beijo por um instante em busca de ar – em busca de algum freio para a excitação crescente; e as respirações dos dois se misturaram, ofegantes, expectantes.

“Desculpa, acho que me aproveitei do momento. Eu-“

“Idiota.” André resmungou, seus olhos azuis parecendo ainda brilhar, umedecidos pelas lágrimas de antes. “Não precisa se desculpar por isso...” Disse lembrando-se de ficar encabulado, e suas bochechas pinicaram, principalmente pela posição em que estavam. “Mas teus tios, eles-“

“Estão dormindo.” Fabrício garantiu. Diogo quando caía na cama não demorava cinco segundos e virava uma estátua adormecida. Eram parecidos nesse ponto. Aliás, em muitos pontos. “Tu quer ficar aqui mais tempo...?” Perguntou, por algum motivo inseguro naquela noite em especial. Talvez porque o loiro havia chorado há pouco, e não queria que parecesse estar apenas a fim de dar uns amassos com ele.

“E-Eu deveria ir para casa, mas ao mesmo tempo queria continuar aqui.” Murmurou e mordeu o lábio, aliviado pela sala estar escurecida e Fabrício não poder notar o estado afogueado de seu rosto. “Só... Continua me beijando mais um pouco.” O puxou para si novamente, e dessa vez o beijo iniciou completamente diferente – forte, ansioso, intenso.

As mãos do moreno se tornaram mais rudes, apertando o corpo do loiro com mais força, e possibilidade de deixar marcas. André gemeu não conseguindo corresponder ao beijo por um segundo, e Fabrício pareceu aprofundar mais a língua em sua boca, mal o deixando respirar. Mordeu-o no lábio numa espécie de reprimenda, e estremeceu quando sentiu as mãos dele erguendo sua camiseta, tocando-lhe o abdômen que subia e descia rápido, como o peito, denunciando a respiração nervosa.

Fabrício desceu os lábios e lhe atacou o pescoço enquanto terminava de subir a camiseta, e assim que todo o tórax do loiro estava exposto, ele desceu uma das mãos e o tocou entre as pernas, massageando-lhe a ereção. André ofegou e fechou a mão em punho, levando-a até a boca e mordendo-a, suas pernas involuntariamente abrindo mais e sua outra mão parando numa das nádegas do moreno, enchendo a palma com a carne durinha, apertando com vontade.

O moreno sorriu para isso e desceu um pouco mais, abocanhando um dos mamilos rosados do loiro enquanto ainda o tocava de uma maneira estonteante. A barba roçando ao redor do mamilo causou arrepios no loiro, e de alguma forma a língua contra a ponta, provocando, também. Apertou os olhos e parou de morder a própria mão, descendo-a para acariciar os cabelos negros. Remexeu-se embaixo dele, sentindo-se queimar, desejando mais. Procurou a braguilha da calça dele, e Fabrício, notando sua intenção, procurou a sua também, afobado.

Assim que libertos, Fabrício deitou-se novamente sobre o André, apoiando os antebraços na almofada, de cada lado do rosto do loiro, seus olhares se conectando numa expectativa sensual, enquanto suas ereções se tocavam sem nenhum impedimento. André agarrou as nádegas do moreno de novo e o puxou contra si, criando aquele atrito que tanto aliviava a tensão, quanto aumentava a necessidade de contato. Voltaram a se beijar, enchendo a sala com os sons do beijo e dos gemidos roucos. Uma sorte que o quarto dos tios fosse ao final do corredor, a uma boa distância, ou teriam de escutar piadinhas do Diogo no dia seguinte.

A possibilidade de serem flagrados, de certa forma, aumentava a adrenalina e expectativa que corria pelo sangue.

Fabrício acariciou o pescoço, depois o peito e desceu a mão pela lateral do abdômen do loiro, uma carícia áspera, forte, que parecia querer marcar suas digitais na pele branca, até envolver-lhes os membros e ajudar no atrito, movendo-se mais. André virou o rosto para gemer, sua expressão vulnerável e afogueada causando um furor ainda maior no moreno. Fabrício o beijou no pescoço e então, sem aviso, se afastou um pouco e virou o loiro no sofá, que ficou de bruços, antebraços apoiados na almoçada alta.

André ofegou pego de surpresa por aquilo, e logo sentiu os lábios do Fabrício em sua nuca, a mão na sua cintura e outra envolvendo novamente seu pênis. Ele se moveu e pôde sentir o membro ereto dele roçar-se entre seus glúteos. Um calor explodiu dentro de si, junto com certo pânico. Tudo que Davi lhe falara no dia anterior, sobre ser passivo, enema, depilação, lubrificante, e mais todas as coisas com as quais ele lhe ‘assustara’ lhe encheram a mente, e toda a entrega de segundos atrás foi para o espaço. Seu corpo tencionou e o nervosismo acabou brutalmente com a excitação.

Virou-se e empurrou um pouco o moreno, a mão espalmada no tórax dele.

“E-Eu acho que vou pra casa.” Falou levantando já arrumando as calças, e tomou um susto ao ver o Sascha parado na porta da sala que a conectava à cozinha. O filhote o olhou com uma carinha inocente. “Sascha, seu pervertido!” André resmungou e foi até o cãozinho, que imediatamente se levantou, rebolou resfolegando até ele e caiu feito fruta podre de novo, ficando de barriga pra cima assim que André se ajoelhou na frente dele. “Se comporte, viu? Eu vou aparecer pra te ver sempre que possível.”

Fabrício se ajeitava também no sofá. Estava sentindo ganas de esmagar a própria cabeça contra a parede. Havia abusado da situação e sabia disso. Teria assustado o loiro? Nem pensara no que fazia, e mais um pouco e poderia ter acabado transando com ele ali mesmo no sofá, tão tomado pela excitação ficara. A primeira vez dos dois não deveria ser assim! Idiota descontrolado, se xingou imaginando que seriam essas exatas palavras que André lhe diria.

Levantou-se quando o loiro se ergueu e se virou para si. Seu coração batia nervoso também.

“Pode... abrir para mim?” André perguntou, coçando a nuca sem jeito. Fabrício assentiu, e os dois foram até a porta de saída, ambos um tanto constrangidos. Fafá se martirizava por ter perdido tanto o controle. Decidiu que isso não aconteceria novamente, saberia se comportar nas próximas vezes.

Segurou o braço do loiro quando chegaram à saída.

“Desculpe por ter me excedido.”

“Já disse pra não pedir desculpas pra esse tipo de coisa!” André falou irritado, mas somente porque isso o acanhava e não queria que o outro percebesse.

“Desculpa.” Disse de novo, e fechou um olho, sorrindo culpado coçando os cabelos ao perceber que se desculpava de novo. André revirou os olhos, mas puxou o ar com força quando o moreno o prensou contra o portão. “Eu não me importo de esperar o tempo que for preciso até tu se sentir plenamente confortável com tudo isso, e preparado pra dar o próximo passo...”

“Idiota!” André deu mais ênfase que o comum na palavra. Queria ir se esconder num bueiro depois dessa. “Tu não facilita eu me sentir confortável falando essas coisas!”

“Desculpa...” O beijou no pescoço, roçando a barba ali e gerando arrepios violentos no loiro.

“Já disse pra não ficar se desculpando, que saco!” O moreno começava a estressá-lo; porém Fafá apenas riu e, roubando um selo, se afastou para abrir o portão.

“Até amanhã então.” Despediu-se do loiro encabulado e estressado. Sascha ganiu lamentoso, denunciando que os seguira até ali.

“Awn, olha a carinha dele.” André, esquecendo-se de sua irritação, disse bobo ao olhar pro cãozinho, vendo-lhe a expressão infeliz. Sua vontade foi de chorar de novo abraçado ao labrador.

Fafá sorriu condescendente e pegou Sascha no colo.

“Não te preocupa, de jeito nenhum ele vai esquecer de ti.” Garantiu ao loiro. “Tu ainda vai vir visitar ele com frequência.”

André ainda afagou o queixo de Sascha, sorrindo fraco, antes de sair pelo portão.

“Até amanhã, Fafá.” Despediu-se também e seguiu para o carro estacionado em frente à casa. Riu balançando a cabeça, enquanto ligava o carro, ao ver o moreno segurando a patinha de Sascha no ar, balançando-a para fingir que era o filhote que abanava.

Mas agora só conseguia pensar em uma coisa: precisava conversar com o Davi novamente, e pedir ajuda em certos detalhes desagradáveis...

Notas finais
Uma das minhas provas foi adiada, então tô mais tranquila, pude vir postar. Capítulo curtinho! Mas espero que tenham gostado. Próximo cap. é bem comédia. haha! Obrigada aos que continuam acompanhando, e comentando! Beijos, paixões!