Good Gone Girl

47 Capítulo 47 - Dia das Mães


Notas iniciais
Oláaaaaa Estou hypada, com uns caps adiantados, então vamos matar as saudades ai meu povo ^^ Obrigada pelos comentários e por continuarem aparecendo: > Sandrinha > leticiaAE > KK > Juuh Beauchamp OBRIGADA ^^ BISOU ♥ BELLE.ÉPOQUE

Capítulo 47 – Dia das Mães

Perto do meio-dia, alguém abriu a porta do apartamento. Achei que fosse Alexander voltando do abrigo, no entanto, me deparo com a irmã dele acompanhada por uma mulher de uns cinquenta anos. Abaixei o livro que eu estava lendo largada no sofá e me levantei em um pulo. Ela era muito bonita e familiar, de olhos verdes e cabelos ruivos.

Alexis me lança um sorriso duro quando pergunta:

— Bell, você viu o meu irmão?

A mulher me olha de cima a baixo, como se me analisasse.

— Acho que ele deve estar no abrigo... ainda – eu respondi, me sentindo como uma peça fora do lugar. – Mas ele já deve estar voltando... geralmente ele volta para o almoço.

A mulher desconhecida ergue uma sobrancelha apenas (e eu não sei o que isso significa) e olha ao redor rapidamente, analisando o ambiente. Sinto que ela nunca esteve ali. Seu olhar recaí sobre uma foto no rack da televisão e ele muda de repente. Assisto-a caminhar até a foto e pegá-la, e então, de repente, eu sei quem ela é.

É a mãe dele.

— Ele ainda tem essa foto – ela sussurrou para si mesma.

— Eu dei para ele quando ele se mudou – a garota comenta, estufando o peito. – Para que ele tivesse algo nosso no apartamento. Foi a única que eu achei que tinha nós todos nela.

A mulher acena com a cabeça, mas passa muito tempo encarando a foto da sua família. Alexis aproveita sua distração para olhar para mim e murmurar um pedido de desculpas. Apenas sorri e dei de ombros. Pelo modo como ela parece emocionada com a foto, sinto que ela não é uma pessoa ruim.

Perguntei-me porque Alex não se dava bem com ela.

Vejo-a colocar a foto no lugar e então se virar para mim.

— Quem é você? – Ela me pergunta, enfim.

— Eu me chamo Isabelle, sou a... namorada do Alex – eu respondi, intimidada.

Ela arqueia as duas sobrancelhas em espanto. Uma surpresa nem disfarçada.

— O quê?! – É Alexis quem grita, radiante, antes de pegar minhas mãos e perguntar: — De verdade?! Vocês estão juntos?! Eu ouvi um “amém”, uma “aleluia”?!

Tento não rir, mas é difícil. O jeito de Alexis é encantador.

— Eu deveria estar muito chateada com você... pelo que ele me contou que você fez – eu lhe disse, estreitando os olhos para ela. Ela sabia do que eu falava e seu rosto ficou vermelho –, mas você me abriu os olhos... apesar de ter sido por um motivo egoísta...

— Ei! Não é egoísmo eu querer ver o meu irmão feliz – ela argumentou.

Eu penso nisso um instante e concordo com a cabeça. Ela tinha razão.

Alexis ficou radiante e então me abraçou. Ela nunca havia me abraçado antes, e era estranho. Estranho por que ela tinha uns dezesseis anos e era quase do mesmo tamanho que eu. Quando ela se lembra da sua mãe, a mulher está nos fitando surpresa e intrigada. Como se ela houvesse perdido um capítulo interessante de uma novela.

— Eu não sabia que meu filho estava... namorando – ela diz com dificuldade.

Na verdade, ela parece magoada.

— É recente – eu explico. – Acho que ninguém sabe ainda.

— Nem eu sabia – Alexis disse, surpresa. – A senhora sabe que eu sei de tudo!

A mulher revira os olhos para a filha, mas eu só sinto vontade de rir.

— E você está morando aqui com ele? – Ela perguntou.

Por algum motivo, sinto meu rosto ficar muito vermelho. Meu deus, o que ela estaria pensando de mim? Realmente, o que alguém pensaria ao encontrar a namorada recente do seu filho lendo livros no apartamento dele?!

— N- não! – Eu digo, muito rápido e energética. – Eu... hum... vim cuidar do gato.

Eu não podia dizer que passei a noite ali, podia? Não parecia certo.

Como que para reforçar o que eu disse, Kurt apareceu vindo da cozinha e se espreguiçou. Como se percebesse que havia sido mencionado. Incrivelmente, ela sorriu ao ver o gato, e ele se esfregou em suas pernas como a mesma naturalidade que ele fazia comigo. Eles pareciam bem conhecidos.

— Bem, eu me sentiria melhor se ele morasse com alguém. Mas ele que quis assim... – ela disse, soltando um suspiro. Então ela começa: — Você já-...

No entanto, antes que ela diga algo a campainha do apartamento toca.

Pergunto-me se seria Alex chegando na hora perfeita, mas eu acho que ele não tocaria a campainha do próprio apartamento. A menos que houvesse bebido muito novamente e houvesse pedido socorro para qualquer amigo. Eu fico em dúvida se devo abrir a porta (afinal, a casa não é minha), porém, as duas ruivas me olham como se eu devesse fazer isso, e quando a campainha toca de novo Alexis diz:

— Você não vai atender, Bell?

Eu fico sem graça, mas caminho até a entrada enquanto a mulher, mãe de Alexander (meu deus, ele me disse o nome dela uma vez, mas eu me esqueci completamente), se senta no sofá e Alexis se senta na poltrona, acompanhando-me com seus olhos atentos de gato esperto. Falando em gato, Kurt faz sua manobra ensaiada de pular na mesa de centro, pular no colo da visita, e a mulher toma um susto com isso, fazendo um carinho desajeitado na cabeça do gato branco.

Quando eu abro a porta, eu quase desmaio com a visão à minha frente: há um homem de cabelos escuros cacheados, olhos claros vestindo um terno amarrotado, acompanhado por uma mulher de cabelos escuros, nariz grande e olhos castanhos, e uma moça quase da minha idade de cabelos cacheados e olhos claros.

Esse só pode ser um prelúdio para o apocalipse.

— Pai?! – Eu gritei, no instante em que os braços dele me envolveram. Eu estou em choque, parece que estou sonhando. – Mary-Jean? Mãe? O-o que... vocês estão fazendo aqui?! Quando vieram?! O quê...?!

— Você achou que ia passar o dia das mães longe da sua família? – Ele me provocou com um sorriso que parece tenso em seu rosto. – Longe da sua mãe?

Dia das mães? Sério? Que dia era hoje?

Merda.

Será por isso que a mãe de Alexander apareceu hoje ali?

— ACHOU ERRADO OTÁRIA! – Mary-Jean grita, me abraçando por sobre o abraço dele, num abraço em grupo desconfortável.

Ela sempre foi mais vivaz, mais escandalosa. Não que isso fosse ruim. Éramos apenas como pessoas muito diferentes: eu era a garota calada e despercebida, Mary-Jean era a filha brilhante, sociável e que todo mundo gostava. Ela sempre foi a mais bonita também, com seus cachos negros e olhos claros como uma cigana, uma feiticeira de rosto formado por feições exóticas e sensuais, que combinavam com o seu humor malicioso.

— Não acredito que vocês estão aqui... – eu disse, feliz.

Eu gostava de Mary-Jean e de papai... meu único problema era senhora que nos encarava com uma sobrancelha arqueada do outro lado do corredor. Como se dissesse que não tem classe em um abraço grupal como aquele.

— Então... não foi fácil te achar sabe – Mary-Jean fala por todos, como sempre. – Tipo, papai disse que fazia um tempo que você não ligava para ele e que você não estava recebendo mensagens. Aí eu falei tipo: “nossa, com você também? Eu acho que devíamos fazer uma visita para ela no feriado! ”, aí você sabe como o papai é, logo animou com a ideia... e aqui estamos! Depois de ir ao campus, passar em dois dormitórios diferentes, sua colega de quarto nos disse que te acharíamos aqui.

Ela fala tão rápido que sinto um pouco de dificuldade em acompanhar, mas antes que eu consiga dizer algo minha irmã me empurra para o lado e entra no apartamento, seguida pela minha mãe. Percebo que ela ainda está sem falar direito comigo e isso faz com que meu peito se aperte um pouco. Meu pai me encara, como se percebesse, e apenas dá de ombros.

— Qual o tamanho desse lugar? – É o que minha mãe pergunta. – Nunca pensei que Mike moraria em um apartamento com menos de 90m².

Sinto como se houvessem me jogado um balde de água fria. Ouvir minha mãe dizer o nome de Mike me faz lembrar que eu não contei absolutamente nada a eles. Não contei que eu o havia pego com Lauren, não contei que havia terminado com ele, que havia conhecido gente nova, que ele havia me agredido...

Acho que meu rosto fica branco, porque eu me sinto ficar muito fria.

Acho que minha reação fica muito visível, porque a mãe de Alexander estreita os olhos para mim, como se quisesse entender quem era Mike. Alexis, por outro lado, parece se solidarizar com a minha situação... ou pelo menos esconde a vontade de rir.

“Como eu vou contar o que aconteceu a eles?” Eu me pergunto.

Eu não sei. Mas não preciso falar alguma coisa... e rápido.

— Hum... eu não estou mais com Mike – eu murmurei.

Esperei que tivesse sido baixo o suficiente apenas para que apenas meu pai ouvisse, mas mamãe e Mary-Jean se viram imediatamente para mim, com expressões chocadas. Como se não tivessem certeza de que ouviram direito.

— O quê?! – Mary-Jean perguntou.

Sei que ela realmente ouviu, mesmo assim eu respondo, mais alto e mais firme:

— Eu não estou mais com Mike.

A boca dela se abre em um O perfeito, como um emoji, então diz:

— M- mas vocês ficavam tão bem juntos!

— Ele me deu uma máquina de café de natal – meu pai observou, parecendo incomodado. Como se o fato de eu não estar com Mike o obrigasse a devolver ela.

Sinto que eles querem uma justificativa, mas não posso falar a verdade, apesar de eu querer muito falar a verdade para todo mundo. Dizer quem Mike realmente era e o que ele havia feito, e que ele quase havia me estrangulado há uma semana..., mas como se fala isso no dia das mães depois de passar tanto tempo sem ver a sua família? A verdade é que não se fala.

Eu apenas dei de ombros.

— Então de quem é esse apartamento? – Minha mãe questionou.

Eu respirei fundo, envergonhada pela cena que a família de Alex estava presenciando naquele momento. Mas é graças ao olhar de Alexis que eu consigo dizer:

— Hum... Alexander. Meu namorado. Meu novo namorado.

Novamente, a boca da minha irmã se abre. E minha mãe desvia o olhar como se não suportasse olhar para mim. Acho que ela está decepcionada. Provavelmente, ela devia achar que namorar Mike foi a única coisa correta que eu fiz na minha vida. Meu pai por outro lado, parece preocupado. E eu odeio vê-lo daquele jeito.

— Novo? Acho que vocês enrolaram até demais, se quer saber – Alexis diz, tirando uma alegria não sei de onde. Então ela se levanta e cumprimenta toda minha família. – Oi, eu sou Alexis, irmã do Alex. E sim, nossos nomes são parecidos, mamãe é maluca. Nosso outro irmão se chama Alexiel, dá para acreditar?

Mary-Jean ri e a cumprimenta também.

Porém, minha mãe e meu pai não entram na conversa dela. Eles apenas dizem:

— Parece que alguém tem muita coisa para contar.

Foi quando eu percebi que eu estava fodida.

.

Eles se acomodam na sala de estar e eu ofereço água, chá, ou qualquer coisa que acalme os ânimos da minha família e que os façam enxergar toda aquela situação de maneira mais favorável. Não que eu esteja preocupada com papai, Alexis ou Mary-Jean, eles parecem bem entretidos com toda aquela situação, meu problema era com a minha mãe e a mãe de Alexander. Elas pareciam desconfiadas.

Eu tinha medo do que elas estavam pensando de mim naquele momento.

E tinha mais medo ainda do que pensariam se eu contasse a verdade.

— Tá... vou contar desde o início – eu disse, esfregando as mãos contra minha calça jeans, tentando limpar o suor. – Bem... eu descobri que Mike estava me traindo...

Minha família arregala os olhos.

— Oh, não! – Mary-Jean solta.

— É fui eu quem contou para ela – Alexis diz, muito satisfeita consigo mesma.

Olhei para ela de soslaio e ela se aquietou um pouco, afundando na poltrona.

— Com Lauren... no dormitório – eu continuei.

Minha irmã cobriu a boca com a mão dramaticamente. Mary-Jean tinha o dom de parecer um desenho animado com as suas reações. Às vezes, poderia aparecer até mesmo deboche, mas eu saiba muito bem como eram reações sinceras.

— Eu sabia que aquela loira não prestava! – Minha mãe soltou, mexendo sua xícara de chá. – Eu falei? Falei, mas você me ouviu? Não, você não me ouviu. Você nunca me escuta. Eu falei: “Isabelle, essa garota. Fica de olho nessa garota. Os americanos não prestam... São egoístas e insensíveis”.

— Mãe... eu sou americana – eu disse, com uma ponta de raiva.

— E eu também – meu pai disse, ofendido.

Minha mãe deu de ombros, como se não se importasse e deu mais um gole em seu chá, fazendo uma careta e o abandonando sobre a mesa de centro. Como sempre, nada estava do gosto dela. Nada era bom para ela. Principalmente se fosse eu quem havia feito.

— A questão é.... fiquei me sentindo horrível. Briguei com eles, e então saí do dormitório. Primeiro passei um tempo na casa de duas amigas, Ellie e Sasha.

A mãe de Alexander enrijece visivelmente.

— Então... você é amiga de Sasha? – Ela perguntou.

Seu tom é duro e frio, mas há uma camada de desconforto. Como se tratasse de um assunto que ela não queria trazer à tona, ou se lembrar. Lembro-me de quando Alex me contou o que seu irmão fez à ruiva. Lembro-me também de que ele me contou que sua mãe preferiu fingir que não sabia nada a tomar alguma providência e que por isso ele foi morar sozinho. Porque não suportava dividir o mesmo teto com o irmão.

— Sou – eu respondi, desconfortável, mas firme.

Queria que ela soubesse que eu sabia.

— Quem é Sasha? – Meu pai perguntou, estranhando a conversa.

— Isso é outra história – eu disse apressadamente, voltando-me para eles. – Enfim, foram essas minhas amigas que me ajudaram a arrumar vaga em outro dormitório, porque a última coisa que eu queria era ver Lauren no momento... ou Mike.

— Obviamente – Mary-Jean apoiou.

— E foi justamente para não os ver ou saber deles, que eu excluí todos os aplicativos de redes sociais do celular. Saí do Facebook, do Instagram, Twitter... eu só queria ficar sozinha, isolada numa bolha. Em algum lugar que não chegasse informações sobre o que os dois andavam fazendo.

— Ah, por isso você sumiu do Whatsapp também?! – Minha irmã observou. – Meu deus, Bell, você não sabe o quanto eu fiquei preocupada quando você não respondia minhas mensagens... você sequer as abria! Achei que estivesse ocupada com seus textos, provas, e essas coisas...

Eu suspirei.

— Não... eu só... estava muito mal, com tudo aquilo – eu confessei. – Como Sasha e Ellie viram que eu estava no fundo do poço, elas decidiram me levar para dar um passeio, à noite, na cidade. Elas só apareceram no meu quarto e disseram que eu precisava de um pouco de agitação. Assim... Foi quando eu percebi que eu nunca havia saído para a cidade de noite... ou sozinha. Quer dizer, é estranho não é? Eu estar numa cidade nova e não sair para conhecer, ou explorar?

— É inadmissível – minha mãe disse.

Pelo menos isso era algo do qual ela entendia.

— Então... elas me levaram para um pub, porque elas queriam ver uma banda tocar – eu contei. – Foi lá onde eu conheci o Alex.

A mãe dele ergueu as duas sobrancelhas, surpresa.

— No Pub Irlandês? – Ela perguntou. Concordei com a cabeça. – Ele vive por lá, ajudando meu irmão a administrar... Não que ele precise de ajuda para isso, mas acho que ele gosta de Alex por perto, sempre gostou. É como se fosse o filho que ele não teve.

— Eles ficaram muito próximos depois que o papai morreu – Alexis comentou.

Eu já sabia que o pai de Alex havia morrido. Não perguntei como ou se ele estava bem porque sempre que entramos em assuntos tensos, não sei como falar sobre isso. Só consigo imaginar a dor que deve ser perder alguém que você ama muito para uma pessoa simplesmente desenterrar isso com perguntas e mais perguntas.

— Foi a muito tempo? Como isso aconteceu? – Mary-Jean pergunta.

Sinto meu rosto ficar vermelho porque eu não saberia fazer uma pergunta tão direta quanto àquela. Não sei achar que eu estava remexendo com as feridas dos outros.

— Faz alguns anos. Foi um acidente durante uma viagem – a mulher respondeu, dando de ombros. – Alex gostava muito dele... e eles eram tão parecidos... Tinham o mesmo jeito aventureiro e inquieto. De quem vê que tem algo errado e não consegue ficar quieto com isso.

Por algum motivo, quando ouço essas características, não penso em Alexander. Penso em Alexis. E pergunto-me se sua mãe era capaz de ver a presença daqueles traços na filha. Ela está com a cabeça baixa, mexendo nas mangas de seu casaco, quando digo:

— Isso é de família então, Alexis? Eu achei que você só era doida mesmo.

Ela ergueu o olhar para mim e riu, dando de ombros.

— Como foi que vocês se aproximaram? – Mary-Jean pergunta, querendo voltar a história. Seus olhos azuis parecem muito grandes, como se ela quisesse imaginar o que eu fazia com um cara desses. – Você e o seu garoto Alex?

O modo como ela fala “seu garoto Alex” quase me faz rir.

— Hum... essa é uma boa pergunta – eu digo, apesar de não saber exatamente como contar para eles sobre nosso relacionamento incomum. – No começo, eu achava ele meio estranho, mas um estranho diferente. Eu não tinha cabeça para pensar em qualquer pessoa naquele momento, ainda mais porque tudo parecia muito recente, apesar de ter terminado com Mike há um mês... Então Alex e eu concordamos em sermos amigos.

Era estranho falar “amigos”, só que parece melhor do que dizer para a minha família, e para a mãe de Alexander, que éramos amigos que se pegavam.

— “Amigos”, sei – Minha mãe soltou com desdém.

— Mãe... – Mary-Jean pediu, envergonhada.

— Estou mandando a real, filha. Não tem como um garoto e uma garota serem amigos – Ela disse. – Não sem ter interesse de qualquer um dos lados...

— Sério, Louise, você precisa falar assim na frente das nossas filhas? – Meu pai pediu, parecendo desconfortável.

Não tenho como defender isso porque tecnicamente havia um interesse entre eu e Alexander, mas não estou pronta para admitir isso para os meus pais. Mas eu consigo pensar em alguns garotos dos quais eu já me aproximei sem ter interesse nenhum, como John por exemplo... ah, não, espera, nós já ficamos.

Bem, deve haver algum...

— Como foi... que vocês perceberam que estavam se gostando mais do que como amigos? – A mãe dele perguntou de repente, parecendo curiosa.

Eu fico com vergonha também. Não sei como vou pôr em palavras tudo o que eu acho de Alex, o quanto eu acho ele uma pessoa incrível de várias maneiras possíveis.

— Quando eu conheci Alexander, todo mundo me alertou que ele era o tipo de pessoa que você não conhece de verdade – eu lhe confessei. – Mas eu acho que foi isso o que me deixou tão interessada... mesmo que quase tenha me feito perder a cabeça.

Ela riu.

— Quando eu o conheci ele era uma boa companhia – eu lhe confessei. – Mas então, ele se mostrou ser um bom amigo... e quando achei que não tinha mais com o me surpreender, ele me mostrou ser uma ótima pessoa... se ignoramos que ele tem um sério problema em expressar o que ele está sentindo. Ou ele expressa muito, ou ele expressa pouco. Mas eu gosto da sinceridade dele. Ele sempre é sincero.

A mãe dele está sorrindo, como se estivesse muito feliz por ouvir o que eu disse. Parece estranho que uma mãe queira saber o que estranhos acham de seu filho. Mas não posso falar nada porque Mary-Jean parece está muito intrigada com essa história toda, enquanto minha mãe parece desconfiar. Meu pai apenas enxuga algumas lágrimas no canto dos olhos e diz:

— Meu deus, eu criei uma filha tão boa com as palavras. Ela me faz chorar.

Isso fez todo mundo rir.

— Eu não poderia ter descrito meu irmão de uma maneira melhor – Alexis disse.

E foi então que Kurt saltou do colo da mãe de Alexander e foi até a porta, segundos antes de ouvirmos o barulho de chaves e ela se abrir. Meu namorado apareceu como sempre vestindo preto: calça jeans preta, e aquela camiseta preta que caía perfeitamente em seu corpo, e seu gato incomumente se esfregou em suas pernas para dar as boas-vindas. Nunca, em toda a minha vida, eu vi Kurt ter essa reação então só posso deduzir que ele estava emocionado também.

— Bell, você deu comida para o gato? – Ele perguntou, estranhando a reação de Kurt, antes de erguer o olhar e perceber que havia cinco pessoas na sua sala de estar. – Ah... Hum.... Não vi que tínhamos visitas.

Apesar de seu rosto sério, ele parece incrivelmente sem graça de repente.

Provavelmente porque há três estranhos no seu sofá, encarando-o como se ele fosse o Conde Drácula que seduziu sua filha para transformá-la em sua noiva imortal. O que, apesar de parecer muito romântico, não é o melhor olhar para se lançar a alguém.

Notas finais
PREVIEW: — Oi, Professora Mahogany? — Parabéns, Isabelle! – Ela diz. – Nós conseguimos! Eu fico em choque. Meu corpo todo congela e eu não consigo dizer nada. Meu cérebro apenas se enche de perguntas como: conseguimos? Conseguimos o quê? Bem, só há uma coisa que eu possa ter conseguido com ela, mas não pode ser... não deve ser... é? —------------------------------------ I never really knew that she could dance like this She makes a man wants to speak Spanish Como se llama,si, bonita,si, mi casa, su casa Shakira, Shakira