Good Gone Girl

42 Capítulo 42 – A Primeira Vez Que Te Vi.


Notas iniciais
O aniversário é meu, mas quem ganha presente são vocês ^^ Espero que gostem ^ ^ Agradeço aos comentários: — AccioPandas — nonpapergangsta — beea — sandrinha — Carina — Juliana S 22 — uma leitora qualquer — Juuh Beuchamp Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 42 – A Primeira Vez Que Te Vi.

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Minhas aulas passam muito rápido.

Não sei se é minha ansiedade ou apenas minha capacidade de prestar muita atenção (em qualquer coisa) desde que isso tirasse aquele bilhete da minha cabeça. No entanto, as aulas acabaram e logo me vi transformada em um poço de ansiedade e agitação, do tipo que você sente que vai ter uma parada cardíaca a qualquer momento e parecia muito errado eu me sentir assim.

Era só Alexander, afinal.

Uma garota como eu, que havia passado meses tão empenhada em me transformar em uma “Bell malvada”, “Bell ousada” e tudo o mais, não deveria se ver reduzida a tanto nervosismo por conta de um único cara. Era como jogar todo o trabalho no lixo. É quando, no meio do caminho, tiro um tempo para mim mesma e paro, fechando os olhos e respirando fundo. Preciso ficar calma.

Você já viu ele, eu disse a mim mesma, mais cedo naquele mesmo dia; você já transou com ele, já passou um tempo no apartamento dele, ele já cuidou de você, já chorou no ombro dele, já pediu conselho... Não precisa ficar assim. Fica na sua, Bell.

Enxuguei as mãos suadas na calça jeans.

Parecia muito difícil eu ficar na minha. Como se meu corpo não tivesse a mesma lógica do meu cérebro. Pergunto-me como minhas amigas conseguiam... De repente, me pergunto se elas conseguiam de fato. E então vejo minha mente ser inundada com questionamento simples: e se garotas fortes, como Sasha, eram assim mesmo ou se elas apenas fingiam ser assim.

Esse pensamento explode minha mente.

Quer dizer, quem pode me garantir que, quando Sasha ia sair com um dos caras que ela achava interessante, ela não ficava nervosa daquele jeito? Talvez tudo tivesse mais a ver com a velocidade de reação dela à essas situações... do que a capacidade de bloquear se sentir daquele jeito.

Talvez fosse uma questão de “seguir com a vida”.

Pensar nisso faz com que eu tenha um momento de revelação. Porque se tudo fosse uma questão de “seguir com a vida”... acho que poderia considerar que obtive um bom resultado. Afinal... eu havia seguido com a minha vida, certo?

Apesar de Mike. Apesar da babaquice do ruivo...

Eu não havia parado.

Tudo bem que eu ainda tinha muito o que aprender (como parar de servir de capacho para os outros) mas eu sentia como se estivesse no caminho certo.

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Não é difícil encontrar Alexander no campo de futebol.

Ele é como um ponto de referência: cabelos ruivos bagunçados, completamente tatuado como se seu corpo fosse uma obra de arte que levara anos e ainda inacabada, usando preto. Ele estava sentado confortavelmente na arquibancada, numa posição que eu chamaria de muito sexy. Eu poderia ter ficado parada no meio do caminho, olhando para ele, afinal, era como observar uma escultura perfeita. No entanto, ele já havia me notado e provavelmente acharia um gesto muito maluco.

Então eu me aproximo, tentando manter a calma e os passos no mesmo ritmo. Apesar de eu sentir como se houvesse desaprendido a andar. Consigo chegar até a base da arquibancada sem tropeçar. Uma pequena vitória que eu não deixaria ele saber.

— Bilhetes é um modo muito arriscado de comunicação – eu comentei.

Ele arqueou uma sobrancelha, interessado.

— Você disse para eu te encontrar aqui, mas como você iria saber que eu apareceria? – Eu expliquei. – E se eu não houvesse encontrado o bilhete?

Ele deu aquele meio sorriso misterioso.

— Você passou um tempo no meu apartamento, já percebi que você é maluca por arrumação. Uma hora você iria achar... e então viria para cá. E eu estaria esperando.

Tento não demonstrar o quão sem graça fiquei com essa afirmação.

— E se eu houvesse decidido não vir? – Questionei, dando de ombros.

Ele pensou nisso, como se não houvesse cogitado.

— Você viria – ele respondeu, com tanta certeza que me deixou constrangida. – Nem que fosse porque você se sentiria mal, ou porque o seu código de dama te impeça de faltar a um compromisso, mesmo que você não o tenha aceitado.

— Meu código de otária, você quer dizer? – Eu disse, rindo.

Como ele não faz sinal de se levantar, eu subo os três degraus até ele e me sento do seu lado. Meu coração está batendo muito forte no meu peito, mais vivo do que nunca. É muito difícil pensar em alguma coisa inteligente para dizer quando você só escuta seu sangue pulsando em seus ouvidos, enquanto observa o campo de futebol vazio e à meia luz do entardecer.

Como ele me chamou, espero que ele consiga dizer alguma coisa, mas o silêncio que fica (lembrando-me de quando começamos a conversar) me deixa um pouco sem graça. Lembro-me que ele nunca foi muito bom em conversar também.

— Você sabe por que eu te chamei aqui? – Ele pergunta enfim.

Eu olhei para o campo vazio.

Nós havíamos estado ali naquela tarde. Antes disso, a última vez que eu havia pisado naquele lugar, havia sido quando Michael torceu o meu pulso e então eu passara evitar qualquer área relacionada a esportes do campus. E antes disso, eu só pisava naquela arquibancada e naquele campus quando Mike tinha os jogos que ele me forçava a assistir.

Tento pensar em algo que Alexander teria em comum com um campo de futebol, no entanto me sinto muito culpada e muito desatenta por não conseguir ligar nada. Será que ele já havia me dito algo? Porque ele não parecia ter nada a ver com aquele lugar.

— Tudo bem se você não souber. Essa pergunta foi injusta – ele diz, quando eu demoro muito a responder. Parece divertido com a minha frustração de não saber o motivo. – Aqui foi onde eu te vi pela primeira vez.

Então ele olha para mim.

Por mais constrangida que eu esteja, não consigo desviar o olhar, porque estou surpresa. Não fazia sentido.

— N- não, não foi – eu protestei, no entanto, ele aperta os lábios. – Nos vimos pela primeira vez... no bar... do seu tio... não?

Eu vou parando de falar, porque sua expressão é muito travessa. Como quem sabe de algo que eu não sei e isso me deixa curiosa e confusa. Seus lábios apertados mostram um meio sorriso enquanto ele nega com a cabeça lentamente, olhando nos meus olhos.

Nos conhecemos lá – ele diz. – Mas eu já tinha te visto aqui.

Franzi o cenho.

— A primeira vez que eu te vi, foi num jogo de Mike – ele contou, enfim. – Em geral, eu não sou fã de ver caras sarados correndo atrás de uma bola, mas Sasha e Ellie são e me arrastaram para isso.... Você estava com aquela sua amiga, Lauren, mas o que me chamou atenção era que você estava lendo um livro durante o jogo todo.

Eu poderia dizer: “ah, acho que sei quando foi isso” mas a verdade era que todo jogo eu ficava lendo livro, apesar de odiar a gritaria e gente derrubando pipoca e refrigerante em mim a cada gol. Então, acho que suas informações são muito vagas.

— Que livro? – Eu perguntei.

— “Um Tom Mais Escuro de Magia” – ele respondeu, sem pestanejar. – É um bom livro, por sinal. Lila é a melhor personagem do livro todo.

Eu olho para ele, assustada.

— Você leu?!

Alexander deu de ombros, como se, de repente, percebesse o quanto aquilo poderia aparecer assustador para qualquer pessoa. No entanto, era uma daquelas situações que são mais fofas do que assustadoras em si.

— Eu fiquei curioso... você tem ideia do quanto é bonita? – Ele insistiu, como se quisesse se justificar. – Eu até perguntei sobre você para Ellie e Sasha... Sasha me disse que não te conhecia, mas Ellie me contou que você namorava o Mike.

E por algum motivo, de repente eu me sinto muito envergonhada. Meu coração batia tão forte que parecia vibrar por todo o meu corpo, porém, era como se isso fosse um sinal de felicidade. No meio de tanta gente, Alex olhou para mim e me achou bonita. Ele me notou. Então penso que Ellie e Sasha sabiam da atração dele por mim.

De repente, me pergunto se nossa ida para o Pub havia sido um pretexto para que eu o conhecesse? Elas me abandonando com ele uma tentativa de... nos aproximar?

De repente eu fico muito sem graça. Vou matar aquelas duas!

— Nós nos esbarramos algumas vezes, mas você nunca me notou... não que eu me ressinta. Você não parecia notar ninguém— ele continuou. – Uma vez Ellie e Sasha vieram para casa, bêbadas, e elas quiseram me provocar falando sobre você... e então falaram que eu deveria tentar... me aproximar porque elas estavam nem aí para aquele “escroto que sai por aí fazendo rodízio de garotas pelas costas dela”.

— Palavras de Sasha? – Eu perguntei.

— Todas as letras – ele respondeu, como se achasse engraçado.

Mas eu me senti muito envergonhada de repente, e cobri meu rosto com as mãos.

— Essa não é a pior parte – ele me avisou.

Ergui o olhar para ele e franzi o cenho.

— Tem uma pior parte? – Eu perguntei, encolhendo-me.

Ele hesita, seu olhar se distancia por um minuto como se ele não soubesse se devia me contar. Mas eu queria ouvir agora. Nada me interessaria mais, eu acho, do que ouvir o que ele tinha para dizer, já que ele estava tão disposto a isso. Então ele respira fundo e abaixa o olhar, dizendo:

— A parte em que minha irmã ouve essa conversa... descobre sobre você, sobre sua amiga... e que seu namorado te traía com ela.

Eu olho para ele, atônita.

É impossível que aquilo fosse verdade porque, afinal, Alexis nunca havia me visto na vida dela. Ela parecera muito surpresa quando me viu no apartamento dele... espera, será que ela ficou surpresa porque me viu ou porque me viu no apartamento dele? Pensando bem, o que foi que ela disse quando me viu?

“Você é a namorada do Alex? ”.

“Hum, não...”

“ E o que está esperando para ser? ”.

Puta merda. Ela tinha quer ser muito cara-de-pau, para conseguir falar comigo normalmente como se nunca houvesse me visto na vida...

— Meu deus – eu gemi, escondendo meu rosto com as mãos. – Até sua irmã sabe?!

Alex se encolheu como se esperasse um soco, então terminou:

— Minha irmã... foi quem... mandou a mensagem falsa... sobre Lauren e Mike.

Eu olhei para ele atônita.

A mensagem de “Seu namorado está te procurando no seu quarto. De nada” havia sido enviada por... Alexis? Alexis, que não havia nem terminado o ensino médio? Aquela Alexis? Eu olho para Alexander com um misto de choque e estupefação. Posso ver que ele está esperando uma reação minha, no entanto, eu estou não sei o que fazer.

— S- sua irmã? – Eu digo, sem conseguir assimilar.

Ele assentiu com a cabeça, lentamente.

— Como assim?! – Minha pergunta é um grito.

Alexander deu de ombros.

— Nem eu sei muito bem – ele confessou. – Ela jogou na internet... viu fotos, viu facebooks... deu uma de hacker e ela me chegou dizendo que seu namorado te traía com a sua amiga. Ela me mostrou uma foto, de uma festa, em que um amigo dele foi marcado, e viu os dois juntos lá no fundo... aí ela perguntou quando eu ia te falar.

Estou surpresa com a audácia dessa filha da puta.

— Mas você não me falou... – eu observei.

Ele deu de ombros.

— Não parecia ser... da minha conta – ele responde. – Também, parece desonesto. Destruir o relacionamento de alguém só ficar com a pessoa. Não sou assim.

Nossos olhares se cruzam e por um instante não consigo desviar o olhar. Parecia ser muita coisa, de repente, muita informação. Eu não fui ali com a intensão de ouvir uma história que eu nem esperava..., porém, de repente, muita coisa fazia sentido, principalmente o modo como Sasha e Ellie pareciam me empurrar para ele sempre. Mas então não fazia sentido elas terem me dito, o tempo todo, para não gostar muito dele.

Ele não é do tipo de cara que é fácil você conhecer” elas diziam.

De repente eu me sinto mal e abaixo o olhar.

Como se eu voltasse a me dar conta da situação: quando aquilo começou, não era para ser desse jeito. Não era para eu gostar tanto dele. Eu havia traído a mim mesma, a ele e a todo mundo, eu acho. Em todo meu plano, foi algo que deu muito errado. Como um trem fora do trilho, indo para um caminho errado.

— Onde você quer chegar com isso? – Eu pergunto. – Sabe... isso não era o que eu esperava ouvir quando sentássemos para conversar. Confesso que não podia nem imaginar tudo isso e olha que eu tenho uma imaginação bem fértil... não que eu não tenha gostado de ouvir. Eu gostei. Fiquei feliz... e envergonhada, mas feliz, de certa forma... Só... Só não entendo...

Ele soltou um suspiro, então coçou a nuca, e disse:

— Sério, que você ainda não entendeu?

Eu franzi o cenho, me sentindo muito burra.

— Tudo bem. Você não me dá mais escolhas.... Feche os olhos – Ele diz, virando-se para o outro lado.

Seu tom de voz me deixa curiosa e sinto uma vontade irresistível de olhar por sobre o seu ombro..., mas eu não consigo então sou obediente e fecho os olhos. Eu fico tensa, apesar de confiar nele. Esperar é o mais agoniante de toda aquela situação. Então, de repente, eu sinto ele pegar minhas mãos e colocar uma caixa nelas.

É uma caixa de madeira, muito leve.

Quando abro os olhos, vejo que ela é vermelha e pequena, decorada com um círculo branco preenchido com uma cruz vermelha no centro, abaixo de uma placa com os dizeres: “doação de órgão”. Olhei para ele perguntando-me que palhaçada era aquela e se ele teria colocado um cérebro ali dentro para demonstrar toda a minha burrice.

Ele ri, porém, e diz:

— Abre. Vai.

Estreitei meus olhos para ele e abri, desconfiada.

O que vejo lá dentro, porém, não é um cérebro: é um coração.

Não um coração de verdade. Um estojo de joia em formato de coração, com um pequeno bilhete amarelo onde posso ler com a letra dele: é seu.

Analiso a situação: Alexander me conta sobre a primeira vez que ele me viu, e conta que ficou muito interessado em mim... então ele me dá aquilo. Um pequeno estojo em formato de coração que ele diz que é meu... dentro de uma caixa de “doação de órgão”... será que aquilo... aquilo significava que... ele gostava de mim.

— Como você não vai dizer nada, eu acho – ele diz, de repente, como se parecesse muito ansioso com a minha demora para assimilar tudo. – Vou dizer mais algumas coisas. Pensei que você não iria entender mesmo que eu deixasse tudo muito claro... então achei que desenhando você entenderia melhor: sabe esse coração aí? É, ele é meu. Quer dizer, era meu. Não vou dizer que você o roubou, porque isso é cliché e está longe de ser a verdade... eu o dei para você. Desde o instante em que eu te vi... e caso ainda não esteja claro o suficiente para você, sim, eu gosto de você... Não, não só gosto... Eu amo você. Eu poderia dizer que você me deixa louco, louco de verdade, com todas as...

Eu o puxei pelo pescoço e o beijei.

Ele se cala instantaneamente e me beija de volta, o que era bom porque algo me dizia que ele não calaria a boca se eu não o tivesse feito. Seus lábios são como eu me lembrava que eram, exceto que pareciam incontroláveis. Assim que ele retribui meu beijo, parece que ele toma conta de tudo, suas mãos vão para a minha cintura e me puxam contra ele, como se ele quisesse sentir cada parte do meu corpo.

Quando sinto sua língua macia encostar-se à minha, numa dança sensual, sinto todo meu corpo se arrepiar. Um calor se espalha pelo meu sistema nervoso e quando vejo estou querendo montar nele, esquecendo-me completamente onde estávamos.

Ele se afasta antes que o indecente aconteça, mas a vontade ainda está lá.

Consigo senti-la só por sentir seu hálito quente em meu rosto.

— Me desculpa por eu ter sido babaca, aquela noite – ele solta, de repente, como se fosse algo que estivesse o corroendo. – Sei que eu já pedi desculpas por isso..., mas sempre que eu penso em como te afastei de mim, sinto raiva de mim mesmo.... Quando eu penso que fiz você acreditar que não era nada para mim... fico desapontado comigo.

— Alex, passou. Você estava bêbado... – eu comecei.

— Não... eu não vou aceitar essa desculpa. Eu sei que grande parte foi culpa da bebida..., mas a verdade. é que eram coisas que eu queria dizer, mas não daquela forma. Daquela forma foi cruel e isso te afastou de mim, te magoou... me desculpa.

Eu franzi o cenho e procurei o seu olhar.

— Você... queria dizer? – Perguntei confusa.

Ele concordou com a cabeça.

— Mas... de outra forma – ele ressaltou, erguendo o olhar para mim. – Se eu tivesse chegado sóbrio... eu provavelmente te diria o quanto estava sendo difícil para mim toda essa situação. Como eu achei que aguentaria isso..., mas que ela estava apenas se tornando sufocante a cada momento que passava. Como um laço no pescoço... E o como eu não estava mais aguentando continuar assim.

Eu franzi o cenho.

— Espera... – Eu pedi. – Assim? Com você gostando de mim?

Ele fez uma careta.

— Eu sendo louco por você. Só por você – ele respondeu. – Eu te amando, Bell.

De repente, me dou conta de tudo o que estava acontecendo.

Ele queria dizer que sempre havia sido... apaixonado por mim?! Desde que isso aconteceu? Desde que ele me viu ali, em um jogo de Mike?! É isso?! Esse pensamento me deixa em choque por algum tempo. Só parece muito para assimilar. Enquanto penso sobre isso, ele continua:

— Eu queria dizer para você..., mas você sempre... me deixava confuso. Quando eu pensei que você poderia estar gostando de mim também... você pediu aquele tempo. Então eu esperei... – Ele faz uma pausa, como se evitasse falar sobre John, mas percebo isso nos seus olhos. – Então quando voltamos eu disse a mim mesmo que ia deixar você entrar. Que eu ia... fazer você se apaixonar por mim... então teve toda aquela história do jantar do meu tio, e eu te vi com ele.... Fiquei confuso de novo.

Ele se afasta, como se fosse algo que o constrangesse.

— Eu confesso que me faltou coragem. Me faltou determinação – ele murmurou. – Eu só... pensei que você havia dito que não queria se apaixonar. Achei que seria demais esperar que você se sentisse como eu me sentia.... Então eu disse a mim mesmo que eu só tentaria algo a mais se eu sentisse... que você correspondia. Que você queria.

“Talvez você só não saiba o que quer... E isso me machuca porque eu sei o que eu quero... sempre soube” ele havia dito quando estava bêbado. De repente, tudo fazia sentido. E eu me senti a pessoa mais idiota da face da terra.

A raiva dele ao me ver com John, era ciúmes.

Ele, todo esse tempo, estava se sentindo como eu.

Ele se viu preso nesse relacionamento sem compromisso, mas querendo compromisso. Então... isso o machucava aos poucos, como estava me machucando. Como se estivéssemos separados por uma cerca de arame farpado, delimitando limites que não queríamos, mas respeitávamos... porque achávamos que era o que o outro queria.

Para variar, eu havia complicado as coisas para nós dois.

O “então não se apaixone” que eu ouvi... era o “eu não quero me apaixonar” que ele ouviu. Eu me sentia a pessoa mais idiota do mundo.

— Nossa comunicação é uma merda – eu soltei.

Para minha surpresa, ele solta uma risada, que até faz com que eu me sinta um pouco melhor porque eu estava morrendo de vergonha de mim mesma. Com meu coração martelando com tanta força no peito e meus nervos estão gritando de vergonha.

— Então... você quer namorar comigo ou o quê? – Eu perguntei, abaixando o olhar.

De repente, seus braços me envolvem com força e me puxam contra ele, enquanto seus lábios se apossam dos meus em um beijo selvagem, quase eufórico, que causa um arrepio por todo o meu corpo. Uma onda de pura energia e estática percorre por cada parte do meu sistema nervoso, e antes que eu entenda o que estou fazendo, eu o empurro contra o banco e me sento no seu colo.

Quando eu ficava daquele jeito, sentia como se nós nos encaixássemos perfeitamente. O modo como minhas pernas se prendiam ao redor dos seus quadris, o modo como minha cabeça encaixava em seu ombro... E tudo era tão excitante. Eu sinto cada parte de seu corpo contra mim. Sua língua aveludada explorando a minha boca, afoita e insaciável, suas mãos percorrendo o meu corpo, me apertando contra ele, me reivindicando para si. Despertando dor e prazer..., porém, muita dor. Os hematomas doem quando ele me aperta daquele jeito e solto um gemido.

— Desculpa... desculpa – ele pediu, percebendo.

Eu concordei com a cabeça.

— Tudo bem... – murmurei.

Sinto suas mãos em meus cabelos, tirando-os de meu rosto, então ele encosta sua testa na minha, como se quisesse olhar no fundo dos meus olhos.

— Então... sou o seu namorado? – Ele perguntou.

— Depende, esse seu beijo foi uma forma de dizer “sim”? – Eu perguntei.

— Uma forma menos eloquente, mas sim – ele confirmou.

— Então acho que você é meu namorado – eu respondo, sentindo um sorriso idiota aparecer no meu rosto. Então solto um suspiro e digo: – Não sei quanto a você..., mas esse lance de “não vamos dar nome ao que temos” quase me matou de estresse.

Ele confirmou com a cabeça.

— Concordo. Você não sabe o quanto eu estava estressado com isso – ele concordou, beijando-me novamente. – Pega o coração na caixa.

Contra a minha vontade, eu pego a caixa e tiro o coração lá de dentro. Não sei porque não pensei em abri-lo, acho que o significado todo do coração me bugou o suficiente para eu me esquecer que era uma caixa de joias... lá dentro havia um anel simples, metálico. Ouso dizer, no entanto, que não era um anel, e sim uma escultura: seu aro era fino e contínuo, no entanto, no meio, ele se dobrava num design que imitava um batimento cardíaco.

Era lindo, discreto e delicado.

Ergui o olhar para ele, sem palavras, quando o vejo tirando outro anel do seu bolso. O aro dele era mais grosso e pesado, porém, havia aquela fina subtração que imitava a mesma forma do meu... como se o meu anel houvesse sido recortado do dele.

— Alianças?! Sério?! – Eu perguntei, estupefata.

— Alianças de namoro— ele disse com seriedade.

— Você não acha cafona essas coisas? – Eu perguntei.

Ele deu um meio sorriso divertido.

Muito cafona – ele confessou.

— Ótimo, eu também acho – eu concordei.

No entanto, nós rimos e colocamos nossos anéis.

É mundo. Acho que agora era oficial.

— Então.... Tem mais uma coisa – Alexander disse de repente, fazendo sinal para que eu saísse de cima dele (porque, tipo assim, eu estava montada nele na maior indecência!). – Mais uma surpresa.

— Mais?! – Eu perguntei chocada.

Eu já estava mais do que satisfeita.

— Eu falei que sábado eu tinha preparado algo grandioso... estou tentando recompensar com pequenas coisas – ele explicou, pondo-se de pé. – Mas precisamos ir para o meu carro. Para o meu apartamento.

Involuntariamente, dei um sorriso safado. “Que conveniente” pensei.

— Que sorriso é esse? – Ele perguntou.

— Sorriso? Que sorriso? – Eu respondi, ficando séria. – Sei de nada não.

Ele me olhou desconfiado, mas quando estendeu a mão para me tocar, eu fugi dele descendo a arquibancada primeiro. Ele desce e pega a minha mão, então ele me puxa contra ele e me beija, mordiscando meus lábios deliciosamente no fim. Um suspiro involuntário escapou de meus lábios involuntariamente.

— Ei! VOCÊ!

Nos separamos e, de repente, olhamos para onde ouvimos a voz nos chamando.

Então nos deparamos com um grupo de uns dez garotos cruzando o campo de futebol em nossa direção. Eles não pareciam muito felizes e algo me dizia (talvez fosse o cabelo padronizado, ou o porte físico de brutamontes) que eram garotos da fraternidade de Mike. Eu o vi de relance, entre eles.

— Nós vamos matar você, sua piranha! – Um deles gritou.

Alex se meteu na minha frente, como se quisesse me proteger de dez pessoas. Uma atitude fofa, mas um tanto estúpida. Tive uma ideia melhor.

— Espera! – Eu gritei de volta, erguendo uma mão.

Incrivelmente eles hesitaram.

— Se Mike der mais um passo na minha direção eu chamo a polícia e ele vai preso. Tenho uma ordem de restrição judicial e eu não tenho medo de usar! – Eu respondi.

Eles trocaram olhares, como se não soubessem do que eu estava falando, e esse foi o momento em que eu peguei a mão de Alex e o puxei para a gente sair correndo. Confesso que eu não era uma pessoa muito atlética, mas acredite, quando havia uma galera de dez pessoas te ameaçando, você era capaz de tirar energia até de onde não tinha.

O ruivo nem hesita e se põe a correr comigo.

Ele toma a frente e me guia até o seu carro, que por alguma graça divina não estava longe. Penso naquele momento a sorte que era ele ter carro, de ele usar o estacionamento lá de perto e o como nós íamos conseguir sair vivos daquilo.

— Meu deus! Eu estou namorando uma delinquente?! – Ele perguntou quando entramos no carro, enquanto colocava a chave na ignição em um tempo recorde. Ele riu. Riu como se isso fosse muito divertido. Então soltou: — Amei!

Notas finais
Não, não tem preview. Sorry, apreciem esse pequeno sentimento >.>