Good Gone Girl
51 Capítulo 51 - Tio Kev
Notas iniciais
Capítulo 51 – Tio Kev
Eu me sentia melhor.
Depois de ter contado tudo, e ter chorado todo o líquido do meu corpo, eu me sentia incrivelmente mais leve. Talvez... eu odiasse admitir isso, mas não fosse tão ruim ter pessoas se preocupando com você. Como Alex disse, é como nós nos sentimos amados, não é? Quando tem alguém cuidando de você, se preocupando com você.
Foi o que pensei quando mamãe prometeu que “acabaria” com Mike, quando ela brigou com a mãe dele por mim. Quer dizer, minha mãe tinha tanta certeza que Mike era a única escolha certa que eu fiz na minha vida, que antes de contar a história, por um minuto, tive medo que ela ficasse do lado dele..., mas pela primeira vez eu sentia que ela gostava de mim.
E isso era incrível.
Quer dizer, talvez ela goste de mim e eu só... não tenha lhe dado chance para demonstrar isso ou talvez ela não soubesse como demonstrar. Por um instante, perguntei-me se eu estava sendo injusta com ela, e lembrei do que a mãe de Alexander disse, algo sobre as mães sempre quererem o melhor para os seus filhos. Talvez, as críticas dela... fossem isso; ela querendo que eu conseguisse o melhor.
Mas de qualquer jeito... era como eu havia dito a Mary-Jean: “nada dava a ela o direito de ser escrota com quem ela quisesse porque ela queria”. Os comentários dela, não me incentivavam a nada, a não ser desistir de tudo. Porque nada seria bom para ela. Porque nada seria o que ela queria para mim.
Porque ela nunca foi assim com Mary? Por que comigo?
A imagem que eu tenho da minha mãe era de alguém insensível. Alguém que não gostava de ninguém, só dela mesma. Que dizia amar o marido, mas então o havia largado sem nem olhar para trás, sem pensar duas vezes, por causa de dinheiro. Que dizia amar as filhas, mas eu não entendia como alguém conseguia colocar a pessoa que ama tão para baixo, fazê-la se sentir tão... inútil e insuficiente.
— Nottingham não é Londres..., mas é um lugarzinho encantador – eu a ouvi dizer, enquanto andávamos pela cidade. Então ela me diz: – Parece o seu tipo de lugar. Discreto, mas charmoso. Com uma certa classe.
Acho que esse seria algo mais próximo de um elogio que eu ouviria dela.
E fico tão surpresa que não consigo nem responder.
— Talvez você devesse nos visitar na França da próxima vez, Bell – Mary-Jean sugeriu, animada. Ela estava querendo me fazer ir lá desde... sempre. Eu sempre evitei, porque me sentia mal na presença de mamãe. – Ei, você deveria levar o Alex. Será que ele conhece a côte-d’azur?
— Eu acho que não.... Posso falar com ele a respeito – eu prometi.
— Super! – Mary-Jean exclama, animada. – Seria incrível! Né maman?
Sim... eu quase conseguia imaginar, Mary-Jean, Alex e eu observando a água azul e cristalina de uma das cidades costeiras da França. Parecia incrível. Olhei para a minha mãe, perguntando-me o que ela achava de eu levar o “psicopata tatuado”, mas ela apenas concordou com a cabeça.
— Claro. Tenho certeza que seria uma ótima viagem – ela diz.
Não sei o que aconteceu com ela e me pergunto onde estão os seus comentários sarcásticos sobre mim. Talvez ela estivesse pegando leve por conta da história que eu contei, mas de qualquer forma, eu fico curiosa. Ainda sou obrigada a ouvir alguns comentários idiotas e a revirar os olhos, mas ela consegue passar o jantar inteiro sem me atacar. Pergunto-me o porquê disso.
O ápice do momento, é quando ela, depois do jantar diz:
— Isabelle... eu peço desculpas... pelo que falei de Alexander. Ele... pareceu ser um garoto legal, mas aquelas tatuagens todas... bem, elas assustam.
Não é bem um elogio ou uma retratação decente, mas o esforço que ela faz é visível e surpreendente. E isso, para mim, conta muito. Ainda mais se tratando da minha mãe. Fico olhando para ela, tentando entender o que a fez mudar de repente.
— Por que está pedindo desculpas agora? – Eu perguntei.
Ela dá de ombros.
— Talvez você tenha razão... sabendo tudo o que ele fez por você... o como te protegeu quando pode... me faz sentir injusta – ela disse, enfim.
Eu não sei o que dizer. Não consigo fazer outra coisa que não desconfiar daquele pedido. Da sinceridade dele. Então, de repente, sou surpreendida com um prato de Petit Gateau que eu não pedi sendo colocado na minha frente. Quando viro para avisar o garçom do engano, Mary-Jean segura o meu braço e diz:
— Não se preocupe, está certo. É para você.
Eu franzi o cenho.
Hoje não era o meu aniversário, eu acho. Porque eles estavam me dando doce?
— O... o que é isso? – Perguntei, confusa, olhando para eles.
Meu pai dá um sorriso sem graça, mas então ele vira para a minha mãe e diz num tom de voz cínico que eu quase nunca o ouvia usar:
— É Pauline. O que significa isso?
Os ombros de minha mãe estão tensos, enquanto meu pai, Mary-Jean e eu a encaramos. Ela parece muito sem graça e esconde isso atrás de uma máscara de gelo e indiferença. “Blasé” como eles chamam. Como se não se importassem de verdade com nada... ou como se tudo ao redor fedesse.
— Bem... seu pai e sua irmã... me fizeram ver.... que talvez eu tenha... agido de forma horrível naquele almoço – ela começou, fazendo gestos robóticos. Então ela olhou para mim e disse: – Então... esse é o meu pedido de desculpas.... Esse jantar... esse passeio... bem, foi tudo uma comemoração... pelo que você conseguiu sozinha. Você fez um excelente trabalho Isabelle... e eu sinto muito se.... fiz com que você achasse que não.
Eu olhei para ela... ainda sem acreditar no que ela havia dito. Olhei para o bolo à minha frente... aquilo tudo parecia surreal. Eu estava sonhando?
— Por quê? – Eu perguntei. – Por que isso assim? Agora?
Ela olhou para mim e disse:
— Quando você... quando você ficou furiosa pelo que eu disse e replicou daquela forma... incrivelmente, fez com que eu me sentisse uma tola. Na verdade, eu me senti envergonhada, principalmente depois que você saiu do restaurante daquele jeito... na frente de todo mundo... – Ela faz uma pausa. – E então hoje... o como você defendeu o seu namorado... Eu estou me sentindo como se fosse uma mulher tola, falando das coisas sabendo de nada... – Ela soltou um suspiro. – Quer dizer, você já é uma garota adulta e que sabe o que está fazendo da sua vida... e mesmo que não saiba, eu já não posso te dizer mais como vivê-la.
Ela respira fundo, então olha nos meus olhos e diz:
— Me desculpa, Isabelle, por ser tão dura com você – Mamãe concluiu. – Para mim... você sempre vai ser aquela garotinha... que passava horas trancada no quarto contando histórias fantasiosas para os ursinhos de pelúcia... e eu olhava pensando o como era tão pequena e desligada que o mundo a devoraria.
Eu não sei o que dizer. Apenas sinto aquele nó na garganta e de repente, vejo meu pai apoiar o cotovelo na mesa e passar as mãos pelo canto dos olhos. Quando percebe que estamos olhando, ele apenas diz:
— Merda. Eu juro que não escrevi esse discurso para ela.
O jeito como ele se emociona me faz rir, assim como Mary-Jean e mamãe.
— Mandou bem, mãe. Sei como foi difícil para a senhora ser um pouquinho humilde – Mary provocou-a, colocando a mão no ombro dela.
— É.... mandou bem – eu concordei e perguntei: – Mas e aí? Isso significa o quê?
— Que eu vou respeitar sua decisão... seja ela qual for – ela respondeu.
— Isso é uma promessa? – Questionei.
Ela concordou com a cabeça.
Senti algo se apertar em meu peito. Não um aperto ruim, algo bom. Algo diferente. Não sei se eu confio na minha mãe, mas só o fato de ela falar que está disposta a mudar... acho que é alguma coisa. Antes, nem isso eu tinha. Ainda olho para ela, desconfiada, mas então empurro o prato da sobremesa e digo:
— Eu não vou comer isso sozinha. Peçam garfos para vocês, vamos dividir.
Pergunto-me se minha mãe teria visto o como ela abusava de mim se eu não tivesse ficado com raiva e respondido para ela naquele almoço. Será que eu só precisava fazer isso o tempo todo? Estabelecer um limite? Parece ridículo quando eu penso nisso, quase uma falta de empatia eu precisar estabelecer limites para a minha mãe..., mas talvez fosse isso.
Talvez eu só precisasse dar um basta, ao invés de aceitar.
.
Quando eu estou deixando-os no hotel, mando uma mensagem para Alexander perguntando onde ele está e se eu posso ir vê-lo.
“Estou no bar ainda. Vem para cá. Traga a sua irmã se quiser” ele responde.
Bem, isso é diferente do que eu esperava, mas me virei para Mary-Jean e perguntei se ela gostaria de ir comigo encontrar o Alex no Pub Irlandês. Por educação convidei meus pais, mas eles já haviam passado da época de frequentar bares e clubs. “Discotecas” eles ainda chamavam. Então afirmaram que prefeririam descansar um pouco e desejaram que nós nos divertíssemos.
— Ei, você acha que quando não estamos por perto eles têm um daqueles “remember”? – Ela me perguntou de repente.
Fiz um som de nojo.
— Eca, Mary. Da onde você tira essa ideia? – Perguntei. – São nossos pais...
— Ah, qual é. Você nunca pensou como seria eles dois juntos, como namorados? – Ela insistiu, entrando no metrô comigo. – Você me conhece. A primeira coisa que eu faço quando vejo um casal junto, é imaginar eles transando.
— Eca. Eca – eu apenas disse, sentindo calafrios. – Nossos pais são virgens, para.
Ela riu.
— Então tá, mudando de assunto, a família do Alex é descendente de irlandeses? – Ela perguntou. – O tio dele tem um bar chamado “Pub Irlandês” e aquele tom ruivo... não sei, me parece muito irlandês.
Eu olhei para ela, surpresa.
Eu nunca havia pensado nisso.
— Meu deus, Bell... Sério que você nunca perguntou para ele? – Ela parece decepcionada comigo. Eu também estava. – Meu deus, sobre o que vocês falam?
— Sobre... sobre... – Eu sinto o meu rosto corar. – Sobre coisas. Sobre tudo.
Ela ri, e acho que está me achando idiota, até que ela diz:
— São os melhores tipos de conversa.
Quando chegamos ao Pub, ele continua do mesmo jeito desde a última vez que estive ali, porém, acho que com menos gente. Havia uma galera estranha fumando do lado de fora e dentro estava movimentado, apesar de não chegar a níveis claustrofóbicos. Deixamos nossos casacos no guarda-volumes quando de repente avisto um grupo grande de pessoas. Não estou brincando, é um grupo enorme.
Avisto os cinco amigos de Alexander ali (mesmo que eu tenha quase certeza que eu só conheci quatro deles antes), com Ellie e Sasha, o que me deixa mortificada. De repente, percebo que juntos a eles estão Chris e mais um garoto (que eu nunca vi na vida). Nove pessoas. Dez com Alexander que não vejo ali, doze comigo e Mary-Jean.
Aproximo-me deles, muito sem graça de repente.
Ellie e Sasha são as primeiras a me verem com a minha irmã. Então elas acenam feito umas malucas para mim e me alcançam no meio do caminho. Antes que eu pergunte o que está acontecendo, Ellie me abraça bem apertado enquanto Sasha observa. Acho que o abraço de Ellie era para valer por dois.
— Own, meus parabéns por você, Bell! Sabíamos que conseguiria se sair bem nesse concurso! – Ellie grita no meu ouvido.
Meu rosto fica vermelho.
— Mandou bem, essa é a minha garota – Sasha disse, com um meio sorriso.
— Quem contou para vocês? – Eu perguntei, surpresa.
— Ora, Alex, é claro! – Ellie respondeu como se fosse óbvio. – Outro dia ele nos ligou e disse que queria fazer alguma coisa para deixar você feliz, porque você estava triste, e ele sabe que nós suuuuper sabemos deixar você feliz. Aí perguntamos: “por que ela está triste?”, aí ele falou: “ah, ela ficou em segundo lugar em um concurso literário e a mãe dela fez pouco caso”, aí nós ficamos: “hã-hã, não a nossa garota... vamos dar uma comemoração digna!”.
— E aí você nos conhece. Nos empolgamos, chamamos todo mundo para cá, oferecemos bebida de graça e aqui estamos! Uma festa para você... – Sasha terminou, me oferecendo um drinque.
Eu sinto meu rosto pegar fogo com tamanha atenção, mas é uma sensação boa. Não mais uma sensação de culpa. Ellie e Sasha eram pessoas incríveis. Não havia palavras no mundo para descrever pessoas como elas.
Ellie oferece outro drinque para a minha irmã também, então lembro-me que tenho que lhes apresentar.
— Ah, Mary-Jean, essas são Sasha e Ellie. Minhas melhores amigas. Sasha, Ellie, essa é a minha irmã mais velha, Mary-Jean – eu digo, sem graça.
— As famosas – Mary-Jean diz, parecendo surpresa, pegando o drinque da mão da minha amiga. De repente, vejo-a dando um abraço em Ellie e lhe beijando o rosto, ela faz o mesmo com Sasha. – Obrigada por tudo o que vocês fizeram pela minha irmã! Obrigada por cuidarem tão bem dela!
As duas garotas ficam visivelmente sem reação, então elas dão uma risada sem graça e dizem que não foi nada, que elas não fizeram nada demais. Então se viram para a mesa e dizem:
— Um brinde para a Bell!
Todo mundo ri e levanta suas bebidas.
Novamente, eu fico sem graça por ser o foco daquela atenção toda. Quero perguntar cadê Alexander, mas a verdade é que não quero que eles pensem que não dou a mínima para eles só porque meu namorado não está ali. Além do que, ele provavelmente deve estar ocupado, resolvendo alguma coisa. Então vou para perto da mesa e cumprimento todo mundo que está lá e apresento a minha irmã.
Chris já a conhecia, pois Mary havia passado no dormitório quando chegou procurando por mim, e havia sido Chris quem passara o endereço de Alexander. Porém, ela aproveita a ocasião para me apresentar o seu namorado, o famoso Josh que a sequestrava todo fim de semana. Ele é simpático e charmoso, mas discreto e calmo.
Eles se combinam de um jeito incrível.
Então eu me aproximo dos amigos de Alex, mesmo que não me lembre bem deles. Tenho quase certeza de que haviam apenas quatro deles no hospital comigo: Oliver, Gus, Tyson e Will. Mas ali, haviam cinco, um deles não me era familiar. Ele era alto, loiro de olhos castanhos.
— Ei, legal ver vocês por aqui – eu digo, tentando ser amigável. Então disse para a minha irmã: – Mary, esses são os amigos do Alex que eu falei hoje...
Ela parece um pouco surpresa, mas sorri simpaticamente.
— Ah, obrigada por terem salvo a minha irmã – ela diz.
Oliver faz um gesto displicente com a mão.
— Não foi nada – ele disse. – Salvamos garotas todos os dias.
Algo no como ele diz isso me faz rir.
— Estamos felizes por ver que você está bem – Gus, o cara dos piercings, diz.
— Estamos mesmo, porque Alex fica insuportável quando você não está bem – Tyson, o cara do cabelo grande e castanho, diz fazendo-me corar.
— Para de tirar com a cara da garota – Will diz, dando uma cotovelada na costela do amigo. – Ele está brincando. Fica não.... Não mais que o normal.
Eu sorrio.
— Eu acho que nós não nos conhecemos porque eu não estava na confusão, mas prazer, eu me chamo Ryan – o desconhecido se apresenta, estendendo a mão amigavelmente. – E Alex fala muito de você.
— Prazer – eu o cumprimento. – Ele também falou muito de vocês. Muito bem.
— Foi antes ou depois de você querer estrangulá-lo depois de vê-lo com Georgia agarrada no braço dele? – Tyson pergunta. Obviamente me provocando.
Que pergunta ousada.... Gostei desse cara. Ele obviamente estava ressuscitando a vez em que eu estava no Happy Hour da turma e encontrei Alex com seus amigos e aquela loira ridícula pendurada no braço dele. Então ele sabia que era eu daquela vez.
— Nem me lembra dessa loira. Isso rendeu uma discussão... — Que terminou em um sexo muito bom, diga-se de passagem— Por acaso ela não vai aparecer por aqui, vai?
Eles riem.
— Bem, nós não a chamamos – Oliver respondeu, dando-me uma piscadela.
— Não interprete Georgia mal. Ela só é assim com todo mundo – Ryan diz.
— Assim como? Ficar se agarrando e esfregando os peitos na cara das pessoas? Ela faz isso com vocês? – Eu perguntei. – Porque eu percebi que essa engraçada estava fazendo isso com ele tá... minha raiva teve fundamentos.
Eles riem.
— O.K. Talvez com Alex seja diferente – Confessou Will.
— É porque ele tem o pau grande, todo mundo sabe – Tyson disse para os amigos.
Vejo Mary-Jean se engasgar com a bebida, antes de ela começar a ter uma crise de riso. Eu teria me engasgado também se eu estivesse bebendo na hora. “Meu deus senhor, os caras acabaram de falar do tamanho do pau do meu namorado na frente da minha irmã!".
— Não é não – Protestou Gus.
— Claro que é. Pensa bem, Oliver tinha muito mais chances de namorar com Georgia durante o colégio – Tyson argumentou: — O cara é bonito, é o vocalista, toca guitarra.... É o líder! Cara, as garotas adoram um líder de banda.
— Obrigado, obrigado – Oliver diz, fazendo uma reverência.
— Ah, mas espera aí. Você está se esquecendo que o Alex era o líder também, e ele cantava em algumas músicas, e tocava guitarra melhor que Oliver – Gus protestou. – Eu diria que durante o colégio eles estavam empatados. Durante o colégio era só a garota decidir se gostava de ruivo ou moreno.
Não sei porque, mas acho o modo como eles falam hilário e eu não consigo parara de rir, assim como Mary-Jean.
— Ou... quem tem o pau maior – Tyson acrescentou, erguendo o queixo protuberante como se houvesse dado o melhor argumento possível durante uma discussão. Então se virou para mim e perguntou: — Estou errado?
Sou obrigada a erguer as mãos e dizer:
— Não sou capaz de opinar. Só vi o pau do meu namorado e quero continuar assim, obrigada.
Ele ri, e só depois eu me lembro que minha irmã está ali do meu lado. Me ouvindo falar que vi o pau do meu namorado. Ai meu deus. O que eu estou fazendo da minha vida? De verdade, que vergonha, meu deus.
— Então vocês têm uma banda? – Mary-Jean pergunta interessada.
— Ah, sim – Oliver responde. – É uma banda razoavelmente conhecida na cidade, mas não muito famosa fora daqui. A temos desde o colégio. Antes o Alex participava, mas ele foi deixando a música e se apaixonando por animais.
— Como vocês se conheceram e viraram amigos? – Eu perguntei.
— Oliver que apresentou ele para nós – Confessou Ryan.
— É. Eu estava na sala de aula, tentando dar um fora em uma garota que queria um motivo para eu não sair com ela. Eu disse que era gay, ela não acreditou, então vi aquele belo garoto ruivo passando pela porta e pensei: “vai ser você”. Passei um braço pela cintura dele e disse pra ela: “esse é o meu namorado, tá vendo? ”— Oliver contou.
Todo mundo começou a rir e eu fiquei olhando para ele, estupefata.
— Qualquer... qualquer cara teria me dado um soco na cara... – Oliver diz, entre risadas. – Mas o Alex... olhou para a garota e disse: “Eu mesmo. Algum problema, querida?”.
— Sério, foi a coisa mais engraçada da vida! — Will disse, se matando de rir.
— E era o primeiro dia dele no colégio! – Gus exclamou, rindo também. — Ele LITERALMENTE tinha acabado de chegar!
A história é tão absurda, ainda mais porque é fácil imaginar o Alex dizendo isso com aquela expressão séria dele de “é verdade”, que só de imaginar eu começo a rir e não consigo mais parar.
— Então viramos amigos – Oliver concluiu, recuperando o fôlego. – Eu pensei: cara, alguém que entra na brincadeira não pode ser uma má pessoa.
Eles riem e então mudam de assunto para algo menos... provocante, eu acho. Ainda mais porque Sasha e Ellie se juntam à conversa, com Chris e seu namorado. É engraçado, ver um grupo enorme conversando bem entre eles. Eu nunca havia visto nada assim, em toda a minha vida. Eu nunca havia sentindo nada como aquilo.
Ficamos bebendo e conversando até que Alex aparece alguns minutos depois, lindo e maravilhoso. Em suas roupas pretas, e calças jeans. Como alguém poderia ficar perfeito em qualquer situação? Eu não sei, mas não consigo prestar atenção quando eu o vejo, e quando ele se aproxima e dá um beijo rápido nos lábios. Ele cumprimenta a minha irmã enquanto eu ainda estou nas nuvens. Tenho vontade de pegar ele e mostrar para todo mundo o quanto ele é bonito.
— Ei, Bell, você pode vir comigo um instante? – Ele pergunta.
Eu apenas concordo com a cabeça.
Ele pede licença para as minhas amigas (e os seus amigos) e me arrasta pelo lugar. Passamos pelo bar, onde o barman está lá, simpático como sempre. Então ele me leva para o corredor de banheiros e minha mente safada começa a trabalhar (porque já tivemos uma situação de sequestro para banheiro antes), mas incrivelmente ele me puxa para uma escada de metal, em caracol no fim do corredor. Onde há uma placa escrito: “apenas funcionários”.
Obviamente ignoramos a placa, e então vamos parar em uma sala pequena, mas bem decorada. Parecia um escritório. Há dois sofás com uma mesa de centro em um lado, uma escrivaninha de vidro, com uma cadeira onde um homem de meia-idade está sentado, e uma estante enorme atrás dela, cheia de pastas e arquivos.
Uma parede inteira é feita de vidro, dando uma visão panorâmica do bar. Eu nunca havia reparado naquilo ali antes e isso me surpreende.
— Tio Kev, essa é a Isabelle, a minha namorada – Alex diz, puxando-me em direção à mesa onde o homem estava sentado.
Meu coração dá um pulo no peito. Ai meu deus. Era o famoso tio Kev. O cara que adora Alexander. Que teve o aniversário e que o Alex não me chamou.... Eu fico tão sem graça que nem sei como cumprimenta-lo. Eu só quero que ele goste de mim, porque eu sei que Alex gosta muito dele.
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