Good Riddance
50 Extra Diogo e Henrique
Notas iniciais
Henrique voltou do trabalho exausto. Sua cabeça sempre se enchia das histórias que escutava no hospital e em seu consultório, e ficava horas ruminando como ajudar aos seus pacientes, qual seria o melhor tratamento, os melhores conselhos e as melhores formas de conduzir as entrevistas na próxima vez. Esse era um de seus defeitos – levava trabalho para casa. Muitos. Mesmo quando não ficava analisando os casos, não conseguia desligar a mente. Ou raramente conseguia.
Diogo ficava maluco com isso. Ele lhe dava seu espaço, mas se isso se repetia por muitos dias seguidos, acabavam brigando. Diogo poderia ser chamado de vagabundo, por não ter um trabalho fixo, mas ele nunca estava parado – fazia e já fizera vários cursos, administrava a casa, as finanças, cuidava de todos os problemas, malhava, corria, às vezes saía para tirar fotos para alguma exposição, outras vezes participava da realização de curtas-metragens, pois tinha muitos amigos na área. Até já atuara em um ou dois. Diogo era energético, inquieto e exigente.
E doido por sexo.
Henrique também gostava; porém se esgotava demais mentalmente – e também fisicamente – durante a semana, era difícil manter o ritmo do tatuado. Sempre fora mais tranquilo que o Diogo. Por sorte, e lhe envergonhava pensar isso, Diogo não estava em casa quando chegou naquele início de noite, e pôde comer um lanche e sentar no sofá para descansar e assistir a um pouco de TV.
Só depois de tudo isso ligou para o namorado. Não lhe agradava chamá-lo de marido, afinal, não haviam casado, e ambos nem queriam isso. Diogo atendeu na terceira chamada.
“Oi, Dido, onde tu ‘tá? Vai chegar que horas?” Perguntou, esticado no sofá. Estendeu o braço para alcançar um dos aperitivos que havia cortado – queijo, ovo de codorna, mortadela em cubos, azeitonas e pepino. Agora queria o namorado ali junto.
“Oi, amor. Eu devo chegar em menos de uma hora. ‘Tava jogando basquete com uns amigos. Lembra que falei segunda? O jogo tem mais uns quinze ou trinta minutos e aí já vou pra casa.” Seu tom era mesmo ofegante.
“Tinha esquecido. Ok, até daqui a pouco.” Falou, despedindo-se e então desligando. Depois se espreguiçou, já com um pouco de sono. Era segunda-feira, até no final de semana trabalhara, mas agora finalmente tiraria uma semana de folga. Sua cabeça andava cheia com tantas coisas...! Primeiro, toda a história com o André. Preocupava-se com o garoto, ele lhe lembrava a si mesmo quando mais novo, mesmo que suas personalidades fossem diferentes em muitos aspectos. Esperava que tudo estivesse bem com o loiro, que partira para encontrar o Fabrício mais cedo naquele dia.
Também havia toda a questão da adoção que ele e o Diogo vinham preparando. Já haviam entrado em contato com várias crianças entre um e três anos, algumas mais. Henrique se afeiçoou muito por uma menina chamada Cecília. Já Diogo fizera uma amizade com um garoto extremamente introvertido chamado Vinicius. O tatuado, no entanto, conseguira o grande feito de arrancar-lhe sorrisos e risadas. Depois de muita dúvida, decidiram, corajosos, adotar a ambos.
Estava com a cabeça tão cheia de toda a burocracia pela qual haviam passado, e pela qual ainda passariam, que acabou adormecendo no sofá.
XxxX
Depois de sair do jogo, Diogo decidiu preparar um jantar especial para o namorado.
Decidiu-se por uma que havia aprendido no curso de culinária que havia feito há algum tempo: lavagante escaldante. A professora cozinheira do curso havia dito que era uma escolha excelente para uma noite ‘sedutoramente elegante’. Diogo se divertira com essas aulas, apesar da quantidade de mulheres que davam em cima dele, deixando-o sem saber muito bem como as dispensar, no fim acabara amigo de todas.
Algumas inclusive haviam aparecido em seu aniversário.
Passou no supermercado, comprou os ingredientes, e então foi para casa. Quando chegou, sorriu ao ver o psiquiatra apagado no sofá. Ele nem sequer havia desligado a luz e a televisão! Fez isso por ele, não sem antes dar-lhe um beijo na testa, cuidando para não acordá-lo. Seguiu então para a cozinha, largou as coisas e depois foi tomar um banho. Apenas após isso retornou à cozinha e ligou, baixinho, o som e deixou tocar umas músicas do Aerosmith enquanto começava a preparar o jantar. Não era um dos maiores fãs de crustáceos e frutos do mar, mas Henrique era apaixonado por todas essas coisas, então sabia que ele iria gostar.
Henrique acordou por si só, espreguiçando-se e notando que ainda estava no sofá e que a luz fora apagada. Primeiro pensou em xingar o tatuado por tê-lo deixado dormindo ali, em vez de acordá-lo para que pudesse tomar um banho e ir para a cama. Depois percebeu a luz das velas à mesa, que estava arrumada para dois, de maneira elegante – guardanapos pomposos, taças de champagne e rosas. Acabou rindo pela surpresa, e o cheiro maravilhoso que vinha da cozinha lhe encheu as narinas.
Diogo apareceu segundos depois, como se houvesse pressentido seu acordar.
“Fome?” Ele perguntou, sorrindo sugestivo ao apoiar-se de braços cruzados à batente da porta.
Henrique sempre o achava sexy de avental.
“Por que tudo isso?” Perguntou confuso, mas não estava reclamando. Ergueu-se e caminhou até o tatuado, com um sorriso leve. Diogo estava cheiroso, com roupas frescas, já ele ainda estava com as roupas sociais do trabalho, agora amassadas, e com rosto de sono. “Não é nosso aniversário de namoro, nem nenhuma data especial...”
“E só posso cozinhar pro meu namorado em datas especiais?” Diogo perguntou; segurou-lhe o queixo e o beijou ternamente. “Entenda isso como uma comemoração por nós dois, e por nossos futuros filhos.”
“Tem razão...! Nem acredito que adotaremos ambos. Mas não havia como não se afeiçoar pelos dois, havia?”
“É claro que não.” Diogo sentiu um calor gostoso no peito ao ver a felicidade estampada no rosto do companheiro. Henrique há anos queria ser pai, adorava crianças talvez até mais do que o Diogo. “Estamos bem de vida, ganhamos com teu salário e as minhas rendas mais de vinte mil por mês, por que não? E assim eles terão a companhia um do outro.” Abriu um grande sorriso, tão confiante, tão paizão, que Henrique viu-se sorrindo também.
“Os papéis estão quase prontos. Amanhã eles liberarão as crianças para irem conosco visitar tua irmã?”
“Mas é claro! Está tudo arranjado. O que seria dessa família sem mim, certo?” Falou prepotente, peito estufado.
“Definitivamente uma família mais organizada.” Henrique garantiu, arrancando um beiço do grandão. Henrique riu e ficou na ponta dos pés para dar um selinho nele. “Mas certamente uma família menos engraçada. Diogo... Eu vou tomar um banho, depois jantamos. Me espera por mais uns dez minutos?” Perguntou, com a mão sobre a bochecha do tatuado.
“Te esperaria por uma vida.” Diogo replicou, galante.
“Não estou pedindo por tanto.” Henrique revirou os olhos, sorrindo, e foi tomar um banho.
Diogo tamborilou os dedos impacientes sobre a mesa, enquanto esperava. Disse que esperaria uma vida, mas depois de vinte minutos não aguentava mais. Felizmente Henrique apareceu pouco depois disso. Diogo sabia desde o início que ele demoraria mais de dez minutos. Sorriu para o namorado. Achava-o tão lindo – aqueles cabelos compridos, negros e lustrosos. O nariz fino e comprido, mas delicado. Os lábios carnudos que chegavam a formar um beiço pequeno, perfeito para morder.
Henrique tinha uma beleza delicada e aristocrática, enquanto Diogo tinha uma beleza feroz, mais bruta. Henrique era esguio, mas não era baixo. Diogo era um tanto mais alto, porém musculoso, todo trabalhado. Henrique era calmo e cuidadoso com as palavras; Diogo, explosivo e impulsivo, falava o que lhe vinha à mente, geralmente extravagâncias. Eram opostos em tantas coisas, mas funcionavam melhor do que muitos casais, talvez porque ambos houvessem aprendido a ceder no momento certo.
“Prepare-se para provar do resultado de minhas aulas de culinária.” Diogo provocou e buscou o lavagante, que ficara de fato muito bonito e cheiroso. “Já andei pesquisando umas receitas pra criançada.”
“Tu já cozinhava muito bem, nem precisava ter feito de curso algum.” Henrique falou, e sua boca salivou com a visão do jantar. “E não vá inventar de ficar preparando porcarias para as crianças, temos de educá-las desde pequenas a se alimentar adequadament-“
“Ah, não comece esse papo sério tão cedo. Eu sei disso, vamos mantê-las longe de refrigerantes.”
Diogo serviu o champagne, e os dois brindaram.
“Por uma vida juntos.” Disse romântico, inclinado para perto do namorado. Estava sentado na ponta da mesa, Henrique no assento mais próximo. “Sem que tu invente de ir estudar no exterior novamente. Ainda mais depois da adoção.”
“Não pretendo.” Henrique riu, corado. Há tempos não corava, mas todo aquele clima de jantar romântico e o Diogo o olhando daquela maneira sedutora causavam-lhe uma impressão. “A não ser que apareça algum curso interessante. Mas dessa vez eu levaria vocês comigo.“
“Rezemos para que nada apareça.” Diogo pediu e sorriu ao som dos risos do outro. “E como acha que vai ser? Só temos um quarto sobrando, e deixar duas crianças no mesmo quarto é jogar faíscas no palheiro... Talvez devêssemos nos mudar. Esse bairro anda mesmo ficando mais perigoso.”
“Lembra que havíamos pensado em nos mudar para um bairro e casa melhor quando eu retornei dos Estados Unidos?” Henrique o recordou.
“Então está decidido. Assim que tudo estiver certo, começaremos a procurar uma casa junto com as crianças.” Diogo segurou a mão do psiquiatra, que concordo retribuindo o gesto com um aperto emocionado.
Começaram a jantar, conversando sobre o futuro. Henrique ria das bobagens do namorado em alguns momentos. Beberam quase todo champagne e não sobrou nada do lavagante. Henrique estava leve após terminar, era ótimo terem resolvido aquela questão da adoção, que parecia prestes a se concretizar, já que haviam conseguido liberação da justiça para tal; sem contar que poder conversar de maneira leve e descontraída com o tatuado era sempre o suficiente para erguer-lhe o humor cansado do trabalho.
“O que quer fazer agora?” Diogo perguntou quando terminaram, seu tom tornando-se naturalmente lascivo; parecia estar se segurando até agora.
Henrique se levantou, querendo recolher a mesa.
“Melhor ajeitar isso-“ Disse, mas Diogo se levantou também e afastou suas mãos na mesa. Mal teve tempo de olhá-lo antes de ser beijado de maneira intensa. Ofegou e foi abraçado, erguido pelos braços do namorado.
Ele o levou para o quarto enquanto se beijavam.
Assim que o largou na cama, abriu-lhe a camiseta, praticamente a rasgando. Ficara tempo demais sem se banquetear naquele corpo – dias! –, seus instintos estavam fulminando seus sentidos, principalmente o tato, e o sangue corria veloz, já querendo se concentrar em um lugar em especial. Henrique segurou-lhe a nuca, beijando-o quando Diogo começou a deitar-se sobre si.
Diogo se afastou apenas para se livrar das roupas de cima, arrancando-as com impaciência. Depois puxou o menor pelas coxas, arrastando-o alguns centímetros pela cama. Sorriu predatório ao ver o outro naquela posição vulnerável, os cabelos negros espalhados pelo colchão, e lhe acariciou o abdômen, descendo até a calça, tocando-o até senti-lo duro. Henrique gemeu leve, inspirando pela boca.
Mas não deu tempo ao tatuado.
Inverteu as posições e fez o mesmo caminho que Diogo havia feito, beijando cada um dos músculos bem proporcionados do maior. Diogo tapou os olhos com o braço tatuado, puxando o ar quando Henrique puxou-lhe a ereção para fora das calças, abocanhando-o tão logo deu-lhe liberdade. Minutos de puro prazer. Diogo sentira falta daquela boca, sempre sentia. Henrique fora a um congresso de psiquiatria nos Estados Unidos durante três dias, e voltara cansado na quarta-feira à noite. Somente agora parecia disposto. Aprender a cozinhar realmente tinha seus benefícios.
Diogo sentiu um peso sobre seu quadril e unhas curtas arranhando seu tórax. Tirou a mão dos olhos, abrindo-os e vendo Henrique sentado sobre si, cabelos soltos, camisa aberta e um olhar diferente do de antes, que brilhava no escuro. Ele se inclinou e o beijou sensualmente, ainda o arranhando, agora mais forte.
“Ainda não agradeci pelo jantar.” Sussurrou, descendo os lábios para o pescoço do tatuado, agora apertando-lhe os braços musculosos e afundando as unhas na tatuagem tribal. Diogo sorriu safado – bendito dia em que olhara um anúncio sobre curso de culinária! – e subiu as mãos pelas coxas do namorado, conseguindo um suspiro suave. Tão sexy... Irritou-se com aquela calça em seu caminho.
Girou o corpo, aprisionando o corpo menor sobre o seu e aprofundando o beijo que recebera. Com um som que mais pareceu um rosnado, puxou as calças dele para baixo, e depois se ajoelhou, puxando-as até livrar aquelas pernas por completo. Nem esperou, afundou o rosto entre as coxas do namorado, beijando-o sobre a cueca, mordendo-o na virilha, apertando-lhe a cintura magra com força antes de puxar também a cueca.
Henrique gemeu baixinho, dobrando as pernas e puxando os cabelos do namorado. Quando Diogo acomodou seu pênis no fundo da garganta, jogou a cabeça para trás, ofegante, e enlaçou com as pernas o pescoço do tatuado, mordendo os lábios, fraquejando frente àquele prazer quente. Diogo o segurou e se ajoelhou, sem soltá-lo, erguendo-lhe o quadril até que apenas a região cervical das costas do menor encostasse-se à cama, e continuou chupando-o, enquanto seu polegar começava a explorar a região sensível entre as nádegas pequenas, mas firmes do psiquiatra.
Henrique puxou os próprios cabelos, respirando mal, não somente pela posição, os suspiros também atrapalhavam o caminho do ar, ainda mais quando Diogo segurou-lhe a base das coxas e as afastou, descendo a língua pelo períneo e a insinuando pela fenda sensível. Diogo deixou uma coxa sobre o ombro e o penetrou também com um dedo, pressionando a próstata de primeira – anos com o mesmo parceiro garantiram que soubesse todos os pontos fracos, e tudo que precisava fazer para dar a ele o máximo de prazer.
Henrique abafou o grito, e gemeu o nome do namorado.
Diogo só parou quando Henrique gozou, por mais que este houvesse avisado que iria acontecer, não se importou, pressionou mais a próstata e o chupou até ouvir o gemido mais longo do outro. Depois o virou de bruços na cama, cobrindo-o com o corpo, sua mão puxando os cabelos longos do menor, para morder-lhe o pescoço. Henrique ofegou baixo, lábios entreabertos e olhos fechados. Sentiu a barba do maior roçando em suas costas, arrepiando-o de cima abaixo, principalmente ao roçar em sua nuca e ombros.
“Sentiu falta disso...? Sentiu falta de te entregar a mim desse jeito?” Murmurou mordendo a orelha do psiquiatra e alcançando o lubrificante na cômoda.
“Acho que sabemos quem mais sentiu falta aqui...” Henrique replicou, mas olhou confuso para o outro ao ser erguido da cama. No instante seguinte, suas costas batiam com força contra a parede do quarto, e suas pernas circundavam a cintura do namorado. Forte como era, Diogo conseguia segurá-lo com apenas uma mão em sua bunda. Seus pulsos acabaram também pressionados contra a parede, acima de sua cabeça.
Abriu os lábios em um gemido que pegou carona com o ar que escapou de seus pulmões ao ser penetrado com um único golpe, todo aquele corpo poderoso do tatuado o dominando com facilidade e o tomando com vigor. Diogo sorriu como a fera que captura sua presa e o beijou, estocando forte. Henrique gritou abafado, seus dedos inquietos querendo tocar o parceiro, mas impossibilitados. Empurrou o quadril para frente, pra receber o namorado mais profundamente, e pôde escutá-lo soltar mais um daqueles gemidos graves que mais se pareciam com rosnados de um animal.
Os sons dos gemidos e do baque entre os corpos reverberavam pelo quarto, as respirações eram audíveis e jogavam-se naquela mistura. Henrique escorreu as mãos pelas costas do tatuado, sentindo o suor quente brotando da pele amorenada. Diogo pareceu entrar ainda mais fundo no meio de seus quadris, mergulhando a língua em sua boca e o deixando sem ar. Contorceu-se querendo soltar os pulsos, e sentiu o outro afastar os lábios. Quando abriu as pálpebras, os olhos do tatuado pareciam dois poços negros observando-o.
“Eu poderia fazer isso a noite toda.” Diogo sussurrou rouco, excitado, e Henrique não duvidava. Diogo finalmente soltou-lhe os pulsos e espalmou a mão na parede, movendo-se ainda mais forte, saindo quase por completo, e voltando a afundar tudo no corpo menor, que era comprimido contra parede a cada estocada. Henrique agarrou os cabelos do tatuado próximos da nuca, deixando sua testa encostar-se à dele, ofegante, concentrando-se na arrebatadora sensação que aquela dominação proporcionava.
Diogo o tirou da parede e voltou para a cama, jogando-o ali e, mantendo os pés no chão. Ele dobrou o corpo e apoiou as mãos sobre o colchão, seu rosto na altura do de Henrique, e o tomou de novo, dessa vez deixando que o psiquiatra o abraçasse com as pernas. Henrique abraçou a cabeça do namorado quando a boca faminta dele saboreou-lhe a pele, sugando-lhe o mamilo. Seu corpo arqueava a cada beijo e mordida. Gostava de ser tomado com aquela fúria, sentir-se desejado, perder-se na lasciva do tatuado.
Diogo subiu mais na cama, levando-o junto. Seu quadril batia nas nádegas do outro, e ofegos roucos deixavam os lábios de ambos, entre os beijos. Diogo, impaciente, cansava-se rápido de cada posição, ansiava por todas. Novamente se afastou e, um tanto bruto, virou o psiquiatra, o colocando de quatro. Apenas admirou o bumbum arrebitado e a fenda alargada por um breve momento, apertando-o com vontade na cintura.
Henrique abaixou a cabeça, gemendo baixo, seus cabelos lhe tapavam a visão, mas olhou por cima do ombro, arfante, buscando pelo namorado.
“Mais, Diogo... Coloca tudo dentro de mim.” Balbuciou empinando mais o quadril. É, Henrique aprendera que falar durante o sexo excitava e muito o tatuado, com o tempo, perdera as inibições. Às vezes, até mesmo falava algumas perversões safadas. Diogo incendiou e endureceu ainda mais com o pedido sensual, seu falo latejando. Afastou mais as coxas do psiquiatra, passando a língua nos lábios. Puxou Henrique pelos cabelos, quase o colocando apenas de joelhos, e mordeu o pescoço alvo, voltando a penetrá-lo com uma estocada forte e profunda, que atingia em cheio a próstata do de cabelos longos.
Henrique gritou, sequer percebia a dor que vinha do puxão forte nos cabelos, apenas ergueu o braço e enlaçou o pescoço do Diogo, enquanto a outra mão ia para a cintura dele e o puxava, atraindo-o para mais fundo dentro de si. Diogo perdia-se no prazer, mergulhava-se nas sensações devastadoras, abraçava e ofegava abrasivo, não deixava nada atrapalhar o momento. Entregava-se inteiramente – uma característica de sua personalidade intensa.
Aqueles sentimentos que os conectavam às vezes pareciam mais do que poderiam aguentar, afogava-os, matava-os com o prazer. Seus corpos unidos, as peles resvalando com o suor, o quarto enchendo-se com os sons mais carnais, a maneira como Diogo segurava Henrique, como se apenas aquilo lhe bastasse... De olhos fechados, para ambos, aquele momento sempre poderia ser descrito como único, mesmo que se repetisse, das mais variadas formas, no rolar das semanas, dos meses e dos anos que partilharam e pretendiam continuar partilhando, juntos.
Henrique virou o rosto e beijou o namorado, os espasmos do prazer o alcançando num frenesi violento, junto com uma contratura intensa, porém gostosa dos músculos. Quebrou bruscamente o beijo ao gritar com o prazer, sentindo a mão do maior o estimulando também pela frente para lhe enlouquecer de vez. O clímax veio intenso, deixando-o tonto, e não muito depois Diogo derramou-se também, abraçando-o com mais força, quase o sufocando com aqueles braços fortes ao redor de sua cintura, o rosto afundado entre os cabelos de sua nuca.
Diogo foi dominado por aquele prazer forte, diferente dos que havia experimentado antes de conhecer o Henrique. Continuou o abraçando por alguns segundos, não desejando nada além disso, enquanto recuperava o fôlego. O beijou entre os cabelos bagunçados, acariciando o corpo esbelto que tanto lhe atraía naquela cumplicidade da qual, acreditava, nunca cansaria, pois continuava tão apaixonado quanto no início da relação, talvez até mais.
Henrique afagava seus antebraços, a cabeça apoiada a seu peito.
Deitaram na cama depois, acariciando um ao outro. Diogo sorria satisfeito, mostrando os dentes de caninos afiados, e Henrique retribuía com um sorriso leve ao roçar os dedos na barba dele, enquanto o coração aos poucos suavizava o ritmo alucinado. Aproximaram-se um do outro, buscando maior conforto, e Henrique beijou a testa do tatuado, que sempre ficava bastante carente e dengoso depois do sexo.
“Hoje tu pareceu mais descontrolado que o normal.” Henrique comentou com um bocejo quando foi abraçado, e o Diogo descansou a cabeça sobre seu peito. “Lembro que era geralmente assim quando ia para os Estados Unidos me visitar.”
“Está dizendo que eu andava mais molenga nos últimos meses?” Diogo perguntou insatisfeito, e o psiquiatra riu, afagando-lhe a nuca.
“Não! É apenas essa sensação... Como se tivesse de aproveitar ao máximo, porque não terá depois, por um tempo.” Tentou explicar, apesar de não encontrar as palavras exatas, até porque estava com sono e era difícil pensar assim. “É mais selvagem.”
Diogo riu nasalado.
“Vou me decidir se tomo isso como um elogio ao não. Daqui uns quinze minutos, quando repetirmos a dose.” Murmurou.
“Repetir? Dido, estou exausto... Trabalhei o dia inteiro e... Foi bem intenso agora.” Falou com cuidado, e bocejou meio entorpecido pelo orgasmo. “Me conte amanhã...”
“Henrique...? Môzi?” Diogo chamou erguendo a cabeça, mas viu que o namorado caíra em sono profundo tão logo terminara de falar. Talvez uns anos atrás o acordasse, mas sabia que ele ainda deveria estar exausto da semana pesada. Acomodou-se melhor na cama, mantendo-o junto a si, e ficou acariciando os cabelos negros e sedosos dele até cair no sono também, jurando que tentaria ao máximo não sobrecarregá-lo quando adotassem as crianças.
Maldita profissão, deveria tê-lo convencido a largar o curso comigo todos aqueles anos atrás. Ainda mais agora que teremos dois pestinhas para nos sugar as energias. Foi seu último pensamento da noite.
Terça-feira pela manhã, pegaram as crianças no orfanato e rumaram para se juntar à família. Diogo sabia que apanharia de Isadora quando chegasse, por demorar tanto tempo para aparecer, mas definitivamente os lindos rostinhos de Vinicius e Cecília, seus filhos, amoleceriam o coração da irmã.
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