Good Little Boy

2 The Devil You('re beginning to) know


Notas iniciais
Soo...

Quando ele acordou, ele estava em uma cama, o que era estranho, porque ele não se lembrava de ter ido para casa. E ele sabia que com certeza era a ultima preocupação dos pais dele...

Eles sempre quiseram uma garota, para ser a princesinha deles. Então, quando tiveram um casal de gêmeos eles conseguiram o que queriam, mas com um bônus não tão desejado. Ele não era mal tratado, nem nada do tipo. Mas desde que ele se entendia por gente, Mabel sempre ganhava as melhores coisas, ia onde queria... enfim, era a favorita. Depois de um tempo ele aprendeu a não ligar.

Mas, se com certeza não estava em casa, então onde estava?

Ele estava dolorido. E se lembrava vagamente de ter apanhado. Bastante. Tanto que desmaiou. Será que algum dos valentões tinha ficado com pena dele e o levado pra casa? Improvável.
A cama onde estava tinha lençóis de seda pretos, e o quarto ao redor parecia luxuoso e...

— Hey ho Pine Tree! De volta ao mundo dos vivos!!!

Olhando para ele, em toda sua glória amarela e preta, estava ninguém mais ninguém menos que Bill Cipher.

Ele, pela primeira vez, – pelo menos perto de Dipper – não estava usando uma cartola, o que fazia com que o cabelo se afastasse um pouco do olho direito, o que deixava a mostra o tapa olho triangular preto.

— O que? Cipher? Onde eu estou? — ele levou a mão até a cabeça, um dos lugares que mais estavam doendo e ela voltou vermelha — O que?

Okay, Dipper talvez tenha entrado em pânico. Mas qualquer um entraria se estivesse num quarto estranho, com o bad boy misterioso (e provavelmente perigoso) da escola. E... ah é! Estivesse com um corte na cabeça!

— Ora ora ora... Isso é jeito de agradecer seu herói? Se não fosse por mim você ainda estaria desmaiado na calçada onde eu te achei. Hunff... Você é sempre mal educado assim?

— Não, não... só quando desconhecidos me sequestram!

Dipper sempre teve certeza que sua inabilidade de manter a boca fechada seria sua causa mortis. O dia provavelmente tinha chegado.

— Mas eu não sou um desconhecido! Nos estamos na mesma classe de Física Avançada! E de Matemática Avançada!! E...

— Okay! Eu entendi! Nós dois estamos em muitas classes avançadas.— Cipher era fácil fácil a pessoa mais irritante com quem ele já tinha conversado. E até cinco segundos atrás, ele nunca tinha trocado uma palavra com o loiro. — Isso não explica por que você me trouxe pra... onde quer que nós estejamos!

Cipher riu. Era uma risada louca. Como tudo em Bill Cipher. Uma risada alta de jogar a cabeça pra traz e colocar a mão na barriga, como se estivesse doendo de tanto rir. Ele não estava surpreso.

— Em primeiro lugar, — ele disse, depois de se recompor, levantando o dedo indicador — essa é minha casa, muitíssimo obrigada. E em segundo lugar — ele levantou outro dedo — eu obviamente te trouxe aqui pra te remendar.

Tudo bem. Tudo bem. Tudo muito muito bem.

O cérebro de Dipper não estava preparado para processar aquilo. Especialmente quando, bem, ele estava lutando pra ficar consciente em meio a dor de ter apanhado tanto. Ele realmente precisava ser "remendado" como Cipher tinha colocado.
Bill pegou um copo com água e um comprimido.

— Aqui. — Dipper olhou desconfiado para a pílula branca — Vai aliviar a dor. — ele levou o comprimido até a boca do mais novo e despejou a água enquanto apoiava a cabeça dele – sendo surpreendentemente gentil.

Agora, com o efeito do analgésico, Dipper definitivamente não conseguiu ficar mais tempo acordado.

Ele tinha quase certeza de que acordaria de novo, dessa vez na calçada onde tinha caído. E de que aquilo não passava de um sonho. Ele e Mabel tinham falado de Cipher afinal. Ele tinha lido em algum lugar que...
—-----------------------------------------

Acordou de novo no mesmo lugar. Só que dessa vez estava sozinho. E estava escuro.

Então ele fez a única coisa plausível quando alguém se encontra na casa de um completo estranho.

Ele se levantou e testou a porta, que estava conveniente destrancada. Então ele saiu.

A parte "mais rico que os Northwest" com certeza era verdade, até ali só tinha visto um quarto e um corredor, mas era tudo grande e luxuoso.

Inclusive a escada, que quase o fez gemer quando a viu. Era enorme, daquelas que davam várias voltas e davam acesso a todos os andares da casa. Aparentemente aquele era o último.

Seu corpo ainda estava dolorido da surra, então o prospecto de descer aquela escada quase o fez desistir e voltar para o quarto quentinho e confortável onde estava. Quase. Ele desceu mesmo assim.

Não foi nada agradável. Mas quando ele finalmente chegou na porta principal...

— Eu não faria isso se fosse você... — Dipper ouviu um suspiro e Cipher finalmente apareceu — Olha Pine Tree... eu sei que você não confia em mim. E que por alguma razão, provavelmente sua paranoia, você não acredita que eu só quero te ajudar. Mas confie nisso; eu sei que você não é idiota. Você viu as janelas pelo menos de relance. Tem uma floresta que cerca a propriedade. Você sabe que ficaria perdido lá de dia, e agora já é tarde da noite.

Foi a vez de Dipper suspirar. A mão ainda na porta.

— Acho que eu não tenho muita escolha Cipher...

O humor do loiro mudou da água para o vinho... ou do vinho para água? De repente toda a seriedade se fora.

— Ótimo! Mas se vamos ser amigos você deveria me chamar de Bill! Eu insisto! E agora que nossa amizade esta firmada... vamos tomar chá!

Dipper assistiu calado quando Cipher sumiu na direção do que provavelmente era cozinha, já que ele voltou com um bule de chá e duas xícaras, que ele pôs na mesa. Puxou duas cadeiras e indicou para que Dipper se sentasse em uma. Ao invés de se sentar, saiu de novo e dessa vez voltou com uma prato de sanduíches. Só então se sentou.

— Por que?

Dipper finalmente perguntou, olhando dentro daquele único olho azul.

— Porque... o que?

— Porque você me trouxe pra cá? Porque você não me deixou na rua? Porque você me deu um remédio para dor e fez curativos em mim?

O loiro desviou o olhar para o chá. E ficou muito tempo calado. Dipper achou que ele não ia responder. Mas então...

— Eu acho você... interessante. Incrivelmente interessante. Eu só não tive nenhuma oportunidade de conversar com você até hoje.

O mais novo não questionou. Ele simplesmente tomou seu chá e comeu seu sanduíche.

Eles discutiram sobre a matéria de Física e o projeto de Biologia. Também sobre a feira de ciências, que seria dali a dois meses. Mas nada mais que isso. Dipper não tinha coragem, e mesmo que tivesse, Bill não ia deixar. Então se limitaram a falar da escola.

Quando bocejou, e Bill percebeu que ele realmente precisava dormir, ele não deixou que Dipper pisasse na escada. Ao invés disso, delicadamente pegou o garoto no colo, evitando encostar onde sabia que estava muito machucado.

Dipper adormeceu antes mesmo de chegarem ao segundo andar.

Notas finais
Eeentão?