Good Gone Girl
27 Capítulo 27 – Amo ser Castigada.
Notas iniciais
Capítulo 27 – Amo ser Castigada.
Loop infinito: Lauren pegando na minha mão, eu lhe dizendo que ia ficar tudo bem, sua mão escorregando pela minha, Lauren caindo, gritos... E então tudo de novo.
Acordo com um sobressalto. Com uma vontade de gritar entalada na minha garganta. E então meus olhos se focam em Alexander, cobrindo-me com um cobertor grosso e macio. Sentado na ponta do sofá, cobrindo-me porque eu havia pegado no sono. Gostaria de pensar que isso significasse que ele não estava mais puto comigo, mas achava difícil. Alexander era legal demais para deixar até o seu pior inimigo morrer de frio.
Parecia que ele havia acabado de tomar banho, pelos seus cabelos molhados e o cheiro bom e fresco que exalava deles, e estava com outra roupa, uma regata preta e uma calça de flanela cinza. Suas tatuagens pareciam mais lindas à meia luz, como se emoldurassem a forma de seus bíceps.
— Desculpe, não quis te acordar – ele disse.
“Desculpe, eu não quis partir o seu coração” eu quis dizer.
Mas pareceria prepotência.
Só porque ele pareceu triste por eu ter dormido com outro cara ontem (meu deus, eu devia ser uma puta mesmo) não significava que eu havia partido o coração dele... né? Eu devia, com certeza, ter magoado alguma coisa lá dentro, mas o coração já era forçar a barra demais. Então “Desculpe, eu não quis partir o seu pâncreas”.
— Não acordou – é o que eu consegui responder, ao invés.
Pelo menos não havia sido ele.
Eu sentia que não merecia aquele cara. Que não merecia a gentileza dele comigo e muito menos uma grama de todo o prazer que ele já me deu algum dia. Era óbvio que eu não estava no mesmo nível que ele..., mas eu queria tanto estar...
— Mike me ligou de novo... Lauren acordou e está bem, mas só vão permitir visitas amanhã de manhã – ele diz, ainda debruçado sobre mim. – Apesar dos ossos quebrados, ela vai ficar bem. Já ligaram para a família dela também e eles estão vindo para vê-la.
Levo um instante para perceber o que ele está me dizendo.
Fico encarando-o como se demorasse para a minha ficha cair... e então um suspiro de alívio sai do meu peito. Como se eu estivesse prendendo a respiração desde que Lauren havia caído e de repente sou tomada por uma onda tão forte de felicidade que eu me sento no sofá e o abraço. Enterrando meu rosto no seu pescoço.
Segurei as lágrimas que quiseram escapar dos meus olhos e murmurei um “graças a deus” contra a sua pele. Eu sei, eu não tinha limites, não é? Há algumas horas eu quebrei o pâncreas dele (e eu iria chamar de pâncreas até descobrir o que era), e agora eu estava o abraçando como se ele fosse minha tábua de salvação.
Me surpreendi quando os braços dele me envolveram de volta.
E então eu me senti mal. Ele não deveria me abraçar de volta.
Eu não merecia que ele me abraçasse de volta.
— Obrigada – murmurei constrangida, soltando-o.
Ele dá um daqueles meio-sorrisos sensuais e misteriosos e então acaricia meu rosto com sua mão, enxugando o canto do meu olho com seu polegar. E é assim que eu sinto que ele está me dando uma trégua. Levantando uma bandeira branca. Como se a situação de Lauren fosse um território neutro.
Apesar de não ser um “eu te desculpo” me sinto melhor.
Eu só não queria que... ele ficasse com raiva de mim.
— Vamos para o quarto? – Ele pergunta.
— Acho que não vou conseguir dormir – respondo, lembrando-me do pesadelo.
Pode parecer impressão minha, mas os olhos de Alexander pareceram... quentes.
— Acho que não fui claro o suficiente para você – ele diz parecendo impaciente.
E então, quando eu rezava para as coisas voltarem a serem como antes, ele me beijou. Me beijou como antes. Com intensidade e desejo. Seus lábios moviam-se sobre os meus como mágica e eu senti saudades daquele beijo. Minhas mãos foram para a sua nuca, subindo para os seus cabelos, enquanto seus braços me seguravam com força.
O que eu fiz a seguir deve ter parecido ridículo, mas eu precisava saber. Então subi no seu colo e o abracei, reunindo coragem para perguntar:
— Você me perdoou?
Senti suas mãos nas minhas pernas, subindo e descendo por elas.
— Acho que não tem o que perdoar... – ele murmurou.
Eu sei que ele tem razão. Sei que “amizade colorida” não significava que ele era meu ou que eu era dele. Não significava nada. Mesmo assim... eu queria que ele fosse meu. Talvez eu fosse incapaz de me interessar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Não sei se tinha algo a ver com a minha educação, com o como eu via um relacionamento, só... parecia impossível pensar em mais alguém quando tinha Alexander ali.
Talvez por isso eu não tivesse dado bola para os garotos que deram em cima de mim. Naquele momento, só havia um cara que tinha meu completo interesse.
Admitir isso para mim mesmo era triste.
Por isso, mesmo que eu tivesse consciência daquilo, não consigo deixar de me sentir errada por ter dormido com John. Por ter usado John naquele momento de raiva e frustração. Eu nem pedi desculpas para ele, o que me deixa desconcertada quando percebo. Precisaria pedir mais tarde.
— Não quero que você fique com raiva de mim – admiti, mordendo o lábio inferior.
— Você ficou com raiva de mim – ele me lembra.
— E eu não gostei – confessei.
Então eu o ouço suspirar e suas mãos subirem por minhas costas.
— Não consigo ficar com raiva de você – ele confessou. – Nem quando você me olhou feio ontem e, acredite, eu queria ter sentido raiva de você. Também queria ter sentido raiva quando você me deu aquele fora há duas semanas, depois daquele sexo...
Meu rosto ficou vermelho.
— Sobre isso...
Espalmei minhas mãos no seu abdômen e me afastei para olhar no rosto dele. Meu deus, ele era tão perfeito. Os olhos, os lábios, o queixo... Suas feições eram esculpidas por anjos. E então tinha aquelas tatuagens espalhadas pelo seu corpo, que despontavam pela camisa regata. Incríveis e deliciosas, macias e soberbas.
— Me desculpa por ser covarde – eu soltei. – Me desculpa por fugir.
Ele franziu o cenho e ele ficava bonito quando fazia isso.
— Como assim? – Ele perguntou, suas mãos ainda subindo pelas minhas pernas.
Um arrepio de excitação percorreu minha espinha.
— Eu... pedi um tempo porque fiquei com medo... – confessei abaixando o olhar para as minhas mãos no seu abdômen. – Fiquei com medo... de me importar demais. De me envolver demais... De gostar demais.
Eu fico vermelha. Muito vermelha. É estranho ser tão sincera com alguém que eu nem conheço a tanto tempo assim. Eu sinto tanta vergonha que encosto minha testa no seu ombro de novo. Não quero que ele veja o como meu rosto está vermelho e desconsertado. Também não quero que ele veja o quanto eu me sinto vulnerável naquele momento: expondo os meus sentimentos e usando somente uma blusa.
E então sinto as mãos dele subirem pelas minhas costas e me abraçarem, quase como se me confortassem. Estranho. Ele demora para responder alguma coisa. Não sei se está pensando no que me dizer ou em como me dar um fora. E essa espera faz parecer como se meu coração estivesse preso na garganta.
— E agora? Você ainda está com medo?
Confesso que não esperava aquela pergunta. Eu estou tremendo.
— Acho que eu sempre vou ter. – eu confesso.
Medo de me importar demais e ser chutada para longe como uma bola.
— Então eu acho que hoje vou ter que te amarrar para você não sair correndo de novo – ele responde. No seu tom de voz, pude sentir sua vontade de rir.
Meu coração deu um pulo no peito e eu arrisquei olhar para ele.
E ele estava olhando para mim. Seu rosto virado em minha direção e sua boca tão perigosamente próxima da minha, que a vontade de lhe beijar foi maior que eu. Quando percebi, eu havia cortado aquela curta distância. Minha boca possuindo a dele, minhas mãos se perdendo em seus cabelos ruivos, minhas pernas apertando seus quadris com mais força... Como se fosse ele quem pudesse sair correndo.
E ele retribui com a mesma intensidade; a mesma fome e o mesmo desejo.
Sua língua se atreve a entrar pela minha boca, redescobrindo-a depois dessas duas semanas. Matando saudades. E ela é tão aveludada e doce quando encosta na minha, que parece um contraste aos lábios sedentos e esfomeados que respondiam aos meus. E então eu senti suas mãos em minhas pernas novamente. Subindo pelas minhas coxas até a barra da camiseta e então a segurando, deixando um rastro de calor por onde passavam.
Mas ele não tira a minha (sua) camiseta.
— Hum... – Ele geme, interrompendo o beijo, contra a minha vontade. – Espera.
Contrariada, eu abri os olhos e o observei. Ele estava ofegante e seus olhos claros brilhavam com fogo, com paixão. E então o sinto se levantar e me levar junto. Prendo minhas pernas ao redor dos seus quadris e meus braços por sobre os seus ombros.
Pergunto-me se ele tem algum problema em transar no sofá (a gente já havia feito lá, então era pouco provável), quando vejo que ele me leva para a cozinha e me senta no balcão. Pergunto-me se, como da última vez que eu estive ali, ele iria me chupar até me fazer ver estrelas, mas então ele volta a me beijar.
Seus lábios controlam o beijo dessa vez. Consigo sentir algo mandão neles pelo modo como se mexem e subjugam os meus; no como ele enrosca uma mão nos meus cabelos e puxa meu rosto mais para cima, para um beijo mais profundo. Eu gosto. Gosto quando ele toma as rédeas do ato daquele jeito.
E então ele lhe põe um fim com mordidas e chupões até eles ficarem quentes e vermelhos; sensíveis e desesperados. Ansiando por mais, mais de sua boca macia e maravilhosa. Porém, ele apenas roça o polegar, e eu nunca pensei que isso fosse ser tão excitante. Coloco a língua para fora para umedecer os lábios e então lambo o seu dedo. Olhando no fundo daqueles olhos pálidos. Nunca pensei que existissem olhos daquela cor antes e muito menos que fosse possível eles arderem tanto.
— Seu olhar me enlouquece – ele diz, descendo a boca por meu pescoço.
Ele lambe toda a extensão da minha garganta, fazendo com que um arrepio prazeroso percorresse por todo o meu corpo, sacudindo-o com descargas elétricas. E então começa a mordiscar e a beijar a minha pele. Descendo para a clavícula e até onde a gola larga da camiseta permitisse. Até que ela se tornou um incômodo para ambos.
Quando tira a minha camiseta, Alexander faz um som como se todo o ar saísse de seus pulmões e se afasta para me olhar. Eu fico um pouco constrangida (porque ele parece muito surpreso) porém, há uma parte em mim que gosta de surpreendê-lo.
— Bell, você estava sem nada por baixo? – Ele perguntou, parecendo incrédulo.
— Minhas roupas estavam sujas – eu respondi, mordendo o lábio inferior e dando de ombros. Não era como se a culpa fosse minha. – Desculpa.
Ele negou com a cabeça, sem conseguir desviar o olhar, como se não acreditasse.
— Não, por favor. Se você quiser começar a andar nua pela minha casa, fique à vontade. Sinta-se em casa – ele respondeu com empolgação.
Nunca pensei que eu o fosse ver empolgado com alguma coisa.
Então ele me puxa contra o seu corpo, como se quisesse nos fundir e seus lábios vão para os meus seios. Um arrepio percorre o meu corpo quando sinto sua boca quente em mim, chupando um dos meus mamilos, enquanto sua mão se ocupa com o outro. Um suspiro escapa pelos meus lábios quando sinto seus dentes, e então a sua língua.
Depois ele passa para o outro lado, as mãos sempre me apertando com aquele toque insistente, controlado. Tudo o que eu não era nos seus braços. Minhas mãos se perdem nos seus cabelos ruivos, bagunçando-os, e me dando algum apoio quando jogo minha cabeça para trás e gemo sentindo seus dentes em minha pele. Mordiscando-me.
Adoro seus dentes. Ele devia usar mais deles.
— Já sei o que eu vou fazer – ele murmura, afastando seus lábios de mim, fazendo-me protestar. – Já sei o que fazer com você.
Não sei do que ele está falando, até que sinto sua boca no espaço entre os meus seios. E então sinto seus beijos molhados. Esqueço de como se fala, até que sinto seus dentes em minha pele, me mordendo e me chupando, até o ponto em que a dor fica quase insuportável, e então ele me lambe... e tudo fica muito bom.
Acho que sou um pouco masoquista. Se eu fosse, toda minha vida teria sentido.
Eu o sinto distribuir esse beijo por todo o meu corpo, fazendo com que aquele calor e aquela umidade se concentrasse no meu centro. Até que ficasse insuportável aguentar e o quisesse em mim desesperadamente.
— Alex, por favor... – eu suspiro.
Ele está me beijando na parte interna da minha coxa quando ele levanta a cabeça e me olha. Há um brilho maldoso no seu olhar. Gostamos do Alex mau. Gostamos muito.
— Por favor, o quê? – Ele me provoca.
— Para de... me provocar – não sei como consigo falar.
Ele sobe até seu rosto ficar na mesma altura que o meu e diz:
— Você me quer? – Ele pergunta. – Aqui?
Seus dedos acariciam a minha entrada e solto um gemido impaciente. Me esfrego contra sua mão antes de acenar com a cabeça. Eu o queria tanto. Sua boca, sua língua, seus dedos, seu pênis, tanto faz. Só o queria e não aguentava mais esperar.
— Diga que você me quer – ele manda, seu tom rouco me arrepia.
— Eu te quero – murmurei. – Te quero muito... te quero agora.
Ao contrário do que eu esperava, ele não coloca seu dedo e nem sua língua em mim. Ele se afasta e tira a sua regata, depois a calça. Meu deus, eu estava tão desesperada por ele que nem percebi que ele ainda estava vestido. Eu deveria ter tirado a roupa dele, mas havia algo em excitante em vê-lo se despir olhando para mim.
Então quando vejo ele segurando a camisinha, eu tiro da sua mão e coloco nele eu mesma. Tentando fazer a maior cara de safada da história, mordendo o lábio e tudo. Me sinto mal por vez passada ter esquecido e por não ter nem reparado que ele não estava nas mesmas condições que eu.
Quando volta para os meus braços, penso que é para me comer no balcão, mas ele me puxa para ficar de pé. E então me vira de costas para ele, de frente para a sala escura, iluminada apenas pela luz da cozinha. Um arrepio percorreu meu corpo quando sinto sua respiração na minha orelha, quando ele diz:
— Então, você quer que eu te foda por trás?
Soltei um gemido porque sua voz me deixa louca. Ela me empurra para o abismo da insanidade. Por isso eu não consigo responder. Sinto que sou capaz de gozar só com aquela voz perto de mim, no meu ouvido.
Ele me inclina sobre a bancada, fazendo-me estremecer de expectativa. Consigo sentir o seu membro roçando na minha bunda e isso é excitante. E então eu o sinto esfrega-lo mais abaixo, no lugar ardente e úmido que esperava por ele. Alexander poderia me fazer gozar em expectativa.
— Você quer, Bell? – Ele volta a sussurrar no meu ouvido.
— Quero... – Minha resposta não passa de um gemido desesperado. – Quero muito.
Consigo sentir a ponta dos seus dedos na minha nuca, afastando fios de cabelo e jogando-os para frente. Seu pau ereto, ainda roçando em mim, me provocando. Estou ficando muito impaciente. Só um empurrão, preciso só de um empurrão.
— Eu vou te foder até você se esquecer do outro – ele sussurrou no meu ouvido.
Um arrepio percorreu a minha espinha e eu me perguntei se ele estaria com ciúmes de John. Porém, ele entra e mim, enfim, e isso faz com que eu me esqueça de tudo.
Ele começa devagar, como se quisesse me provocar. Lento e sem pressa. Vou sentindo-o me preenchendo pouco a pouco. Eu fecho os olhos. Meu. Deus. Eu estava ferrada. Ele entra tão fundo em mim que faz todo meu corpo estremecer.
Soltei um gemido e senti suas mãos nos meus quadris, empurrando minha bunda contra sua pélvis para ir cada vez mais fundo em mim, e então ditar o ritmo. Ele me empurrava devagar, saindo de mim de jeito que meu corpo ficasse eletrizado, e então me puxava contra ele com força, entrando de uma só vez e bem fundo, toda aquela corrente elétrica se transformava num trovão. Uma coisa era clara: ele era quem estava no controle.
Eu o ouço gemer, quando mantém esse ritmo.
— Você tem uma bunda bonita – eu o ouço dizer e sinto um tapa nela. Não dói tanto quanto eu esperava. É excitante. – Por que nunca me disse isso?
Eu não consigo responder, só consigo gemer e suspirar, enquanto aperto a beirada do balcão em minhas mãos. Uma das mãos dele sobem para os meus cabelos e se enroscam nele. Gosto de quando ele os puxa, gosto muito.
Seus movimentos ficam mais vigorosos. Estocadas fortes que me fazem arfar de prazer. Estocadas cujo ritmo combina com o como ele puxa os meus cabelos. Parece que ele consegue ir mais fundo, parece que ele consegue ir até o fim, e que no fim há um lugar que espalha calor por todo o meu corpo. A cada momento, seu ritmo vai aumentando e aumentando, o som de nossos corpos se chocando enchem os meus ouvidos e meu corpo vibra com todas essas sensações enquanto eu aperto minhas mãos na beirada da bancada.
Porém, quando sinto que estou bem perto... ele diminui o ritmo.
Que tortura.
É como ver o portão do paraíso, estender a mão para ele... e então ser puxada para longe. Meu protesto não passa de um gemido frustrado.
— Ainda não, lindinha – eu o ouço no meu ouvido. – Ainda não.
A mão no meu cabelo o solta para me empurrar contra o balcão. Até que eu encoste o meu tronco sobre o granito frio e isso faz todo o meu corpo se eriçar. É um contraste sedutor: o granito frio com a minha pele em chamas. Meus mamilos se enrijecem, assim como minha barriga se contrai com a baixa temperatura. Mas não é como se roubasse a atenção dos movimentos ritmados e lentos de vai-e-vem.
E então sinto seus lábios no meio das minhas costas.
Nunca achei que minhas costas fossem sensíveis ou que era possível ter prazer com um beijo ali. Mas eu tive. E foi algo muito curioso. Alexander deu um beijo molhado, com dentes, chupada e língua e todo o meu corpo vibrou com isso, fazendo-me até mesmo suspirar. E então ele foi subindo até a minha nuca e a mordiscou, fazendo-me estremecer.
— Diz que ninguém te fode como eu – ele pede, o corpo debruçado sobre o meu.
Solto um suspiro.
— Ninguém me fode... como você – eu digo.
E o pior é que eu estava falando sério.
Então ele me beija nas costas de novo e murmura contra a minha pele:
— Você é uma garota má.
Eu me arrepio toda.
E então seus movimentos tornam-se mais vigorosos novamente. Todo meu corpo tem espasmos, enquanto ele entra e saí de mim com um vigor, uma força, que me faz tremer contra o granito frio. E então ele me puxa contra si novamente e morde o meu pescoço. Solto um gemido e sua mão sobe para um dos meus seios, apertando-o. Sua outra mão solta o meu cabelo e desce para o meu clitóris.
Ele me estimula e de repente, tudo isso parece muito. Muito prazer, muito bom, muito gostoso... parece perfeito. E quando estou perto de explodir, Alexander puxa o meu rosto para ele e me beija. Arfando e gemendo contra os meus lábios, enquanto ele goza. E seus dedos no meu clitóris não param até que eu goze também.
Eu grito. E eu nunca pensei que eu gritaria durante o sexo. Porém, o orgasmo é tão intenso que parece que gritar é a única coisa que eu posso fazer. A sensação é tão arrebatadora que minhas pernas falseiam e eu me seguro no balcão para não cair no chão. Alexander me segura porque ele nunca me deixaria cair.
Acredito que esse seja um dos “contra” de se transar em pé. Há um momento em que os músculos se contraem antes de você relaxar no orgasmo que eu não duvidava ser capaz de me fazer beijar o chão da cozinha dele.
Estou ofegante, cansada e... surpresa.
Sinto a respiração agitada de Alexander nos meus cabelos e então sinto seus braços envolverem meu corpo. Encosto-me às suas costas e então levanto o meu braço (o que não está com um grande hematoma roxo) aos seus cabelos. Ele beija o meu pescoço, ainda arfando muito.
— Você é linda – ele sussurra no meu ouvido. – De frente, de cotas, não importa. Você é linda. De todos os ângulos e formas imagináveis e inimagináveis.
Tentei não rir.
Então me virei para ele... e me perguntei porque suas palavras não pareciam falsas.
— E eu gosto do Alex mau – eu soltei. – Ele acaba comigo.
Há duas coisas que Alexander não me contou naquele momento.
Primeiro, era que Sasha e Ellie haviam passado no apartamento dele com uma mochila com algumas coisas para mim (e eu não acredito na quantidade de camisinhas que essas duas caras-de-pau colocaram). Elas haviam passado para falarem comigo assim que souberam do que aconteceu e onde eu estava, porém, a irmã do Alex foi quem falou com elas e disse: “Ah, eles estão no quarto agora e o Alex me mandou não atrapalhar”.
Sim, as três fizeram “aquela carinha” e então só deixaram a mochila ali.
Segundo, quando Alexander falou “Ah, já sei o que eu vou fazer com você” era porque ele estava pensando em um jeito de me castigar por ter dormido com outro cara. E eu acho que eu nunca fiquei com tantas marcas de chupão na minha vida, como agora eu estava: no pescoço, nos seios, na barriga, na perna... Eu nunca pensei que ele fosse querer se vingar, mas, já que ele o fez, eu quase peço para ele se vingar mais vezes.
Se as vinganças fossem feitas com sexo selvagem, descobri que amo ser castigada.
Eu não consegui dormir.
Eu sei o que você está pensando: “Será culpa, Isabelle? Você sabe, por acordar nos braços de um cara e ir dormir nos braços de outro? Ou talvez por você estar transando com Alexander enquanto sua amiga está internada num hospital por sua culpa?”. Bem, provavelmente havia sido tudo isso e algo mais. Algo que não queria se desligar dentro de mim. Algo que eu via quando fechava os olhos.
Eu via Lauren, caída no telhado mais baixo, com seu corpo todo contorcido e quebrado, toda vez que eu fechava os olhos. Então decidi não fechar mais os olhos. Ao invés, passo um tempo encarando uma parede no quarto de Alexander. Sentindo sua respiração nos meus cabelos e seu braço pesado em cima de mim. Quero me encolher nos seus braços até sumir e este sentimento é estranho.
Não tão estranho quanto sentir que Alexander está dormindo atrás de mim. Era estranho ouvi-lo dormir. Ele, às vezes, parecia não parar para nada, então era estranho que ele parasse. Também nunca imaginei que ele fosse do tipo que dormia de conchinha com uma garota..., mas ali estava ele. De conchinha comigo.
E eu, incapaz de me desligar. Incapaz de dormir.
Como não vou fazer nada naquela madrugada, tiro seu braço de cima de mim com cuidado para não lhe acordar e me sento na sua cama. Eu o observo por alguns segundos e, sinto uma pontada de inveja por ele ficar tão bonito dormindo enquanto eu... bem, era uma imagem deplorável. Com cuidado, me levantei e visto a camiseta jogada no chão.
Será que seria feio eu roubar essa camiseta dele? Nunca o vi a usando e ela era tão macia e quentinha que me fazia querer abraçar a mim mesma.
Olho para o quarto do ruivo (desde a primeira vez que pisei ali, eu gostei do estilo rústico/sofisticado. Quer dizer, quem mais usaria piso de cimento queimado? Quem mais saberia que um piso assim existiria?) e me pergunto onde ele guardaria lápis e papel.
Aproximo-me da escrivaninha bagunçada e procurei um papel em que eu pudesse rabiscar. Quase todos estavam ocupados, pois eram apostilas de anatomia, histologia e nomes complicados. Meu deus, nunca pensei que veterinária fosse tão difícil, mas, pensando agora, eles cuidavam de animais. Bichos que não podiam chegar e dizer: “oi, doutor, estou com dor no braço”.
De repente, encontro um caderno no meio das folhas. Não parecia um caderno de estudo. Estava gasto e suas folhas pareciam antigas (um pouco amassadas de uso). A Belle bestinha e nada curiosa não teria lido, porém, depois dos últimos dois dias, esta Bell se mostrou um pouco perdida na vida.
Ando até a janela e afasto as cortinas, para abrir o caderno e ler o que estava escrito nele pela luz que vinha da rua (assim, não precisaria ligar a luz e acordar o cara apagado na cama). Bem, aparentemente, era um caderno de poemas, ou de música (Alex disse que teve uma banda afinal, não me surpreenderia), mas não eram músicas completas. Eram páginas com uma ou duas estrofes.
Eram tantas que não dava para ler todas, então, leio em páginas aleatórias.
Wild and running for one reason / Selvagem e correndo por um motivo
They can’t stop us from our freedom / Eles não podem impedir nossa liberdade
Não sei porque eu sorri. Só parecia uma frase legal para se ler. Que motivo? Quem eram eles? Gostaria muito que ele não tivesse deixado as coisas incompletas. Virei mais algumas páginas. Mais para o meio, parei e li:
Hey you, what’s a good girl like you / Ei você, o que uma garota boa como você
Doin’ in this crazy world? / Faz nesse mundo maluco?
Where’s the good gone girl? / Para onde essa boa garota foi?
She's walkin around all over the town / Ela está andando por toda a cidade
Needs somebody to notice but the goodness gets her down / Precisa que alguém a note, mas sua bondade a deixa triste
She's happy to choose somebody to use / Ela está feliz em escolher alguém para usar
Good gone girl she's got nothin left to lose / Boa garota se foi, ela não tem nada a perder
Eu respiro fundo e volto algumas páginas para ler mais uma:
Do you feel like a man / Você se sente um homem
When you push her around? / Quando a empurra?
Do you feel better now as she falls to the ground? / Você se sente melhor enquanto ela cai no chão?
Well I'll tell you my friend, one day this world's going to end / Bem, meu amigo, te direi que um dia o mundo irá acabar
As your lies crumble down, a new life she has found. / Enquanto as suas mentiras caem, uma nova vida ela terá encontrado.
Por algum motivo, sinto que estou lendo algo muito pessoal. Quer dizer, agora que eu parava para pensar, será que ele estava escrevendo algo que ele sentiu? Viveu? Pensou? Confesso que cogitar isso me deixou inquieta, porque eu estaria invadindo a cabeça dele e isso era meio... errado.
Decido fechar o caderno e o devolvo para o lugar. Se eu soubesse que ficaria com insônia, teria trazido meu notebook.... Eu sou uma garota burra. Não tinha como saber alguma coisa assim. Só acontecia.
Queria que amanhecesse logo.
— Você vai ficar aí fazendo assombração ou vai dormir?
Dou um pulo de susto, sentindo meu rosto queimar.
Ou Alex havia acordado ou ele nem havia dormido.
— Não consigo dormir – eu confesso. – Te acordei?
Ele não responde, mas estende a mão para mim.
— Vem cá – ele me chama.
Me sinto uma criança que foi pega fora da cama, mas há algo no modo como ele me chama, que faz meu coração dar um pulo no peito. Então me aproximo dele e lhe dou minha mão. Ele me puxa para a cama e me deito com a cabeça no seu ombro (tomando cuidado para não bater o meu ombro lesionado).
Enquanto sua mão acaricia meus cabelos, ele diz:
— Você me cansou de, pelo menos, três jeitos diferentes. Como não está cansada?
Tentei não sorrir.
— Estou cansada – eu digo. – Só não consigo desligar.
Ele beija a minha testa.
— Vou cantar para você dormir – ele diz.
— Você sabe cantar? – Eu provoco. – Eu não preciso de mais pesadelos, obrigada.
Alexander solta uma risada e me cutuca nas costelas.
— Eu tive uma banda. Minha voz não pode ser tão ruim assim – ele retruca.
Por mais que eu quisesse provocá-lo mais, virei-me para ele e mordi o seu queixo.
— Bem... sua voz gemendo não é ruim – eu digo.
Ele se debruça sobre mim e me beija. Uma vez, e outra e mais outra, e então mais uma vez, dessa vez dando mordidinhas nos meus lábios. Penso que ele quer que eu o canse pela quarta vez, mas então ele volta a se deitar ao meu lado e a puxar minha cabeça para o seu ombro.
— Posso ficar com a sua camiseta? – Pedi.
É, acho que eu não era má o suficiente para roubá-la dele.
— Quê? – Ele pergunta surpreso.
— Ela é macia e quentinha... e eu nunca te vi a usando – eu digo.
— Toda sua – ele cede. – Vai ser difícil eu voltar a usá-la, de qualquer forma. Ela fica melhor em você... e toda vez que eu a vestisse me lembraria disso e me excitaria.
Seguro minha vontade de rir.
— Você vai cantar? – Pergunto. – Estou esperando.
Ele sorri e então cantarola uma música baixinha. Só para que eu ouvisse.
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