Good Little Boy
1 It´s a Hot Day In Hell
Notas iniciais
...E se... bem, eu podia começar falando da Cosa Nostra. Ou talvez não. Pensando bem, começar explicando sobre como tudo começou na Italia com certeza vai ser tipo...
Enquanto a aula passava ao redor de Dipper Pines, o garoto em questão rabiscava várias notas em seu caderno, mas nenhuma passava perto do assunto da aula.
Ele notou vagamente a professora, senhora Madlock, perguntar algo sobre algum presidente e o discurso de "está completamente errado, você deveria prestar mais atenção na aula" que ela recitava pelo menos três vezes por dia. Como se fosse uma oração, ela repetia as mesmas palavras religiosamente. E sempre escolhia alguém que ela sabia que também iria errar para responder à pergunta.
... tudo bem. Resolvemos o início. Agora precisamos de uma backstory para o herói, uma das boas. Talvez isolado na época de escola e agora um herói conquistador? Não. Cliché demais. Sem falar que... né? Talvez deixar a backstory pra depois seja a melhor coisa. Agora... antagonistas, antagonistas, antago...
— Senhor Pines! — ele levantou a cabeça e olhou para a professora, ignorando as risadinhas que estava ouvindo atrás dele — Quem sabe o senhor, que estava tão focado nessas suas... notas, possa me dizer. Quem foi o 9º presidente dos Estados Unidos?
— William Harry Harrison. — ele respondeu sem hesitar e a professora abriu a boca para contestar, mas ele continuou — Bem, ele é formalmente considerado o 9º presidente. Mas entre ele e Martin Van Buren houve o mandato de Quentin Trembley. Mas ele foi deposto é considerado o 8º presidente e meio. Então... é.
— Muito... bem, senhor Pines — ela disse, não sem antes levar alguns segundos para se recompor. Geralmente, essa era a parte onde ela estaria falando sobre como a juventude estava perdida — Pelo menos alguém estudou.
Ele, como o resto da turma, seguiu o olhar da professora até Chadd Cooper.
Aquilo não era nada nada bom. E só piorou quando ouviu algumas risadinhas. Risadinhas na direção de Chadd. Que ficou ainda mais vermelho e olhou pra Dipper com ainda mais raiva.
Agora Dipper estava realmente tentando se concentrar na aula. Todos os pensamentos sobre o que poderia ou não ser uma de suas histórias esquecidos.
Quando o sinal finalmente tocou, ele arrumou tudo o mais rápido possível, mas não escapou de Chadd, que "esbarrou" nele enquanto os alunos saiam
— Pode deixar Pines. Hoje você vai ver seu nerdezinzho de merda.
E com esse comentário feliz ele foi para qualquer que fosse a aula dele do período enquanto Dipper seguiu para Inglês, uma das únicas aulas que tinha em comum com sua irmã gêmea, Mabel.
Diferente do irmão, que tentava ao máximo passar despercebido, Mabel atraia todas as atenções. E gostava disso. Ela era uma das garotas mais populares da escola, sempre era chamada para todas as festas. Não havia um final de semana que Mabel ficasse em casa se não estivesse de castigo.
Então, não foi surpreendente ver a irmã cercada de pessoas quando ele chegou na sala.
Quando a professora chegou, e todos foram para seus lugares, ela finalmente foi se sentar perto dele.
— Hey Mabes.
— Hey DipDop! — e como Inglês era praticamente um horário livre, porque a Srt. Evergreen – ao contrário da Sra. Madlock – não era levada à sério por ninguém, Mabel começou a tagarelar sobre tudo. Tudo. Desde de como o dia dela estava sendo, até o que estava in e o que estava out nessa estação.
Dipper amava a irmã, mas entre ouvir um monólogo de 50 minutos que incluía um debate sobre as vantagens e desvantagens de possuir um tubinho rosa e tentar achar um jeito de escapar da surra que com certeza ia levar depois da aula, ele preferia fazer o último. Até porque era paranoico demais para não fazê-lo.
— ... então o que você acha? DipDop? Dipper! Diiiiper!! — a garota suspirou e revirou os olhos — E então o que você acha do meu plano? Acho que tem tudo pra dar certo... no final do mês eu vou ser a nova Senhora Bill Cipher!
— O que? Mabel, você ficou louca?
— Relaxa DipDop. Eu só queria chamar sua atenção. E sabia que o único jeito era apelar para sua paranoia. Se bem que o Cipher realmente é um pedaço de mal caminho — o sinal tocou interrompendo Mabel, mas antes de sair ela virou para o irmão e deu um sorriso — e nisso você tem que concordar...
E ele concordava. Concordava até demais. Com cabelos loiros dourados, pele caramelo e olhos azuis, Bill Cipher era sem dúvida "um pedaço de mal caminho", como Mabel tinha tão graciosamente colocado.
Mas tinha alguma coisa estranha com o garoto mais velho. E não era só o fato de ele usar terno, gravata borboleta e um tapa olho. Nem a fama de bad boy que ele tinha. A irmã dele achava que ele estava sendo paranoico, como sempre. Mas nada afastava aquela sensação.
Ele não era como os outros "bad boys" da escola. Ele era algo extraordinário. Ele ia aonde queria, fazia o que queria e quando queria. Talvez por que fosse rico. Mais rico que os Northwest, e isso já era um feito.
Mas Bill Cipher não era problema de Dipper Pines. O que era problema de Dipper Pines, por outro lado, era o relógio e como ele estava girando rápido enquanto ele não tinha nenhum plano.
Não que ele não estivesse acostumado com as surras que levava. Mas apanhar nunca era legal, e ele tentava evitar sempre que possível. Além disso, Chadd parecia especialmente irritado com ele.
Mas ele não podia parar o relógio... e mais cedo do que ele gostaria o sinal tocou e ele foi para a sala de artes se despedir de Mabel. Ela sempre ficava pelo menos um período a mais para trabalhar em seus inúmeros projetos de artes.
A irmã não sabia. Claro que não. Ele era bom em inventar histórias, e Mabel não era boa em prestar atenção em pequenos detalhes como esse. Ela sabia exatamente quem tinha uma crush em quem em toda escola, só de olhar como as pessoas agiam. Mas não podia achar algo que estivesse bem na frente dela.
Foi caminhando para casa, resignado. E sem duvidas, assim que se afastou um pouco da escola..
— Ora ora ora... se não é o perdedor do Pines. Você não achou que iria escapar dessa achou? Que foi? Vai chorar? Vai chorar? Ele quer chorar! — a última frase foi dirigida a um grupo de seus amigos mais brutamontes, que sempre vinham com ele. Nos dias bons, só assistir — Você acha que pode tentar humilhar gente como eu? Tenho uma notícia pra você Pines: eu sou o topo da cadeia alimentar... e você é só um verme!
Dipper não se importou em argumentar que vermes geralmente acabavam comendo tudo no final, e que quando os animais morrem, mesmo os do topo da cadeia alimentar, eles "voltavam para a terra", poeticamente falando.
Ele aceitou os primeiros chutes e socos calado. Infelizmente aquele não era um dia bom, e os brutamontes de Chadd decidiram ajudar. Por volta do quinto soco ele gemeu de dor.
E então começou a ficar preocupado... geralmente Chadd já teria parado. Pegado a bicicleta e ido embora rindo junto com a turma dele. Mas se eles não tinham parado até agora... será que eles iriam parar?
Esse foi o último pensamento de Dipper antes de um soco o acertar forte demais na cabeça. Então ele apagou.
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