Good Riddance

37 Não é cedo para dizer Extra Gui/Davi Parte Final


Notas iniciais
MUITO obrigada ao Tenshi e à Andressa pelas recomendações! Sem palavras, emocionada aqui.

Davi chegou trêmulo à casa do Leonardo. Queria um banho, um banho quente o acalmaria. Estava em choque com o que havia acontecido. Ele e o Guilherme haviam terminado, era isso? Seu peito se contorceu com a ideia, as lágrimas não paravam de cair. Não iria aguentar, só de pensar já sentia saudades do veterano.

Entrou no quarto para pegar uma toalha e um pijama, sem nem bater ou parar para escutar nada. Levou um susto ao ver o Leonardo na cama transando com uma garota loira, que o cavalgava e acabava de jogar a cabeça para trás, gemendo alto. Bateu a porta e se afastou o mais rápido possível, correndo para sala. Que mancada! Andou nervoso de um lado pro outro, sem saber para onde ir – atirar-se das escadas do prédio sempre era uma opção –, até que alguém apareceu na sala.

Tomou outro susto ao ver que era a Marília, sequer tivera tempo de reconhecê-la minutos antes.

"Davi?" Ela chamou. Estava enrolada no lençol, e Leonardo apareceu logo atrás, apenas de bermuda. "Tu não deveria estar na casa do Gui? Meu Deus, tu 'tá chorando!? O que aquele brutamontes te fez?!" Ela perguntou num tom maternal e correu para abraçá-lo. Davi se sentiu estranho ao ter o rosto pressionado contra os peitos dela. Marília era alta, talvez 1,75 m de altura.

Leonardo se jogou no sofá.

"Vocês brigaram?" Ele perguntou.

Davi conseguiu se afastar da loira.

"Desculpa interromper vocês." Davi lamentou, sentando-se também no sofá. Sentia-se cansado, tanto física quanto mentalmente. "Não sabia..."

"Tudo bem, o Da Vinci já estava bem satisfeito." Marília assegurou, falando com naturalidade, mas Davi corou mesmo assim, enquanto Leo coçava a orelha. "Agora nos diga o que aconteceu."

"É como o Leo supôs. Brigamos... Porque eu sempre afasto ele quando estamos para transar, e porque ele acha que eu e o Leo... Que nós... Temos um caso." Corou mais e abaixou o olhar.

Leonardo se engasgou com a própria saliva.

"Quê?!" Perguntou perplexo. Davi achou que ele ficaria impressionado pela ideia de eles terem um caso, mas o que perguntou foi: "Vocês ainda não transaram?"

Marília gargalhou.

"Ai, esse Guilherme é um retardado mesmo, adora ver coisas onde não existem. Não à toa ele nem se metia em namoros antes, ele sabe que é possessivo demais." Riu-se. "Ah, tu e o Leo até ficariam fofos juntos."

"Eu sei, se eu fosse gay, o Davi seria a minha putinha. AI!" Leonardo massageou o braço em que recebeu um soco bem dado. Davi sentiu-se irritado.

"Vocês não levam nada a sério!" Exclamou e sentiu falta de ter um quarto só seu para correr e se trancar nele. "Eu e ele terminamos!"

Agora eles pareciam impressionados de verdade.

"Sério?" Marília esbugalhou os olhos, pois sabia que o amigo estava ridiculamente apaixonado por aquele tampinha — como Leo costumava chamar. "Mas..."

"Mas nada, ele é um idiota! Idiota! Eu não quero nunca mais olhar pra cara dele!" Davi gritou, por pura teimosia e mágoa. Não era verdade, mas não importava. E não se importou de não ter um quarto, correu para o do Leonardo, arrancou os lençóis restantes da cama, pegou novos, e se deitou no colchão, se embrulhando abraçado a um travesseiro que parecia limpo, intacto.

Leonardo e Marília apareceram pouco depois e também se deitaram na cama, um de cada lado do pequeno. Marília ao menos colocou calcinha e sutiã antes de se deitar, e abraçou-se ao embrulho pequeno na cama. Leo deitou-se de lado, olhando para os dois.

"Ele é mesmo um idiota, mas ainda vai vir pedir desculpas." Marília garantiu. "No fundo ele sabe que tu e o Leo são apenas amigos."

"É tão difícil entender isso? Eu não posso escolher entre ele e um dos meus melhores amigos!” Davi resmungou com a voz embargada. "E realmente não quero morar com ele, ainda é cedo demais pra algo assim..." Teimou.

"Se for para escolher entre eu e ele, eu acho que eu deveria ser o escolhido." Leonardo apontou pomposo, e dessa vez levou uma travesseirada da loira. Riu ao se proteger com os braços.

"Tu ‘tá certo, mas por que não quis transar durante todo esse tempo? Davi, transar é algo natural, não importa que ambos sejam homens, continua sendo natural. Não tem porque sentir vergonha." Marília falou, carinhosa. "Até dói no início, mas depois fica bom, e olha que nem tenho próstata."

"Tu já fez anal? Por que eu não fiquei sabendo sobre isso?" Leonardo quis saber.

"Discutam isso depois!" Davi exigiu, arriscando colocar a cabeça para fora do casulo que havia feito com os lençóis. Suspirou. "Eu só quero dormir, obrigado pela preocupação, mas estou cansado..." Não queria discutir sua vida sexual com os dois. Principalmente não depois de flagrá-los transando.

"Só queria lembrá-lo que tu 'tá na minha cama." Leonardo achou por bem avisar.

"Vem, vamos deixá-lo descansar." Marília puxou o moreno para fora da cama, arrastando-o. "Boa noite, Davi." Fechou a porta, dando um pouco de solidão ao pequeno, ele precisava.

Leonardo protestou.

"E eu que vou dormir no sofá?" Ele quis saber, apenas se fazendo de chato. Sabia que o tampinha merecia a cama depois daquilo. Estava achando aquele Guilherme um idiota, mas esqueceu-se disso quando Marília o empurrou contra o sofá e subiu em seu colo.

"E o que há de ruim no sofá?" Ela perguntou maliciosa.

"Com certeza nada." Leonardo colocou as mãos na cintura dela, sorridente.

XxxX

Caio olhou para o amigo com certo tédio.

“Vamos. Vou te levar pra fazer uma tatuagem e um piercing novo.” Ele decidiu e passou os braços pelos ombros do menor. Davi, como sempre e com quase todas as pessoas, era bem mais baixinho que ele. “Tu ‘tá precisando extravasar essa rebeldia. Vai te ajudar a se acalmar e encontrar o perdão no coração.”

“Não quero encontrar o perdão.” Davi resmungou, mas aceitou ir até o carro do amigo. Haviam combinado de ir juntos a um evento de anime. Davi era o único de seu círculo de amizades que adorava isso, apesar de não ser algo exagerado, e então descobrira que Caio também curtia.

“Tua amiga Natália é que tem aquele estúdio né? Vamos pra lá. Me diz o endereço.” Caio o ignorou e saíram do colégio onde o evento acontecia. Já tinham passado a manhã e parte da tarde ali. Davi não queria ir pois estava com um cosplay de Levi, de Shingeki no Kyojin, um personagem nanico com quem havia se identificado.

Mesmo assim, passou o endereço ao amigo.

“Se tu não quer mais o Guilherme, olha que vou investir.” Caio ameaçou no caminho, e Davi vincou a testa.

“No Guilherme?” Sentiu ciúmes.

Caio revirou os olhos. Santa paciência.

“Não, tampa! Eu ti! Preciso desenhar? Não curto parrudos como o Guilherme, prefiro ou no mesmo porte físico que eu, ou menos.”

“Obrigado por me chamar de ‘menos’.” Davi reclamou.

“Fala sério, acabei de te cantar.” Caio se exasperou.

“Tu tem namorado!” Davi o lembrou, mas Caio deu de ombros.

“Não sou fiel.” Admitiu com pouco caso, e percebeu a expressão de puro horror do amigo. “Ele também não é. Eu sei que ele me trai, ele sabe que eu traio ele. Mas continuamos, sei lá. Eu gosto dele, não quero soltá-lo. É tipo uma relação aberta.”

“Não consigo imaginar como esse tipo de relacionamento funciona. Eu morreria de ciúmes.” Davi murmurou.

“É assim com relacionamentos. Ok, eu sei que eu e o Sandro somos uma exceção, mas eu digo que, pra duas pessoas funcionarem juntas, elas têm de aprender a ceder e buscar o ponto de equilíbrio. Tu com o Guilherme, por exemplo. Tu tem de entender que ele é ciumento, sim, e sempre vai ser. Claro que isso não deve te impedir de ter teus amigos, sair... Mas tu não pode simplesmente se irritar com ele, xingar e não tentar conversar porque ele é ciumento e estúpido às vezes. Se não conversarem, ele nunca vai melhorar. E eu te digo melhorar, porque deixar todo ciúme de lado ele nunca vai conseguir deixar. Aí é o momento que tu cede e compreende isso, aceita esse lado dele.” Caio falou enquanto dirigia tranquilo, dobrando uma esquina. “Não se pode ser egoísta num relacionamento.”

Davi ficou impressionado com o ‘discurso’ do amigo. Ele era muito bom argumentando, já descobrira isso naquele um ano de amizade, mas não sabia que ele entendia assim de relacionamentos, principalmente ao escutar que estava em um relacionamento aberto. Tinha certo preconceito com isso.

“Não sabia que tu era tão maduro.” Davi o encarou.

“Já levei muito na cara e na bunda pra não entender um pouco disso.” Caio sorriu escarninho.

Logo chegavam ao estúdio da Natália. Ela estava fazendo uma tatuagem, mas os cumprimentou e disse que havia um tatuador disponível, porém o Davi insistiu em fazer com a amiga. Natália sorriu.

“Vai pegando o catálogo, Davi. Vê as tatuagens pra te inspirar, ou pode pedir uma dali mesmo!” Piscou para o garoto e voltou ao trabalho.

Davi começou a folhar o catálogo enorme.

“Tua amiga é muito foda. Dezenove anos já tem o próprio negócio, é tatuadora e rica ainda, não seguiu aquele caminho típico de faculdade, depois casar, ter filhos... Se eu não fosse gay, daria em cima dela.” Falou com um olhar prolongado na garota que tatuava concentrada. “Mas e aí, já te decidiu?”

“’Tô olhando...” Davi mordeu o lábio.

“Vai fazer onde?”

“Não sei também.”

“Sabe um pierging que ficaria legal em ti?” Caio perguntou, e sorriu quando Davi o olhou interrogativo. O virou e ergueu a camisa dele, exibindo a barriguinha lisa. “Piercing no umbigo, acho sexy em garotos com a barriga como a tua.”

Davi corou e abaixou a camisa.

“Como a minha?”Perguntou sem entender. Achava sua barriga bastante normal.

“Não sei explicar. Tem essa ondulação meio feminina, apesar de tu ter ela bem firmezinha. É uma barriguinha gostosa.” Caio deu de ombros, falando sem vergonha alguma. Davi se constrangeu ainda mais.

“Para de falar assim da minha barriga!” A apertou como se o outro fosse um tarado por barrigas e estuprador de umbigos. Caio suspirou entediado, mas mesmo assim falou:

“Uma tatuagem na barriga ia ficar legal. Algo meio atrevido. O Guilherme iria pirar.” Sorriu de lado malicioso e implicante.

“Não vou fazer nada na minha barriga!”

Acabou fazendo tudo.

XxxX

Dias depois, Leonardo levou um susto quando viu Davi com um piercing no umbigo, um novo na orelha, e uma tatuagem de raposa em tons azuis e de olhos verdes na região do apêndice, mas à esquerda, recém-feita, com algumas pequenas estrelas próximas. O analisou de cima abaixo.

"Que revolta toda é essa?" Perguntou curioso, mas Davi deu de ombros e jogou-se no sofá, para estudar algumas coisas para a faculdade. Cálculo II estava acabando com seus neurônios.

"Curti a tatuagem." Leonardo comentou, sentando também, mas para ver TV. Não era do tipo que estudava muito. "Fez no estúdio da Natália?"

"Raposa é símbolo de esperteza, fiz há alguns dias, com a Nati sim, ela me deu um desconto legal." Davi contou. "É um lugar bem bonito o que ela montou, né."

"Eu até pensei em fazer uma tatuagem depois de irmos lá naquele outro dia, mas bah, acho que nada combina comigo, e prefiro manter meu corpinho intacto, como veio ao mundo." Leonardo disse, esparramado no sofá assistindo a um seriado qualquer.

"Alguma tatuagem de mulher pelada combinaria perfeitamente contigo." Davi redarguiu monocórdio, pegando o lápis e começando a rabiscar alguns cálculos de integrais compostas e essas loucuras todas da engenharia.

"Olha, eu até concordaria, mas como escolher? Uma ruiva? Uma morena? Uma loira? Seios pequenos? Grandes? Magra? Cheinha? Todas têm minha devoção." Leonardo proclamou um tanto teatral.

Davi balançou a cabeça em negação, mas não falou nada. Leonardo parou para observar o amigo. Mesmo suas bobagens não o animavam, não arrancavam sorrisos. Sabia que era porque ele e o Guilherme não se falavam há mais de duas semanas, o tampinha estava com o coração arrasado.

"Tu deveria ir conversar com ele." Leonardo aconselhou de repente, e Davi não precisava perguntar quem era 'ele' para entender. "Pelo que tu me disse, vocês não conversaram propriamente, apenas gritaram e reclamaram. Uma conversa agora que estão de cabeça fria-"

"Eu não vou ir atrás dele. Ele foi o errado, me acusando de traí-lo." Replicou teimoso, mantendo o olhar sobre seus papéis com anotações de aula e exercícios resolvidos e a resolver.

"Tu nunca foi teimoso assim." Leonardo o lembrou. "Amar te deixou assim, é?"

"Quem disse que eu amo ele?" Perguntou ainda mais teimoso, erguendo o olhar para o amigo. Não conseguiria mais estudar, e tinha prova no dia seguinte. Leonardo babaca, começando assuntos difíceis em dias importantes.

Leonardo riu sarcástico.

"Aham, sei."

"Não amo!" Davi exclamou e quase chutou o rosto do amigo. Leonardo segurou o tornozelo do menor por reflexo.

"Hei, calma! Só porque tu 'tá todo chateado porque se arrepende de não ter dado a bunda mais cedo, agora a culpa é minha? Eu sou apenas um observador dos fatos." Leonardo esclareceu, sorrindo levado ao ver o Davi enrubescer.

Davi se levantou, abraçando seus papéis, irritado.

"Tem dias que não te suporto!" Avisou e saiu da sala, pisando forte. Seu humor ultimamente também andava por um fio, nada doce como geralmente era.

Leonardo sorriu divertido.

"É, mas mesmo assim, segundo o Guilherme, somos amantes tórridos!" Cantarolou.

"Vai se ferrar!" Davi gritou já entrando no quarto.

Leonardo riu, mesmo irritado o garoto ainda não falava 'vai se foder'.

XxxX

Quando Davi saiu da prova, já era quase nove da noite e estava escuro e friozinho, pois um chuvisco chato e fino caía persistente. Em breve, talvez um temporal caísse. Davi estava apenas de camiseta de mangas curtas e suspirou, arrepiado. O campus do vale ficava até meio assustador à noite, deserto, os prédios em meio àquele mato, e o clima ruim. Era o lugar ideal para uma cena de filme de terror.

Apressou-se em direção ao bar do Antônio, que contornaria para seguir para as paradas de ônibus uns vários metros adiante. Quando estava passando pelo bar já fechado, tomou um susto quando alguém lhe segurou o braço. Engoliu o grito ao olhar pro lado e ver o Guilherme. Entreabriu os lábios, meio atarantado.

"Estava te esperando." Guilherme explicou, mesmo que ele não houvesse perguntado nada. "Tive prova também, Equações Diferenciais. Encontrei o Enzo há uns quinze minutos e ele falou que tu ainda 'tava fazendo prova..."

"Oh..." Davi sentiu-se como nos primeiros dias. Não sabia o que dizer, e sentia-se tímido. "E por que me esperou?"

"Vou te dar uma carona, é perigoso pegar ônibus a essa hora aqui no Vale." Guilherme simplesmente determinou e começou a levá-lo consigo em direção aos estacionamentos.

"Mas não precisa!" Davi exclamou nervoso.

"Mas eu quero. Deixa eu fazer isso, por favor." Guilherme pediu e, diferentemente da última vez em que haviam se falado, seu tom era baixo e calmo. Davi não deu resistência, e acompanhou o mais velho até o carro.

Queria ter ganhado um carro dos pais após terminar a autoescola recentemente, mas agora era impossível. Talvez comprasse um baratinho com suas economias.

"Então, como tu está?" Guilherme perguntou quando já estavam no carro, a caminho. A vantagem de sair tarde do Vale era não pegar os engarrafamentos da Av. Bento Gonçalves.

"Bem..." Davi olhava para rua.

"E a situação com teus pais?"

"Eu não sei... Minha mãe tenta falar comigo às vezes, me visitou na casa do Leo semana passada. Meu pai até ligou perguntando se eu precisava de dinheiro, mas era tão seco, e ainda falou coisas sobre eu ‘já ter decidido voltar a ser homem’..." Disse chateado. Sentia falta dos pais, e até se perguntava se eles estavam tentando aceitar, afinal, haviam se comunicado. Porém achava que, mesmo se fosse visitá-los, o pai o ignoraria ou xingaria e a mãe ficaria sem saber como agir.

"Eu fui idiota em não perceber que era por causa deles que tu andava... me repelindo mais que o normal e estava sempre sem vontade... Não por causa do Leonardo." Guilherme falou, sério, o olhar na estrada. Marília o havia enchido os ouvidos até que eles latejassem nas duas últimas semanas, e até a Tatiana ligara para xingá-lo.

"Foi mesmo." Davi replicou baixo.

O silêncio reinou depois disso por um bom tempo.

Até Davi perceber que ele não estava fazendo o caminho para o prédio do Leonardo, mas para a casa do Guilherme.

"Gui...!? Por quê...?" Davi perguntou, o coração acelerando pra valer.

"Quero conversar, aqui em casa teremos mais privacidade." Guilherme falou estacionando no pátio e saindo do carro. Davi remexeu a língua sentindo o piercing, mas o seguiu, e uma felicidade inexplicável se instaurou em seu peito ao entrar naquela casa de novo.

Vilão, que não estava preso ao pátio dos fundos, o cumprimentou com entusiasmo, praticamente o derrubando. Davi o acariciou sorrindo, havia sentido saudades do husky e riu com uma lambida que recebeu no rosto, mas logo Guilherme o levou para os fundos, pois do contrário não teriam sossego.

Quando retornou, Davi estava comportadamente sentado no sofá. Por deus, pensou Guilherme olhando-o, havia sentido tanta falta de tê-lo ali. Mal se concentrara em nada durante aquelas duas semanas, que se arrastaram de maneira miserável. Davi o olhou corado quando se ajoelhou em frente a ele, no sofá. Sentira saudades daquelas bochechas avermelhadas também.

"Me desculpe." Disse, não querendo prolongar isso, pois estava morrendo por beijar aquela boca novamente. "Fui um idiota, falei asneiras, não respeitei o teu tempo..."

"Gui..." Davi desviou o olhar; ver o outro ajoelhado à sua frente, se desculpando, estava deixando-o quente. Queria teimar mais, mas apenas a proximidade deixava-o ansioso por cair nos braços dele.

Guilherme segurou-lhe o queixo e fez com que o pequeno o olhasse.

"Acredito em ti, sei que não rola nada entre tu e o Leonardo. Eu só sou... ciumento demais. Não gosto da proximidade de vocês, e minha cabeça se enche de insegurança e pensamentos idiotas. Mas eu acredito que não passa de amizade." Guilherme afirmou. Confiava no Davi, não que isso significasse que confiava no Leonardo, ou gostasse dele. "Falei aquilo tudo de cabeça quente."

"Eu também..." Davi murmurou, a mão do outro parecendo queimar em seu queixo. Entendia o ciúme do mais velho, ele havia lhe contado sobre a traição que sofrera na adolescência. "Eu... Eu só não vim pedir pra morar contigo porque achei que era cedo demais e não daria certo. Eu-"

"Não precisa explicar isso, tu decide onde quer morar." Guilherme garantiu, e sua mão deslizou para acariciar o rosto do mais novo. "Então estamos bem?"

"Antes prometa que não vai mais falar nada sobre o Leonardo. Eu e ele somos amigos, e isso nunca irá mudar." Davi demandou, e Guilherme, mesmo a contragosto, assentiu. "E eu vou parar de falar tanto dele. Eu sei que fiquei botando ele em todas as conversas, mas era somente porque ele vinha me dando apoio com a questão com meus pais, e... E era mais fácil falar dele, do que falar sobre o que realmente me enchia a cabeça.” Apertou os olhos impedindo as lágrimas, enquanto suas mãos se agarravam com força sobre seu colo. “E só... Tão difícil. Eu queria meus pais de volta.”

Guilherme sentiu-se horrível, e um caminhão pareceu passar sobre seu peito. Davi estivera passando por uma fase difícil, e se fechara, escondendo sua dor atrás de momentos com os amigos, e sequer havia percebido isso. Sequer havia feito alguma coisa para tentar ser o suporte que o Davi precisava, dando segurança para que o mais novo se abrisse consigo, tudo porque estava tomado pelas próprias inseguranças. Achou-se o pior dos namorados, e acariciou a bochecha do outro.

“Eu imagino.” Gui falou baixo e se moveu, sentando-se no sofá e puxando o menor para seu colo. “Mas vocês tinham uma relação forte, e tua mãe foi te visitar. É um começo, não é? Talvez eles só precisem de um tempo, para entender, amadurecer.” Sugeriu com o tom cuidadoso, acariciando os cabelos do Davi, que descansara a cabeça em seu tórax ainda de olhos fechados. “Eles ficaram tantos anos acreditando nas coisas erradas, mas nunca é tarde para mudar... Para se arrepender e fazer a coisa certa.”

Davi fungou, mas não falou nada. Porém aquelas palavras lhe encheram de esperança, e o fato de poder roubar o calor do Guilherme novamente, estar assim no colo dele, sentindo-se protegido enquanto recebia aqueles toques carinhosos, deixava-o num estado de paz que não sentia desde a fatídica conversa com os pais. Era como voltar a respirar depois de tanto tempo... Roçou a mão no peito do mais velho, agarrando a camisa que ele usava, como que para impedi-lo de deixá-lo.

“Gui...” Chamou baixo depois daqueles minutos confortáveis de silêncio. Guilherme soltou um ‘hm?’ que o incentivava a falar. “Eu... Eu também... Digo, eu sinto desejo por ti, é só que... Antes eu tinha receio de que depois que transássemos tu percebesse que não era mesmo bi e terminasse comigo, e depois essa história com meus pais... Mas eu também..." Era difícil falar. Não contara sobre esse medo a ninguém. Guilherme também nunca havia transado com um garoto, e se ele não gostasse? Tudo bem que nas preliminares ele sempre estivera bem animado, mas... Quem disse que tais medos tinham alguma lógica?

Guilherme soltou uma risada abafada, pelo nariz. Davi o olhou sem entender, a expressão inocente, e corou com o afago que recebeu na bochecha, enquanto o maior o olhava com um sorriso torto.

"Acho que somos dois idiotas, não é?” Perguntou com certo divertimento debochado. “Claro que eu sempre serei o maior idiota, até pelo tamanho, cabe bem mais idiotice em mim do que em ti.” Brincou e riu um pouco mais quando uma careta marcou o rosto do mais novo. Davi ia reclamar, apesar de não haver muito do que reclamar, já que aquela era uma grande verdade, mas fechou a boca quando o Guilherme segurou-lhe o rosto e o olhou profundamente. Os olhos dele pareciam queimar em sua pele. “Tudo bem. Eu espero por ti. O que eu não quero, é passar de novo pelo que eu passei nessas duas últimas semanas. Estar junto de ti é o mais importante." Ele garantiu. Os lábios do mais novo entreabriram, seu coração disparou como nunca e, chorão como a Nati costumava lhe chamar, seus olhos lagrimejaram. Seus lábios tremeram, mas o que saiu disso foi um sorriso junto a um riso de alegria, enquanto segurava o rosto do Guilherme e encostava a testa contra a dele.

O maior ergueu-se, pegando Davi pelas coxas e levando-o junto. Davi puxou o ar pela surpresa, mas continuava sorrindo. Guilherme sorriu também ao tê-lo daquele jeito em seus braços novamente. Apenas duas semanas, e mal se aguentara: comera mal, dormira mal, não malhara e não estudara, no trabalho, estava sempre distraído. Estaria tão amarrado assim? Sim, estava, e sabia disso. Virou-se em direção ao quarto, seus olhares conectados. Davi aproximou mais seus rostos e deixou seus lábios roçarem.

"Senti saudades..." Ele admitiu num sussurro doce, antes de abraçá-lo. "Não vamos brigar de novo."

"Namorados brigam, é algo inevitável." Guilherme informou, já dentro do quarto.

"Namorados?" O coração do mais novo palpitou com força redobrada.

"Tinha alguma dúvida? Não houve pedido formal, mas... Se quer um, posso fazer." Guilherme sorriu de canto ao deitar Davi na cama.

"Não, não precisa. Porque minha resposta seria bem óbvia." Riu e voltou a segurar o rosto do namorado. Era bom ter a certeza. Guilherme se deitou sobre si, e o beijou.

Ficaram por vários minutos namorando na cama, e Davi se impressionou e estranhou o outro não tentar nada mais ousado. Apenas mãos bobas e toques e beijos em sua boca e pescoço. Guilherme sequer tentou tirar suas roupas e, em dado momento, ele parou, se levantando.

"Vou ir tomar um banho." Falou e seguiu para o banheiro.

Davi estava terrivelmente excitado, e o xingou baixinho. Precisava se aliviar, e pensou em todas as vezes que ouvira sobre o famoso 'sexo de reconciliação'. Seu corpo ardia nos pontos em que as mãos do maior o tocaram e apertaram, e seus lábios formigavam. Remexeu-se na cama, esfregando o rosto e passando as mãos pelos cabelos.

Quando Guilherme voltou, ele se deitou novamente.

"Ainda tem umas roupas tuas aqui, tua escova de dentes, entre outras coisas."

"Eu sei." Davi deitou de lado, usando seu braço como travesseiro, e olhou para o mais velho. "Meu pai não te demitiu, não é?"

"Não, continuo trabalhando na empresa. Fiquei surpreso com isso." Guilherme admitiu, mas já tinha semanas desde que os pais de Davi haviam descoberto e arrancado de Davi quem era o rapaz, e não fora demitido. Por sorte também nem via o pai do garoto.

"Eu disse para meu pai que seria pouco profissional ele te demitir se tu estava trabalhando bem. Ele ao menos não misturou as coisas..." Davi concordou, e resolveu correr também para um banho. Só de olhar para o Guilherme deitado naquela cama, apenas de cueca, um desejo sem igual subia sinuoso pelas pernas.

Tomou um banho e, numa resolução impulsiva, mas da qual sabia que não se arrependeria, tomou outras precauções estratégicas. Guilherme estranhou a demora, uma hora já se passara e Davi continuava naquele banheiro. Já estava pensando em se levantar e bater à porta, perguntar se estava tudo bem, quando o mais novo abriu a porta do banheiro.

Completamente despido.

Não que Guilherme já não o houvesse visto sem roupas várias vezes, mas fazia um tempo, e a visão o excitou, principalmente ao notar o piercing novo no umbigo dele, e a tatuagem delicada na fossa ilíaca esquerda. Notou o olhar entre nervoso e determinado do mais novo, que correu para a cama e o montou, sentando-se sobre seu quadril.

"Eu quero ir até o fim hoje." Davi definiu e se inclinou para beijá-lo. Guilherme arregalou os olhos, mal retribuindo ao beijo, mas quando pensou em inverter as posições, ainda meio atordoado com aquela atitude repentina, Davi o empurrou de volta para a cama. "E quero ficar por cima."

Guilherme quase se engasgou.

"Quer ser o ativo?"

Davi revirou os olhos e se esticou até a cômoda, da onde tirou lubrificante e camisinhas. Havia comprado e colocado ali sem nem dizer nada para o namorado há um tempo. Guilherme mal usava aquelas gavetas.

"Não seja bobo..." Murmurou, corando e se sentando um pouco mais para trás, para começar a tocá-lo sobre a cueca, sentindo o volume enrijecer em sua mão. "Eu não consigo nem me imaginar sendo 'ativo' com gurias, o que dirá contigo."

Guilherme tinha de admitir, se sentiu mais tranquilo. Tentou se erguer para agarrar o menor, já louco de desejo novamente – o banho apenas ajudara a se acalmar e acabar não passando dos limites novamente –, mas agora tudo retornava em dobro. Porém Davi novamente o impediu e mandou-lhe ficar deitado. Ele parecia concentrado e determinado àquilo. Mesmo que tivesse muito mais força, Guilherme voltou a se deitar, apenas olhando para o mais novo.

"Tu tem certeza disso?" Guilherme perguntou, apesar de outro lado seu não querer incitar dúvidas no Davi. "Não precisa se forçar apenas porque-"

"Guilherme, apenas fique quieto por enquanto." Davi pediu e abaixou suas cuecas. No segundo seguinte, ele descia os lábios em seu membro rígido. Guilherme ofegou e se calou. Davi naqueles três meses ficara ótimo em sexo oral, e olhá-lo fazendo, desde a primeira vez, era extremamente sensual.

Davi parou apenas quando o maior parecia prestes a gozar. Com as mãos um pouco trêmulas, mas livre de dúvidas, colocou uma camisinha nele, e o lubrificou. Porém quando, com o rosto ardendo e o coração aos pulos, se posicionou para descer contra o pênis do namorado, Guilherme colocou as mãos em sua cintura e o impediu, por mais que latejasse de desejo por aquilo.

"Melhor te preparar antes." Ele explicou, sorrindo para o olhar desconcertado do pequeno de quem achava que havia feito algo de errado. Pegou o lubrificante, lambuzou os dedos e então, segurando firme a cintura do Davi com a outra mão, levou os dedos até a entrada do mais novo, penetrando-o com cuidado. “Tu ficou muito sexy com esse piercing no umbigo, combinou contigo.”

“Estava triste e coloquei ele... Me deixou mais... mais...” Não conseguiu terminar a frase. Davi afundou os dedos em seu abdômen, lábios se entreabrindo em um gemido mudo, olhos um pouco arregalados enquanto erguia inconscientemente o quadril. Guilherme ardia de impaciência por dentro, mas se controlava, indo com calma e admirando as expressões de prazer do mais novo, que começou a gemer baixo conforme o estimulava, tentando encontrar a próstata e aos poucos o relaxando para depois aceitar um volume consideravelmente maior.

“E a tatuagem? Achei que tu não teria coragem de fazer uma.” Guilherme comentou. Tinha uma tribal sob o braço, bonita, na parte inferior do bíceps definido de seu braço direito.

"Gui..." Davi gemeu e apoiou os antebraços sobre seu peito, deixando o rosto cair entre eles, as coxas uma de cada lado da cintura do maior, o bumbum arrebitado permitindo que o Guilherme o explorasse bem.

Guilherme já estava quase para acabar com aquilo, inverter as posições e tomar o corpo do namorado. Não aguentava mais. Três meses! Desde que começara sua vida sexual, não se lembrava de ter ficado tanto tempo em abstinência, era quase uma punição, ainda que preliminares houvessem rolado. Mas a ideia de que iria finalmente tirar a virgindade do Davi já fazia seu lado possessivo vibrar.

Davi novamente o impediu, voltando a se sentar ereto assim que a preparação acabou.

"Já disse que vou ficar por cima." Ele afirmou resoluto e, então, endireitou-se novamente, segurando o pênis do maior e deixando o corpo descer pelo efeito da gravidade. Apertou os olhos e gemeu, sofrendo com a dor. Aquilo era verdadeiramente maior que meros dedos, e teve de vencer o ímpeto de se afastar.

Guilherme admirou a cena com os lábios entreabertos, a respiração ofegante. Davi parecia mais lindo do que nunca, inclinando para trás, apoiando as mãos em suas coxas enquanto tinha aquela expressão de libidinoso sofrimento ao deixar-se penetrar. Apertou com força uma das coxas dele, lutando contra si próprio para não puxá-lo para baixo de uma vez, era tão apertado. Levou outra mão ao abdômen dele, acariciando o umbigo com o piercing antes de descer à ereção do menor, que puxou o ar, jogando a cabeça para trás e gemendo, descendo mais alguns centímetros.

"Tu fica perfeito dessa forma." Guilherme falou, rouco pelo desejo que nublava seus olhos. Ver seu pênis sumir por entre as nádegas do mais novo era uma visão absurdamente excitante.

Davi o encarou corado e ofegante.

"Tarado." Gemeu mordendo o lábio e sentiu quando suas nádegas enfim encostaram-se à pelve do maior. Já se sentia quase sem forças, tolerando a dor e a sensação de preenchimento estranha, que ainda não lhe causava nenhum prazer. O prazer vinha dos toques do outro em sua ereção.

"Depois de três meses, tu me deixou pior que um pervertido sexual." Guilherme garantiu, e gemeu rouco quando Davi moveu-se timidamente, arriscando-se. Apertou as coxas musculosas do maior, seu peito magro subindo e descendo e a respiração saindo trêmula por entre os lábios. Era horrível, por que doía tanto? Um choramingo sofrido acompanhou sua expressão doída; sempre fora fraco para dor.

Guilherme começou a ajudá-lo a se mover, e se moveu também. Quando o fez, Davi soltou um gemidinho estrangulado, quase perdendo a força nos braços. Guilherme se sentou e o abraçou, segurando-o pela nuca e o beijando. O prazer que sentia era enorme, não só pelo ato físico, mas por Davi estar se rendendo, entregando-se. Sequer pensara que poderia rolar naquela noite, antes até achara que ele poderia não querer fazer as pazes, e ali estavam eles, fazendo amor.

"É cedo demais pra dizer que te amo?" Guilherme perguntou, sentindo-se piegas, mas não se importando naquele momento. Davi olhou-o da maneira surpresa mais adorável do mundo, até esquecendo-se de continuar a se mover.

Guilherme enfim deitou-o na cama, ficando sobre ele, e não encontrando nenhuma resistência. Davi agarrou seus cabelos, ainda olhou-o surpreso, sem palavras, mas gemeu e apertou as pálpebras quando encontrou a melhor posição e começou a mover-se contra ele, ritmado, segurando as coxas bem desenhadas do menor e as empurrando para frente, para conseguir atingi-lo mais profundamente. Os gemidos do mais novo se tornaram mais frequentes, e apenas incentivavam Guilherme e ir mais rápido, mais forte...

XxxX

"Nos conhecemos há oito meses. Não é cedo." Davi murmurou, aconchegando-se ao namorado, após o sexo. Durara vários minutos, e fora maravilhoso. Ainda trocaram de posição, Davi ficou de ladinho e Guilherme por trás. Guilherme acariciou os cabelos do Davi, olhando-o de uma forma que enrubesceu as bochechas dele."Eu também te amo." Davi confessou, escondendo o rosto no peito do mais velho. "E estou arrependido de não ter aceitado transar mais cedo."

Guilherme riu e abraçou o menor.

"Que bom, porque eu vou querer de novo." Guilherme avisou, mordendo o ombro do pequeno, que se arrepiou. "Não vou me saciar tão fácil, tenho três meses para colocar em dia."

"Gui! Não sou uma máquina de sexo." Davi ergueu o olhar para ele.

"Se não é, não deveria ter um corpo assim." Guilherme o beijou, e sua mão boba começou a acariciar a parte interna de uma das coxas do mais novo. Davi gemeu e tentou se afastar, mas Guilherme o puxou de volta, pressionando os corpos.

"Gui...! Só espera um pouco, recém fizemos!" Davi espalmou uma mão no peitoral do maior, e então se virou de costas para ele. Estava cansado, havia estudado noite adentro para a prova de Cálculo II e não dormido nada, a dia fora tenso, e agora que haviam voltado, confirmado o namoro e ainda transado, a sensação de alívio o relaxava como uma droga para dormir.

Guilherme beijava seu pescoço e ombro.

"Já falei que tu ficou muito sexy com esse piercing no umbigo?" Guilherme perguntou malicioso contra seu ouvido, e o virou de costas contra a cama, deitou-se entre suas pernas e começou a beijar-lhe o umbigo, mordendo com cuidado o piercing em alguns momentos.

Davi gemeu e dobrou as pernas, começando a ficar excitado.

"Já falou." Davi puxou o ar, e suas costas arquearam inconscientemente.

“Aposto que fez para me provocar.” Gui sorriu com ainda mais malícia, suas mãos apertando com mais força o quadril, e Davi gemeu um “Não é verdade!” bastante tímido e nervoso. E revelador. O maior riu sarcástico, deixando claro que não acreditava, e sua língua provocou novamente o umbigo do menor. “Isso não vale...” Davi murmurou manhoso.

"No amor e na guerra, vale tudo, não é assim?" Guilherme perguntou, debochado, e começou a mordiscar toda a barriga lisinha e sensual do menor. Todo o corpo do Davi despertou, principalmente quando as mordidas do namorado desceram para suas coxas, lambidas provocaram sua virilha.

"Tu é terrível!" Davi reclamou. Estava cansado, mas já ardendo por outra rodada. Depois que a dor cedera, fora tão, tão bom. Se sentia até idiota por ter demorado tanto a ceder, e o Guilherme, no lugar de perder o interesse, como fora seu medo, parecia mais interessado do que nunca. Mas se fizessem de novo, não conseguiria acordar cedo na manhã seguinte para a aula. Não mesmo.

Guilherme o chupou por uns minutos, e depois o virou, deixando-o de bruços, e começou a lamber-lhe entre as nádegas. Davi mordeu o travesseiro, abafando o grito, ondulando o quadril. Quando já estava pedindo por mais do que aquilo, Guilherme se afastou.

"Bem, me excedi, tu 'tá cansado." Ele disse, e sua voz era pura malícia e ironia. Davi soltou uma lamúria.

"Não se faça!" Resmungou envergonhado, olhando-o por cima do ombro, mantendo-se de bruços.

"Mas foi tu que disse! O que tu quer que eu faça?" Guilherme foi para frente, usando os cotovelos de apoio e roçando os lábios na orelha do mais novo. Davi ronronou, queria dizer, mas tinha vergonha.

"Faz de novo..." Murmurou, abaixando a cabeça quando Gui começou a beijar-lhe a nuca.

"Fazer o que de novo, amor?" Ele perguntou, e Davi corou, pois ser chamado de amor por ele soava tão gostoso e especial. Tomou coragem.

"Faz amor comigo de novo, Gui." Pediu virando o rosto para olhá-lo, e Guilherme sorriu satisfeito antes de beijá-lo. Como alguém tão pequeno conseguia ser tão sexy? Ele então colocou outra camisinha e, erguendo um pouco o quadril do Davi, voltou a penetrá-lo, dessa vez entrando com mais facilidade.

Davi gemeu mordendo o lábio e quase desfaleceu, agora o prazer vinha rápido, em ondas, causando-lhe espasmos incontroláveis. Guilherme o mordeu no pescoço, saiu um pouco e voltou a se afundar em si, arrancando-lhe um grito. Ergueu a mão e agarrou os cabelos do outro, virando o rosto para beijá-lo. Os próximos minutos foram intensos, Davi tentava se agarrar a tudo que encontrava, tentando aguentar aquele prazer insano, debilitante, estarrecedor que lhe queimava partes desconhecidas de si mesmo, e gozou antes do Guilherme, tão sensível se sentia a cada toque e cada estímulo. Guilherme o abraçou quando derramou-se dentro do mais novo, beijando-o longamente na nuca.

Davi não se arrependia de nada, Guilherme muito menos, por mais que jamais houvesse se imaginado em um relacionamento gay; e continuaram com aqueles momentos de reconciliação até madrugada adentro, ou conversando bobagens, ou se beijando, ou voltando a se tocar, insaciáveis. Davi não saberia dizer em que momento caiu profundamente no sono, aninhado ao maior, com um sorrisinho contente nos lábios.

Obviamente faltaram às aulas da manhã seguinte.

Notas finais
Awn, que amados! *Mila jogando açúcar na cara dos leitores* Este foi o último extra deles, espero que tenham curtido! Fiquei muito feliz com a resposta que esse casal teve na história! Eles chegaram de metidos, mas tiveram uma boa recepção, obrigada! Ah, agora, provavelmente, somente daqui duas semanas o próximo capítulo! Vou pra metade final do módulo (esse semestre está dividido em cinco módulos de um mês) e a metade final é a preparação para as três provas incrivelmente fodidas da última semana do módulo, então próximo final de semana estarei afundada nos estudos! :3 Até lá, amores! Beijos!