Good Gone Girl
52 Capítulo 52 – Chegou quem não devia...
Notas iniciais
Capítulo 52 – Chegou quem não devia... acabou minha alegria
— Ah, a famosa – ele comentou, erguendo o olhar.
Sinto meu rosto corar, mas me obrigo a agir como uma pessoa normal.
— É um prazer enfim conhecê-lo. Ouvi muito sobre você – eu digo tentando parecer educada.
Mas minhas estranhas estão gritando de nervosismo.
— Eu também ouvi muito sobre você – ele disse, com um sorriso simpático.
Bem, eu diria que ele é normal. Um normal tipo ruivo entremeado com cabelos grisalhos (o que me faz pensar que o 1% da população que é ruiva deve ser toda da família de Alexander), olhos claros e pele corada. Ele é barbudo e usa roupas simples: um terno amarrotado, calça jeans e camiseta azul. Não era bem o que eu esperava, mas é um tipo simpático, o que me deixou um pouco mais calma.
— Alex me falou muito de você, mas eu confesso que o começo todo eu vi apenas por essa janela – ele diz rindo, apontando para a enorme janela com a cabeça.
Pergunto-me o que ele quer dizer com isso, até que meu rosto começa a pegar fogo, porque eu me pergunto se ele estaria olhando por aquela janela quando eu e o Alex durante a apresentação da banda do amigo dele e se ele viu quando eu agarrei o sobrinho pelo pescoço da primeira vez que estive ali. Talvez isso esteja óbvio no meu rosto, porque Alex está segurando uma risada.
— Bem... acho que isso é constrangedor... – eu murmurei, dando uma risada. – Nunca mais vou pensar em bares e boate da mesma maneira depois disso.
Alex começa a rir, assim como o tio dele.
— Você tem razão, ela é engraçada – Kev diz, colocando uma mão no ombro de Alex. – Bem, você parece uma boa garota... Era para eu ter te conhecido no meu aniversário, mas tenho certeza que Alex estragou tudo, não foi?
Eu fico surpresa. Então era verdade que ele estava planejando me convidar antes da irmã dele fazer pressão? Quer dizer, se até o tio dele sabia.... Não sei porque, sinto uma inquietação no peito, mas respondo:
— Eu diria mais que nós dois estragamos tudo. Não podemos evitar. Temos talento para isso.
Kev riu novamente.
— Bem, tenho certeza que se você tivesse ido, o desastre que esse garoto causou seria menor. Você parece muito sensata – ele continuou. Reprimi a vontade de rir na sua cara quando ele diz a palavra “sensata” porque se tem uma coisa que eu não sou é isso aí. – Mas gostei de você. Espero que cuide bem do meu sobrinho.
— Er... eu acho que está mais para ele cuidando de mim – eu confesso. – Parece que eu só faço besteira e ele vive para impedir que eu me afogue nelas.
O homem olha para Alexander, e então diz:
— Ora, mas então é o casal perfeito. Os dois fazendo besteira e se impedindo de afogar nelas! Não vejo descrição melhor. Parece promissor.
Não sei se ele está sendo sarcástico ou apenas tentando provocar Alexander, que a aceita com um sorriso no canto dos seus lábios.
— Bem, eu tenho que ir crianças.... Você cuida de tudo aqui, certo Alex? – Meu namorado apenas concorda com a cabeça. – Prazer te conhecer, Isabelle. Aqui está um presente para você.
Ele coloca uma foto na minha mão e eu fico mortificada.
Ora, se não era uma foto de eu agarrando o Alex no show, pelo ângulo daquela janela! Sinto toda a cor sair do meu rosto, antes de voltar com muita intensidade, para um vermelho bem vivo.
— Você não adora esse mundo moderno em que todo mundo pode sacar um celular e bater foto de qualquer coisa? – Kev diz, provocando-me antes de sair da sala.
Eu fico paralisada no lugar. E então me viro para Alexander, divertido, olhando para mim. Como ele podia achar isso divertido?!
— Alex, retiro o que eu disse, seu tio não é um homem sábio. Ele é um tarado!
.
— Ele só fez isso para me irritar, Bell. Te garanto que ele é inofensivo – Alexander garante, rindo, enquanto descemos as escadas. – Além do que, tem que admitir que é uma boa foto.
Talvez até fosse.... Quer dizer, quando eu olhava para ela, eu me lembrava de como eu me senti naquela noite e foi incrível. Não só pelo beijo em Alexander, pela vontade que tive de beijá-lo, mas por tudo. Pela música, pelas pessoas... por sentir que eu fazia parte de alguma coisa naquele momento.
— Ele é simpático – admiti enfim. – Mas tem um senso de humor discutível.
Alexander riu e pegou a minha mão.
Eu penso que ele vai me levar de volta para a mesa onde estão nossos amigos e minha irmã, mas primeiro nós paramos no bar, onde Dylan (lembrei o nome dele) nos recebe com um sorriso largo e caloroso.
— Olá para vocês, Alex e Chinchila, parece que progredimos, não? – Ele provoca.
— Não sabemos como, mas aqui estamos – Alex respondeu com seu meio sorriso.
Como alguém podia ser tão legal? Eu não sei, mas às vezes eu só queria olhar para ele e sorrir. Observar o seu sorriso e me sentir idiota por achar ele bonito toda vez. De repente, ele se vira para mim e eu me perco em pensamentos.
— Eu acho que não te contei que esse bar é mágico, te contei, Bell? – Alex pergunta de repente.
Eu pensei nisso e então neguei com a cabeça.
Nunca ouvi isso.
— Bem... está vendo ali. Naquele mural entre as garrafas de bebida? – Ele pergunta, apontando com o queixo para um mural cheio de foto de clientes, cercado por garrafas de bebidas. Não dá para ver direito à meia luz da boate, mas parece adorável. – Antes, costumava ser a foto só do meu tio com a minha tia, aquela que você conheceu no meu apartamento, porque o bar é dos dois e meu tio queria que tivesse uma foto deles juntos em um lugar discreto.
No meio das fotos no moral, reconheci uma foto com uma pessoa familiar. Era um Kev muito mais jovem com uma mulher bonita. Não era uma foto de casamento, mas uma que vem antes. Talvez durante a festa de noivado, ou o namoro. É encantadora como qualquer foto de casal antigo pode ser.
— Só que, há muitos anos atrás, veio um casal aqui e perguntou para o Dylan quem era o casal da foto. Ele falou que eram os donos desse lugar e tal. Então o cara perguntou a quanto tempo eles estavam juntos e se surpreendeu quando Dylan respondeu “dez anos”. – Alex continuou. – Dez anos? Parece muita coisa para você? Bem, para eles pareceu um absurdo. Eles foram embora. Outro dia, a garota voltou, sozinha. Dylan, como esse barman simpático e enxerido que ele é, perguntou cadê o namorado da garota. “Estamos brigados” ela respondeu, “Acho que vamos terminar”.
Meu deus, eu nunca achei que Alex fosse um bom contador de histórias.
Mas ali estava ele. Se saindo muito melhor que eu durante toda a minha vida.
— E aí? – Eu perguntei.
— Eu disse que era coisa de momento. Briguinha boba de casal. Ela não se convenceu muito, mas aí fiz uma aposta com ela. Disse que colocaria uma foto deles juntos, no mural com a foto do Kev, e que se eles voltassem, devolveria para ela – o barman respondeu. Então arregalando os olhos, ele disse: — E eles voltaram.
Olhei para Alexander, desconfiada.
— Na mesma noite – Ele disse, confirmando a história. – E pelo que disseram, nunca mais se separaram. A mulher ficou tão surpresa que pediu para que a foto ficasse ali para sempre. E, não sei como, a história ficou famosa e alguns casais deixam fotos aqui às vezes, quando querem ficar juntos para sempre. Eles dizem que esse mural é mágico por causa disso.... Dizem que ele mantém as pessoas juntas.
Eu pisquei, surpresa.
— Então... se você colocar a foto do casal nesse mural... eles nunca se separam? – Eu perguntei.
— É o que dizem – Dylan responde dando de ombros.
Eu olhei para eles atentamente, e então olhei de volta para o mural. Olhei para Alexander novamente, depois para Dylan... estreitei meus olhos para eles. Havia algo de estranho nessa história. Por que me contar isso agora?
— Vocês estão falando sério ou estão tirando com a minha cara? – Perguntei.
Alex arqueia as sobrancelhas.
— Desde quando eu tiro com a sua cara? – Ele me pergunta.
Bem, quase nunca... mesmo assim...
— Que isso, Bell? Onde eu arrumaria mais de quarenta fotos de casais como essas? – Ele perguntou, não sabendo se ria ou se ficava indignado com a minha desconfiança.
— Google? Facebook? Stocks?— Eu sugeri.
Ele riu com incredulidade, então pegou a foto que seu tio havia me dado e a passou para Dylan dizendo:
— Eu amo esse jeito dela, sabia?
Sinto meu rosto ficar vermelho, mas ele não me dá muito tempo para que eu sinta o constrangimento daquela situação porque ele se aproxima e me beija. E seu beijo é tão... bem, tão feliz. Dá para sentir a felicidade dele pelo modo como seus lábios se mexem contra os meus e suas mãos seguram o meu rosto. Seu beijo faz com que todo um calor se espalhe pelo meu corpo de maneira excitante, aconchegante...
Quando vejo, estou agarrando-o pelo pescoço e puxando-o contra mim. Querendo, desesperadamente, sentir o seu corpo contra o meu. Seu gosto é álcool e terra. Eu posso odiar cerveja, mas adorava quando estava no hálito dele. Ele morde meus lábios, fazendo-me sorrir.
Ouço Dylan pigarrear e nos separamos.
— Parem... ou vão me fazer chorar – ele diz, em um tom falsamente dramático. – Meu deus, eu vi esse casal antes de ser casal... Sinto que acompanhei o início de tudo.
Dou uma risada sem graça, e uma olhada para a nossa foto, no meio de tantas outras. Perdidas num mar de fotos de casais felizes. A nossa é a única em que estamos nos beijando no meio de uma apresentação de rock e eu acho que isso dá um toque especial. Um quê de Alexander.
— Por que colocar nossa foto ali? – Eu perguntei.
Ele me olhou como se eu fosse estranha.
— Porque eu quero ficar com você para sempre...? – ele diz, como se fosse óbvio.
E é. Sinto meu rosto ficar vermelho.
— Hum... – eu digo, sem saber o que responder. – Então não vale se arrepender.
Ele aperta os lábios e eles se formam uma linha fina, quando ele tenta não rir das besteiras que eu falo. Eu sei que às vezes tenho que moderar nas piadas de “duvido que você me aguente por muito tempo”, mas às vezes era muito difícil. Eu era muito boa nelas. Felizmente, ele apenas segura minha mão novamente e diz:
— Vamos voltar para a mesa – Para Dylan ele apenas diz, em um tom divertido: — E você, chega de chorar. De volta ao trabalho.
O homem sorri e bate continência.
— Eu sempre fui com a cara dele – eu confessei para Alexander.
— É difícil não ir. Ele é muito carismático – ele concordou.
Quando voltamos para a mesa... eu tenho uma surpresa.
Há uma loira metida a besta não convidada, penetrando o que seria a minha festa de comemoração. Mas tudo bem, porque até aí, eu não sou uma garota egoísta, pode participar quem quiser. A questão é que eu conheço aquela loira. Já tive ciúmes dela e eu não preciso me lembrar do seu nome, para que sinta vontade de pular em cima dela e arrancar seus peitos fora.
Olhei para Alexander, esperando alguma explicação para a presença da sua ex-namorada ali, mas a questão é que até ele parece surpreso.
— Ei, Alex. Veja só quem apareceu – Oliver diz, forçadamente animado.
Talvez porque todo mundo soubesse que eu não gostava dela.
A moça loira olha para ele e sorri. Ela é tão bonita e provocante que eu me sinto uma freira no meu vestido justo, curto e de gola alta. Contraditório né? Mas talvez seja porque seu corpo fosse curvilíneo, seus cabelos loiros são impecáveis e seu rosto é a perfeição pura e simples. Como eu me lembrava.
— O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou para ela.
— Ora... vim com uns amigos – ela respondeu, dando de ombros, fazendo com que o decote do seu vestido pareça incrivelmente tentador. – Não acredito que encontrei todo mundo junto aqui... e nem me chamaram.
Sasha e Ellie reviram os olhos, enquanto Mary observa a garota com curiosidade.
De repente ela olha para mim e mostra um sorriso maravilhoso
— Oi, eu sou Georgia, a ex do seu namorado – ela diz, estendendo a mão.
Eu estou chocada com a audácia da filha da puta. Qual a necessidade, eu me pergunto, de chegar para a namorada do seu ex-namorado e dizer: “oi, eu sou fulana, e sabia que eu já peguei o seu namorado?”. Pergunto-me o que ela pretende dizendo algo assim. Ela poderia dizer algo como: “Oi, sou fulana, amiga dos amigos do Alex” ou “Oi, sou fulana, amiga dos amigos do seu namorado”..., mas nãaaao.
Chegou como a menina? Louca para causar.
Vejo Mary-Jean e Chris arregalarem os olhos, também, chocadas com a audácia dela. Elas arregalam ainda mais quando me veem apertando a mão da moça e dizendo:
— Oi, eu sou Isabelle, e sou a atual do seu ex-namorado do colégio.
Seu sorriso continua incrivelmente bem sustentado enquanto ela me estuda com o olhar, mas finjo que não me importo com isso. Finjo que a presença dela não me irrita, apesar de me fazer sentir como se estivesse brincando com fogo.
— Então ele já falou de mim para você? – Ela perguntou curiosa.
Dei de ombros.
— Por que ele não falaria? – Eu respondi, fingindo-me de inocente. — Alex me contou que você é muito amiga dos amigos dele e tal. Confesso que acho muito bonito... ver pessoas que são amigas desde o colégio continuando amigas.
Eu dou um sorriso amigável e espero que não esteja escrito na minha cara o que eu realmente estou pensando: que eu queria que ela soubesse que, não importa o que ela fizesse, eu não sentiria (mesmo que estivesse prestes a explodir disso) ciúmes porque eu confiava em Alexander e (agora) nós tínhamos uma boa comunicação. Não havia nada que essa piranha pudesse fazer para me tirar do sério.
Amém.
Mas... porra, Alex tinha que ter namorado com uma garota tão bonita?!
— O que posso dizer – ela diz, dando de ombros. – É como diz o Pequeno Príncipe: “te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Ela olha para Alexander, por sob os cílios.
É moça, obrigada por cativar o meu ranço. Urgh.
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