Good Gone Girl

31 Capítulo 31 – Desapontada, mas não surpresa.


Notas iniciais
Oláa. Como vocês estão? Tudo bem com vocês? Espero que sim ^^ Obrigada a quem comentou: > Prin > Carina > Pamy Araujo > Amadora > Olhos Castanhos > Uma Leitora Qualquer > sandrinha > Flor Eaton > Danny > Matry-chan > Juliana S 22 > KK > Katherine Hyuuga > nonpapergangsta > Liv > Bea Obrigada ^^ E seja bem-vinda a quem é nova aqui ^^ Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 31 – Desapontada, mas não surpresa.

Para a minha decepção, Alexander não sobe comigo para o apartamento.

Ele tinha que ir para o bar do tio, ajudar ele, então, essa é a história de como eu, Isabelle passo o resto da noite decepcionada com a trepada que não tive. Mas tudo bem, a vida é assim, segue o baile. Ao invés de me focar em Alexander ou de encher minha cabeça com o “o jogo da colheita”, decido cuidar de algo importante que eu passei um bom tempo deixando de lado: meus contos, minhas leituras, minhas matérias.

Quando eu vou dormir, por volta das onze horas, ainda não tive sinal de Alexander e isso me preocupa um pouco. Tento me acalmar dizendo a mim mesma que bares fecham tarde, e me perguntando se eu deveria esperar ele chegar (para dormir com ele) ..., mas o sono venceu e eu fui dormir frustrada, para não dizer abandonada.

Eu sonho que acordo no meio da noite, com os braços de Alexander ao redor de mim e com ele murmurando uma frase perto do meu ouvido. Uma frase que provavelmente só seria dita em sonho mesmo:

— Você não sabe o quanto eu te amo.

Esse sonho foi constrangedor.

Porque eu fiquei feliz em ouvir isso... no sonho.

.

Quando eu acordei, por volta das nove horas, para a minha decepção, não havia sinal de Alexander no quarto. A única prova de que ele estivera lá, foi uma pilha de roupas que “magicamente” apareceu sobre a cadeira da escrivaninha dele e um post-it colado na cabeceira da cama que dizia: “Fui para o abrigo. Volto 12h”.

Para dizer que ele não foi seco, havia um coração rabiscado no canto.

Um coração pequeno e tímido, mas um coração.

Soltei um suspiro e olhei para Kurt, que me olhava de volta do seu lugar preferido no armário de Alexander. Perguntei-me se, como gato, ele era capaz de entender minha expressão de completa incredulidade.

— Como você lida com isso? Não se sente abandonado? Nem um pouquinho? – Eu perguntei. Então resmunguei: — Quando ele disse que mal ficava em casa, achei que fosse mentira. Ou que ele queria dizer que passava muito tempo no campus...

O gato soltou um miado e se deitou. Como se não se importasse com nada.

Sinceramente, eu estava um pouco decepcionada... ou muito.

Minha temporada aqui não começou como eu havia imaginado.

É com indignação que eu consigo me levantar da cama, tomar um banho e fazer uma torrada de café-da-manhã. Sei que estou sendo dramática, mas em algum momento, chego a me questionar se ele me chamou para cá pensando na mesma coisa que eu (sexo *cof cof* de preferência muito sexo *cof cof*) ou se foi realmente porque ficava melhor de eu visitar Lauren no hospital.

E pensar nisso faz com que minha autoestima vá para a casa do caralho.

“Calma, Belle, você só passou uma noite aí” eu digo a mim mesma.

Mas meu diabinho responde:

“Foda-se uma noite. Foi uma noite perdida! CADE ESSE PUTO?!?!”

Meu telefone tocou.

— Alô? – Eu atendi, sem interesse, brincando com a torrada.

Bell?

É aquele ditado: “não pensa no diabo que ele aparece”.

— Ora, ora, ora – eu soltei. – A que devo a honra da sua ligação?

Alexander fica em silêncio por um momento e então pergunta:

— Que tom de voz é esse?

— Não sei. Ele está estranho para você? – Eu retruquei.

“Como ele vai reconhecer meu tom de voz se não passou a noite comigo?” Eu penso sarcasticamente, bufando em seguida.

Ele ficou em silencio novamente. Então ele disse:

— Posso te pedir um favor?

Eu devia retrucar alguma coisa. Dizer algo de um jeito inteligente e sarcástico. Algo que começasse com “vai pedir favor para... (insira aqui qualquer outra coisa que tenha recebido mais atenção que você) ”, porém, havia algo no tom de voz dele que me desarma... Quando vejo, estou respondendo:

— Claro que pode. Você sabe que pode. O que foi, meu anjo?

Ele hesita antes de perguntar:

— Você ainda está no apartamento?

No apartamento que você me abandonou? Estou sim” quis responder “a propósito, muita gentileza me dar o seu apartamento de tão boa vontade”. Mas eu sei que seria muito dramático. Estou só a uma noite aqui, não é grande coisa.

— Hum... estou – é tudo o que eu respondo.

— Ótimo – ele suspira. – Você pode pegar um remédio ali no armário da cozinha? Um com o vidro laranja com o nome do Kurt. – Eu estendo o braço e peguei o remédio. Era o único no armário da cozinha, dei uma conferida para ver se o nome do gato estava nele. – Quando você estiver voltando do hospital, pode me entregar aqui na clínica?

Meu coração quase parou por um momento.

Quase derrubei o frasco no chão.

— P- passar aí? – Eu gaguejei.

Não sei porque o pedido me deixou nervosa.

Talvez porque, sempre que Alexander falava do abrigo ou sobre o fato dele estudar Veterinária, era sempre de maneira tão superficial que eu nunca me sentia “bem-vinda” sobre esse assunto. Ontem eu perguntei: “como foi lá?”, e ele falou: “ah, o de sempre”. E então quando a gente se conheceu, eu falei algo tipo: “legal você cuidar de bichinhos”, e ele falou como se não fosse grande coisa...

É — ele respondeu, já que a idiota aqui ficou em silêncio.

— Claro! – Minha resposta é quase um grito. E isso me constrange um pouco. – É claro. Eu levo sim. Pode deixar. Passo aí perto das onze horas.

Tudo bem. Obrigado. Até logo— ele responde.

Respondo um até logo e então desligo.

Por algum motivo, me sinto menos irritada por ter sido abandonada. Na verdade, é mais sincero admitir que ouvir a voz dele me deu um novo ânimo. Ele, afinal, não havia se esquecido de mim e isso me deixou feliz. Ele podia ter pedido só um favor, mas era o suficiente para eu ficar de bom humor.

.

— NEM FUDENDO QUE VOCÊ VAI PARTICIPAR DE UMA IMBECILIDADE DESSAS, ISABELLE. ME OUVIU? NEM. FUDENDO.

Eu me encolhi diante de Lauren.

Apesar de estar com duas ou três costelas fraturadas, os pulmões de Lauren funcionavam perfeitamente, aparentemente. Mesmo que depois de gritar ela tenha gemido de dor, o que faz com que eu me sinta um pouco culpada por estar perturbando minha amiga hospitalizada.

Quase tive certeza de que, se ela não estivesse tão engessada e cheia de tubos, ela teria pulado em cima de mim e me sacudido pelos ombros.

— M- mas..., m- mas... – eu comecei.

— Mas nada! – Ela disse, lembrando-me muito à uma mãe. – Onde já se viu... “ah, você devia se reaproximar de Mike para descobrir mais”. Pelo amor de deus, Bell! Você sabe, tão bem como eu que: um, Mike não é burro; dois, ele não é do tipo que “conversa”. Ele é do tipo que te agride verbalmente até perder a paciência e partir para cima.

Eu me encolhi na cadeira ao lado do seu leito.

Eu sabia que ela tinha razão.

— Você não devia dar ouvidos ao Robb. Eu não ouvia – ela murmurou , revirando os olhos. – Ele tem umas ideias que eu vou te contar...

Eu mordi o lábio inferior e pensei naquilo.

Eu sabia que ela tinha razão. Ela estava sendo racional, mas..., mas...

— Mas isso tem que parar – eu murmurei.

Lauren soltou um suspiro.

— Eu não disse que não tinha – ela retrucou. – É só... você sabe. Mike não é flor que se cheire, Bell. Eu não acho que você deva falar com ele, sequer olhar na cara dele. Se possível, se o vir na rua, atravesse para o outro lado... Ele é perigoso.

Nós duas ficamos em silêncio.

Como se estivéssemos no meio de um impasse.

Era estranho ouvir as pessoas falando que meu ex-namorado era perigoso. Quer dizer, eu nunca o havia visto desta forma até esses últimos tempos. Ele nunca havia sido perigoso para mim antes.... Até aquele dia no meio do seu treino, e no meu alojamento.... De repente, parecia que eu estava falando de outra pessoa...

.... Parecia que todas as memórias que eu tinha de nós dois juntos, haviam sido implantadas.

— Eu me pergunto como eu nunca notei – eu lhe confesso. Lauren arqueou uma sobrancelha, como se não entendesse a mudança de assunto, e eu lhe expliquei: — Como eu nunca notei quem ele realmente era? Em que tipo de magia eu estava... que era incapaz de perceber os jogos dele? Será que eu era tão cega?

Às vezes eu penso como as coisas teriam sido sem Mike.

Eu provavelmente, em algum momento, poderia ter ido ao Happy Hour da minha turma, e então teria me aproximado deles. Sentindo como se eu fizesse parte dela. Eu provavelmente também teria continuado saindo com Lauren, conhecendo lugares, visitado lugares... visto coisas, conhecido pessoas.

Quando penso nisso... no como ele não deixava eu me aproximar das pessoas da minha turma, sair com amigos, conhecer pessoas, lugares... parecia que ele não me deixava viver. Era como se eu tivesse um mar aberto à minha frente, mas ter uma corrente me prendendo à praia.

De algum modo, porém, penso que se toda aquela confusão não tivesse acontecido... eu não teria me aproximado de Ellie, nem conhecido Sasha... ou Alexander.

— Você se lembra daquela vez que a gente discutiu porque eu queria Pizza com tomate seco e rúcula e você queria Marguerita? – Lauren perguntou de repente, tirando-me de meus pensamentos. – No fim você pediu a de Tomate seco e rúcula... porque é isso o que você faz Bell. Você acha que a vontade dos outros sempre está acima da sua. Você acha que é mais fácil ceder do que brigar.

Pergunto-me o que isso tem a ver com a minha pergunta, quando ela responde:

— O Mike atuava e você, para não deixar a máscara dele cair, oferecia o palco, o cenário, os holofotes... a plateia. Porque você preferia que a máscara dele continuasse lá... a não ter peça.

Ela tinha razão e perceber isso me dá um pouco de vergonha.

Vergonha de mim mesma... por eu me contentar com tão pouco.

Por eu me contentar com uma mentira.

— Mas você mudou – Ela completou, com um meio sorriso. – Você mudou. E vai além das suas roupas, que por sinal estão de matar, ou da maquiagem... Percebi no terraço do prédio. Assim que eu te vi lá, houve um momento em que eu pensei: “Não. Não pode ser a Bell. Ela sequer abriria a mensagem que eu mandei”.

Dei um meio sorriso e me aproximei.

Surprise, motherfucker, eu abri – retruquei.

Ela riu e então gemeu, fazendo-me esboçar uma careta.

— Algum momento, enquanto ficava com Mike... você chegou a desconfiar que ele era capaz de tudo isso? – Eu perguntei para ela, com curiosidade. – Tipo, houve algum momento em que você vislumbrasse quem ele era de verdade?

Lauren fez uma expressão pensativa.

— Houve uma vez – ela confessou. – Uma vez que a gente estava na casa da piscina da fraternidade dele e ele perdeu a cabeça porque-...

Ela se interrompeu de repente.

Como se houvesse sido acometida por uma memória reveladora.

Eu espero pacientemente que ela complete o pensamento.

— Bell, acho que você não precisa olhar na cara de Mike de novo – ela me disse. Como se tivesse tido uma ideia brilhante. – E se tudo der certo, ele nem vai saber o que aconteceu.

Eu franzi o cenho.

— Houve uma vez... em que eu estava esperando Mike na casa da piscina porque ele havia ido pegar bebida – ela contou. Então ficou vermelha ao admitir: — Algumas vezes, nós marcávamos de ficar lá... quando sabíamos que você estava no dormitório.

Uma parte de mim quer muito que Lauren termine de contar sua epifania para que então eu possa matá-la por sua cara-de-pau. Outra parte, tenta ser superior e diz: “já passou”, “não importa mais”, “Mike, se foque em destruir Mike”.

— Você estava esperando Mike... – eu digo entredentes.

Um pedido para que ela continuasse.

— Então... eu estava esperando ele e fiquei mexendo em algumas coisas por lá e tal. Bisbilhotando. A maioria das coisas eram velhas ou acessórios de festas... mas então eu me sentei num sofá que tinha lá. Um sofá velho. E senti algo me espetando nas costas. Como se houvesse alguma coisa dura por dentro do revestimento, sabe? Havia um caderno dentro do sofá. Está me ouvindo? Um caderno.

Eu franzi o cenho.

— Mike ficou muito puto quando me viu com o caderno na mão. Muito puto mesmo – ela disse. – Ele voou para cima de mim e o arrancou de mim, me xingando de tudo quanto era nome. Ele perguntou se eu tinha lido, onde eu tinha mexido, por que eu estava bisbilhotando... foi um pesadelo. Ele ficou muito alterado, parecia que eu havia pegado o caderno com todos os segredos do mundo.

Ela franze o cenho, como se tentasse se lembrar melhor da cena.

— Quando eu respondi, ele ficou mais calmo, mas dava para ver que ainda estava nervoso. Perguntei o que era o caderno e ele disse que não era da minha conta. Depois que eu insisti muito, ele disse que eram contabilidade da fraternidade. Então não tocamos mais no assunto.... Depois disso ele nunca mais me levou lá.

Eu abaixei o olhar para minhas mãos em meu colo.

— Isso quer dizer...

— Na maior parte do tempo a casa da piscina fica trancada – Lauren disse. – Mas tem uma janela que é quebrada e dá para você passar sem problemas. E tem horários em que não há ninguém na casa. Você poderia entrar e sair sem nem ser vista... Você não precisaria falar com Mike. Ele não precisa nem saber que você esteve lá.

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Não sei se acho a ideia de Lauren mais segura do que a de Robert, porém, eu passei o caminho todo fazendo meus cálculos: eu sabia que a casa da piscina era pouco utilizada (eles costumavam usá-la mais como um depósito); ela ficava três andares abaixo do quarto de Mike; no fundo do terreno onde se encontrava a república; na maior parte do tempo, era um lugar completamente esquecido.

Como Lauren havia dito: se tudo desse certo, era provável que eu conseguisse entrar e sair sem que Mike (ou qualquer outra pessoa) percebesse.