Golden Years

14 Sentimentos contraditórios


Notas iniciais
Oi queridos. Boa leitura, espero que gostem.

É a treva! Eu deveria ter desconfiado que iria chover depois de tanto calor, mas mesmo assim insisti na idiotice de sair sem guarda-chuva e ir a pé para o maldito ensaio, isto me faz sentir falta do esquentadinho, como será a convivência em sua nova casa? Um dia irei visita-lo, só falta conseguir o endereço. Cretino!

Resumindo: minhas roupas estão úmidas e meus calçados ensopados, mas estou perto demais para voltar para casa. Empurro o portão menor da escola, até mesmo o cara da guarita foi embora.

Meus passos no corredor deserto incomodam-me, é bem típico daqueles filmes de suspense e terror, onde é só alguém ficar sozinho que morre. Espero que a galera já tenha chegado. Nem comentei da proposta da Hyuuga, até parece que Gaara vai, jamais ou meu nome não é Temari.

— Oi, já chegou? – Mal abro a porta do estúdio e escuto a voz do Nara, ele já fez perguntas mais interessantes. É obvio que sim.

— Cheguei. – Olho o relógio, ainda falta quinze para sete, jamais eles irão chegam no horário. Shikamaru sempre é o primeiro a chegar, será que não tem nada melhor para fazer ou gosta da ideia de Tsunade? Esfrego a minhas mãos em meus braços, estou com frio para variar.

Puxo uma cadeira e sento-me, Shikamaru consegue arrumar tudo sozinho, no momento instala um refletor no canto da parede para iluminar onde estão os microfones das meninas.

Minhas botas cano curto estão encharcadas, eu poderia tira-las, mas acho melhor não, não na frente do vegetal. Vegetal que está seco e sem frio.

— Por que está suspirando freneticamente assim? – Seus olhos caídos pousam sobre minha figura tediosamente. Freneticamente? Acho que suspirei uma ou duas vezes.

— Por motivo nenhum, quer ajuda em algo? – Antes que resolva questionar mais alguma coisa sem sentido faço a pergunta para livrar a minha consciência de não o ter ajudado. Apenas nega com a cabeça, mal se dignou abrir a boca para responder.

Desce da escada e retira seu agasalho, neste movimento sua camiseta de manga longa preta acaba sendo levantada no processo. Certeza que pratica algum esporte ou não teria aquela parte do tronco definida deste modo e sim um barril.

— Toma, veste você está precisando mais que eu. – Ele joga a blusa sem aviso e acerta meu rosto. Que gesto de bondade.

— Obrigada. – Não deveria aceitar, mas regras de etiqueta nunca fez bem a ninguém. Levanto-me e vou ao banheiro retirar minha camiseta úmida. Meus passos gélidos retornam a bater contra o chão e mais rápido do que trem chego ao vestiário mais próximo.

Que horror! Estou toda borrada, quero dizer meus olhos estão manchados por conta do contorno do lápis preto que se desfez. Passo os dedos e retiro o excesso e só de pensar que o Nara me viu assim, não que isso importe.

Retiro minha camiseta e apenas o bustiê vinho fica e realça junto a minha pele branca e gelada. Coloco a blusa cinza e o perfume do vegetal embriaga-me. Amasso meu cabelo para ficar com a aparência melhor, meus lábios estão ressecados e há tempos não sentem um batom toca-los ou mesmo um garoto. Os de Konoha são tão infantis e irresponsáveis, prefiro homens um pouquinho mais velhos.

Volto para o estúdio e agora já não sinto tanto frio, apenas a calça preta deixa o frio atingir minha pele. Empurro a porta e por ela vejo a loira mais provocante do pedaço, visto que apenas eu e Ino somos loiras, ou seja, estou pensando nela, meu tempo a sós com Shikamaru se foi. Aceno para ela e vou para perto do Nara, afinal temos que fazer a mesma coisa.

— Serviu, se não fosse pela cor ficaria bonita em você. – A voz mansa penetra meus ouvidos com facilidade pelo silêncio. Sei! O que quer? Um agradecimento? Sorrio falsamente.

— E aí pessoal? – A atenção de todos desvia para porta, melhor dizendo para quem acaba de entrar por ela. Naruto chega animado com TenTen em seu encalço. Estes dois não se separam mais? Isso vai acabar em problema ou em namoro.

— Temari amanhã podemos fazer o trabalho? – Ino arranca-me da minha observação detalhista do casal número vinte. O trabalho de Arte, droga!

— Claro, depois conversamos sobre isso. – Lanço meu melhor sorriso, não tenho nada contra Ino ao contrário até gosto dela, porém hoje o dia não está sendo um dos melhores. Ela afirma e sai em sua saia jeans curta.

Sasuke sentando ocupa minha visão por um instante. Em que momento que o mal-humorado chegou que não vi? Sabe até que ele e Ino combinavam. O Uchiha com está cara de garoto mau, e a Ino de garota rebelde, mas indefesa. Chega a ser ridículo.

Até o Nara não consegue tirar os olhos dela, também não tiraria, ela está cada vez mais bonita. E falando em beleza, que bonito o atraso deste povo. Já são sete e meia e nada deles, até mesmo Hinata não chegou.

— Desculpe a demora. – O timbre suave da garota denuncia sua recente presença no local porque tenho certeza que ela não estava aqui antes. E logo depois de sua entrada chega o restante, ou seja, a do cabelo rosa, vermelho e de dois metros de comprimento. Como Neji pode ter o cabelo grande deste jeito? Deve curtir um rock pesado. O silêncio reina, isso nem aparenta ser um grupo que vai competir algo, não mesmo.

— Agora me diz: você acha que isso vai para frente? – Shikamaru questiona, enfim uma pergunta que não quer calar.

— Não, não mesmo. – Ou não me chamo Temari.

Ino Povs

Eu jurava que as coisas tinham melhorado por conta da execução da nossa primeira música, mas acho que me precipitei, olha só para todo mundo, parece que estão aqui por obrigação e o pior que estão.

Sasuke está péssimo, ele ficava assim quando discutia com o pai, deve ter sido isso ou algo incomoda. TenTen não aparenta estar bem, mas ela sempre fica quieta e reprimida. Talvez se sinta um peixe fora da água. Sakura está pálida e visivelmente cansada, mas mesmo assim a calma brota e seu rosto e a seu lado está o senhor grosseria apelido batizado por Sakura, até que combina com Neji que hoje não está se importando com nada.

Hinata com um leve sorriso nos lábios, tomara que as pessoas fechadas de agora honrem com o convite da Hyuuga sábado, iria fazer bem a todos, afinal estamos nesta até a primeira seleção a qual iremos ser eliminados. Naruto está preocupado demais com o mini game que carrega consigo.

Shikamaru e Temari estão próximos demais, porém não percebem este fato, não ficaria surpresa se no final de tudo isso os dois saíssem de mãos dadas. E ele está quieto, de braços cruzados. Nunca mais disse nada a Gaara, nem perguntei se tudo está bem, acho que isso não me cabe mesmo que tenha presenciado parcialmente seu incidente.

— Então quer dizer que todos se reúnem para meditar juntos? – A voz já conhecida por todos enche o local. Deveria ter desconfiado que ela viria até nós por mais tarda que seja.

—Vamos, vamos porque deste jeito não a quem vença um campeonato. – As palmas junto a sua voz machucam os ouvidos.

— E não olha para sua tutora assim não querido. – Tsunade aponta para Neji, como? Só pode ser brincadeira. Sakura olha para Neji com pena e Sasuke age antes mesmo da Senju chamar sua atenção. Levanto-me e vou para o microfone e o restante vai para seu devido lugar.

— Que música vai ser hoje? – Naruto pergunta enquanto coloca a alça do instrumento envolta do corpo.

— Que tal S.O.S? – Hinata questiona e Sakura afirma que sim. É uma boa música.

— Hum, vejo que andaram estudando as músicas, meus parabéns! Já estava abrindo uma vaga na minha agenda para fazê-los estudarem o que tocam e cantam. – Todos com expressão entediadas e suspeitas. Acho que apenas Hinata estudou, mas quem não conhece ABBA, não é?

Pego a partitura que TenTen oferece, ela oferece a todos e quando chega a Gaara faz o mesmo, mas o ruivo murmura algo a ela inaudível e ela sorri vergonhosa. O que será que perdi que não fiquei sabendo?

— Vê se não atrasa amanhã. – Antes de Sasuke seguir para o piano passa por Sakura e cospe suas palavras rispidamente. A qual Sakura não cede atenção e finalmente alcança o microfone. Estamos cada vez mais próximas, afinal Sakura é no mínimo uma garota interessante e animada. Só não espero que tudo vá por ralo abaixo. TenTen senta-se perto da Senju aguardando o início da música.

Shikamaru apaga as luzes e logo uma luz forte focaliza em cima de nós e dos meninos, deixando-os no escuro, gostei! Enfim o som começa e Sakura toma a dianteira. Acho que eu e Hinata faremos os bankings vocal apenas no refrão.

Shikamaru mexe no sintetizador enquanto uma fita grava toda a música que dura no máximo cinco minutos. Fim e as luzes retornam a brilhar.

— Acho que deveríamos dividir as partes da canção. – Abaixo para amarrar o cadarço e escuto Hinata comentar com Sakura.

— Pode ser. – Sakura diz, levanto me e a rosada já está longe do microfone, acho que o dia não está sendo um dos melhores para ela. As palmas que Tsunade bate chama a atenção de todos.

— Olha, isso não é ruim, mas não é fabuloso. Deveriam tentar outra dinâmica para fazer isso funcionar. Chegar aqui e executarem uma música não quer dizer que é o suficiente. – Tsunade para de falar e pega sua bolsa, suspira e segue até a porta e para. Suas unhas vermelhas pousam no batente da porta demostrando sua exaustão.

— Isso não é brincadeira, pelo contrário é sério. Pelo menos desta vez levem algo que fora destinado a vocês com seriedade. – Seu salto retorna a fazer barulho e a figura some pela porta. Uau! O que foi isso? Acho que finalmente a mulher de ferro desestabilizou-se.

Os integrantes do grupo ficam em silêncio, uns de braços cruzados outros somente pensando no que foi dito. Não entendo o motivo de Tsunade ter retornado a participar disto. Dias destes descobri com meu pai que a Senju realmente participava destas competições, porém tinha uma equipe devidamente preparada e interessada em participar. Não dez jovens colegas de classe que não estão nem aí para nada. Algo deve estar errado nesta equação.

Sasuke franze as sobrancelhas como se não fosse verdade o que a Senju disse. Nós realmente não estamos nos importando com isso, mesmo que traga benefícios para alguns. A dúvida entre ir ou não embora deve ser uma questão que permeia na cabeças de todos. Será que depois desta chamada de atenção nós atreveríamos a fingir que não ouvimos nada?

Não sei a deles, mas minha consciência pesou. Não estamos interagindo e a cada possibilidade de burlar os ensaios não deixamos passar.

— Acho que ela tem razão no final das contas. – Suspiro e olhos vazios pairam sobre minha cabeça, não disse nada de absurdo.

— O que ela queria? Que todos encarassem isso como algo prazeroso de se fazer? – Sasuke demostra sua opinião. Não sei o que fez ele ser inserido no grupo, mas seja o que for aposto que foi por pura obrigação.

— Mas não custa tentar fazer algo bem feito, porque não iremos nos livrar disto. – TenTen manifesta logo em seguida o que pensa. Tenho que concordar, realmente não custa.

— Talvez deveríamos dar uma chance. – Depois de dizer Naruto coloca as mãos no bolso da calça surrada que traja.

— Concordo. – Para minha surpresa e de mais alguns Gaara parece aderir a forma de pensar de Naruto. Surpreendente isto vir dele.

— Eu também concordo, Tsunade de certa forma está fazendo isso por nós e ela é uma ótima pessoa. – Com seus próprios dedos entrelaçados Hinata manifesta sua opinião a favor da Senju.

— Diga por si só! Tsunade é uma tirana. – Preste a acender um cigarro Neji diz fazendo Sasuke concordar com a cabeça.

— Ela até pode ser, mas sempre nos livra de uma bela encrenca com nossos pais. – Temari retruca e novamente Sasuke acena positivamente e provavelmente inconsciente de seus gestos.

— Discordo, foi ela que me colocou nesta sem mais ou menos. – Shikamaru discorda da Sabaku e recebe um olhar fulminante.

— Bom, todos vocês parecem gostar do que estão fazendo ou cantando, tocando, enfim por que não? – TenTen leva em consideração um ponto importante que não deveria passar batido e ela tem razão. Querendo ou não admitir todos gostam do que estão fazendo.

— É, você tem razão, acho que não vou perder nada participando deste grupo, afinal temos que participar obrigatoriamente de um clube, então que seja este! – Sakura levanta do chão e segue para as cadeiras. Acho que está foi a frase mais longa que ela disse no ensaio.

— Não vamos morrer, antes isso do que ficar junto daquelas mocreias em um clube qualquer. – Digo e as meninas soltam sorrisos, acho que não sou a única a compartilhar deste pensamento.

— Está aí uma coisa que ninguém quer. – Temari diz e passa os dedos com anéis nos cachos loiros numa tentativa de doma-los.

— Está certo, segunda nós começamos com seriedade. Agora vamos embora Sakura. – Neji levanta e pega sua mochila fazendo Sakura realizar o mesmo.

— Vamos Ino? – A rosada se prontifica a me convidar sem mesmo questionar Neji. Observo para ver sua reação, pelo jeito acho que não se importa.

— Ino! – Hinata sussurra meu nome e faz sinal com a cabeça para que eu pergunte para o pessoal sobre sábado.

— Gente, eu e a Hinata pensamos nos encontrar amanhã em uma lanchonete que fica perto do teatro por volta das oito horas, esperamos vocês. – Temari afirma que sim, Sakura e Naruto também enquanto o restante nada demostra.

— Sasuke você também está convidado. – A voz sem firmeza da Hyuuga alcança os ouvidos do Uchiha que apenas afirma com a cabeça.

— TenTen, vamos eu te deixo em casa, — Passando alguns minutos Naruto convoca TenTen para irem embora.

— Ela pode ir comigo se quiser. – Por um momento se pode esquecer que Gaara está no local pelo seu silêncio infindável, mas ora ou outra mostra sinal de vida. Corro com os olhos para ver a reação de TenTen que apenas concorda, aceitando a carona.

— Ino amanhã nos vemos a oito horas da manhã? – Temari chama minha atenção e por reflexo apenas afirmo que sim enquanto TenTen e Gaara se retiram pela porta. Aos poucos o local se esvazia sem despedidas como se fossemos pessoas desconhecidas em um ônibus tentando voltar para casa.

Gaara Povs

Seus olhos observam atentamente cada passo que dou em seguida até meu carro. Não sei muito bem porque convide-a para ir para casa, mas será uma oportunidade para desculpar melhor pode deixa-la se afogar. O acontecimento deste dia foi inesperado, ainda mais o episódio do lago.

Não quero que a garota pense algo errado sobre minha ação, eu não sei exatamente o motivo por ter melhorado desses dias em diante, deste que saí do hospital.

— Gaara eu queria me desculpar por qualquer coisa. – Me viro para observar por um instante, a sinceridade e a vergonha escapa por seus olhos castanhos, fala como se tivesse alguma culpa.

— Tudo bem. – O silêncio após a curta troca de palavras domina o ambiente agora somente seus passos podem ser ouvidos. Sinto a obrigação de quebrar este gelo, mas não tenho certeza que está atitude será bem-vinda.

— Me desculpe também, afinal demorei para tomar uma atitude enquanto você se afogava. – Eu não soube o que fazer, pois pensei que aquilo não passava de uma estratégia de aproximação, entretanto depois que os minutos passaram e a garota não submergiu descobri que não. Ela aperta o passo e fica ao meu lado.

— Isso não importa mais, afinal das contas estamos indo embora para casa. A lataria do seu carro está perfeita e o motor parece estar também. – Abro a porta do carro e entro enquanto TenTen profere algo em relação ao meu carro, como se entende do assunto.

— Desde quando entende sobre carros? – O acelerador sente o peso do meu pé enquanto os de TenTen bate no assoalho frequentemente.

— Desde quando meu pai tem uma oficina. – O sorriso discreto que surge em sua face logo desaparece no momento que sou pego em flagrante olhando para suas pernas. O que ela quer? Se agarrou a eu como fosse sua âncora de salvação e agora não quer nem que a olhe.

— Segunda te mostro as fotos e você pode escolher qual vai ser exposta. – Ela apenas afirma com a cabeça e isso me incomoda. Não quero nada com ela além de o relacionamento que já tínhamos, ou seja, apenas de colegas, mas hoje tentei algo diferente. Apenas para pedir desculpas, porém a sensação do seu corpo quente junto ao meu na água gélida não sai da memória.

— Então, você vai até a tal da lanchonete amanhã? – Desvio rapidamente meus olhos da pista para fixa-los sobre a figura feminina ao lado.

— Não. Você vai? – Pergunto apenas por educação, não interessa realmente sua resposta, apenas quero que o silêncio não retorne. Um riso fraco atinge meus ouvidos desatentos e a mão da garota passa na nuca como se fosse dizer algo desconfortável.

— Também não irei, não fui convidada. – Seus olhos não demostram nada, nem raiva ou inveja ou desejo. Sendo desta forma fica evidente sua exclusão do maldito grupo.

— Mas eu irei sair com Naruto, então não importa. – Desço mais algumas ruas e entro em uma sem saída, paro o carro em frente à casa de TenTen, nem mesmo desligo o motor. A porta abre mais a garota não desce fazendo que eu a olhe.

— Obrigada pela carona e por hoje mais cedo, até mais Gaara. – Mal termina sua frase e desce do carro e bate a porta do carro com cuidado.

Retorno a dirigir, mas agora rumo a minha casa. Pelo retrovisor consigo ver TenTen observando o carro se distanciar e logo sua figura some do espelho. Não entendo o motivo da diretora encaixar TenTen neste grupo, deve ser mesmo porque não tinha mais vagas nos outros.

Ela não é ruim ou boa, tanto faz na verdade. As coisas aparentam estar melhorando finalmente, não quero mais encrencas, nem mesmo com garotas acostumadas com a solidão. Chego em casa e o carro do residente número um já está em frente ao prédio. Subo as escadas com pressa, hoje só quero dormir antes que a garotinha coloque seus olhos em eu.

A porta se abre antes mesmo que eu vire a maçaneta e do lado de dentro uma figura feminina está preste a ir embora. Seus olhos são bem mais vivos de perto, mas não conseguem ser da mesma tonalidade que os meus.

— Tchau Gaara! – Acena com a mão livre enquanto abro passagem para Sakura sair e ir para seu apartamento. Fecho a porta e Neji chega na sala ainda com a camisa no corpo, isso é surpreendente.

— Neji acho que já vou agora, está tarde. – Do corredor outra voz anuncia que a outra mulher no local. Neji pega a chave de seu carro em cima da mesinha enquanto Ino chega na sala sorridente, mas a me ver seu sorriso morre. Qual é seu problema comigo garota?

— Vamos antes que a Sakura invente mais alguma. – Ino pega sua bolsa do sofá e espera pacientemente.

— Tem pizza em cima da mesa se quiser Gaara. – Neji diz enquanto caminha até a porta mais antes de chegar até ela um choro agudo vem do quarto dele. É a menina.

— Pensei que ela tinha dormido. – Ino comenta sobre o choro de Coral, comentário que chega a ser absurdo, mas a loira não sabe que a menina dorme as duas da manhã.

— Pois é. Gaara pode fazer um favor? Coral não está bem, pode levar Ino até em casa? – Antes mesmo que eu responda Neji segue para o corredor.

— Não precisa, vou a pé. – Ino argumenta exatamente no momento que uma chuva passageira resolve cair. Maravilha!

— Vamos, eu posso te levar. – Abro a porta e nem espero por ela. Por incrível que pareça Ino sempre está nos lugares onde eu estou ou vou estar. Quando mais rápido isso começar, mais rápido vai acabar.

Saio correndo até o carro para não me molhar e logo em seguida Ino chega e entra no meu carro se dizer nada.

— Onde você mora? – Acelero antes mesmo de ouvir a resposta, seu cabelo úmido pela chuva exala perfume doce.

— Sete quadras daqui na outra direção. – Ela tira a bolsa enquanto viro o carro sem diminuir a velocidade e acidentalmente seu corpo pende sobre o meu acertando a cabeça em meu rosto. Ela se retira rapidamente e coloca o sinto de segurança, prefiro não dizer nada sobre o ocorrido, está atitude já deu por hoje.

— Você pode ir um pouco mais devagar está chovendo muito? – Suas mãos fixas no banco denunciando seu medo. Depois de ver este gesto de desespero diminuo a velocidade.

— Obrigada! Na próxima rua é só dobrar para a esquerda. A segunda casa é a minha. – Ela recolhe sua bolsa e retira o cinto antes mesmo de chegar até sua casa. Está visivelmente irritada. Sua casa é bem mais próxima do que a de TenTen.

— Obrigada e até mais! – Mal estaciono o carro e ela desce ainda na chuva logo em seguida batendo a porta do carro com força. Louca!

Até mais também, não sei por quê se irritou e o motivo também não me interessa. Volto novamente para minha casa antes que algo mais me impeça de deitar na minha cama, ainda bem que amanhã é sábado e no máximo vou ver a cara amarada de Neji.

Sasuke Povs.

Queimar a língua com café nunca foi uma das minhas atividades preferidas, mas acho que hoje vai ser a melhor coisa que vai acontecer. Sábado! O maldito sábado chegou. Não que eu não goste do sábado, eu adoro sábado, porém este sábado especifico tenho um pressentimento ruim sobre ele e ainda tem ela. A garota do conjunto broxante e do cabelo esquisitamente rosa!

Sakura Haruno, não sabia da existência da garota antes das férias, mas agora puxei a ficha completa apenas para saber em que terreno estou entrando. E baseados nas informações, tenho certeza que metade do meu dia será perdido.

A lista de desastres é extensa, mas parece que Sakura tem uma certa preferência em se prender no banheiro, acho que é propositalmente, só pode! Além de cair diversas vezes, é solitária e ainda trabalha como garçonete em uma lanchonete que nunca ouvi falar. Termino meu café mesmo assim, com a língua queimada. Coloco meus olhos nos ponteiros lerdos do relógio, mas não lerdos suficientes para informar que estou atrasado e é claro, tudo por culpa dela.

Junto minha mochila do chão com o equipamento necessário para fotografar qualquer coisa que seja maravilhosa. Tem que ser maravilhosa! Minha popularidade com o professor da matéria artística não está em ascensão e sim em declínio. Preciso voltar a ter seu prestigio antes que meus queridos responsáveis legais.

Quatro e dez da manhã, não estou atrasado, mas tenho convicção que a Haruno ainda vai estar debaixo dos cobertores e vai ser ela, ela que vai nos atrasar. Os minutos passam e nem percebo quando já estou em frente ao seu prédio, se é que isso pode ser chamado de prédio.

Enfim minha paz acabou, será que já não bastava a minha língua queimada? Termino de subir as escadas e a porta, como eu esperava, está trancada. Bato diversas vezes na madeira com a tintura um pouco desgastada e como resultado apenas recebo o silêncio. Isso está irritando até o diabo, será que realmente ela esqueceu? Ontem mesmo a lembrei do horário no maldito ensaio.

— Sakura! Estamos atrasados. – Percebo que falei alto demais quando uma das portas se abrem e através dela uma senhora com objetos redondos no cabelo faz sinal para que eu me cale e fecha a porta em seguida. Maldita! Não a senhora e sim a Sakura. Volto a acariciar a porta com socos nada leves. E outra porta se abre, mas não, não é da Sakura. É a porta que fica em frente a porta da Sakura.

— Ela não vai acordar nem que derrube a porta. – O cigarro no canto da boca deixa claro que não fui eu que o acordei. Neji revira um molho de chaves procurando uma especifica e por fim acaba por acha-la. Não me diga que tem a chave do apartamento dela? O cara pede para que eu saia da frente da fechadura.

Apesar do calor infernal durante o dia ainda está frio por conta do horário, contudo ele está sem camisa. Acho que todos que moram neste lugar são pessoas estranhas, acho não, tenho certeza. O ranger da porta faz que eu volte para meu problema principal, que tem nome, idade e calcinha verde claro. Neji entra e acende a luz em seguida, admito que meu quarto é mais arrumado do que está casa, gostaria que minha mãe olhasse isso, nunca mais iria reclamar das minhas coisas espalhadas em cima dos móveis.

— Estou indo, encoste a porta ao sair. – Apenas afirmo que sim e ele sai indo para seu apartamento o qual divide com Gaara, não gostaria de presenciar a convivência destes dois, deve ser horrível. Será que realmente vou ter que ir até o quarto? Sigo pelo corredor na tentativa falha de achar o quarto da princesa. Ah Sakura, por que? Por que você? Acho que poderia ser até a Ino, são apenas algumas horas, não é para ser um martírio.

O quarto totalmente vazio faz meu estresse atingir o ponto máximo, onde está ela? Por qual motivo ela tem um quarto vazio? Também não quero saber, apenas quero achar está idiota. A última porta fechada entra em meu campo de visão, é onde a garota deve estar.

— Sakura, estamos atrasados. – A maçaneta gira e finalmente acho o quarto, porém ele está vazio. Volto para sala e o relógio diz que agora sim, está atrasado.

— O que você está olhando? – Poderia sorrir por ouvir sua voz irritante, mas sua pergunta idiota e sem noção e me faz ter dores no estômago.

— Não está vendo? As horas, estou vendo as horas! E por culpa tua estamos atrasados. – Me viro para ver seu rosto sem graça e a encontro revirando os olhos, mas para minha surpresa está vestida e com os cabelos penteados. Bem diferente da primeira vez que estive em aqui.

Retiro me antes que Sakura diga algo em protesto, com o canto do olho consigo ver ela se abaixando para pegar usa mochila e correr a passos curtos na tentativa de não me perder de vista. Chegamos até o carro e sua palidez destaca-se na iluminação fraca da rua, até parece um fantasma.

Quatro e quarenta e cinco, o local que a irritante escolheu fica uma hora do começo da cidade, ou seja, longe demais para ir devagar. Giro a chave do carro e castigo o acelerador, espero que não se importe Sakura com a velocidade, a culpa é toda sua.

Ela está visivelmente com sono, até mesmo seu bochecho demorado me estressa, suas calças são justas e sua blusa do Pernalonga com uma cenoura na mão a deixa infantil, mas não supera a cor dos seus cabelos.

— Sasuke! Você pode ir mais devagar? – Reclama da velocidade e eu sei que vai reclamar do vento frio que invade o carro pela minha janela, nunca gostei de calor.

— Não. Se você estivesse cumprido com o compromisso não precisaria correr deste modo. – Seus olhos deviam de eu e se focam para além da janela, como se conseguisse ver algo além do breu.

— Você pode subir um pouco o vidro pelo menos? – Sabia, eu sabia. Elas só reclamam, Karin, Ino, Sakura, seja qual for, elas apenas reclamam. Maldição! Diminuo a velocidade para subir o vidro, quem sabe assim ela cala a boca e dorme.

Minhas preces são atendidas quando olho em sua direção e vejo a com o pescoço pendendo e a boca levemente aberta. Isso, agora só falta ela babar no banco do meu carro.

— Ei! Acorda, vai babar no meu carro. – Retiro minha mão direita do volante e a chacoalho pelo seu ombro esquerdo a fazendo abrir os olhos... verdes.

Suas sobrancelhas se juntam e sua irritação fica visível, bem-vinda ao clube! Cruza os braços e encosta a cabeça no vidro da janela observando com os olhos semiabertos o pedaço da vegetação rasteira que o farol ilumina.

— Sasuke! – Ela grita o meu nome fazendo minha completa atenção voltar para pista trincada a tempo de ver um animal selvagem e conseguir frear o carro antes de atingir o veado. Se livrou disto animal, mas não sei se vai conseguir se livrar da temporada de caça, coisa ridícula.

Volto a acelerar depois do pequeno susto que a infeliz da Sakura me proporcionou, sim a culpa é dela e não do animal que atravessava a rua em paz.

— Vai continuar correndo assim depois disto? – Os braços cruzados em frente ao corpo passa uma imagem que não pertence a ela, como se ela fosse responsável. Tsc! E isso mal começou. Não respondo e novamente seus olhos se desviam para frente, porém agora mais abertos do que os meus. E por fim o silêncio retorna, agora apenas o som do motor é auditivo.

O relógio de pulso informa que já são cinco e dez, ainda está um pouco distante, porém dá para compensar o atraso na corrida, entretanto a irritante vai reclamar.

Seu silêncio chega a ser ótimo, eu até poderia suporta-la se ela fosse sempre assim. Entretanto segundo os relatos que obtive sobre ela diz o contrário.

Acelero o carro a ponto de chegar a cento e oitenta por hora e nem uma reclamação é feita, chega a ser reconfortante. Diminuo para observar o motivo de seu silêncio, seu rosto não está visível, apenas sua respiração leve demais para alguém acordado demostra que ainda está viva.

Ótimo! Ela dormiu, seus braços cruzados se contraem cada vez mais pelo vento gélido que adentra pela janela ao meu lado, seria prudente fechar para que a bela adormecida não acorde e volte a reclamar de tudo.

O tempo passa e a paz retorna, ela poderia ficar assim até nosso retorno para casa, mas vou ter que a acordar para me ajudar. Se não tivéssemos atrasados, poderia fazer tudo sozinho. Enfim a hora passa e aquela claridade fraca antes do sol nascer aparece. Desligo o carro e respiro fundo antes de chacoalha-la pelos ombros.

— Acorda Sakura, tem que me ajudar. – Seus ombros estreitos parecem frágeis de mais para força que coloco sobre eles, mas mesmo assim ela não acorda. É como se tivesse sob efeito de medicação pesada.

Seus olhos se abrem devagar e não parecem me reconhecer, mas em questão de segundos se arregalam e finalmente a dona está desperta.

— O que foi? – Desço do carro depois de pegar a mochila no banco de trás e vou até o porta-malas. A porta do passageiro sendo aberta denuncia que ela vem em minha direção. O vento um pouco forte balança o cabelo da desajeitada a fazendo a tropeçar nos pedregulhos. Procuro a câmera que ela irá fotografar e retiro o tripé.

— Vem, vamos procurar algo digno de ser fotografado. – Jogo a mochila para ela e começo a andar, apenas o som dos seus passos demostra que me segue. A vegetação ainda está fraca por conta do inverno, mas uns maços de verde se ressaltam na paisagem seca. São quase seis horas quando o acho um local adequado. Uma árvore seca ao longe e uma vegetação seca, mas não destruída e ainda com orvalho nos finos galhos do arbusto pequeno sem folha poderia considera-lo como vegetação rasteira.

Retiro minha câmera da bolsa a deixando no chão, os primeiros raios do sol estão apontando no horizonte, não posso deixá-los escapar senão tudo será em vão. Corro para esquerda e coloco o tripé da outra câmera para tirar uma foto lateral do nascer do sol enquanto a outra irá fotografa a árvore e o arbusto de frente com o sol de fundo.

— Sakura traz a câmera que segura, rápido! – Ela sai do transe que estava e vem sem entusiasmo e me entrega a câmera.

— Você fez nós virmos até aqui para tirar uma foto da posição norte? Você sabe que o sol nasce em outra posição né? – Sua expressão de descrença irrita, mas não irrita mais que sua pergunta sem nexo. Então lembro que Sakura não entende de fotografia, mas não tenho tempo de explicar mais nada.

— A câmera está ligada, coloca ela no tripé e quando eu mandar você aperta o botão. – Volto para minha câmera correndo e deito-me no chão. Visualizo pelo olho da lente o sol ao fundo a árvore seca distante e a vegetação rasteira com gotas do sereno, perfeito! Agora é só aguardar o momento exato.

— Sasuke eu acho que a câmera não está funcionando. – Retiro meu olho do visor da câmera para olhar a figura de cabelo rosa com as mãos estendidas para o alto segurando a câmera com a lente apontada para si própria apertando o botão na tentativa de fazer funcionar. Que droga! Não tenho tempo para resolver isso.

— Deixa para lá. – O vento forte distorce minha voz, volto para o visor a tempo de pegar os primeiros raios solares atingindo as gotas de orvalho nos galhos secos da vegetação rasteira em parceria com as pedras e areias tristes. Um clique e pronto, uma foto perfeita ou quase.

Seria perfeita se Sakura conseguisse cumprir com a simples tarefa de colocar a câmera no tripé e clicar no botão, mas não rolou. Retiro mais umas fotos na mesma posição e depois levanto-me para ver o que aconteceu com a câmera.

— Me dá aqui. – Sakura está sentada no chão olhando o sol terminar de nascer, estende a máquina e volta para sua observação. O que será que aconteceu com está máquina? Coloco o olho no visor e tudo está perfeitamente normal, até mesmo retiro uma foto e o barulho que indica que tudo saiu como esperado aparece. Qual é Sakura?

— A câmera está funcionando perfeitamente Sakura. – Não consigo segurar o suspiro de frustação, com as duas câmeras a montagem iria ficar incrível. Seus olhos voltam para meu rosto com um sorriso forçado no rosto.

— Desculpa, eu pensei que era aquelas câmeras que a foto sai instantaneamente. –Balanço minha cabeça em desaprovação, isso só pode ser castigo. Entretanto desisto de dizer qualquer coisa para ela, agora só quero voltar para casa.

— Tudo bem, vamos embora. – Ela apoia o corpo nos braços esticados para trás não se importando se irá sujar a roupa com areia ou terra.

— Ah, espera só o sol nascer por completo. – Deixo a e volto para o carro que não está distante e sim a poucos metros do local da foto. Encosto na lataria do carro para observar melhor a paisagem, mas a única coisa que consigo olhar é a irritante de costa apreciando os primeiros raios solares em seu rosto. Como é que ela deu conta de nascer?

Sakura Povs.

Sem dúvida a visão do sol nascendo não é pagável, chega até compensar as brutalidades do Sasuke. Me diz, como alguém pode ser tão impaciente como ele? Está certo que eu não consegui tirar a foto, mas não precisava invadir meu apartamento e me sacudir feito um saco de batatas qualquer o caminho inteiro.

É só o sol acabar de nascer que um irá se livrar do outro e tudo ficara bem, sem grosserias ou xingamentos. Sei que não xingou verbalmente, mas mentalmente tenho certeza. Me levanto e desequilibro nas pedrinhas fofinhas que tem em toda parte, até dá vontade de levar uma para casa, como lembrança que eu estive aqui, mas prefiro esquecer deste dia, melhor da companhia que tive.

Volto para o carro e encontro Sasuke encostado em seu carro com uma mão alisando o queixo e com os olhos fixos em algo atrás de eu. Olho para trás para ver o que o senhor Uchiha observa, mas apenas consigo ver relva seca.

Com minha aproximação Sasuke entra no carro e liga os motores antes mesmo de eu chegar até o automóvel, sem educação! O que aconteceu com o cavalheirismo? Onde o cara, não importa a relação entre ele a mulher, abria a porta para ela entrar e se sentar? Eu faço Neji fazer isso de vez em quando alegando que não consigo abrir a porta do carro apenas para fazê-lo perder a paciência.

Sasuke retorna para o asfalto em total silêncio, o meu sono sumiu, pelo contrário eu poderia dormir até chegar em Konoha. Sasuke liga o rádio, mas desliga em seguida por conta das propagandas sem fim. Seu silêncio é incomodador, até parece que costuraram sua boca.

De repente escuto um som forte soar, acho que tem algo errado com o carro. Olho para Sasuke, sua expressão neutra não existe mais, suas sobrancelhas franzidas demais denunciam que seu humor não está bom. Não sei por qual motivo que está assim, só sei que a culpa não é minha.

Ele para o carro na estrada deserta e sem fim. Desce em seguida para ver o que está acontecendo enquanto eu fico no carro olhando o que tem no porta luvas, enfim nada que presta.

Em seguida eu escuto sua risada sem graça de sempre. O que será que aconteceu? Desço para saber por que raios Sasuke está rindo. O encontro com as mãos no rosto e logo em seguida elas seguem para o cabelo preto e de corte perfeito. Rico babaca!

— O que aconteceu? – A única coisa que consigo perguntar com está expressão de desprezo que ele me olha, mas eu entendo a minha também não é a das melhores.

— O que aconteceu Haruno? O pneu do carro furou, foi isso o que aconteceu. – Será que ele percebe que está gritando ou eu vou ter que falar? Tem momentos que ele me assusta.

— Ei, isso não é culpa minha está bem? Ou você acha que sou mais uma do seu fã clube que quer ficar presa com você no meio do nada. – Minha paciência com o grosseirão acaba, o que ele está pensando, que sou sua namorada para gritar comigo? Sua expressão neutra retorna e seus olhos fixos me incomodam.

— Não é só trocar o pneu? – Retiro minhas mãos da cintura e o sorriso fino no rosto dele aparece.

— Até que você não é burra como pensei que era. Sim Sakura, é só trocar o pneu, mas meu irmão furou o pneu do seu carro e pegou o meu de reserva e não repôs.- Sua voz engrossa a cada palavra que diz, como assim Sasuke? Diz que é mentira.

— Não! –Enquanto tento me consolar Sasuke fecha o porta malas e empurra o carro para fora da pista, eu não acredito nisso, só pode ser castigo.

— Toma sua mochila. – Joga a mochila com força, como se a culpa pelo pneu ter estourado fosse minha. Começa a andar em direção a Konoha, deve estar muito longe ainda.

Ele me deixa para trás a cada passo que dá, deve estar a mais de dez metros na minha frente, nem sequer olha para trás para certificar que eu não morri de sede, maldito. Apenas se passaram quinze minutos que estou caminhando e acho que já atingi a cota desta vida e da outra. Ainda são sete horas, será que ninguém vai perceber minha demora e vai resolver certificar se tudo está bem? Acho que não.

Retiro meu agasalho por conta do calor, vou morrer por falta de água pela ideia idiota do idiota do Sasuke de ir para cidade caminhando. Meu relógio aponta que mais minutos passaram e nada no horizonte, apenas o Uchiha mais a frente de camisa preta e mochila jogada sobre o ombro direito a caminhar a passos largos. Vai garotão, me deixa para trás. Sei que um carro vai aparecer e oferecer carona e como você vai estar bem na frente não vai ganhar. Então vou passar por você e acenar feito Miss universo. Entretanto olho para trás e apenas vejo o asfalto rachado e o calor cada vez maior.

— Anda Sakura. – Sasuke grita e para de andar, me esperando querido? Pode ir sem eu, cretino sacudidor de meninas adormecidas. Me aguarda embaixo do sol que cada vez fica com seus raios mais quentes. O vento com partículas de areia machuca meus olhos, mas consigo ver a expressão de desprezo de Sasuke. Mal me aproximo e ele retorna a andar, infeliz!

Hoje é sábado. Onde estão as pessoas de espirito jovens que resolveram sair da cidade por essa via e ir para praia ou para o inferno? Tanto faz, na verdade onde estão os carros, caminhões, submarinos? Qualquer coisa, por favor.

E pensando em pessoas de espíritos jovens, recordo brevemente de um convite da senhorita Hyuuga para hoje a noite, o qual acho que não poderei comparecer por motivos acadêmicos. Sim, acadêmicos já que estou voltando de um trabalho da escola a pé e falta nada mais do que uns quarenta quilômetros. Que uma placa perdida no meio do capim, por qual acabo de passar, indica com precisão o tanto que ainda tenho a caminhar. E isso no final das contas, é tudo culpa minha não é Sasuke?

Notas finais
Espero que tenham gostado, caso sim. Diga algo! Até o próximo e beijos.